Manoel Carlos
| Manoel Carlos | |
|---|---|
| Fotografia de Manoel Carlos | |
| Nome completo | Manoel Carlos Gonçalves de Almeida |
| Outros nomes | Maneco |
| Nascimento | 14 de março de 1933 (78 anos) São Paulo, SP |
| Ocupação | Autor, escritor, dramaturgo |
Manoel Carlos Gonçalves de Almeida, mais conhecido apenas como Manoel Carlos ou simplesmente Maneco (São Paulo, 14 de março de 1933) é um escritor e autor de telenovelas brasileiro.[1] Seus trabalhos são conhecidos por retratar a sociedade carioca contemporânea, principalmente no bairro do Leblon. É pai da atriz Júlia Almeida.
Índice |
[editar] Biografia
[editar] Carreira
Um dos pioneiros da televisão brasileira, iniciou sua carreira na década de 1950, fez parte Grande Teatro Tupi, na extinta Tv Tupi, dirigido por Sérgio Britto, Fernando Torres, e Flávio Rangel, no ar por mais de dez anos. Com elenco no qual se destacam Fernanda Montenegro, Ítalo Rossi, Natália Thimberg, Fernando Torres, Zilka Salaberry, Aldo de Maio e Cláudio Cavalcanti, o teleteatro apresentou um repertório de mais de 450 peças dos maiores autores nacionais e estrangeiros. Dirigiu e produziu programas como a Família Trapo, exibida na Rede Record no final dos anos 1960[1], Esta Noite se Improvisa, O Fino da Bossa (com Elis Regina) e a primeira fase do Fantástico, entre 1973 e 1976.
Em 1978 escreve sua primeira telenovela: Maria, Maria, seguida por A Sucessora, ambas adaptações literárias[1]. Em 1980, atua como colaborador de Gilberto Braga em Água Viva[1], um clássico das telenovelas que abordava justamente os conflitos da burguesia e da classe média cariocas, temática que permearia toda a sua obra desde então, como pode se verificar logo em Baila Comigo (1981), sua primeira novela das 20h[1]. Em 1982, larga Sol de Verão pela metade, abalado com o falecimento de Jardel Filho, protagonista da novela e seu amigo pessoal[1]. A novela foi concluída por Gianfrancesco Guarnieri e Lauro César Muniz e saiu do ar antes do previsto.
[editar] Outros sucessos
Sai da Rede Globo em seguida, escrevendo duas tramas na Rede Manchete: a minissérie Viver a Vida, em 1984, e a novela Novo Amor, em 1986[1]. Em 1989, escreve a minissérie O Cometa, na Rede Bandeirantes[1].
Volta para a Globo em 1991, quando escreve a novela Felicidade, que foi uma livre adaptação da obra de Aníbal Machado; foi uma das mais picotadas no Vale a pena ver de novo: 55 capítulos contra 203 da exibição original, nele também o esquema da exibição do último capítulo fugiu ao habitual: exibição do penúltimo capítulo na quinta-feira, reprise do penúltimo na sexta, último no sábado e reprise do último na segunda um pouco antes da novela substituta: Despedida de solteiro (1992), de Walther Negrão.
Seguem-se: História de Amor (1995) que foi uma comemoração dos trinta anos de carreira da atriz Regina Duarte que pela primeira vez interpretava um papel nesse horário das 18 horas e que cuja sinopse foi alterada devido à determinação do Ministério da Justiça que considerava o tema da paixão de mãe e filha pelo mesmo homem inadequado para o horário; o tema seria discutido na novela Laços de Família em 2000 que também abordava a leucemia que ganhou o merchandising social; Por amor (1997/1998) que retomava o tema do sacrifício que uma mãe é capaz de fazer pelos filhos, como na novela anterior História de amor, Por amor também abordava temas como bissexualismo, alcoolismo, jogo do bicho, e outros. Mulheres apaixonadas foi um relativo sucesso de 2003 e teve muitos temas fortes, como lesbianismo, preconceito social e contra os idosos, celibato, alcoolismo, violência doméstica, traição, câncer, romance entre mulheres mais velhas e jovens rapazes, o tormento provocado pelo ciúme e outros.
Em 2006 escreveu o sucesso Páginas da Vida em que retratava novamente Regina Duarte como sua Helena, uma médica forte e determinada que resolve cuidar de uma criança portadora de síndrome de down que fora rejeitada pela avó, a perversa Marta, interpretado brilhantemente por Lilia Cabral. Em 2009 escreve Viver a Vida novamente com o bairro do Leblon como cenário principal e Taís Araújo como a Helena da vez. A novela teve audiência levemente superior com 37 pontos de média-geral, porém se identificou com o público, que ficou bem emocionado com o drama de Luciana, vivida por Alinne Moraes, uma modelo que sofre um acidente e tornar-se tetaplégica, para agonia da mãe, a neurótica Teresa vivida brilhantemente por Lília Cabral que por esse trabalho foi indicada ao prêmio internacional Emmy Awards de 2010.
[editar] Curiosidades
Apesar de ser mais reconhecidos por suas novelas, Manoel Carlos obteve grande sucesso nas duas minisséries que escreveu para a Rede Globo. Presença de Anita, exibida em 2001, foi baseada no romance homônimo de Mário Donato. Presença de Anita também foi a responsável pela maior audiência registrada por uma minissérie na década de 2000, com média de 30 pontos no Ibope. A minissérie bateu, de longe, outros grandes sucessos como A Muralha e A Casa das Sete Mulheres, que registraram 29 e 28 pontos, respectivamente.[2]
Oito anos depois, o autor escreveria Maysa - Quando Fala O Coração, uma espécie de biografia da cantora Maysa, já falecida. A produção também teve grande sucesso popular e reconhecimento merecido da crítica.
Além das novelas, escreveu também as minisséries Presença de Anita, em 2001, cuja protagonista era a estreante Mel Lisboa, escolhida entre outras 100 jovens e é baseada no romance homônimo de Mário Donato e Maysa - Quando Fala o Coração,de 2009, e que teve a estreante Larissa Maciel no posto da protagonista.
É pai do dramaturgo e ator Ricardo de Almeida (falecido em 1988), com quem co-escreveu O Cometa, da escritora e roteirista Maria Carolina e da atriz Júlia Almeida, que atuou em todos os seus trabalhos de História de Amor a Mulheres Apaixonadas.
Também escreveu textos e telenovelas para vários países, como Uma Família como Outra Qualquer, El Circulo e Brilho, para tvs da Colômbia; e El Magnate, para a televisão estadunidense, em 1990. Teve sua versão de A Sucessora adaptada duas vezes no exterior, a primeira com o título de Manuela, em 1991, uma co-produção entre tvs da Argentina e da Itália, e com o nome de Isabella, Una Mujer Enamorada, em 1999, no Peru.
- Lílian Lemmertz, Maitê Proença, Regina Duarte, Vera Fischer, Christiane Torloni e Taís Araújo foram respectivamente todas as "Helenas" das tramas de Manoel Carlos.
O autor anunciou recentemente em sua página no Twitter que a sua próxima novela será em 2013 e anunciou também que será a última.
[editar] Helena e personagens marcantes
Uma característica marcante de suas tramas, pelo menos desde Baila Comigo, é o batismo de suas personagens principais com o nome de Helena. Segundo o autor, esta preferência pelo nome não se deve a nenhuma Helena em especial; é apenas um nome que lhe passa a imagem de mulher forte, decidida, como a Helena de Troia. Somente em Sol de verão e Novo amor o autor não incluiu uma Helena em sua história. Taís Araújo foi a última Helena em Viver a Vida em 2009. Por meio de seu twitter oficial, ele anunciou que sua próxima Helena será a atriz Julia Lemmertz.
Questionado sobre uma Helena especial em sua carreira, Maneco diz que gostou de todas[3]:
| Só a Regina Duarte fez três. Eu também gostei muito da Helena vivida pela minha queridíssima amiga, já morta, a Lília Lemmertz, em “Baila Comigo”. Também me lembro muito bem da Vera Fischer, em “Laços de Família”, e da Maitê Proença, em 1991, em “Felicidade”, além da minha querida Christiane Torloni, de “Mulheres Apaixonadas”, e a minha querida mulata Tais Aráujo em "Viver a Vida". Eu tenho Helenas muito boas. Dá para gostar de todas |
Um tipo de personagem marcante na trama do autor é o de uma menina revoltada, rebelde e muito difícil de lidar. Esse tipo já foi vivido por Vivianne Pasmanter, como a nefasta Laura, de Por Amor que vivia para separar Marcelo (Fabio Assunção), seu grande amor, de Eduarda(Gabriela Duarte). A vilã chegou a engravidar de Marcelo para separá-los, mas o amor deles foi mais forte. Além da nefasta Laura, Vivianne Pasmanter também viveu a personagem Débora, de Felicidade, a moça que que depois do reencontro de seu amor Álvaro (Tony Ramos) e Helena (Maitê Proença) não deu mais paz a esta, tentando matar sua filha Bia, além de fazer ameaças e no fim tentar matá-la no final da novela com uma arma mas o tiro atingiu Alvaro, pela atriz Deborah Secco em Laços de Família, como a rebelde Íris que infernizou a vida da sobrinha Camila por ela ter roubado o namorado da mãe Helena, por Regiane Alves,em Mulheres Apaixonadas, como a terrível Dóris que maltratava os avós, por Danielle Winits como a mimada Sandra que humilhava pessoas e pais por ter mais dinheiro, em Páginas da Vida, e por Adriana Birolli, como a invejosa Isabel de Viver a Vida, que tinha inveja das duas irmãs por estas terem mais atenção dos pais do que ela. Segundo ele, estes personagens são inspirados em sua filha, a atriz Júlia Almeida.
Outros nomes constantes em seus trabalhos são Marta, Eduarda, Luciana, Sandra, Marcos, Miguel, Gracinha, Ingrid, Onofre e Dr. Moretti, este último, o médico que, segundo ele, salvou sua vida.
Os atores José Mayer, Lília Cabral, Helena Ranaldi, Natália do Vale, Regiane Alves, Regina Duarte e Vivianne Pasmanter são uns das atores prediletos que Manoel Carlos, todos ja estiveram em mais de três novelas do autor.
Julia Lemmertz será a proxima Helena, como anunciado no programa Domingão do Faustão. Na ocasião, Julia participava do quadro Arquivo Confidencial, quando foi convidada por Manoel para viver sua proxima e ultima Helena.
[editar] Bossa Nova
Em suas novelas se tornou marcante trilhas sonoras com grandes sucessos da Bossa Nova, como "Sei lá... A vida sempre tem razão", "Wave", "Corcovado"(Quiet Nights) e "Pela Luz dos olhos teus". Músicas de Vinícius de Moraes, Tom Jobim e Toquinho.
[editar] Carreira
[editar] Televisão
- Telenovelas
| Ano | Trabalho | Emissora | Escalação | Parceiros Titulares |
|---|---|---|---|---|
| 1952 | Helenna | TV Paulista | autor principal | |
| 1978 | Maria, Maria | Rede Globo | autor principal | |
| 1978 1979 |
A Sucessora | Rede Globo | autor principal | |
| 1980 | Água Viva | Rede Globo | co-autor | Gilberto Braga |
| 1981 | Baila Comigo[4] | Rede Globo | autor principal | |
| 1982 1983 |
Sol de Verão[4] | Rede Globo | autor principal | Lauro César Muniz Gianfrancesco Guarnieri |
| 1986 | Novo Amor | Rede Manchete | autor principal | |
| 1991 1992 |
Felicidade[4] | Rede Globo | autor principal | Elizabeth Jhin |
| 1995 1996 |
História de Amor | Rede Globo | autor principal | Elizabeth Jhin |
| 1997 1998 |
Por Amor[4] | Rede Globo | autor principal | Letícia Dornelles |
| 2000 2001 |
Laços de Família[4] | Rede Globo | autor principal | |
| 2003 | Mulheres Apaixonadas[4] | Rede Globo | autor principal | |
| 2006 2007 |
Páginas da Vida[4] | Rede Globo | autor principal | |
| 2009 2010 |
Viver a Vida | Rede Globo | autor principal |
- Minisséries
| Ano | Trabalho | Emissora | Escalação | Parceiros Titulares |
|---|---|---|---|---|
| 1984 | Viver a Vida | Rede Manchete | autor principal | |
| 1989 | O Cometa | Rede Bandeirantes | autor principal | |
| 2001 | Presença de Anita[4] | Rede Globo | autor principal adaptação |
|
| 2009 | Maysa - Quando Fala o Coração | Rede Globo | autor principal | Ângela Chaves |
- Seriados
| Ano | Trabalho | Emissora | Escalação | Parceiros Titulares |
|---|---|---|---|---|
| 1960 | Hebe Camargo | Rede Record | autor principal produtor e diretor |
|
| 1962 | Corte-Rayol Show | Rede Record | autor principal diretor geral |
|
| 1963 | Chico Anysio Show | TV Rio | autor principal | |
| 1967 | Família Trapo | Rede Record | autor principal diretor geral |
|
| 1979 | Malu Mulher | Rede Globo | autor secundário | Euclydes Marinho Daniel Filho |
| 1986 | Joana | TV Manchete | autor principal | |
| 1987 | Uma Família como qualquer outra | Colômbia | autor principal | |
| 1993 | Caso Especial "O Besouro e a Rosa" |
Rede Globo | autor principal |
- Musicais
| Ano | Trabalho | Emissora | Escalação |
|---|---|---|---|
| 1960 | Brasil 60 | TV Excelsior | diretor geral |
| 1961 | Brasil 61 | TV Excelsior | diretor geral |
| 1962 | Brasil 62 | TV Excelsior | diretor geral |
| 1963 | Brasil 63 | TV Excelsior | diretor geral |
| 1966 | Bossaudade | Rede Record | autor princial |
| 1966 | O Fino da Bossa | Rede Record | autor principal |
| 1967 | Pra ver a banda passar | Rede Record | autor principal |
| 1967 | Show do Dia 7 | Rede Record | autor principal |
- Programas
| Ano | Trabalho | Emissora | Escalação |
|---|---|---|---|
| 1958 | Iaiá Garcia | TV Paulista | autor principal ator |
| 1968 | Esta noite se improvisa | Rede Record | autor principal produtor e diretor |
| 1968 | Alianças para o sucesso | Rede Record | autor principal produtor e diretor |
| 1973 | Globo Gente | Rede Globo | autor principal diretor geral |
| 1976 | Convocação Geral | Rede Globo | diretor geral |
- Jornalismo
| Ano | Trabalho | Emissora | Escalação |
|---|---|---|---|
| 1972 | Fantástico | Rede Globo | diretor geral |
| 1975 | TV: ano 25 | Rede Globo | autor principal diretor geral e editor |
[editar] Teatro
- Como ator
- 1950 - O urso
- 1951 - Juventude sem dono
- 1952 - Society in baby doll
- 1953 - A valsa do imperador
- 1954 - O canto da cotovia
- Como diretor
- 1971 - Chico Buarque
- 1977/83 - Série Seis e meia
[editar] Trabalhos na Literatura Brasileira
- 1958 - Fernando Pessoa: uma luz sobre vários poetas
- 1982 - Bicho alado
- 2001 - Presença de Anita - roteiro da minissérie
- 2005 - Off: uma história de teatro
- 2006 - A arte de reviver
[editar] Prêmios
- 1997
- "Prêmio Contigo" - melhor novela: Por Amor
- "Prêmio Contigo" - melhor autor
- "Troféu Imprensa" - melhor novela: Por Amor
- "APCA" - melhor novela: Por Amor
- 2001
- "Prêmio Contigo" - melhor minissérie: Presença de Anita
- "Festival Latino Americano de Cine, Vídeo e TV de Campo Grande" - melhor novela: Laços de Família
- "Festival Latino Americano de Cine, Vídeo e TV de Campo Grande" - melhor autor
- "Troféu Internet" (SBT) - melhor novela: Laços de Família
- "Troféu Imprensa" - melhor novela: Laços de Família
- 2003
- "Troféu Imprensa" - melhor novela: Mulheres Apaixonadas
- "Prêmio Contigo" - melhor novela: Mulheres Apaixonadas
- "Prêmio Contigo" - melhor autor
- "Prêmio Conta Mais" - melhor novela: Mulheres Apaixonadas
- "Prêmio Qualidade Brasil" SP - melhor novela: Mulheres Apaixonadas
- "Prêmio Qualidade Brasil" SP - melhor autor
- "Prêmio Qualidade Brasil" RJ - melhor novela: Mulheres Apaixonadas
- "Prêmio Qualidade Brasil" RJ - melhor autor
- "Troféu Leão de Ouro" (atual "Troféu Leão Lobo") - melhor novela: Mulheres Apaixonadas
- "Troféu Leão de Ouro" (atual "Troféu Leão Lobo") - melhor autor
- 2006
- "Prêmio Contigo" - melhor novela: Páginas da Vida
- "Prêmio Contigo" - melhor autor
- "Troféu Internet" (SBT) - melhor novela: Páginas da Vida
- Troféu Imprensa" - melhor novela: Páginas da Vida
- "Prêmio Extra de Televisão" - melhor novela: Páginas da Vida
- 2009/2010
- "Prêmio Contigo" - melhor série: Maysa - Quando Fala o Coração
- "Prêmio Quem Acontece" - melhor autor: Maysa - Quando Fala o Coração
- "Prêmio Extra de Televisão" - melhor série: Maysa - Quando Fala o Coração
- "Troféu Raça Negra" - prêmio especial: Viver a Vida
- "Top Of Business" - melhor autor: Viver a Vida
Referências
[editar] Bibliografia
- Autores - Histórias da Teledramaturgia (Volume II), páginas 36 a 111.
