Mandaçaia

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Mandaçaia carregando pólen

Mandaçaia carregando pólen
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Ordem: Hymenoptera
Superfamília: Apoidea
Família: Apidae
Tribo: Meliponini
Género: Melipona
Espécie: M. quadrifasciata
Nome binomial
Melipona quadrifasciata

Mandaçaia (Melipona quadrifasciata (Lepeletier)) é uma abelha nativa brasileira, do genero Meliponini. A espécie mede de 10 mm a 11 mm de comprimento, com cabeça e tórax pretos cobertos com abundantes cerdas negras, abdome também preto com quarto faixas amarelas brilhantes e asas ferrugíneas. Constrói seus ninhos dentro de cavidades existentes nos troncos ou galhos das árvores. Também é conhecida pelos nomes de amanaçaí, amanaçaia, manaçaia e mandaçaia-grande.

É uma abelha bastante conhecida dos criadores de abelhas sem ferrão brasileiras (meliponicultores), por ser bastante dócil, adaptável a diversos ambientes e ter boa produtividade de mel. Suas colônias são relativamente pequenas, mas mesmo assim podem produzir até 4 litros aproveitáveis de mel por ano se as condições forem adequadas. No entanto, ela tem por hábito preencher os espaços vazios de suas colmeias com grande quantidade de geoprópolis, uma mistura de cerume, argila e eventualmente (na falta de materiais argilosos, esterco de animais, sendo considerada uma abelha "suja". Por isso a extração do seu mel precisa ser feita com cuidados especiais para evitar a contaminação.

Subespécies[editar | editar código-fonte]

Existem duas subespécies de mandaçaia: M. quadrifasciata quadrifasciata, que possui quatro listras amarelas sobre o dorso negro e é mais comum nas regiões ao sul da área de ocorrência da espécie, e M. quadrifasciata anthidioides, mais comum ao norte e que também possui as quatro listras, porém interrompidas no meio. As duas subespécies podem se reproduzir livremente, gerando descendentes híbridas férteis mas que possuem a coloração amarronzada ao invés de negra com as quatro faixas amarelas contínuas.

Distribuição geográfica[editar | editar código-fonte]

Pernambuco, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul.[1]

Ecologia[editar | editar código-fonte]

São abelhas sociais que quando em colônias fortes apresentam o comportamento de voar sobre as pessoas, esbarrando na pele, mas raramente beliscam. Quando seu ninho é aberto a maioria das abelhas simplesmente se esconde rapidamente nos cantos mais escuros. Isso torna sua defesa contra agressores pouco eficiente, e é um fator que contribui para a redução do número de colônias desta espécie na natureza. Seus ninhos são encontrados em ocos de árvores, sendo que a entrada possui raias convergentes de barro e o espaço permite que somente uma abelha passe de cada vez. Há sempre uma abelha vigiando a passagem para evitar a entrada de potenciais inimigos, e daí vem o nome da espécie pois em tupi-guarani "mandá" significa vigia e "çaí" quer dizer bonito, daí mandaçaia - vigia bonito.

Os favos de cria são horizontais ou helicoidais e não ocorrem células reais. O invólucro está presente ao redor dos favos e é construído com cerume. Os potes de alimento são ovóides e apresentam de 3 a 4 cm de altura.[2] As colônias apresentam de 400 a 600 abelhas (Lindauer & Kerr, 1960).[3] Nesta espécie a diferenciação de casta é determinada por fatores genéticos e alimentares, e de 12 a 25% das crias originam rainhas.[4] O período completo de desenvolvimento para Melipona é de aproximadamente 38 dias, sendo 5 dias de desenvolvimento embrionário (ovo), 15 dias de estágio larval e 18 dias de estágio pupal.[5]

Plantas utilizadas por esta espécie para forrageamento[editar | editar código-fonte]

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Plantas utilizadas por esta espécie para nidificação[editar | editar código-fonte]

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Referências

  1. Silveira et al.. 2002. "Abelhas Brasileiras". Belo Horizonte
  2. NOGUEIRA; NETO; 1970. "A criação de abelhas indígenas sem ferrão". Tecnapis
  3. LINDAUER, M; KERR, WE; (1960). Communication between the workers of stingless bees. Bee World 41: 29-41 & 65-71
  4. KERR, WE; NIELSEN, RA; (1966). Evidences that genetically determined Melipona queens can become workers, Genetics 54: 859-866.
  5. ROSSINI, AS. Caracterização das mudas ontogenéticas e biometria dos corpora allata de Melipona quadrifasciata anthidioides Lep. (Hymenoptera, Apidae). 1989. Dissertação de Mestrado, IBCR-UNESP. São Paulo
  6. MORGADO, L.N.; CARVALHO C.F.; SOUZA B. & SANTANA M.P. (2002) Fauna de abelhas (Hymenoptera: Apoidea) nas flores de Girassol Helianthus annuus L., MG. Ciênc. Agrotec. Lavras, 26(6): 1167-1177.
  7. AGUILAR, J.B.V. A comunidade de abelhas (Hymenoptera: Apoidea) da Reserva Florestal de Morro Grande, Cotia, São Paulo. 1998.PHD Thesis. Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP
  8. MARTINS, C.F. Estrutura da comunidade de abelhas (Hym., Apoidea) na caatinga (Casa Nova, BA) e na Chapada Diamantina (Lençóis, BA.). 1990. PHD Thesis. Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP
  9. CAMPOS, M.J. DE O. Estudo das interações entre a comunidade de Apoidea, na procura de recursos alimentares, e a vegetação de cerrado da Reserva de Corumbataí, SP. 1989. PHD Thesis. Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, SP
  10. CORTOPASSI-LAURINO, M.; ALVES, D.A. & IMPERATRIZ-FONSECA, V.L. 2003. Árboles para nidos de meliponíneos. In: Memorias III Seminario Mesoamericano sobre Abejas sin Aguijón: 99-101.
  11. CASTRO, M.S. A comunidade de abelhas (Hymenoptera; Apoidea) de uma área de caatinga arbórea entre os inselbergs de Milagres (12º53'S; 39º51'W), Bahia. 2001. Tese de Doutoramento. Universidade de São Paulo, São Paulo, SP.
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