Maria Amália da Saxônia

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Maria Amália da Saxónia
Rainha Consorte de Espanha
Rainha Consorte de Nápoles e da Sicília
Princesa da Saxónia
Rainha Consorte de Espanha
Reinado 10 de junho de 1759
a 27 de setembro de 1760
Predecessor Isabel Farnésio
Sucessor Maria Luísa de Parma
Rainha Consorte de Nápoles e da Sicília
Reinado 19 de junho de 1738
a 10 de agosto de 1759
Predecessor Isabel Cristina de Brunswick-Wolfenbüttel
Sucessor Maria Carolina da Áustria
Cônjuge Carlos III de Espanha
Descendência
Maria Isabel de Espanha
Maria Josefa de Espanha
Maria Isabel de Espanha
Maria Josefa de Espanha
Infante Felipe, Duque de Calábria
Carlos IV de Espanha
Maria Teresa de Espanha
Fernando I das Duas Sicílias
Gabriel de Espanha
Maria Ana de Espanha
António Pascual de Espanha
Francisco Xavier de Espanha
Nome completo
Maria Amália Cristina Francisca Xaviera Flora Walburga
Casa Bourbon
Wettin
Pai Augusto III da Polônia
Mãe Maria Josefa da Áustria
Nascimento 24 de novembro de 1724
Castelo de Dresden, Dresden, Saxónia
Morte 27 de setembro de 1760 (35 anos)
Palácio do Bom Retiro, Madrid, Espanha
Enterro El Escorial, Madrid
Religião Católica

Maria Cristina Amália da Saxônia (Dresden, 24 de novembro de 1724Madrid, 27 de setembro de 1760) foi rainha consorte de Nápoles e Sicília (1724-1759) e da Espanha (1759-1760), esposa de Carlos III de Espanha.

Ela era filha de Augusto Frederico II, duque da Saxônia e da Lituânia, mais tarde rei da Polônia, e da arquiduquesa austríaca Maria Josefa, filha do imperador José I, Sacro Imperador Romano-Germânico. Com apenas catorze anos, ela casou com Carlos, então rei de Nápoles e da Sicília, que era o filho mais velho de Felipe V, e da sua segunda esposa, Isabel Farnésio, sendo muito unidos. Foi uma consorte popular que supervisionou a construção do Palácio de Caserta nos arredores de Nápoles assim como vários projectos dos domínios do marido. Mudou-se para Espanha em 1759, ano em que iniciou um plano de melhoramentos no Palácio Real de Madrid, mas morreu de tuberculose antes de o concluir. Maria Amália era activa na política e participava abertamente nos assuntos de estado tanto em Nápoles como em Espanha.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Maria Amália nasceu no Castelo de Dresden, em Dresden. Era filha do rei Augusto III da Polónia, príncipe-eleitor da Saxónia, e da arquiduquesa Maria Josefa da Áustria, filha do sacro-imperador José I da Áustria. A sua mãe era prima direita da imperatriz Maria Teresa da Áustria. A bebé foi baptizada com os nomes Maria Amália Cristina Francisca Xaviera Flora Walburga, mas era conhecida simplesmente por Maria Amália. Tinha mais catorze irmãos, entre eles o príncipe-eleitor Frederico Cristiano da Saxónia, a princesa Maria Ana Sofia da Saxónia, esposa do seu primo, o príncipe-eleitor Maximiliano III José da Baviera, a princesa Maria Josefa da Saxónia, mãe do rei Luís XVI de França ou a princesa Cunegundes da Saxónia, que quase se casou com Luís Filipe II, duque de Orleães. Cresceu na corte de Dresden e recebeu formação em francês, dança e pintura.

Rainha de Nápoles e da Sicília[editar | editar código-fonte]

Maria Amália com um vestido polaco e a segurar uma imagem do marido. Retrato de Louis de Silvestre

Em 1737, Maria Amália ficou noiva do rei Carlos de Nápoles e da Sicília, futuro rei Carlos III de Espanha. O casamento foi arranjado pela sogra de Maria Amália, a princesa Isabel Farnésio, depois de uma tentativa falhada de casar o filho com a arquiduquesa Maria Ana da Áustria e de recusar a proposta de noivado da princesa Luísa Isabel de França. Em Dezembro de 1737 foi obtida a dispensa papal. A data do casamento foi confirmada a 31 de Outubro de 1737 e a cerimónia realizou-se, por procuração, a 8 de Maio de 1738, em Dresden, onde Carlos foi representado por Frederico Cristiano, irmão mais velho de Maria Amália. A Santa Sé viu o casamento com agrado e terminou com um desentendimento entre Carlos e este órgão religioso.

A 4 de Julho de 1738, Maria Amália chegou à cidade de Nápoles e foi recebida com muito entusiasmo. O casal viu-se pela primeira vez a 19 de Junho de 1738 em Portella, uma aldeia na fronteira do reino, perto de Fondi.[1] Na corte, as festividades duraram até dia 3 de Julho, data em que Carlos criou a Ordem de São Januário - a ordem de cavalaria mais prestigiosa do reino. Mais tarde, criou a Ordem de Carlos III em Espanha a 19 de Setembro de 1771.

Apesar de este ter sido um casamento arranjado, o casal era muito chegado. As pessoas notavam e relatavam em Espanha à sogra de Maria Amália que Carlos parecia muito feliz e satisfeito quando a viu pela primeira vez. Os contemporâneos diziam que Maria Amália era bonita e uma amazonas de talento e acompanhava o marido nas suas caçadas. A rainha Maria Amália tinha grande influência na política do reino, graças à boa relação que tinha com Carlos, e participava activamente nos assuntos de estado. Acabou com a carreira de muitos políticos de quem não gostavas, tais como J.M. de Benavides y Aragón, conde de Santisteban, Y.Y. de Montealegre, marquês de Salas, e G. Fogliani Sforza d’Aragona, marquês de Pellegrino. Este último foi deposto do seu posto de primeiro-ministro apenas porque Maria Amália estava descontente com o trabalho dele. A rainha não precisava de manter a sua influência em segredo. Após o nascimento do seu primeiro filho varão em 1747, recebeu um lugar no conselho de estado. Trabalhou contra a influência de Espanha em Nápoles e, em 1742, convenceu Carlos, contra a vontade de Espanha, a declarar a neutralidade de Nápoles durante a Guerra de Sucessão Austríaca, o que fez com que Nápoles ficasse sob a ameaça dos ingleses. Contudo, em 1744, seria forçada a declarar guerra de qualquer forma. Maria Amália favorecia mais a Grã-Bretanha do que a França e a Áustria e era discutida devido aos seus favoritos como, por exemplo, Anna Francesca Pinelli e Zenobia Revertera que influenciavam as suas políticas. Em 1754, apoiou a carreira de B. Tanucci no ministério dos negócios estrangeiros.

Maria Amália possuía uma grande cultura e teve um papel importante na construção do Palácio de Caserta, no qual o seu marido colocou a pedra basilar no dia em que completou vinte-e-seis anos de idade, a 20 de Janeiro de 1752, entre grandes festividades. A rainha teve também grande influência na construção do Palácio de Portici (Reggia di Portici), Teatro di San Carlo - construído em apenas 270 dias - e no Palácio de Capodimonte (Reggia di Capodimonte); também renovou o Palácio de Nápoles. Os seus aposentos em Portici tinham a famosa porcelana da Fábrica de Capodimonte e foi ela que introduziu a produção de porcelana em Nápoles em 1743. Também fumava tabaco com grande frequência e era mecenas do compositor Gian Francesco Fortunati, um favorito na corte napolitana.

Rainha de Espanha[editar | editar código-fonte]

Maria Amália

Em finais de 1758, o meio-irmão de Carlos, o rei Fernando VI de Espanha, começava a mostrar os mesmos sintomas de depressão que tinham afectado o pai de ambos. Fernando tinha perdido a sua adorada esposa, a infanta Bárbara de Portugal, em Agosto desse ano e entrou em luto profundo por ela. Nomeou Carlos seu herdeiro a 10 de Dezembro, deixando Madrid para se alojar em Villaviciosa de Odón onde morreu a 10 de Agosto de 1759.

Nesta altura, Carlos foi proclamado rei de Espanha com o nome Carlos III de Espanha. Cumprindo com o terceiro Tratado de Viena, Carlos não pôde juntar os territórios de Nápoles e da Sicília a Espanha. Mais tarde recebeu o título de senhor das Duas Sicílias.

Nesse mesmo ano, a família deixou Nápoles e instalou-se em Madrid, deixando dois dos seus filhos em Caserta. O seu terceiro filho tornou-se o rei Fernando I das Duas Sicílias, enquanto o seu irmão mais velho, Carlos, foi preparado em Espanha para suceder ao trono. O varão mais velho da família, o infante Filipe, duque da Calábria, tinha um atraso mental e, por isso, foi retirado da linha de sucessão em ambos os reinos. Viria a morrer calmamente e esquecido em Portici, o mesmo local onde tinha nascido, em 1747. O direito de sucessão a Nápoles e à Sicília estava reservado ao seu segundo filho, o príncipe Fernando, que permaneceu em Itália enquanto os pais se mudaram para Espanha. Carlos acabaria por abdicar a favor do filho a 6 de Outubro de 1759, decretando assim a separação final entre as coroas de Espanha e Nápoles. Carlos e a sua consorte chegaram a Barcelona no dia seguinte.

Uma vez mais, Maria Amália fez muito para melhorar as residências reais, mandando redecorá-las. Juntamente com o marido, ajudou a abrir uma luxuosa fábrica de porcelana chamada Real Fábrica del Buen Retiro. A rainha achava que o reino de Espanha era mal gerido e pouco desenvolvido e culpava em parte a sua sogra, a rainha-viúva Isabel Farnésio, por isso. Assim, esta foi forçada a deixar a corte espanhola. Maria Amália não gostava de Espanha e queixou-se da comida, da língua (que se recusou a aprender), do clima, dos espanhóis (que achava demasiado passivos) e dos cortesãos espanhóis, que achava ignorantes e pouco educados. A corte espanhola achou-a deprimida e histérica. Planeou grandes reformas para o sistema espanhol, mas não teve tempo de as terminar.

Em Setembro de 1760, um ano depois de chegar a Madrid, Maria Amália morreu de tuberculose no Palácio do Bom Retiro, nos arredores da capital. Foi enterrada na Cripta Real no El Escorial. O seu marido dedicado juntou-se a ela em 1788.

Em 1761, Carlos contratou Giovanni Battista Tiepolo para pintar frescos no Palácio Real de Madrid. Na antecâmara da rainha, Tiepolo e os seus assistentes pintaram a Apoteose da Monarquia Espanhola. Os frescos foram pintados entre 1762 e 1766. A rainha Maria Amália surge rodeada por vários deuses da mitologia grega, incluindo Apolo.

O príncipe Fernando tornou-se rei de Nápoles e da Sicília com apenas oito anos de idade, com o nome Fernando IV de Nápoles e Fernando III da Sicília. Para consolidar a aliança com a Áustria, estava destinado a casar-se com uma arquiduquesa da Áustria. Carlos deixou a educação do filho à responsabilidade do Conselho de Regência, composto por oito membros. Este conselho governou os reinos até Fernando chegar aos dezasseis anos de idade. A arquiduquesa com quem se casou foi Maria Carolina da Áustria. Os dois tiveram dezoito filhos.

Os seus descendentes incluem o rei Juan Carlos I de Espanha, o arquiduque Otto da Áustria, o príncipe Henrique, conde de Paris, bem como o príncipe Napoleão e os dois pretendentes ao trono do Reino das Duas Sicílias, o príncipe Carlo, duque de Castro e o infante Carlos, duque da Calabria.

Descendência[editar | editar código-fonte]

  1. Maria Isabel de Espanha (6 de Setembro de 1740 - 2 de Novembro de 1742), morreu aos dois anos de idade.
  2. Maria Josefa de Espanha (20 de Janeiro de 1742 - 1 de Abril de 1742), morreu aos três meses de idade.
  3. Maria Isabel Ana de Espanha (30 de Abril de 1743 - 5 de Março de 1749) morreu aos cinco anos de idade.
  4. Maria Josefa de Espanha (6 de Julho de 1744 - 8 de Dezembro de 1801), nunca se casou nem deixou descendência.
  5. Maria Luísa de Espanha (24 de Novembro de 1745 - 15 de Maio de 1792), casada com o sacro-imperador Leopoldo II da Áustria; com descendência.
  6. Filipe, Duque da Calabria (13 de Junho de 1747 - 19 de Setembro de 1777), morreu aos trinta anos de idade; sem descendência.
  7. Carlos IV de Espanha (11 de Novembro de 1748 - 19 de Janeiro de 1819), casado com a princesa Maria Luísa de Parma; com descendência.
  8. Maria Teresa de Espanha (2 de Dezembro de 1749 - 2 de Maio de 1750), morreu aos cinco meses de idade.
  9. Fernando I das Duas Sicílias (12 de Janeiro de 1751 - 4 de Janeiro de 1825), casado com a arquiduquesa Maria Carolina da Áustria; com descendência.
  10. Gabriel de Espanha (11 de Maio de 1752 - 23 de Novembro de 1788), casado com a infanta Mariana Vitória de Portugal; com descendência.
  11. Maria Ana de Espanha (3 de Julho de 1754 - 11 de Maio de 1755), morreu aos dez meses de idade.
  12. António Pascual de Espanha (31 de Dezembro de 1755 - 20 de Abril de 1817), casado com a infanta Maria Amália de Espanha; com descendência.
  13. Francisco Xavier de Espanha (15 de Fevereiro de 1757 - 10 de Abril de 1771), morreu aos catorze anos de idade.

Genealogia[editar | editar código-fonte]

Os antepassados de Maria Amália da Saxónia em três gerações[2]
Maria Amália da Saxónia Pai:
Augusto III da Polónia
Avô paterno:
Augusto II da Polónia
Bisavô paterno:
João Jorge III da Saxónia
Bisavó paterna:
Madalena Sibila de Brandemburgo-Bayreuth
Avó paterna:
Cristiana Everadina de Brandemburgo-Bayreuth
Bisavô paterno:
Cristiano Ernesto de Brandemburgo-Bayreuth
Bisavó paterna:
Sofia Luísa de Württemberg-Winnental
Mãe:
Maria Josefa da Áustria
Avô materno:
José I, Sacro Imperador Romano-Germânico
Bisavô materno:
Leopoldo I, Sacro Imperador Romano-Germânico
Bisavó materna:
Leonor Madalena de Neuburgo
Avó materna:
Guilhermina Amália de Brunsvique-Luneburgo
Bisavô materno:
João Frederico de Brunsvique-Luneburgo
Bisavó materna:
Benedita Henriqueta do Palatinado-Simmern

Referências

  1. Harold Acton, I Borboni di Napoli (1734–1825) , Florença, Giunti, 1997.
  2. The Peerage, consultado a 28 de Março de 2014
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