Manezinho

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Manezinho é o termo popularmente utilizado para designar os nativos de Florianópolis, capital de Santa Catarina, Brasil. O termo pode se estender também aos que nasceram nos municípios vizinhos à capital catarinense, como São José, Biguaçu e Palhoça. A figura do manezinho foi moldada na região praieira da ilha de Santa Catarina. Também chamados de "barriga-verde".

Mas originalmente são chamados assim devido sua ascedência histórica de meados do século XVIII, de populações das ilhas dos Açores pertencente a Portugal. Os habitantes dessas ilhas também são chamados de "Manezinhos da Ilha". A maior parte dos decendentes é de cultura pesqueira e da extinta caça às baleias. Esta prática que hoje é ilegal, foi muito praticada em Florianópolis antes da proibição. A praia do Matadeiro tem este nome por ter sido no passado um local de recepção desses caçadores com os mamíferos do mar que hoje, graças a proteção ambiental estão de volta ao litoral catarinense, sendo muito admirado pelos moradores e principalmente pelos turistas. A também proibida farra do boi também está associada aos seus costumes pois o acontecimento faz parte dos povos do Mar Mediterrâneo, o que inclui os Açores por pertencer a Portugal. Mas a semelhança de Florianóplis com as ilhas dos Açores por todos estes motivos citados é o que traz aos Manezinhos o orgulho de poder reproduzir e perpetuar a cultura açoriana, presente também na culinária, costumes, pensamentos. Na arquitetura, destaca-se Santo Antônio de Lisboa, que é uma praia afastada do centro de Florianópolis onde se reune casarões antigos da época da colonização açoriana. O Mercado Municipal no centro, os outros prédios ao seu redor e a Igreja Matriz são ícones marcantes na história da ilha.

Manezinho da Ilha[editar | editar código-fonte]

Os habitantes de vilarejos em regiões praieiras da ilha, afastadas do centro urbano eram chamados pejorativamente de manezinhos da ilha, caracterizados pelo falar rápido e cantante, com pronúncia peculiar. De alguns anos para cá, porém, o termo manezinho da ilha já não é tão pejorativo na região, e também os moradores das demais partes do município passaram a ostentar orgulhosamente essa qualificação. O maior tenista brasileiro, Gustavo Kuerten se declarou manezinho da ilha, após vencer o Torneio de Roland Garros, dignificando este termo.

A transformação da figura ocorreu a partir da década de 1980, quando foi criado por iniciativa do carnavalesco Aldírio Simões, um verdadeiro manezinho, o Troféu Manezinho da Ilha, com o objetivo de resgatar o orgulho e o sentimento ilhéu. Também foi criado o "Dia do Manezinho", instituído pela lei municipal da cidade de Florianópolis nº 6.764", sancionada no dia 2 de setembro de 2005, como sendo o primeiro sábado do mês de junho.

Também se faz importante citar o trabalho desenvolvido pela atriz Vanderléia Will , que desde 1991 personifica uma tipica rendeira, lavadeira e benzedeira de uma vila pesqueira da ilha de Santa Catarina. Seu trabalho enaltece e valoriza a imagem dos antigos moradores. De forma comica e interativa vem se apresentando por diversos teatros , divulgando o folclore ilhéu. Há 3 anos realiza o Projeto Dona Bilica e Convidados, uma verdadeira homenagem as raizes açorianas.

É provável que "mané", do qual "manezinho" seria o diminutivo, derive de "Manuel", nome ibérico de origem hebraico-cristã outrora comum em Florianópolis/Nossa Senhora do Desterro e principalmente nos Açores, e em Portugal.

As expressões e a vocalização usadas no falar do povo simples nativo da Ilha de Santa Catarina tem sido pejorativamente chamadas manezês, antes apenas referido como falar ilhéu. É muito semelhante ao sotaque da população da Ilha dos Açores, e até certo ponto, dos Portugueses.

No tratamento corriqueiro do dia a dia, o verbo é conjugado frequentemente na segunda pessoa do singular. Porém, é mais comum ainda escutá-lo com forte sotaque a ponto de pronunciá-lo como uma variante "não-padrão" quando conjugado no pretérito perfeito. Por exemplo: - Tu "dormisse" bem? - pela norma-padrão seria: - Tu dormiste bem?, fenômeno lingüístico similar (assimilação do /t/) ocorre no estado de Pernambuco.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]