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Manuel Alegre de Melo Duarte (Águeda, 12 de Maio de 1936), escritor e político português.
Filho de José de Faria e Melo Ferreira Duarte e de Maria Manuela Alegre de Melo Duarte, a sua família tem referências na política e no desporto – o seu trisavô esteve nas revoltas contra D. Miguel I, foi fundador dos caminhos de ferro do Barreiro e primeiro Visconde dessa localidade; o avô materno, pertenceu à Carbonária e foi deputado à Assembleia Constituinte em 1991, bem como Governador Civil de Santarém; o avô paterno introduziu, com Guilherme Pinto Basto, várias modalidades desportivas em Portugal, e deu o seu nome ao antigo Estádio de Futebol de Aveiro; o seu pai jogou na Académica e foi campeão de atletismo; o próprio Manuel Alegre sagrou-se campeão nacional de natação e foi atleta internacional da Associação Académica de Coimbra nessa modalidade. A sua infância e juventude encontram-se retratadas no romance Alma (1995).
À excepção dos primeiros estudos, feitos em Águeda, o restante percurso escolar é marcado por constantes mudanças de estabelecimentos de ensino: fez o primeiro ano do liceu no Liceu Passos Manuel, no segundo esteve três meses como aluno interno no Colégio Almeida Garrett, no Cartaxo, seis meses no Colégio Castilho, em São João da Madeira e depois foi para o Porto, concluíndo os estudos secundários no Liceu Alexandre Herculano. Aí fundou, com José Augusto Seabra, o jornal Prelúdio.
Vai, em 1956, para a Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Pouco tempo depois encetava uma activa participação cívica e política, envolvendo-se oposição estudantil ao Estado Novo, enquanto membro da Comissão da Academia, apoiando (em 1958) a candidatura de Humberto Delgado à Presidência da República. Não teve menor relevo na actividade cultural: participou na fundação do Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra e foi actor do Teatro de Estudantes da Universidade de Coimbra. Durante esse período actuou em Bruxelas (1958), Cabo Verde (1959) e Bristol (1960).
Em 1960 publica poemas nas revistas Briosa, que dirigiu, Vértice e Via Latina, participando ainda nas colectâneas A Poesia Útil e Poemas Livres, juntamente com Rui Namorado, Fernando Assis Pacheco e José Carlos Vasconcelos.
Em 1961 é chamado a cumprir serviço militar e assenta praça na Escola Prática de Infantaria, em Mafra, de onde saía, pouco depois, para a Ilha de São Miguel. Aí desencadeia o movimento de Juntas de Acção Patriótica de Estudantes, constituídas por militares e civis. Além disso chega a traçar, com Melo Antunes e outros, um plano para tomar conta da ilha, que não se concretiza, conseguindo, apenas espalhar panfletos onde se discutia a validade do regime e da Guerra do Ultramar. Em 1962 é mobilizado para Angola, onde é preso pela PIDE e condenado a seis meses de reclusão na Fortaleza de S. Paulo, em Luanda, acusado de tentativa de revolta militar contra à guerra. Na cadeia conhece escritores angolanos como Luandino Vieira, António Jacinto e António Cardoso. Regressa a Portugal em 1964. A ameaça de nova detenção e de julgamento pelo Tribunal Militar leva-o a passar à clandestinidade e a partir para o exílio, tendo sido auxiliado pelos poetas João José Cochofel, que o esconde no norte do país.
Chegado a Paris em Julho de 1964, participa na Terceira Conferência e é eleito para a Direcção da Frente Patriótica de Libertação Nacional (presidida por Humberto Delgado). Isto dar-lhe-á a possibilidade de depor, como representante dessa organização, perante as Nações Unidas, sobre a sua experiência em Angola, visitar vários países e contactar com os líderes dos movimentos africano de libertação, como Agostinho Neto, Eduardo Mondlane, Samora Machel, Amílcar Cabral, Mário Pinto de Andrade e Aquino de Bragança. Entre 1964 e 1974 está exilado em Argel. É locutor da emissora A Voz da Liberdade. Entretanto, os seus dois primeiros livros, Praça da Canção (1965) e O Canto e as Armas (1967), circulavam clandestinamente. Poemas seus, cantados por Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira, tornam-se emblemáticos da chamada resistência. Em 1968 entra em ruptura com o Partido Comunista Português, de que era militante desde 1957, em consequência dos acontecimentos de Praga de 1968 e da invasão da Checoslováquia pelas forças do Pacto de Varsóvia. Regressa a Portugal a 2 de Maio de 1974. Entra nos quadros da Radiodifusão Portuguesa, como director dos Serviços Recreativos e Culturais, e é um dos fundadores (com Piteira Santos, Nuno Bragança e outros) dos Centros Populares 25 de Abril, que pretendiam um papel cívico complementar ao dos partidos. Ainda em 1974 adere ao Partido Socialista, de que foi dirigente nacional, e é eleito deputado à Assembleia Constituinte, em 1975. É deputado à Assembleia da República a partir de 1976, integrando também o I Governo Constitucional, primeiro como Secretário de Estado da Comunicação Social, depois como Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro para os Assuntos Políticos. Ainda no Parlamento foi presidente da Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros, vice-presidente da Delegação Parlamentar Portuguesa ao Conselho da Europa, vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS e vice-presidente da Assembleia da República. É membro do Conselho de Estado e das Ordens honoríficas de Portugal. Em 2004 é candidato a Secretário-geral do PS, perdendo para José Sócrates e, em 2005, é candidato indepdenente às eleições presidenciais, tendo obtido mais de um milhão de votos, superando Mário Soares, então candidato oficial do PS. É coordenador do MIC - Movimento de Intervenção e Cidadania.
Além da actividade política, salienta-se o seu proeminente labor literário, quer como poeta, quer como ficcionista, sendo a sua obra dominada, tanto pelo espírito combaitivo, como pela amargura da prisão. É o único autor português incluído na antologia Cent poemes sur l'exil, editada pela Liga dos Direitos do Homem, em França (1993). Entre os seus inúmeros de poemas musicados contam-se a Trova do vento que passa. Pelo conjunto da sua obra recebeu, entre outros, o Prémio Pessoa (1999), sendo de mencionar também o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1998). É sócio-correspondente da Classe de Letras da Academia das Ciências de Lisboa, eleito em 2005.
- 1965 - Praça da Canção
- 1967 - O Canto e as Armas
- 1971 - Um Barco para Ítaca
- 1976 - Coisa Amar (Coisas do Mar)
- 1979 - Nova do Achamento
- 1981 - Atlântico
- 1983 - Babilónia
- 1984 - Chegar Aqui
- 1984 - Aicha Conticha
- 1991 - A Rosa e o Compasso
- 1992 - Com que Pena – Vinte Poemas para Camões
- 1993 - Sonetos do Obscuro Quê
- 1995 - Coimbra Nunca Vista
- 1996 - As Naus de Verde Pinho
- 1996 - Alentejo e Ninguém
- 1997 - Che
- 1998 - Pico
- 1998 - Senhora das Tempestades
- 2001 - Livro do Português Errante
- 2008 - Nambuangongo, Meu Amor
- 2008 - Sete Partidas
- 1997 - Contra a Corrente (discursos e textos políticos)
- 2002 - Arte de Marear (ensaios)
- 2006 - O Futebol e a Vida, Do Euro 2004 ao Mundial 2006. (crónicas)
[editar] Candidatura à presidência em 2006
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[editar] Ligações Externas