Manuel Alegre

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Manuel Alegre
Nascimento 12 de Maio de 1936 (78 anos)
Águeda, Águeda
Nacionalidade Portugal português(a)
Progenitores Mãe: Maria Manuela Alegre de Melo Duarte
Pai: Francisco José de Faria e Melo Ferreira Duarte
Ocupação Escritor, Poeta; Membro do Conselho de Estado
Principais trabalhos Praça da Canção; O Canto e as Armas; Alma; Cão Como Nós
Prémios Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1998), Prémio Pessoa (1999)
Página oficial
http://manuelalegre2011.pt

Manuel Alegre de Melo Duarte GCL (Águeda, Águeda, 12 de Maio de 1936) é um escritor e político português.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Filho de Francisco José de Faria e Melo Ferreira Duarte, que jogou na Académica e foi campeão de atletismo, e de sua mulher Maria Manuela Alegre de Melo Duarte[1] , a sua família tem referências na política — um dos seus ascendentes esteve nas revoltas contra D. Miguel I, tendo sido decapitado na Praça Nova do Porto - e no desporto — o próprio Manuel Alegre sagrou-se campeão nacional de natação e foi atleta internacional da Associação Académica de Coimbra nessa modalidade. A sua infância e juventude encontram-se retratadas no romance Alma (1995).

À excepção dos primeiros estudos, feitos em Águeda, frequentou diversos estabelecimentos de ensino: fez o primeiro ano do liceu no Passos Manuel, em Lisboa, no segundo esteve três meses como aluno interno no Colégio Almeida Garrett, no Cartaxo, seis meses no Colégio Castilho, em São João da Madeira, e depois foi para o Porto, concluindo os estudos secundários no Liceu Central Alexandre Herculano. Aí fundou, com José Augusto Seabra, o jornal Prelúdio.

Anos em Coimbra[editar | editar código-fonte]

Em 1956 entra na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Pouco depois entra nos grupos de oposição de estudantes ao Salazarismo por via de uma amiga sua. Torna-se militante do Partido Comunista Português em 1957, que viria a abandonar em 1968. É membro da Comissão da Academia quando esta apoia a candidatura de Humberto Delgado à Presidência da República, em 1958. Participou ainda na fundação do Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra e foi actor do Teatro de Estudantes da Universidade de Coimbra, deslocando-se para actuar em Bruxelas (1958), Cabo Verde (1959) e Bristol (1960).

Em 1960 publica poemas nas revistas Briosa (que dirigiu), Vértice e Via Latina, participando ainda na colectânea A Poesia Útil e Poemas Livres, juntamente com Rui Namorado, Fernando Assis Pacheco e José Carlos Vasconcelos.

Guerra Colonial[editar | editar código-fonte]

Em 1961 é chamado a cumprir serviço militar e assenta praça na Escola Prática de Infantaria, em Mafra, de onde sai, pouco depois, para a Ilha de São Miguel. Em 1962 é mobilizado para Angola, onde é preso pela PIDE, em 1963. Regressado a Portugal, é-lhe fixada residência em Coimbra. Em 1964 exila-se em Paris.[2] .

No exílio[editar | editar código-fonte]

Chegado a Paris em Julho de 1964, participa na Terceira Conferência e é eleito para um cargo na Direcção da Frente Patriótica de Libertação Nacional, presidida por Humberto Delgado. Isto dar-lhe-á a possibilidade de depor perante as Nações Unidas, como representante dessa organização, sobre a sua experiência em Angola, e contactar com os líderes dos movimentos africanos de libertação, como Agostinho Neto, Eduardo Mondlane, Samora Machel, Amílcar Cabral, Mário Pinto de Andrade e Aquino de Bragança. Em 1964 parte para o exílio, em Argel, onde é locutor da emissora de rádio A Voz da Liberdade.

Nessa emissora difunde conteúdos contra o regime anti-democrático português[3] . Entretanto os seus dois primeiros livros, Praça da Canção (1965) e O Canto e as Armas (1967), são apreendidos pela censura, mas cópias manuscritas ou dactilografadas circulam de mão em mão, clandestinamente. Poemas seus, cantados, entre outros, por Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira, Manuel Freire e Luis Cília tornam-se emblemas da luta clandestina.

Em 1968, afasta-se do Partido Comunista Português para aderir à Acção Socialista Portuguesa.

De regresso a Portugal[editar | editar código-fonte]

Uma década depois de ter partido para Argel regressa a Portugal, onde chega a 2 de Maio de 1974. Entra nos quadros da Radiodifusão Portuguesa, como director dos Serviços Recreativos e Culturais, e é um dos fundadores (com Piteira Santos, Nuno Bragança e outros) dos Centros Populares 25 de Abril, uma organização que pretendia um papel cívico, complementar ao dos partidos.

Ainda em 1974 adere ao Partido Socialista, de que foi dirigente nacional. Estreia-se como deputado na Assembleia Constituinte, em 1975. É deputado à Assembleia da República a partir de 1976, integrando também o I Governo Constitucional (de Mário Soares), primeiro como Secretário de Estado da Comunicação Social, depois como Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro para os Assuntos Políticos. Também no Parlamento foi presidente da Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros, vice-presidente da Delegação Parlamentar Portuguesa ao Conselho da Europa, vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS e vice-presidente da Assembleia da República. Em 2004 foi candidato a secretário-geral do PS, perdendo para José Sócrates. Em 2006 foi candidato independente às eleições presidenciais, tendo obtido mais votos que Mário Soares, então candidato oficial do PS. Após essas eleições funda o Movimento de Intervenção e Cidadania. Em 2009 cessa o seu último mandato como deputado à Assembleia da República, após trinta e quatro anos no Parlamento. Mantém-se como membro do Conselho de Estado e das Ordens Honoríficas de Portugal. Em 2010 anuncia a sua candidatura às es eleições presidenciais de 2011, conseguindo o apoio do PS, do BE, bem como dos dirigentes do MIC.

No total foi deputado 34 anos. Reforma-se após deixar o parlamento. Aufere uma reforma de 3219,95€ [4] (para a qual contaram os descontos efectuados como deputado[5] ), uma subvenção vitalícia superior a dois mil euros mensais.[6] . A sua reforma foi motivo de diversos boatos nos meios de comunicação social, que foram levados a Tribunal, culminando no pagamento a Manuel Alegre de uma indemnização no valor de quarenta mil euros, como compensação por danos morais em virtude de notícia publicada em Junho de 2006, no jornal diário Correio da Manhã, e que lhe imputava o recebimento de uma reforma superior a três mil euros por escassos meses de trabalho na RDP, esquecendo os mais de 30 anos em que Manuel Alegre descontou para a Caixa Geral de Aposentações enquanto deputado na Assembleia da República. Manuel Alegre ganhou os recursos em sede de tribunal de primeira instância, de novo na relação de Lisboa, e de novo em sede de Supremo Tribunal de Justiça [7] . Acumula ainda uma subvenção vitalícia superior a dois mil euros mensais [8] , aplicada a todos os titulares de cargos públicos com desempenhos superiores a 12 anos [9] .

Casou duas vezes, primeiro com Isabel de Sousa Pires, de quem não teve filhos, e depois com Mafalda Maria de Campos Durão Ferreira (Lisboa, 13 de Dezembro de 1947), de quem tem dois filhos e uma filha.

Obra literária[editar | editar código-fonte]

Além da actividade política, saliente-se o seu proeminente labor literário, quer como poeta, quer como ficcionista. Entre os seus inúmeros poemas musicados contam-se a Trova do vento que passa, cantada por Adriano Correia de Oliveira, Amália Rodrigues, entre muitos outros. Reconhecido além fronteiras, é o único autor português incluído na antologia Cent poemes sur l'exil, editada pela Liga dos Direitos do Homem, em França (1993). Em Abril de 2010, a Universidade de Pádua, em Itália, inaugurou a Cátedra Manuel Alegre, destinada ao estudo da Língua, Literatura e Cultura Portuguesas. Pelo conjunto da sua obra recebeu, entre outros, o Prémio Pessoa (1999) e o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1998). É sócio-correspondente da Classe de Letras da Academia das Ciências de Lisboa, eleito em 2005.

Poesia[editar | editar código-fonte]

  • 1965 - Praça da Canção
  • 1967 - O Canto e as Armas
  • 1971 - Um Barco para Ítaca
  • 1976 - Coisa Amar (Coisas do Mar)
  • 1979 - Nova do Achamento
  • 1981 - Atlântico
  • 1983 - Babilónia
  • 1984 - Chegar Aqui
  • 1984 - Aicha Conticha
  • 1991 - A Rosa e o Compasso
  • 1992 - Com que Pena — Vinte Poemas para Camões
  • 1993 - Sonetos do Obscuro Quê
  • 1995 - Coimbra Nunca Vista
  • 1996 - As Naus de Verde Pinho
  • 1996 - Alentejo e Ninguém
  • 1997 - Che
  • 1998 - Pico
  • 1998 - Senhora das Tempestades
  • 2001 - Livro do Português Errante
  • 2008 - Nambuangongo, Meu Amor
  • 2008 - Sete Partidas

Ficção[editar | editar código-fonte]

Literatura Infantil[editar | editar código-fonte]

  • 2007 - BARBI-RUIVO, O meu primeiro Camões, ilustrações de André Letria, Publicações Dom Quixote, 1ª edição, Novembro de 2007
  • 2009 - O PRÍNCIPE DO RIO, ilustrações de Danuta Wojciechowska, Publicações Dom Quixote, Abril de 2009

Outros[editar | editar código-fonte]

  • 1997 - Contra a Corrente (discursos e textos políticos)
  • 2002 - Arte de Marear (ensaios)
  • 2006 - O Futebol e a Vida, Do Euro 2004 ao Mundial 2006. (crónicas)

Principais condecorações e medalhas[editar | editar código-fonte]

  • Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, Portugal (19 de Maio de 1989)
  • Orden Jugoslovenske Zvesde sa Zlatnim Vencem
  • Condecoração atribuída pelo Reino de Marrocos
  • Comenda da Ordem de Isabel, a Católica, Espanha
  • Grande Oficial da Ordem de Bernardo O’Higgins, Chile
  • Ordem de Mérito Nacional da Argélia, "DJADIR", atribuída pelo Presidente Bouteflika em 31.05.2005
  • Grande Oficial da Ordem "Stella Della Solidarietá" Italiana, atribuída pelo Presidente de Itália em 2.06.08
  • 1º Grau da Ordem Amílcar Cabral, Cabo Verde
  • Medalha de Mérito do Conselho da Europa, de que é Membro Honorário
  • Medalha de Honra da Sociedade Portuguesa de Autores em 21.05.08
  • Medalha da Cidade de Veneza, por ocasião do Convénio Internacional "La Porta d’Oriente -Viaggi e Poesia", Novembro de 1999
  • Medalha de Ouro da Cidade de Águeda, sua terra natal
  • Medalha da Cidade de Pádua, atribuída a 19 de Abril de 2010, tendo sido agraciado com o título de cidadão honorário

Candidatura à presidência em 2006[editar | editar código-fonte]

Candidato votos  %
Aníbal Cavaco Silva 2 746 689
 %
Manuel Alegre 1,125,077
 %
Mário Soares 778 781
 %
Jerónimo de Sousa 466 507
 %
Francisco Louçã 288 261
 %
Garcia Pereira 23 622
0,44%
Abstenção 3 303 972
 %

Referências

  1. Acórdão Nº 504/2010 Tribunal Constitucional (27 de dezembro de 2010). Página visitada em 10 de janeiro de 2011.
  2. Biblioteca Municipal Manuel Alegre. Manuel Alegre. Página visitada em 28 de Outubro de 2010.
  3. Diário de Notícias. Alegre confrontado com insinuações de traição. Página visitada em 28 de Outubro de 2010.
  4. Lista dos aposentados e reformados cuja pensão é paga pela Caixa Geral de Aposentações a partir do mês de Agosto de 2006 ou das datas indicadas:. [S.l.]: Caixa Geral de Aposentações, 2006. 32 pp.
  5. Correio da Manhã. Santana e Alegre pedem pensão vitalícia 11 de Fevereiro de 2010. Página visitada em 16 de Outubro de 2010.
  6. Diário de Notícias. Alegre recebe duas pensões do Estado. Página visitada em 12 de Fevereiro de 2010.
  7. Alberto Sobrinho. Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça. [S.l.]: Supremo Tribunal de Justiça, 2009.
  8. Diário de Notícias. Alegre recebe duas pensões do Estado. Página visitada em 12 de Fevereiro de 2010.
  9. Estatuto Remuneratório dos Titulares de Cargos Públicos. [S.l.]: Assembleia da República, 2009.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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