Manuel Azaña Díaz
| Manuel Azaña | |
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| Presidente Azaña.jpg Manuel Azaña |
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| Presidente do governo da |
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| Mandato | Presidente da Segunda República 1936 a 1939 Presidente do governo da Espanha |
| Vida | |
| Nascimento | 1880 Alcalá de Henares |
| Falecimento | 1940 Montauban |
Manuel Azaña Díaz (Alcalá de Henares, 10 de janeiro de 1880 — Montauban, 3 de novembro de 1940) foi um político espanhol, segundo e último presidente efetivo da Segunda República Espanhola.
Além de ter sido um dos políticos e oradores mais importantes na política espanhola do século XX, foi um notável jornalista e escritor, que conseguiu o Premio Nacional de Literatura em 1926. Sua obra La velada en Benicarló, sobre a Guerra Civil Espanhola é uma interessante reflexão a respeito da década de 1930 na Espanha. Os seus Diários -feitos a conhecer poucos anos há- são um dos documentos mais importantes deste momento histórico.
Índice |
Etapa reformista[editar]
Nascido numa família abastada, ficou órfão ainda criança, e estudou no mosteiro do Escorial com frades agostinianos.
Licenciou-se em Direito pela Universidade de Saragoça em 1897. Doutor em Direito pela Universidade Central de Madrid em 1900, com uma tese intitulada A responsabilidade das multidões, concursou à Direção General dos Registros e do Notariado.
Em 1914 afiliou-se ao Partido Reformista liderado por Melquíades Álvarez, sendo esse mesmo ano eleito secretário do Ateneu de Madrid. Por esse partido foi candidato a Deputado pela povoação toledana de Puente del Arzobispo, sem sucesso. Em 1920 fundou a revista La Pluma junto com quem, passando o tempo, seria o seu cunhado Cipriano Rivas Cherif; em 1922 dirige o semanário España.
Muito crítico com a ditadura de Primo de Rivera, publicou em 1924 um enérgico notório contra o ditador e contra o rei Afonso XIII, fundando ao ano seguinte com José Giral o partido Ação Republicana.
Segunda República[editar]
Participou em 1930 no Pacto de San Sebastián, gérmen do futuro governo republicano que surgiria do resultado favorável às candidaturas republicanas nas eleições municipais do 12 de Abril de 1931 e o subsequente abandono do país por parte do rei Afonso XIII.
Nomeado ministro da Guerra no Governo provisório da Segunda República, a 14 de Abril de 1931, substituiria depois a Niceto Alcalá-Zamora como presidente do Governo provisório (em Outubro do mesmo 1931), devido à demissão deste ao ser aprovado o artigo 14 (finalmente 16) da Constituição, dedicado à questão religiosa. Durante o debate deste artigo, Azaña, que interveio na sua qualidade de deputado, pronunciou um dos seus mais famosos discursos, no que incluía a famosa frase "Espanha parou de ser católica".:1
| Cada uma destas questões, Sres. Deputados, tem uma premissa inescusável, inapagável na consciência pública, e ao vir aqui, ao tomar feitura e contextura parlamentar, é quando surge o problema político. Eu não me refiro às duas primeiras, mas a isto que chamam problema religioso. A premissa deste problema, hoje político, formulo-a eu desta maneira: Espanha parou de ser católica; o problema político conseguinte é organizar o Estado em modo tal que quede adequado a esta fase nova e histórica o povo espanhol.
Eu não posso admitir, Sres. Deputados, que isto seja chamado de problema religioso. O autêntico problema religioso não pode exceder dos limites da consciência pessoal, porque é na consciência pessoal onde é formulado e responde à pergunta sobre o mistério do nosso destino. Este é um problema político, de constituição do Estado, e é agora precisamente que este problema perde até as aparências de religião, de religiosidade, porque o nosso Estado, ao contrário do Estado antigo que tomava sobre si a curatela das consciências e dava meios de impulsionar as almas, mesmo contra a sua vontade, pelo caminho da sua salvação, exclui toda preocupação ultraterrena e tudo cuidado da fidelidade, e tira à Igreja aquele famoso braço secular que tantos e tão grandes serviços lhe foram prestados. Trata-se simplesmente de organizar o Estado espanhol com sujeição às premissas que acabo de estabelecer. Para afirmarmos que a Espanha parou de ser católica temos as mesmas razões, quero dizer da mesma índole, que para afirmarmos que a Espanha era católica nos séculos XVI e XVII. Seria uma disputa vã se nos pusermos a examinar agora que deve Espanha ao catolicismo, o qual acostuma ser o tema favorito dos historiadores apologistas; eu acredito mais bem que é o catolicismo quem deve à Espanha, porque uma religião não vive nos textos escritos dos Concílios ou nos infólios dos seus teólogos, mas no espírito e nas obras dos povos que a abraçam, e o gênio espanhol derramou-se pelos âmbitos morais do catolicismo, como o seu gênio político se derramou pelo mundo nas empresas que todos conhecemos. |
Como presidente do governo de coligação republicano-socialista levou a cabo as principais reformas previstas no programa republicano: reforma do Exército, dimensionando-o de acordo às capacidades do país e do erário público; reforma agrária; reforma do ensino, potenciando a pública; estatuto de autonomia da Catalunha, etc. Teve, além disso, tempo para estrear o seu drama La Corona.
Todas estas questões políticas, junto com a agitação social existente em grande parte do país, acarretar-lhe-ão múltiplos problemas com os poderes fáticos, especialmente com a Igreja Católica e com parte do Exército, em concreto dos seguidores do general José Sanjurjo em Agosto de 1932. Finalmente, os acontecimentos de Casas Viejas, Castilblanco e Arnedo motivaram o seu cesse, a 8 de Setembro de 1933, por parte do presidente Alcalá-Zamora.
Presidência da República[editar]
A 19 de Novembro de 1933, triunfou a coligação formada pelo Partido Republicano Radical de Alejandro Lerroux e a Confederação Espanhola de Direitas Autônomas (CEDA) de José María Gil-Robles, o que trouxe como consequência a sua retirada temporária da política e a sua volta à atividade literária e editorial. Desta data são os livros Una política e En el Poder y en la Oposición, recompilações de discursos parlamentares.
O afastamento político durou pouco, e em 1934 fundou o partido Esquerda Republicana, fruto da fusão de Ação Republicana com o Radical-Socialista, liderado por Marcelino Domingo e a Organização Republicana Galega Autônoma (ORGA) de Santiago Casares Quiroga.
A revolução de 1934 nas Astúrias e em Barcelona serviu como pretexto para o acusar de instigador dos mesmos, pelo qual o encarceram a bordo do destróier Sánchez Barcáiztegui, ancorado no porto em Barcelona, resultando finalmente absolvido no processo judiciário, acontecimento que narra no seu livro Mi Rebelión en Barcelona.
A 16 de Fevereiro de 1936, resulta vencedora a coligação de partidos de esquerda denominada Frente Popular, sendo Azaña encarregue de formar governo. Após a destituição de Alcalá-Zamora, foi nomeado Presidente da República a 10 de Maio de 1936.
Guerra civil e exílio[editar]
O começo da guerra civil, após as suas inúteis tentativas de conscientizar as diferentes forças políticas republicanas dos perigos da sua desunião, supõe um duro golpe para Azaña. A isto é adicionada a solidão a que o relegou, em Madrid, o Governo republicano. O posterior desenvolvimento da contenda piorou o seu estado de ânimo, como fica refletido nas suas memórias, onde relata os seus desencontros com líderes do governo, como Francisco Largo Caballero e, especialmente, Juan Negrín.
A 18 de Julho de 1938, ante as Cortes reunidas em Barcelona, pronunciou o célebre discurso no que instava à reconciliação entre os dois bandos, sob o lema Paz, Piedad, Perdón.
Ocupada Barcelona pelo exército sublevado a 26 de Janeiro de 1939 e Gerona a 5 de Fevereiro, este mesmo dia retira-se a França. A 27 do mesmo mês, ao reconhecer a França e a Grã-Bretanha o governo ditatorial do general Franco, apresentou a sua demissão como Presidente da República, sendo substituído com caráter provisório por Diego Martínez Barrio.
Refugiado no Rossilhão, com média França ocupada pelo exército alemão e outra média sob administração do governo títere de Pétain, é vigiado e fustigado sem cessar por agentes do regime ditatorial do general Franco, que pretendiam a sua captura e deportação à Espanha. Finalmente, a Gestapo decidiu detê-lo. O embaixador do México frente do regime de Vichy, Luis I. Rodríguez, apercebido aparentemente pelos próprios alemães, conseguiu livrar o presidente dos seus captores e transladá-lo, numa difícil viagem em ambulância, para Montauban, em primeiro lugar ao 34 da Rua de Michelet e logo ao Hôtel du Midi, onde a legação mexicana utilizou vários quartos como sede provisória, na que se refugiaram numerosos espanhóis exilados na espera de poderem fugir da França.
Azaña instalou-se com a sua esposa no quarto número 11 do Hôtel du Midi, o mesmo que usava como moradia e escritório o embaixador (e onde há ainda uma placa que lembra esse fato). Ali, prematuramente envelhecido e esgotado pela penúria sofrida, faleceu a 4 de Novembro de 1940.
O marechal Pétain proibiu que fosse enterrado com honras de Chefe de Estado: somente acedeu a que fosse coberto o seu féretro com a bandeira espanhola, na condição de esta ser a bicolor tradicional, e em jeito algum a republicana. O embaixador do México decidiu então que fosse enterrado coberto com a bandeira mexicana. Segundo conta nas suas memórias, Rodríguez disse ao prefeito francês:
| Cobri-lo-á com orgulho a bandeira do México- Para nós será um privilégio; para os republicanos, uma esperança, e para vocês, uma dolorosa lição. |
Os seus restos repousam no cemitério de Montauban (Trapeze Q, Section 7). Deixou escrito que não se movimentassem do sitio onde repousassem.
Existe a Associação Manuel Azaña, que gere uma livraria e organiza atos culturais na Espanha.
Referências
- ↑ Discurso completo em http://www.segundarepublica.com/index.php?opcion=6&id=43
Bibliografia[editar]
- Memorias políticas y de guerra de Manuel Azaña Díaz, Ed. Grijalbo (Barcelona) 1996 ISBN 84-253-2931-0
- Diarios, 1932-1933 : los cuadernos robados de Manuel Azaña Díaz, Ed. Crítica (Barcelona) 1997 ISBN 84-7423-868-4
- Max Lagarrigue, - "Manuel Azaña en Montauban. La ultima morada del presidente de la República española, Manuel Azaña", em Repùblica – 70 anys després, Valencia (Espanha), 2001, pp. 64–65.
- Luís Arias Argüelles-Meres. Azaña o el sueño de la razón- Editorial Nerea. Madrid 1990 ISBN 84-86763-43-6
- Federico Suárez. Manuel Azaña y la guerra de 1936. Ed. Rialp (Madrid) 2000, ISBN 84-321-3319-1
- Fresdeval de Manuel Azaña Díaz, Pre-Textos, Valencia 1987. ISBN 84-85081-84-6. ISBN 9788485081844
Ver também[editar]
Ligações externas[editar]
- Página da associação Manuel Azaña na França
- Reexaminando a história regional, Arkheia
- Manuel Azaña em Rojoyazul.net
- Associação Manuel Azaña na França (em francês)
- Associação Manuel Azaña na Espanha
- Manuel Azaña de Pelai Pagés, Universidade de Barcelona
- Voz de Manuel Azaña, de Fonoteca de Radio
- Ensaios sobre Manuel Azaña
- O narrador Manuel Azaña
- A associação "Presencia Manuel Azaña" (França), que tem a sede em Montauban, lançou os "Dias Manuel Azaña", cada ano o dia aniversário do falecimento do Chefe de Estado, a 3 de Novembro. A associação tenta preservar a sua memória e a história Association Manuel Azaña (em francês)
| Precedido por Niceto Alcalá-Zamora |
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| Precedido por Niceto Alcalá-Zamora |
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Sucedido por Augusto Barcía Trelles |