Maria Bonita

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Maria Bonita
Maria Bonita
Nome completo Maria Gomes de Oliveira
Nascimento 8 de março de 1911[1]
Glória, BA
Morte 28 de julho de 1938 (27 anos)
Poço Redondo, SE
Nacionalidade Brasil brasileira
Progenitores Mãe: Maria Joaquina Conceição de Oliveira
(Dona Déa)[2]
Pai: José Filipe de Oliveira[2]
Cônjuge Virgulino Ferreira da Silva
Filho(s) Expedita Ferreira Nunes, Arlindo e Ananias Gomes de Oliveira[3]
Ocupação Cangaceira
Inacinha, companheira do cangaceiro Gato.

Maria Gomes de Oliveira, vulgo Maria Bonita (Glória,[4] 8 de março de 1911[1]28 de julho de 1938), foi companheira de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião e a primeira mulher a participar de um grupo de cangaceiros.

Maria Bonita nasceu e cresceu no povoado Malhada da Caiçara, que se localiza, atualmente, no município de Paulo Afonso[5] , na época município Glória, na Bahia.

Depois de uma convivência conjugal infeliz, união essa imposta por seu pai, que congiava no amigo da família. Maria casou sem o conhecer e o detestou desde o primeiro momento. Não gerou filhos dessa união por vontade própria, já que tomava chás escondido dele, bebidas essas que impediam a concepção, pois não desejava filhos com o marido, pois acabou nas mãos de um homem cruel, um homem violento, que a espancava e humilhava, doente de ciúmes, e a chamava de mula, comparando-a ao bicho estéril pois ela não engravidava, e muitas vezes ele a forçava. Uma noite misturou ervas soníferas na bebida do homem, que dormiu. Ela pegou as chaves de casa da carteira dele e dinheiro, e voltou para seu povoado. Pediu abrigo a mãe, já viúva. Maria estava desesperada, e pediu para a mãe escondê-la. O marido a procurou por todo o povoado e na casa, e a encontrou, a arrastando pelos cabelos, mas a mãe dela foi na polícia e como não eram oficialmente casados, ele não tinha direito sobre ela. No dia seguinte, voltou armado para tentar matá-la, mas foi detido a tempo e condenado por tentativa de homicídio. Maria voltou para casa muito depressiva e ficou isolada. Após um ano sozinha e triste, conheceu, em 1929, o amor da sua vida, e tornou-se a namorada de Virgulino Ferreira da Silva, conhecido também como o "Rei do Cangaço".

Um ano depois de namoro, foi chamada por Lampião para fazer efetivamente parte do bando de cangaceiros, mesmo temerosa, aceitou seguir seu amado por onde quer que fosse. Sua mãe foi contra, mas ela fugiu com Lampião, e acabou se tornando a mulher dele, com quem viveria por oito anos, até o fim de sua vida.

Maria Bonita engravidou cinco vezes de Lampião, todas sem planejamento, já que viviam de povoado em povoado, sem local fixo, não havendo uma prevenção eficiente.

Sua primeira gestação terminou em um aborto espontâneo aos quatro meses, o que a deixou muito mal. Era um menino. A segunda gravidez, uma menina e a terceira, um menino, resultaram em parto prematuro com fetos natimortos. Maria entrou em depressão e não queria mais passar pelo trauma de esperar uma criança e perder ou vê-la nascer morta.

Tempos depois, achando que não engravidaria mais, foi pega de surpresa e engravidou pela quarta vez. Uma gestação saudável de nove meses nasceu Expedita Ferreira Nunes[4] , a única reconhecida legalmente,[3] Maria não queria se separar da sua menina, mas por lutarem conta os malfeitores do sertão e ser um ambiente perigoso para um bebê, Lampião os entregou para um casal de amigos vaqueiros. Eles visitavam a menina sempre que passavam pelo povoado. Pouco tempo depois engravidou de novo. Uma gestação difícil mas saudável. Nasceram os gêmeos idênticos Arlindo e Ananias, que entregaram para o mesmo casal de amigos vaqueiros. [2]

Maria Bonita morreu em 28 de julho de 1938, quando o bando acampado na Grota de Angicos, em Poço Redondo (Sergipe),[4] foi atacado de surpresa pela polícia armada oficial (conhecida como "volante"). Foi torturada, estuprada e degolada ainda viva, por dezenas de homens da polícia, assim como Lampião fora degolado, porém este já estava morto ao sofrer o ato, assim como outros nove cangaceiros, todos fuzilados pela volante.

Em 2006 a Prefeitura de Paulo Afonso restaurou a casa de infância de Maria Bonita, instalando o Museu Casa de Maria Bonita no local.[5]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Erro de citação: Tag <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs chamadas nascimento
  2. a b c FILHOS DO REI DO CANGAÇO, João de Sousa Lima, escritor e pesquisador, membro da SBEC-Sociedade de Estudos do Cangaço, da Academia de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Paulo Afonso
  3. a b Morre em SP o irmão de Maria Bonita, aos 79 anos, pág. visitada 31 de outubro de 2012.
  4. a b c Morte de Lampião completa 70 anos, pág. visitada 31 de outubro de 2012.
  5. a b Lampião provoca medo até depois de morto, pág. visitada 31 de outubro de 2012.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Antônio Amaury Corrêa de Araújo. Lampião: as Mulheres e o Cangaço. São Paulo: Traço Editora, 1984.
  • João de Sousa Lima. A Trajetória Guerreira de Maria Bonita, a Rainha do Cangaço. [S.l.: s.n.].