Marcelo Freixo

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Marcelo Freixo
Marcelo Freixo
Deputado estadual do Rio de Janeiro Rio de Janeiro
Mandato 1º de janeiro de 2007
até atualidade
Vida
Nascimento 12 de abril de 1967 (47 anos)
Niterói, RJ
Dados pessoais
Partido Partido Socialismo e Liberdade
Profissão Professor

Marcelo Ribeiro Freixo (Niterói, 12 de abril de 1967) é um professor e político brasileiro. Está no último ano do seu segundo mandato como deputado estadual fluminense pelo Partido Socialismo e Liberdade.

Mandato parlamentar[editar | editar código-fonte]

Em março de 2009, assumiu a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa. O deputado atua ainda, desde o início do ano, como membro da Comissão de Cultura e como suplente da Comissão de Educação. Além disso, é vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, que apura crimes de que são acusados conselheiros e técnicos do Tribunal de Contas, assim como um deputado estadual e prefeitos do estado.

Marcelo Freixo foi presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito das Milícias,[1] que visa a investigar a ligação de parlamentares com grupos paramilitares. Passou 15 dias de exílio na Europa por conta de ameaças de morte.[2] Em 2008, protocolou pedido de cassação de mandato do então deputado Álvaro Lins, que acabou cassado no dia 12 de agosto.[3]

Freixo também presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito do tráfico de armas, cujo relatório foi apresentado em 2011.[4] Nessa época, a convite da Anistia Internacional, deixou o Brasil após sofrer uma série de ameaças de morte.[5] [6] Dois meses antes, a juíza Patrícia Acioli havia sido assassinada, baleada por uma arma pertencente ao Exército Brasileiro. O irmão de Marcelo Freixo, Renato, também foi assassinado a tiros, por milicianos, em julho de 2006, aos 35 anos de idade.[7]

Militância em direitos humanos[editar | editar código-fonte]

Antes de se eleger deputado estadual, Marcelo trabalhou como pesquisador da organização não governamental Justiça Global e como consultor do deputado federal Chico Alencar na área de direitos humanos. De 1993 a 1995, foi diretor do Sindicato dos Professores de São Gonçalo e Niterói. Participou, como voluntário, no projeto de prevenção ao HIV - AIDS nas prisões do estado durante os anos de 1995 e 1996. Em quase 20 anos de trajetória, coordenou projetos educativos no sistema penitenciário. De 2001 a 2004, presidiu o Conselho da Comunidade da Comarca do Rio de Janeiro, onde exerceu papel fiscalizador dos direitos humanos nas carceragens e presídios do estado. Nestas gestões, legitimadas pelo voto direto, o conselho se transformou numa importante fonte de denúncias contra as arbitrariedades do governo do Rio de Janeiro.

Foi coordenador da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, durante o mandato de Chico Alencar. De 1999 a 2002, Marcelo e Chico tiveram atuação destacada na defesa dos direitos humanos. A comissão elaborou cartilhas, fiscalizou as ações do governo, trabalhou em rede com a sociedade civil organizada e denunciou violações contra mulheres, negros, homossexuais, idosos, presos e todos os segmentos historicamente discriminados. Também sempre esteve junto ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra na luta pela reforma agrária e contra o trabalho escravo no interior do Rio de Janeiro.

Freixo inspirou o personagem "Diogo Fraga", um professor de história e militante dos direitos humanos que se torna deputado estadual, do filme "Tropa de Elite 2", do diretor José Padilha.[8] [9]

Mudança para o PSOL[editar | editar código-fonte]

Filiado ao Partido dos Trabalhadores de 1986 a 2005, Marcelo sempre se posicionou junto ao campo da esquerda política e contra a aproximação do partido a setores populistas e liberais.

Em setembro de 2005, filiou-se ao Partido Socialismo e Liberdade, pelo qual foi eleito deputado estadual do Rio de Janeiro, nas eleições de 2006, com 13 547 votos. Foi o candidato mais votado pelo partido no Rio de Janeiro. Nas eleições de 2010, foi reeleito deputado estadual no Rio de Janeiro, pelo mesmo partido, com 177 253 votos, tendo sido o segundo candidato mais votado daquele ano, atrás somente de Wagner Montes, com 528 628 votos.[10]

Candidatura à prefeitura do Rio de Janeiro[editar | editar código-fonte]

Depois de muita especulação e expectativa em torno da possível candidatura do deputado Marcelo Freixo para prefeitura do Rio de Janeiro, a Executiva Estadual do Partido Socialismo e Liberdade anunciou o nome de Freixo como candidato a prefeito do Rio de Janeiro em 2012. Na composição da chapa, Freixo teve, como vice, o músico e compositor Marcelo Yuka, ex-baterista da banda O Rappa e conhecido por escrever canções de protesto contra a desigualdade social.[11] Yuka ficou paraplégico há quase doze anos, depois de ser baleado ao tentar impedir um assalto na Tijuca.[12]

Com pouco tempo de propaganda eleitoral na TV, Marcelo Freixo apostou nas redes sociais e nos jovens eleitores, e contou com o apoio da classe artística - entre eles, Chico Buarque[13] , Caetano Veloso, Marcelo Serrado, José Padilha, Mano Brown[14] , Wagner Moura[15] , Frei Betto, Ivan Lins, Zé Renato, Luiz Eduardo Soares, Sandro Rocha, Giulia Gam, Tico Santa Cruz (líder do Detonautas Roque Clube), Leandra Leal e Dira Paes.

Após ter declarado em uma entrevista a TV, que se fosse prefeito daria subvenção a escolas de samba com contrapartida cultural e citando enredos patrocinados [16] criou uma polêmica com agremiações carnavalescas que possuíam enredos patrocinados, como o caso do Salgueiro, que teve patrocínio da revista Caras[17] .

Após obter cerca de 30% dos votos válidos, e a segunda colocação entre 8 candidatos, Freixo acabou fora do segundo turno. Apesar de não ter vencido a disputa, Freixo conseguiu mobilizar e envolver milhares de jovens no debate político do futuro da cidade carioca, reunindo, por exemplo, cerca de 15 mil pessoas em um comício nos Arcos da Lapa[18]

Referências

  1. Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Relatório Final e Conclusões da Comissão Parlamentar de Inquérito instituída pela Resolução nº 433/2008 destinada a investigar a ação de milícias no âmbito do Estado do Rio de Janeiro.
  2. Jornal Zero Hora, 16/11/2011 . Após exílio na Europa, deputado Marcelo Freixo retoma trabalho na Assembleia do Rio.
  3. Alerj cassa o mandato do deputado Álvaro Lins. Terra 12 de agosto de 2008.
  4. Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Relatório Final da Comissão Parlamentar de Inquérito com a finalidade de investigar, no âmbito do Estado do Rio de Janeiro, o tráfico de armas, munições e explosivos e a consequente utilização desse arsenal, por traficantes de drogas, milicianos e outros bandos, quadrilhas ou organizações criminosas (Resolução nº 19/2011). 14 de dezembro de 2011.
  5. Deputado Marcelo Freixo, do RJ, deixará o país após ameaças de morte. G1, 31 de outubro de 2011.
  6. Documento aponta que deputado do RJ seria alvo de milicianos. G1, 18 de outubro de 2011.
  7. O estranho do ninho. Como vive e o que pensa Marcelo Freixo, o deputado na linha de tiro das milícias e candidato azarão a prefeito do Rio de Janeiro. Por Dorrit Harazim. Piauí, abril de 2012.
  8. Entrevista com Marcelo Freixo . Roda Viva, 14 de maio de 2012.
  9. Freixo, o verdadeiro Fraga. Deputado da vida real enfrentou milícias e entrou em rebelião sem colete. Só não casou com a mulher do coronel do Bope. Por Vinicius Cherobino. Superinteressante, novembro de 2010.
  10. UOL - Eleições 2010 - Apuração - Rio de Janeiro. Página visitada em 6 de outubro de 2010.
  11. Freixo terá Marcelo Yuka como vice na chapa. O Globo.
  12. Baterista da banda O Rappa tenta impedir assalto e acaba baleado. Folha de S. Paulo
  13. Chico Buarque declara apoio a Marcelo Freixo, do PSOL, para a prefeitura do Rio. O Estado de S. Paulo
  14. Marcelo Freixo no Instagram.
  15. Wagner Moura declara seu voto em Marcelo Freixo.
  16. O Globo (22/08/12). Marcelo Freixo promete mudar regras do carnaval carioca. 23h10. Página visitada em 26/08/2012.
  17. Salgueiro reage a declarações de Freixo sobre enredo de 2013. 21h07 (23 de agosto de 2012). Página visitada em 26 de agosto de 2012.
  18. [1]. O Globo

Ligações externas[editar | editar código-fonte]