Manuel da Ressurreição (Primaz do Brasil)

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Manuel da Ressurreição
Arcebispo da Igreja Católica
Arcebispo da Bahia

Título

Primaz do Brasil
Ordenação e Nomeação
Nomeado Arcebispo 31 de agosto de 1687
Brasão Arquiepiscopal
ArchbishopPallium PioM.svg
Dados Pessoais
Nascimento Coimbra ou Gouveia, São Pedro
Falecimento Salvador
16 de janeiro de 1691
dados em catholic-hierarchy.org
Arcebispos
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo

Dom Frei Manuel Pinheiro da Ressurreição, O.F.M. (Coimbra ou Gouveia, São Pedro, 164? - Salvador, 16 de janeiro de 1691) foi um prelado português, arcebispo da Bahia e Primaz do Brasil, além de governador interino do Brasil.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascido Manuel Pinheiro Sotomaior, que tomou ordens menores em 1657 com seu irmão primogênito António Furtado Sotomaior (Gouveia, São Pedro, b. 14 de junho de 1637 - ?),[1] o qual foi Cavaleiro Professo da Ordem de Cristo por Carta de 24 de novembro de 1685.[2] [3]

Foi matriculado em Cânones na Faculdade de Cânones da Universidade de Coimbra em 1661 com o nome de Manuel Pinheiro Furtado,[4] sendo ordenado em 1674.[5] Graduado pela Faculdade de Cânones, foi Colegial de São Pedro em Coimbra, habilitado em 1672,[6] Lente da mesma Universidade, Promotor da Inquisição de Coimbra e Deputado do Santo Ofício da mesma Inquisição por Provisão de 12 de junho de 1674.[7] [8]

Cônego na Sé de Lamego,[9] a 12 de maio de 1687, foi elevado a 3.º arcebispo da Arquidiocese de São Salvador da Bahia, Primaz do Brasil, sendo seu nome confirmado em 31 de agosto. Chegou a Salvador em 13 de maio de 1688, onde ficou até 1691, quando veio a falecer.

Em sua época, havia grave pestilência de febre amarela, daí ter proclamado São Francisco Xavier orago de Salvador.

Dele se refere no Livro da Casa de Santa Eulália que tendo abandonado o século se retirou no Colégio do Varatojo, sendo o primeiro noviço que lá entrou. Missionário apostólico, foi nomeado Arcebispo da Metrópole da Baía, servindo também de Presidente da Relação e Governador na mesma cidade, na qual morreu no ano de 1694 em cheiro de santidade.[10]

Foi Padrinho de seu sobrinho-neto homónimo.[11]

Governador interino[editar | editar código-fonte]

Por ocasião da morte do governador-geral Matias da Cunha, assumiu o Governo interinamente com o chanceler da Relação Manuel Carneiro de Sá.

Enviou em 30 de novembro de 1688 uma carta à Câmara da Vila e ao capitão-mor de São Paulo, Tomás Fernandes de Oliveira, pois os índios, em defesa mútua, haviam formado uma confederação: estavam unidos os sucurus, paiacus, icós e ariús. Na carta, pedia os melhores cabos paulistas «para exterminar o flagelo». O portador da carta foi João Amaro Maciel Parente, filho de Estêvão Ribeiro Baião Parente, morto antes de novembro de 1679.

"João Amaro levantou em São Paulo uma companhia e, com o posto de capitão-mor lugar-tenente de Matias Cardoso de Almeida, seguiu para a Bahia por mar e dirigu-se pelo sertão para as margens do rio São Francisco, na planície do rio Verde, onde o esperava Matias. Formaram-se então em meados de 1692 numerosas companhias e a de João Amaro partiu para a barra do rio Jaguaribe, onde ergueu arraial, e de lá para o Rio Grande do Norte atual, onde permaneceu quatro anos destruindo tribos indígenas, queimando aldeias, aprisionando o gentio, pelo que teve a recompensa do posto de coronel e uma grande sesmaria na Bahia (que vendeu depois ao coronel Manuel de Araújo Aragão, pois em 1703 estava no rio das Velhas), com o senhorio da vila que o pai erguera sob a invocação de Santo Antônio. João Amaro em 1693 abriu uma estrada pelas matas de Ilhéus, que vinha cortando pelo rio Pardo, Jequitinhonha e Salsa, a qual, infletindo depois para o Norte, ia ter ao rio Paraguaçu e dai às margens do rio São Francisco - foi a primeira e maior via que se obteve no sertão baiano.

Em outra carta de 18 de dezembro de 1688, como governador interino, o arcebispo escreveu a Matias Cardoso de Almeida, para o encarregar da guerra ao que chamava "bárbaros do Rio Grande do Norte". Dizia-se informado pelo mestre-de-campo Antônio Guedes de Brito que, do arraial da Manga, Matias Cardoso seguira viagem para a vila de São Paulo, de onde pretendia trazer grande quantidade de mantimentos e de armas. Por esse motivo o arcebispo lhe escrevia para São Paulo, pedindo-lhe para aceitar a incumbência.

É curiosa a carta à Corte do Arcebispo da Bahia, que governava juntamente com o desembargador Manuel Carneiro de Sá, pois entre ambos havia constantes atritos e falta de harmonia. O chanceler retirou-se do governo e não deu mais sinal de vida. O Arcebispo escreveu à Corte para perguntar como publicar a lei de 1688 - tinha dúvida se podia se aplicar ao Brasil lei relativa a moedas que aqui não corriam, e mandava que as patacas de menos de sete oitavas de prata fossem pesadas e valessem a tostão a oitava. Ora, a generalidade das patacas da Bahia não passava de 4 oitavas e meia, valiam 640; cada moeda perderia portanto, levada à balança, 190 réis. O prejuízo total seria 300 mil cruzados. Resolvera por isso participar às cortes tal inconveniente e esperar.

Recém chegado à terra, o arcebispo tinha escrúpulos, pois se haviam antecipado em Pernambuco. Mandou assim, ao som de caixas e tambores, proceder à publicação. Na carta enviada, estava satisfeito da sua obra.

Ora, apenas divulgada a lei, a câmara se encheu de povo descontente, redigindo papel contrário. O arcebispo convocou uma Junta de Governo e o desembargador Carneiro de Sá não compareceu. Votaram-se resoluções: eliminou-se a balança, fixou-se em dois cruzados o valor da pataca (2 patacas) que pesasse 6 oitavas e meia e daí para cima; em 700 rs a de 6 oitavas perfeitas até 6 e meia; as de 4 e meia até 6 continuariam a valer 640 rs. Antes da Junta, só se tratava de reunir as moedas de maior peso e conduzi-las a bordo, mas muitos navios não tinham lastro, outros só meia carga.

Depois da Junta apareceu dinheiro de peso, e espertavam-se as compras de açúcar, já embarcado, a frota pronta a seguir. A elevação da prata que devia vigorar apenas na Bahia se estendeu pelo Brasil e se firmou como uma conquista irrevogável. Como navegavam por monções, havia longa, incerta e intermitente navegação, a notícia do levantamento feito na Bahia apenas chegou a São Paulo em agosto de 1690.

No mesmo mês de junho de 1689, por ofício, o chanceler Carneiro de Sá explica à corte sua relutância: lembrava que para tolher o açambarcamento das moedas de peso bastaria vistoria nos navios, pois levantar dinheiro era regalia de principe e não invejava as glórias do autor, se o ato fosse aprovado.

Referências

  1. Arquivo da Universidade de Coimbra, Ordenações Sacerdotais, Cx. 114
  2. Chancelaria da Ordem de Cristo, Lv. 42, fl. 5v
  3. "Raízes da Beira - Genealogia e Património da Serra da Estrela ao Vale do Mondego", Eduardo Manuel Osório Dias Gonçalves, Dislivro Histórica, 1.ª Edição, Lisboa, 2006, Volume II, p. 662
  4. Arquivo da Universidade de Coimbra, Registo de Matrículas na Universidade de Coimbra
  5. Arquivo da Universidade de Coimbra, Ordenações Sacerdotais, Cx. 1456
  6. Arquivo da Universidade de Coimbra, Habilitações ao Colégio de São Pedro, Cx. 17, N.º 7
  7. Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Habilitações ao Santo Ofício, M. 22, Dil. 529
  8. Raízes da Beira - Genealogia e Património da Serra da Estrela ao Vale do Mondego", Eduardo Manuel Osório Dias Gonçalves, Dislivro Histórica, 1.ª Edição, Lisboa, 2006, Volume II, p. 662 a p. 663
  9. "Raízes da Beira - Genealogia e Património da Serra da Estrela ao Vale do Mondego", Eduardo Manuel Osório Dias Gonçalves, Dislivro Histórica, 1.ª Edição, Lisboa, 2006, Volume II, p. 663
  10. "Raízes da Beira - Genealogia e Património da Serra da Estrela ao Vale do Mondego", Eduardo Manuel Osório Dias Gonçalves, Dislivro Histórica, 1.ª Edição, Lisboa, 2006, Volume II, p. 663
  11. "Raízes da Beira - Genealogia e Património da Serra da Estrela ao Vale do Mondego", Eduardo Manuel Osório Dias Gonçalves, Dislivro Histórica, 1.ª Edição, Lisboa, 2006, Volume II, p. 650

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Precedido por
João da Madre de Deus Araújo, O.F.M.
Brasão arquiepiscopal
Arcebispo de São Salvador da Bahia

1687 — 1691
Sucedido por
João Franco de Oliveira
Precedido por
Matias da Cunha
Presidente da junta governativa do Brasil
1688 — 1690
Sucedido por
António Luís Coutinho da Câmara