Manuel de Almeida Trindade

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Manuel de Almeida Trindade nasceu a 20 de Abril de 1918 na freguesia de Monsanto da Beira, concelho de Idanha-a-Nova, pertencente à diocese de Portalegre e Castelo Branco.[1] Era filho de Daniel Ferreira da Trindade e de Gracinda Rodrigues de Almeida. Veio ainda criança viver com seus pais para Avelãs de Cima, no concelho da Anadia, terra da naturalidade de seus pais. Foi o terceiro bispo diocesano depois que foi restaurada a Diocese de Aveiro, tendo sucedido a Domingos da Apresentação Fernandes, que havia falecido a 21 de Janeiro de 1962.

D.Manuel de Almeida Trindade

História Pessoal[editar | editar código-fonte]

Entre 1925 e 1929 estudou na Escola Primária de Malaposta, em Arcos, Anadia. Em 1930 ingressou no Seminário de Coimbra e ainda seminarista foi enviado para Roma. Entre 1934 e 1940 estudou Filosofia e depois Teologia na Universidade Pontificio Gregoriana onde recebeu a Licentiatura em Filosofia e Bacharelato em Teologia.

Foi ordenado presbítero na Capela do Seminário da Sagrada Família de Coimbra a 21 de Dezembro de 1940 pelo Bispo D. António (II) Antunes. Celebrou Missa nova de ação de graças na igreja matriz de Arcos, Anadia.

Nomeado de imediato membro da Equipa Formadora do Seminário Maior de Coimbra foi dois anos depois escolhido Vice-Reitor do mesmo Seminário, cujo iniciou a 2 de Novembro de 1941. No dia 16 de Fevereiro de 1946 o bispo de Coimbra nomeia-o cónego da Sé de Coimbra. No dia 2 de Abril de 1957 exerce o cargo de Reitor, onde permaneceu até 1962. Nesse mesmo ano o papa Pio XII distinguiu-o como seu prelado de honra, com o título de “monsenhor”. Entre Outubro de 1960 e Junho de 1962 a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra contrata-o como professor equiparado a catedrático, regendo a cadeira «Origens do Cristianismo».

Eleição[editar | editar código-fonte]

No dia 16 de Setembro de 1962 o papa João XXIII elegeu-o como Bispo de Aveiro. Nesse mesmo ano, no dia 11 de Outubro dá-se a inauguração do Concílio Ecuménico Vaticano II. Ainda bispo eleito segue de imediato para Roma para participar na primeira sessão do Concílio Ecuménico Vaticano II,[2] tomando posse canónica por procuração, no ministério pastoral da Diocese de Aveiro, a 8 de Dezembro de 1962.

É ordenado Bispo na Sé Nova de Coimbra em 16 de Dezembro por D. Ernesto Sena de Oliveira e entra solenemente na Diocese de Aveiro em 23 do mesmo mês com homenagem e manifestações públicas de muita alegria.

Bispado[editar | editar código-fonte]

D. Manuel foi membro da conferência dos bispo católicos de Portugal.

No dia 25 de Abril de 1974 dá-se a revolução dos cravos. Escrevia o prelado em suas memórias, sobre os acontecimentos do verão quente de 1975. Envolveu-se não só por ser pastor, mas também por ser cidadão, “ouvindo pessoas simples da diocese, que não podiam ficar de braços cruzados perante a falta de liberdade da comunicação social, preocupado com a censura quer nos jornais da Igreja, como noutros, correndo o risco de ver cair o país noutra ditadura”.[3] No dia 13 de Julho de 1975 acontece uma grande concentração de leigos em Aveiro, em oposição às politicas de cariz comunista. Era uma grande «Manifestação dos Cristãos» em Aveiro, no qual participaram vários lideres de associações sindicais e da Acção Católica, o qual depois deu luz verde para eventos similares ou ainda maiores em Coimbra, Lamego, Leiria e Braga, eventos estes que exigiam respeito pelos direitos fundamentais da pessoa humana e dos portugueses, nomeadamente do direito à informação livre, objectiva e independente.

Foram muitas as decisões, documentos e iniciativas, nos largos anos de trabalho e sacrifício vividos numa missão densa e exigente a que ele nunca se poupou, alargando assim a sua atenção e a sua actividade para além das fronteiras diocesanas.

No dia 30 de Setembro de 1975 o Papa Paulo VI nomeou-o para membro da Sagrada Congregação dos Sacramentos e Culto Divino. Em 1979 e 1981 é escolhido para Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, percorrendo uma fase importante de decisões a nível nacional como universal. D. Manuel trabalhou para “uma convergência entre a aplicação do Concílio na Igreja com o Papa Paulo VI e as mudanças sociais, políticas e cultural que decorriam em Portugal”.[4] Em 1987 recebe do Papa João Paulo II uma mensagem particular, consignada numa carta autógrafa, extremamente elogiosa.

Conferência Episcopal Portuguesa[editar | editar código-fonte]

Foi chamado a exercer ao longo de seis triénios, de 1970 a 1987 vários trabalhos. Foi delegado da Conferência Episcopal Portuguesa no Sínodo dos Bispos em Roma, em Outubro de 1967. No dia 10 de Abril de 1970 é eleito vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa. Voltou a ser delegado no Sínodo do Bispo (Roma) em 1971 e em 1974.

Os Últimos Anos[editar | editar código-fonte]

A Câmara Municipal de Aveiro deliberou por unanimidade atribuir-lhe a medalha de mérito em ouro. Em 1987 outorga o seu nome a uma alameda da freguesia urbana de Santa Joana (Aveiro). Um ano depois, no dia 20 de Janeiro, o papa João Paulo II deferiu favoravelmente o seu pedido de resignação com o título de “bispo emérito” de Aveiro, não tendo completado ainda 70 anos de idade, pouco tempo após ter celebrado o seu Jubileu episcopal.[5] Regressa nesse momento ao seu Seminário de Coimbra onde se acolhe numa vida que continuou sempre laboriosa e preenchida, dedicando-se sobretudo à escrita que lhe permitiu brindar-nos com obras, como Memórias de um Bispo e tantas outras, que se tornam hoje imprescindíveis para compreendermos o percurso da sua vida e do seu ministério assim como a história da Igreja em Portugal.

Faleceu no dia 5 de Agosto de 2008 nos Hospitais da Universidade de Coimbra. Suas exéquias vieram a ser celebradas na Sé de Aveiro e a tumulação em jazigo da Diocese, no Cemitério Central de Aveiro,[6] mesmo ao lado da Sé.

O Escritor[editar | editar código-fonte]

A Cruz que me Pende nos Ombros[editar | editar código-fonte]

A cruz que me pende dos ombros é de oiro, mas não deixará de ser cruz. Mesmo que a amizade e a lealdade dos seus mais próximos colaboradores lhe não faltem, mesmo que a compreensão daqueles que são os detentores do poder o ajude na sua missão, ainda que a estima e a disciplina do povo cristão facilitem a sua actividade pastoral, sempre os cuidados e os trabalhos de um bispo hão de constituir uma cruz. Oxalá eu saiba doirar o ferro dos pesos quotidianos com o oiro fino do autêntico amor de Deus e dos homens! Esse será verdadeiramente o oiro da minha cruz peitoral. (Primeira Saudação Pastoral como Bispo de Aveiro - 23 de Dezembro de 1962 )

Acordem! Acordem![editar | editar código-fonte]

Existem cristãos em todas as dioceses de Portugal. Oxalá que o exemplo de Aveiro os desperte, do Minho ao Algarve... e se apresentem em massa a apoiar os seus bispos. Que os cristãos, se porventura estão adormecidos, acordem finalmente. Acordem! Acordem! (Manifestação de Cristãos ,Aveiro , 13 de Julho de 1975)


Referências

  1. António Francisco dos Santos, Manuel de Almeida Trindade, in Correio do


Precedido por
Domingos da Apresentação Fernandes
Brasão episcopal
Bispo de Aveiro

1962-1988
Sucedido por
António Baltasar Marcelino