Margem bruta

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Question book.svg
Este artigo não cita fontes confiáveis e independentes. (desde abril de 2010). Por favor, adicione referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Conteúdo sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Ambox rewrite.svg
Esta página precisa ser reciclada de acordo com o livro de estilo (desde abril de 2010).
Sinta-se livre para editá-la para que esta possa atingir um nível de qualidade superior.

A margem bruta mede a rentabilidade das vendas, logo após as deduções de vendas (impostos sobre vendas, devoluções, abatimentos e descontos incondicionais) e do custo dos produtos vendidos. Este indicador fornece assim a indicação mais directa de quanto a empresa está a ganhar como resultado imediato da sua actividade. Para calcularmos a margem bruta usamos a seguinte formula:

MB = (lucro bruto/receita operacional liquida) x 100

As empresas, industriais ou não, têm de reflectir e estabelecer políticas de preços fora da singeleza de uma determinação uniforme de percentagens de margem bruta para cobertura dos gastos e obtenção de lucros. É que as determinações de percentagens uniformes não tomam em conta as desigualdades dos gastos gerais que derivam de se praticarem vendas de artigos em maiores ou menores quantidades. Esta é uma das questões centrais que aqui é analisada.

Convirá referir que a margem bruta (diferença entre preço de venda e custos variáveis com a produção e venda) de uma empresa se destina, em geral, a duas situações: ocorrer a custos de estrutura e possibilitar lucro.

A acuidade deste problema leva a afirmar que, embora a muito frequente fixação de margem bruta de lucro percentual seja caminho cómodo, não se revelará, de modo geral, solução satisfatória. É sabido que há custos gerais, nomeadamente de administração, a ser cobertos pelo preço de venda, que não são “custos proporcionais”. Muitos custos de carácter administrativo assumem carácter estrutural, embora não se apresentem rigorosamente como “custos fixos”. Parte daqueles custos (gerais) variam com o volume das operações administrativas, mas as características dos vários tipos de venda, os preços possíveis, os tempos de atendimento provocam oscilações maiores ou menores.

As políticas de marcação de preços talvez não estejam ainda suficientemente ponderadas e não se apresentem segundo esquemas que se possam considerar os mais próprios. Acresce que por vezes tais políticas assentam em regras fixadoras de margens percentuais. Isso sucedeu em Portugal, gerando em muitos casos aplicações de penalidades. A crítica gerada pela jurisprudência evidenciou erros cometidos, o que terá influenciado a opção pela liberdade de fixação de preços e margens, gerando-se a defesa de esquemas de livre concorrência, passando os preços e margens de lucro a serem regulados pelas puras leis económicas ou de mercado.

Hoje, a regra é a de um aberto sistema concorrencial, com liberdade de fixação de preços. Isso tem favorecido estudos com vista a encontrar as formas mais adequadas e úteis de “marcação de preços”.

Um exemplo simples: é de bom senso que na venda de um envelope se tome em consideração a exigência de grande margem bruta de lucro, digamos 100 ou 200 por cento do custo variável, mas já na venda de uma caixa de envelopes poderá fixar-se uma margem bruta de, por exemplo, apenas 30 ou 40 por cento.

Os gestores experimentados admitem empiricamente a consideração de um rateio de seus gastos gerais, mas atentam que na cobertura destes deverá ser tomado em conta, usando o exemplo acima, que preços de venda de um envelope ou preços de venda de uma caixa de envelopes têm de “contribuir” para o resultado e cobertura de gastos gerais com margens percentuais diferenciadas. Porém, se numa pequena loja um comerciante pode seguir uma política flexível, prevenindo os clientes até através de slogans (“à dúzia é mais barato”), já num grande estabelecimento há que programar a fixação de preços de venda de modo mais estandardizado. Todas as empresas, industriais ou não, têm de reflectir e estabelecer políticas de preços fora da singeleza de uma determinação uniforme de percentagens de margem bruta para cobertura dos gastos e obtenção de lucros. É que as determinações de percentagens uniformes não tomam em conta as desigualdades dos gastos gerais que derivam de se praticarem vendas de artigos em maiores ou menores quantidades. Estas variações implicam mudanças na estrutura dos custos administrativos, comerciais e de produção que geralmente será mais pesada numas circunstâncias e menos em outras.

Há hoje que ter muito especialmente em consideração a comprovadíssima tendência para um cada vez mais progressivo acréscimo dos custos de estrutura, os quais, em muitos casos, vêm atingindo a quase totalidade do custo total, pelo que as empresas não podem, não devem, em regra, confinar-se à simples observação dos custos directos das suas produções. E não devem nessa base fixar os seus preços de venda mesmo quando se está perante empresas que ditem preços no mercado.

É fácil comprovar que unidades produzidas com idênticos “custos directos” vêm a comportar “custos totais” sensivelmente diferentes. Daí apelar-se para a busca de métodos mais satisfatórios, aparecendo respostas diversas.

Soluções novas satisfarão, porventura, melhor, mas convém que qualquer opção atente bem nas necessidades concretas e nos graus de exequibilidade de um adequado método de cálculo de custos e de margens. Custeios muito elaborados e dispendiosos, dos quais se não retire informação com utilidade que exceda os seus próprios custos de processamento pode ser inconveniente, mas mais inconveniente será utilizar um custeio menos aderente à realidade e que obnubile em vez de esclarecer. Por vezes, o técnico, porque trabalhou muito nos seus esquemas, convence-se da “sua verdade”, do seu rigor, esquecendo que está a trabalhar sobre realidades muito relativas, algo imprecisas, mutáveis e susceptíveis de serem seriamente controvertidas.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre Administração é um esboço relacionado ao Projeto Ciências Sociais. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.