Marco Popílio Lenate (cônsul em 173 a.C.)

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Marco Popílio Lenate (em latim Marcus Popillius Laenas) foi um político e militar da República Romana que ocupou o consulado em 173 a.C.

Previamente, foi eleito pretor em 176 a.C., ainda que optou por não marchar para a sua província, a Sardenha, para não estorvar os sucessos militares que o propretor Tito Ebúcio, estava obtendo. Um novo líder precisaria tempo para se adaptar à situação, o qual teria suposto a perda de um tempo precioso.[1]

Foi eleito cônsul em 173 a.C. com Lúcio Postúmio Albino.[2] Popílio marchou para a sua província e começou uma guerra contra uma tribo de lígures, os statellati, assentados a norte da Itália. Dirigiu as suas tropas numa sangrenta batalha na cidade de Caristum, que terminou quando Popílio lançou a sua cavalaria e esta foi capaz de romper as linhas inimigas. A própria cavalaria matou muitos dos combatentes que fugiam para a sua cidade e, segundo Tito Lívio, os romanos mataram cerca de 10 000 inimigos e capturaram 700, perdendo cerca de 3000 homens na batalha.[3] Os lígures que sobreviveram renderam-se esperando clemência por parte de Popílio. Este, porém, destruiu a sua cidade e vendeu-os todos como escravos.

O Senado romano indignou-se ao ficar a saber os acontecimentos e o trato dado a pessoas que não tomaram as armas contra Roma, senão foram atacados sem provocação. Exigiu que Popílio retornasse os lígures aos seus lares e que devolvesse as suas propriedades,[4] mas o próprio Popílio indignou-se por essa exigência e recusou obedecer o Senado. Pelo contrário, voltou para Roma para se enfrentar aos senadores, e argumentou que deveria ter recebido agradecimentos em lugar de ordens de devolver a pilhagem aos vencidos. Muitos senadores voltaram a atacar as suas ações, e Popílio voltou para a sua província sem conseguir conseguir apoios no Senado.[5]

No ano seguinte, Popílio continuou com as suas campanhas de agressão contra os statellati, matando outros 6000 homens na batalha. As suas ações provocaram uma revolta geral por parte dos lígures, e o Senado emitiu um decreto que estabelecia que qualquer um que impedisse a volta de um cidadão statellati à liberdade se enfrentaria um juízo. Popílio, pela sua vez, recusou voltar para Roma, até um tribuno da plebe ameaçá-lo com julgá-lo in absentia. Popílio foi julgado, mas não foi condenado graças à influência do seu irmão, cônsul esse ano, e do restante da família.[6]

Apesar de toda a polêmica derivada das suas ações contra os ligures, Popílio seria mais tarde elegido censor em 159 a.C. com Públio Cornélio Cipião Nasica Córculo.[7]

Referências

  1. Tito Lívio, Ab Urbe Condita, xli.15.
  2. Tito Lívio, xli.28.
  3. Tito Lívio, xlii.7.
  4. Tito Lívio, xlii.8
  5. Tito Lívio, xlii.9.
  6. Tito Lívio, xlii.21-22.
  7. Aulo Gélio, Notes Atticae, iv.20.
Precedido por:
Espúrio Postúmio Albino e Quinto Múcio Cévola
Cônsul da República Romana com Lúcio Postúmio Albino
173 a.C.
Sucedido por:
Caio Popílio Lenate e Públio Élio Lígur