Marcel L'Herbier

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Marcel L'Herbier (Paris, 23 de Abril de 1888 ou de 189026 de Novembro de 1979) foi um escritor francês, produtor e realizador de cinema.

Enquanto escritor, escreve peças de teatro, ensaios e poesia. Dedica-se depois totalmente ao cinema. Continua a escrever, aplicando-se em estudos de estética e teoria da sétima arte. É condecorado com a Legião de Honra da França.


Biografia[editar | editar código-fonte]

É educado no Collège Stanislas de Paris e depois estuda Direito na Universidade de Paris. Cumprindo o serviço militar durante a Primeira Grande Guerra no Service Auxiliaire, é destacado para a secção de cinematografia do exército francês entre 1917 e 1918.

A sua carreira cinematográfica torna-se relevante a partir de 1912. Durante três anos, trabalhando com a empresa Gaumont, faz vários filmes da Série Pax, dos quais se destacam L'Homme du large e El Dorado. Funda a sua própria produtora em 1922, a Cinégraphic, empresa em que se formam cineastas como Alberto Cavalcanti e Claude Autant-Lara. Influenciado por Abel Gange, torna-se um dos elementos representativos da vanguarda francesa. Realiza em 1930 o seu primeiro filme sonoro.

É co-fundador em 1937 do sindicato de técnicos CGT, sendo seu Secretário Geral e seu último Presidente. Em 1943, com apoios governamentais, funda o IDHEC (Institut des Hautes Etudes Cinématographiques), sendo seu Presidente durante vinte e cinco anos, instituição superior de formação de realizadores e técnicos de cinema de Paris, que em 1986 se passará a chamar Femis (Fondation Européene des Métiers de l'Image et du Son). No IDHEC dá cursos de produção, história do cinema, teoria e crítica. Nessa instituição são formados cineastas como Louis Malle, Alain Resnais, Volker Schlöndorff, Jean-Jacques Annaud, Claude Sautet, Nelson Pereira dos Santos, Patrice Leconte, Costa Gavras.

A partir de 1952 e até 1962 dedica-se a produções de televisão. É pioneiro de programas culturais da televisão francesa (220 emissões) e trabalha também com a televisão do Luxemburgo e da Suíça. Colabora em jornais e contribui em 1953 para inaugurar a secção de cinema do jornal Le Monde. Deixa as suas memórias na obra La tête qui tourne (Cabeça às Voltas).

Enquadramento histórico[editar | editar código-fonte]

É no final da primeira década do Século XX, terminada a Primeira Grande Guerra, que Marcel L’Herbier se lança na carreira cinematográfica, cerca de uma dezena de anos depois de Marinetti ter publicado o primeiro manifesto futurista no jornal parisiense Le Fígaro, de 20 de Fevereiro de 1909. O Futurismo de Marinetti, de inspiração italiana, é o primeiro movimento vanguardista do início do século. Torna-se motor de outras vanguardas suas contemporâneas. L’Herbier entra em cena no final da «idade heróica» do movimento (1909 – 1918), quando as principais conquistas estéticas e teóricas se consolidam. Na sua idade madura (1918 – 1944), até à morte do seu fundador, o Futurismo confronta-se com vanguardas internacionais onde se vê reflectido. Nelas é transformado com o uso de novas técnicas, em novos enquadramentos teóricos e ideológicos.

O Futurismo italiano de Marinetti é indissociável do Futurismo russo, do Dadaísmo, do Surrealismo e de outros “ismos” fecundadores desses primeiros anos do século, como o Construtivismo ou o Cubismo.

A Art Déco é filha desta geração. Mantendo-a associada aos seus princípios genéticos, Marcel L’Herbier, filmando, tenta criar sinfonias «maquinais» em busca de um cinema puro. Uma das suas obras paradigmáticas é L’Inhumaine, «ambicioso projecto de vanguarda reunindo ilustres colaboradores : Alberto Cavalcanti, Claude Autant-Lara, Robert Mallet-Stevens, Fernand Léger para oscenários, Darius Milhaud para a música, Paul Poiret para cenários e guarda-roupa. A sequência frenética da montagem em planos curtos, em que os sons respondem a cores violentas (simples manchas de cores primárias impressas na película)» responde bem a essa exigência.

A influência que terá exercido na obra do então jovem cineasta português Jorge Brum do Canto, que lhe dedica o seu primeiro filme, a A Dança dos Paroxismos, parece ter sido mais por certas questões de princípio que por afinidades estéticas.

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Filmes mudos

  • Phantasmes, 1918
  • Rose- France, 1918
  • Le Bercail, 1919
  • Le Carnaval des vérités, 1920
  • L'Homme du large, 1920
  • Villa Destin, 1920
  • Prométhée…banquier, 1921 - Moyen métrage
  • El Dorado, 1921
  • Don Juan et Faust, 1922
  • Résurrection, 1922 - Film inachevé
  • L'Inhumaine, 1923 24
  • Feu Mathias Pascal, 1925
  • Le Vertige, 1926
  • Le Diable au cœur, 1927
  • Nuits de Princes, 1928-29
  • L'Argent, 1928

Filmes falados

  • L'Enfant de l'amour, 1929-1930
  • Le Mystère de la chambre jaune, 1930
  • Le Parfum de la dame en noir, 1931
  • L'Epervier, 1933
  • Le Scandale, 1934
  • L'Aventurier, 1934
  • Le Bonheur, 1934
  • La Route impériale, 1935
  • Veille d'armes, 1935
  • Les Hommes nouveaux, 1936
  • La Porte du large, 1936
  • Nuits de feu, 1936
  • La Citadelle du silence, 1937
  • Forfaiture, 1937
  • La Tragédie impériale, 1938
  • Adrienne Lecouvreur, 1938
  • Terre de feu, 1938
  • La Brigade sauvage, 1938
  • Children's corner, 1938 - Court-métrage, "Cinéphonie" sur la musique de * Debussy
  • Entente cordiale, 1939
  • La Mode rêvée, 1939 - Court-métrage
  • La Comédie du bonheur, 1940
  • Histoire de rire, 1941
  • La Nuit fantastique, 1942
  • L'Honorable Catherine, 1942
  • La Vie de bohème, 1943
  • Au petit bonheur, 1945
  • L'Affaire du collier de la Reine, 1946
  • La Révoltée, 1947
  • Les Derniers jours de Pompéï, 1948
  • Le Père de Mademoiselle, 1953

Televisão

  • Adrienne Mesurat, 1953
  • Zamore, 1954
  • Le Jeu de l'amour et du hasard, 1954
  • Les Fausses confidences, 1955
  • Le Ciel de lit, 1955

Fontes e referências[editar | editar código-fonte]

  • Biografia em Les Indépendents du Premier Siècle.

Ver também[editar | editar código-fonte]