Maria Alexandrovna da Rússia

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Maria de Saxe-Coburgo-Gota
Duquesa de Saxe-Coburgo-Gota
Duquesa de Edimburgo
Grã-Duquesa da Rússia
Duquesa de Saxe-Coburgo-Gota
Período 22 de agosto de 1903 - 30 de julho de 1900
Predecessor Alexandrina de Baden
Sucessor Vitória Adelaide de Schleswig-Holstein
Duquesa de Edimburgo
Reinado 23 de janeiro de 1874 - 22 de agosto de 1903
Cônjuge Alfredo, Duque de Saxe-Coburgo-Gota
Descendência
Alfredo, Príncipe Hereditário de Saxe-Coburgo-Gota
Maria de Saxe-Coburgo-Gota
Vitória Melita de Saxe-Coburgo-Gota
Alexandra de Saxe-Coburgo-Gota
Natimorto
Beatriz de Saxe-Coburgo-Gota
Pai Alexandre II da Rússia
Mãe Maria de Hesse-Darmstadt
Nascimento 17 de Outubro de 1853
Czarskoe Selo, Império Russo
Morte 24 de outubro de 1920 (67 anos)
Zurique, Suíça
Enterro Cemitério da Família Ducal, Coburgo, Baviera, Alemanha

Maria Alexandrovna da Rússia CI DStJ VA (17 de outubro de 185324 de outubro de 1920), mais tarde duquesa de Edimburgo e duquesa de Saxe-Coburgo-Gota, foi a sexta filha e segunda mulher do imperador Alexandre II da Rússia e de sua esposa, a princesa Maria de Hesse-Darmstadt. Tornou-se esposa de Alfredo, duque de Edimburgo, o segundo filho da rainha Vitória do Reino Unido e do príncipe Alberto de Saxe-Coburgo-Gota.

Família[editar | editar código-fonte]

Maria Alexandrovna era a sexta filha do czar Alexandre II da Rússia e da sua esposa, a princesa Maria de Hesse-Darmstadt. Era irmã mais nova do czar Alexandre III e tia do czar Nicolau II, assassinado em 1918. Vários membros da sua família foram assassinados por revolucionários incluindo o seu pai e dois dos seus irmãos mais novos: o grão-duque Sérgio, em 1905, e o grão-duque Paulo em 1919. Os seus avós paternos eram o czar Nicolau I da Rússia e a princesa Carlota da Prússia. Os seus avós maternos eram o grão-duque Luís II de Hesse-Darmstadt e a princesa Guilhermina de Baden.[1]

Casamento[editar | editar código-fonte]

Maria e Alfredo com o primeiro filho de ambos: Alfredo.

A grã-duquesa Maria foi apresentada ao príncipe Alfredo, duque de Edimburgo, segundo filho da rainha Vitória do Reino Unido, pela princesa de Gales e pela sua irmã mais nova, Maria Feodorovna (princesa Dagmar da Dinamarca) durante umas férias que a família estava a passar na Dinamarca em 1871.[2] O príncipe Alfredo estava determinado a casar-se com Maria e iniciaram-se as negociações para que tal acontecesse. No entanto, Maria tinha apenas dezassete anos e não queria deixar a Rússia. Os seus pais também não tinham vontade de deixar partir a filha. Quando o príncipe Alfredo conheceu o czar Alexandre II nesse mesmo ano na Alemanha, achou que o seu futuro sogro estava hesitante. Numa carta dirigida à mãe de Alfredo, a rainha Vitória, Alexandre II escreveu:

"Os elogios que teceu à nossa filha deixam-nos muito lisonjeados, mas [Alfredo] deve ter-vos informado de que, embora não sejamos de todo contra uma união entre as nossas famílias, é nosso principio não impor a nossa vontade aos nossos filhos relativamente aos seus casamentos. Apesar de lhe ter falado num período de um ano antes de tomar alguma decisão definitiva, nenhum de nós declarou que havia qualquer compromisso, nem antes nem depois, e ele pareceu compreender perfeitamente." A rainha Vitória era também contra a ideia de o casal viver na Rússia. Esse assunto estava completamente fora de questão e algo com o qual a rainha dizia nunca poder concordar.[3]

Assim, o projecto para casar a grã-duquesa Maria com o príncipe Alfredo foi adiado. No entanto, quando Maria completou vinte anos de idade, a sua vida familiar na Rússia não era tão feliz como antigamente. A amante reconhecida pelo seu pai deu à luz um filho dele, o que causou um conflito entre Alexandre II, a sua esposa e os seus filhos. Com uma vida familiar tão fraccionada na Rússia, Maria começou a ver com melhores olhos a ideia de construir um futuro junto de Alfredo no estrangeiro. Assim, no início de 1873, as negociações foram retomadas. Em abril de 1873, Alfredo visitou a czarina Maria em Sorrento, Itália, para renovar o seu pedido. Este encontro não teve o sucesso que Alfredo esperou, uma vez que a sua futura noiva adoeceu. Para piorar ainda mais a situação, o noivado acabaria por não ser oficializado nesta altura. A irmã de Alfredo, a princesa Alice, que o acompanhou nesta viagem, escreveu à rainha Vitória dizendo: "coitado do Alfredo. Está a ser muito paciente e está cheio de esperança".[4]

Com o casamento dos pais a desfazer-se, Maria agarrou-se à ideia de um futuro feliz como esposa do príncipe Alfredo. Em junho de 1873, o seu desejo realizou-se quando o noivado entre os dois foi anunciado oficialmente. Feliz, a noiva escreveu a uma tia: "sei que ficará feliz por saber que amo o Alfredo profundamente e que estou muito feliz por lhe pertencer. Sinto que o meu amor por ele cresce a cada dia. Sinto que estou calma, mais feliz do que consigo exprimir por palavras e muito impaciente para lhe pertencer inteiramente a ele."[5]

O casamento celebrou-se em São Petersburgo no dia 23 de janeiro de 1874, com duas cerimónias religiosas - uma ortodoxa e uma anglicana. No dia do seu casamento, a grã-duquesa estava "muito pálida, mas meiga e sincera e com uma felicidade contida". Maria vestiu o vestido tradicional das noivas da família imperial russa, uma peça muito pesada com uma cauda púrpura de arminho. Na cabeça, levava uma coroa brilhante e uma tiara magnifica com um diamante cor-de-rosa. Alexandre II ficou tão comovido com as cerimónias que, no final, comentou de forma resignada: "Sei que é pela felicidade dela, mas a luz da minha vida apagou-se".[6] Para comemorar o casamento, uma pequena padaria inglesa fez a agora internacionalmente conhecida bolacha Maria com o nome da grã-duquesa escrito.[7]

Apesar de tudo, o casamento não foi feliz e a noiva era considerada arrogante na sociedade inglesa.[8] Além do mais, o czar insistia que a sua filha recebesse o titulo de "Sua Alteza Imperial" ficando assim acima da então princesa de Gales, o que enfureceu a rainha Vitória. A rainha insistia que o titulo "Sua Alteza Real" que Maria Alexandrovna recebeu com o casamento deveria preceder o titulo "Sua Alteza Imperial" que era seu por nascimento. Por seu lado, a nova duquesa de Edimburgo não gostava do facto de a princesa de Gales, filha do rei da Dinamarca, tomasse precedência sobre si, filha do imperador da Rússia.

A rainha Vitória concedeu-lhe precedência logo a seguir à princesa de Gales. O seu pai deu-lhe um dote de £100 000, mais £Predefinição:Formatnum28000 anuais, uma quantia assombrosa para a época.

Saxe-Coburgo-Gota[editar | editar código-fonte]

Com a morte do tio do seu marido, o duque Ernesto II de Saxe-Coburgo-Gota, no dia 22 de agosto de 1893, o trono vago do ducado foi herdado pelo duque de Edimburgo, uma vez que o seu irmão mais velho, o príncipe de Gales, tinha renunciado aos seus direitos de sucessão. Alfredo prescindiu do seu rendimento de £15,000 anuais e do seu lugar na Câmara dos Lordes e no Conselho Privado, mas manteve os £10 000 por ano que passou a ganhar a partir do seu casamento para assim conseguir manter Clarence House como a sua residência em Londres. Com a ascensão do seu marido ao trono ducal, a grã-duquesa Maria Alexandrovna tornou-se duquesa de Saxe-Coburgo-Gota, além de duquesa de Edimburgo. Maria adorou mudar-se para Coburgo, já que tinha ansiado durante muitos anos deixar Inglaterra.[9] Como consorte de um soberano alemão, tinha tecnicamente uma posição mais alta do que as suas cunhadas durante as celebrações do Jubileu de Diamante da rainha Vitória.

O único filho do casal, o príncipe-herdeiro Alfredo, envolveu-se num escândalo com a sua amante e tentou suicidar-se em janeiro de 1899, a meio das celebrações do 25.º aniversário de casamento dos pais. Sobreviveu, mas os seus pais, envergonhados, enviaram-no para Merano para que ele recuperasse. Acabaria por morrer lá, duas semanas depois, no dia 6 de fevereiro.[10] Alfredo morreu com um cancro na garganta no dia 30 de julho de 1900 em Coburgo. O trono ducal passou então para o seu sobrinho, o príncipe Carlos Eduardo, Duque de Albany. A Duquesa Viúva de Saxe-Coburgo-Gota continuou a viver em Coburgo.

Últimos anos[editar | editar código-fonte]

Maria morreu em outubro de 1920 em Zurique, na Suíça, aparentemente depois de receber um telegrama onde a trataram por "Senhora Coburgo" sem referir-se a qualquer dos seus títulos. O seu corpo está enterrado no cemitério da família ducal nos arredores de Coburgo. Das suas quatro filhas, a rainha da Roménia foi proibida de estar presente no funeral da mãe devido à Primeira Guerra Mundial que tinha deixado a Roménia e a Alemanha de relações cortadas.

Descendência[editar | editar código-fonte]

O casal teve os seguintes filhos:

Nome Nascimento Morte Notas
Alfredo, Hereditário Príncipe de Saxe-Coburgo-Gota 15 de outubro 1874 6 de Fevereiro de 1899 Príncipe Herdeiro de Saxe-Coburgo-Gota desde 22 de agosto de 1893. Sem descendência;
Maria de Saxe-Coburgo-Gota 29 de outubro 1875 18 de julho de 1938) casou-se com Fernando I da Roménia (1865-1927). Com descendência;
Vitória Melita de Saxe-Coburgo-Gota 25 de novembro 1876 2 de março de 1936 casou-se com o seu primo Ernesto Luís, Grão-Duque de Hesse e do Reno; divorciou-se e se casou com o grão-duque Cyril da Rússia. Com descendência;
Alexandra de Saxe-Coburgo-Gota 1 de setembro 1878 16 de abril de 1942 casou-se com Ernesto II de Hohenlohe-Langenburg Com descendência;
natimorto 13 de outubro 1879 13 de outubro de 1879
Beatriz de Saxe-Coburgo-Gota 20 de abril 1884 13 de julho de 1966 casou-se com Afonso, Duque da Galliera. Com descendência;

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Clay, Catrine (2006). King, Kaiser, Tsar: Three Royal Cousins Who Led the World to War. New York: Walker & Company. ISBN 0-8027-1623-7.
  • Gelari, Julia P. (2005). Born to Rule: Five Reigning Consorts, Granddaughters of Queen Victoria. New York: St. Martin's Griffin. ISBN 0-312-32424-5.
  • Sandner, Harold (2004) (em alemão). Das Haus von Sachsen-Coburg und Gotha 1826 bis 2001. Andreas, Prinz von Sachsen-Coburg und Gotha (preface). 96450 Coburg: Neue Presse GmbH. ISBN 3000085254.

Referências

  1. The Peerage
  2. Clay, p. 65
  3. Gelari, Julia P., "Born to Rule"
  4. Gelari, Julia P., "Born to Rule"
  5. Gelari, Julia P., "Born to Rule"
  6. Pakula, An Uncommon Woman
  7. History of Marie Biscuits (Maria Cookies)
  8. Gelardi, p. 6
  9. Gelardi, p. 14
  10. Sandner, pp. 155-156
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