Maria Pavlovna da Rússia (1854-1920)
| Maria Pavlovna da Rússia | |
|---|---|
| Grã-Duquesa da Rússia Princesa de Mecklenburg-Schwerin |
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| Cônjuge | Vladimir Alexandrovich da Rússia |
| Descendência | |
| Alexandre Vladimirovich da Rússia Cyrill Vladimirovich da Rússia Boris Vladimirovich da Rússia André Vladimirovich da Rússia Helena Vladimirovna da Rússia |
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| Pai | Frederico Francisco II de Mecklenburg-Schwerin |
| Mãe | Augusta de Reuss-Köstritz |
| Nascimento | 14 de Maio de 1854 Castelo de Ludwigslust, Ludwigslust, Alemanha |
| Morte | 6 de setembro de 1920 (66 anos) Hotel La Souveraine, Contrexéville, França |
| Enterro | Capela Ortodoxa Russa, Contrexéville, Vosges, França |
A grã-duquesa Maria Pavlovna da Rússia, mais conhecida por “Miechen” ou “Maria Pavlovna Senior”, (14 de Maio de 1854 – 6 de Setembro de 1920) nasceu com o nome de Maria Alexandrina Isabel Leonor de Mecklenburgo-Schwerin, sendo filha do grão-duque Frederico Francisco II de Mecklenburg-Schwerin e da sua esposa, a princesa Augusta de Reuss-Köstritz. Conhecida por ser uma proeminente anfitriã em São Petersburgo, ficou para a História da Família Imperial Russa como “a mais grandiosa das grã-duquesas”.1
Índice |
Nascimento e Família [editar]
Maria Alexandrina Isabel Leonor de Mecklenburgo-Schwerin nasceu no grão-ducado da Casa de Mecklenburgo, filha do grão-duque Frederico Francisco II de Mecklenburg-Schwerin e da sua primeira esposa, a princesa Augusta Matilde Guilhermina de Reuss. Tinha oito anos de idade quando a sua mãe morreu em 1862. O seu pai viria a casar-se mais duas vezes.
Casamento [editar]
Maria casou-se com o terceiro filho do czar Alexandre II da Rússia, o grão-duque Vladimir Alexandrovich da Rússia no dia 28 de Agosto de 1874. Tinha já sido noiva de um parente afastado, mas acabou a sua relação assim que conheceu Vladimir. O casal precisou de mais três anos para ter autorização para casar. Criada na Religião Luterana, Maria recusou-se, a princípio, a converter-se à Igreja Ortodoxa Russa.
O czar Alexandre II concordou finalmente em deixar o seu filho casar-se mesmo sem a sua noiva se converter.2 Após o seu casamento, Maria adoptou o nome de Maria Pavlovna da Rússia, aquele pelo qual é mais conhecida. A nova grã-duquesa permaneceu Luterana durante grande parte do seu casamento, mas decidiu finalmente converter-se à Igreja Ortodoxa Russa quando o seu filho mais velho, Cyril, se posicionou em terceiro lugar na linha de sucessão, uma vez que a adopção da religião da monarquia lhe daria mais hipóteses de subir ao trono.
Todos os filhos de Maria nasceram no Palácio de Catarina em Czarskoe Selo, excepto o seu filho Boris que nasceu em São Petersburgo. O filho mais velho de Maria, o Cyrill Vladimirovich da Rússia, casou-se, em 1905, com a sua prima direita, a princesa Vitória Melita de Saxe-Coburgo-Gota, filha da irmã de Vladimir, a duquesa de Edimburgo e de Saxe-Coburgo-Gota. Este casamento não foi autorizado pelo czar Nicolau II da Rússia e Cyril perdeu todos os seus títulos imperiais.
O tratamento que o seu filho recebeu criou um conflito entre a família Vladimirovich e o czar. No final acabaram por ser os Vladimirovich a sair vencedores, uma vez que, ao longo que os membros mais velhos da família iam morrendo, Cyril foi-se aproximando cada vez mais do trono e, quando chegou ao terceiro lugar, Nicolau II concordou em restituir a posição do seu primo e deu o título de Grã-duquesa à sua esposa Vitória.
Vida na Rússia [editar]
Maria Pavlovna adaptou-se maravilhosamente ao esplendor e à riqueza de São Petersburgo e não demorou muito a tornar-se o centro dos círculos mais elegantes. Todos aqueles que não eram aceites na corte imperial, mais tradicional, viravam-se naturalmente para ela. Maria gostava de ser o centro das atenções. Uma mulher com um charme infinito, tinha como principal talento guiar e aconselhar qualquer pessoa mais nova ou com menos experiência do que ela. Teria sido uma imperatriz magnifica, mas a sua personalidade fazia com que não conseguisse contentar-se com o segundo lugar mais importante para uma mulher na Rússia. Foi rival da sua cunhada Maria Feodorovna desde o início.3
A rivalidade entre as cunhadas Maria Feodorovna, czarina-viúva, e a grã-duquesa Maria Pavlovna, manteve-se ao longo do reinado de Nicolau II. Na altura, aquilo que nunca tinha sido mais do que um rancor trivial entre duas mulheres muito confiantes e muito bem posicionada, sem que nenhuma das duas quisesse realmente magoar a outra, tornou-se uma fonte de verdadeira divisão. Alexandra, a jovem czarina, viu-se no meio destas duas mulheres que podiam ter sido mais úteis se a tivessem ajudado a enfrentar os desafios do seu novo papel. Incapaz de se sentir à vontade junto da sua sogra, Alexandra também rejeitou as tentativas de Maria Pavlovna de assumir o controlo, o que criou um ressentimento duradouro.4
Revolução Russa [editar]
A grã-duquesa odiava o czar e, especialmente a sua esposa Alexandra que considerava culpada pelo declínio da dinastia. Nas conversas animadas que dominavam os seus jantares e festas, criticas e escorno ao casal imperial eram temas frequentes. A grã-duquesa nunca se esquecia que depois do czarevich, que estava doente, e do irmão do czar, que estava casado com uma plebeia, o próximo na linha de sucessão era o seu filho Cyril.5
Rodzianko, presidente da Duma Imperial, sentiu o gosto desta amargura e da conspiração crescente entre os membros da família Romanov quando, em Janeiro de 1917, foi convidado com urgência a almoçar no Palácio de Vladimir. Depois do almoço, escreveu ele, a grã-duquesa “começou a falar do estado do país no geral, da incompetência do governo, de Protopopov e da imperatriz. Fez referência ao nome desta última e começou a ficar cada vez mais entusiasmada, falando da sua influência nefasta e na interferência que tinha em tudo e disse que estava a destruir o país, que era a causa do perigo que ameaçava o imperador e o resto da família imperial, que estas condições já não eram toleráveis, que algo tinha de mudar, algo tinha de ser feito, retirado, destruído…” Desejando compreender melhor o que ela queria dizer, Rodzianko perguntou o que queria Maria dizer com "removido", ao que a grã-duquesa respondeu que a Duma tinha de fazer alguma coisa e que "ela" tinha de ser aniquilada. Quando perguntou a quem se referia, Maria Pavlovna respondeu: "A imperatriz!". Chocado, Rodzianko disse-lhe: "Vossa, Alteza, permita-me que finja que esta conversa nunca aconteceu, porque se a senhora se está a dirigir a mim na qualidade de presidente da Duma, o meu juramento de lealdade obriga-me a que vá falar imediatamente com Sua Mjestade Imperial para o informar de que a grã-duquesa Maria Pavlovna me acabou de dizer que a imperatriz deve ser aniquilada."6
Havia também rumores de que Maria, os seus filhos e outros membros da família estavam a planear um golpe que ficaria conhecido como o "Golpe dos Grão-Duques" que tinha como objectivo derrubar Nicolau II e colocar o grão-duque Cyril Vladimirovich no trono.7
Fuga da Rússia [editar]
A grã-duquesa foi a última Romanov a escapar da Rússia após a Revolução de 1917 e a primeira a morrer durante o exílio. Maria permaneceu na conturbada região do Cáucaso com os seus dois filhos mais novos entre 1917 e 1918, ainda na esperança de ver o seu filho Cyril subir ao trono. Quando os bolcheviques se aproximaram, o grupo escapou a bordo de um barco de pesca para Anapa, uma cidade costeira do Mar Negro em 1918 onde permaneceria por mais dezoito meses, recusando juntar-se ao seu filho Boris quando ele abandonou o país.
Quando apareceu a oportunidade de escapar por Constantinopla, continuou a recusar abandonar o país temendo que o seu filho perdesse o trono. Foi apenas quando o general do Exército Branco a informou que o seu lado estava a perder a Guerra Civil que Maria, o seu filho André, a sua amante e o filho de ambos, Vladimir, embarcaram num navio italiano com destino a Veneza no dia 13 de Fevereiro de 1920.8
A grã-duquesa Olga Alexandrovna da Rússia, sobrinha de Maria e irmã do czar, encontrou-se com ela no porto de Novorossik no inicio desse ano e disse sobre esse encontro: Sem dar importância ao perigo e adversidades, continuava a manter teimosamente todos os rigores do esplendor e glória do passado. E, de alguma forma, aguentou tudo. Quando mesmo os generais se achavam sortudos por encontrar uma carroça e um trapo velho que os levasse para um lugar seguro, a tia Miechen preferiu fazer a longa viagem no seu próprio comboio. Tinha um aspecto descuidado, é verdade, mas continuava a ser dela. Pela primeira vez na minha vida gostei de lhe dar um beijo.9
Maria Pavlovna foi de Veneza para a Suíça e depois para França, onde a sua saúde se começou a deteriorar. Morreu na sua villa (actualmente o Hotel La Souveraine) a 6 de Setembro de 1920, com sessenta-e-seis anos e rodeava pela família.10 Com a ajuda de um amigo da família, a sua colecção de jóias renovada foi retirada às escondidas da Rússia dentro da mala de um diplomata. Quando morreu, a famosa colecção foi dividida entre os seus filhos. O grão-duque Boris ficou com as esmeraldas, o grão-duque Cyril com as pérolas, o grão-duque André com os rubis e a sua única filha, Helena, ficou com os diamantes. Esta era uma das colecções de jóias mais magnífica da História. Tinha um conjunto de esmeraldas que mais tarde pertenceriam a Barbara Huntton e Elizabeth Taylor (o colar Bulgari que foi vendido em leilão em Dezembro de 2011). Havia uma esmeralda de 100 quilates que tinha recebido do seu sogro quando se casou e que tinha já pertencido à imperatriz Catarina, a Grande e outra esmeralda de 28,90 quilates que tinha comprado em Boucheron. A sua tiara de pérolas aberta com pérolas em forma de lágrimas pertence actualmente à rainha Isabel II. Outra peça importante da colecção era a tiara de safiras kokoshnik feita por Cartier em 1909 juntamente com o seu conjunto de safiras. Esta peça foi adquirida pela rainha Maria da Jugoslávia que a usou na sua coroação em 1922. As grã-duquesas compraram muitas jóias a Cartier e eram as suas melhores clientes. Maria chegou mesmo a persuadir o joelheiro para abrir uma loja em São Petersburgo durante a época de inverno de 1909, pouco antes da Primeira Guerra Mundial.11
Descendência [editar]
Do seu casamento com o grão-duque Vladimir Alexandrovich da Rússia nasceram os seguintes filhos:
- Alexandre Vladimirovich da Rússia (31 de Agosto de 1875 – 16 de Março de 1877), morreu aos dezanove meses de idade.
- Cyril Vladimirovich da Rússia (12 de Outubro de 1876 – 12 de Outubro de 1938), casado com a princesa Vitória Melita de Saxe-Coburgo-Gota; com descendência.
- Boris Vladimirovich da Rússia (24 de Novembro de 1877 – 9 de Novembro de 1943), casado com Zinaida Sergeievna Rashevskaya; sem descendência legitima.
- André Vladimirovich da Rússia (14 de Maio de 1879 – 30 de Outubro de 1956), casado com Matilde Kschessinskaya; sem descendência legitima.
- Helena Vladimirovna da Rússia (17 de Janeiro de 1882 – 13 de Março de 1957), casada com o príncipe Nicolau da Grécia e Dinamarca; com descendência.
Genealogia [editar]
| Maria Pavlovna | Pai: Frederico Francisco II de Mecklenburg-Schwerin |
Avô paterno: Paulo Frederico I de Mecklenburg-Schwerin |
Bisavô paterno: Frederico Luís de Mecklenburg-Schwerin |
| Bisavó paterna: Helena Pavlovna da Rússia |
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| Avó paterna: Alexandrina da Prússia |
Bisavô paterno: Frederico Guilherme III da Prússia |
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| Bisavó paterna: Luísa de Mecklenburg-Strelitz |
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| Mãe: Augusta de Reuss-Köstritz |
Avô materno: Henrique LXIII de Reuss-Köstritz |
Bisavô materno: Henrique XLIV de Reuss-Köstritz |
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| Bisavó materna: Guilhermina Frederica de Geuder-Rabensteiner |
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| Avó materna: Leonor de Stolberg-Wernigerode |
Bisavô materno: Erbgraf Hermann de Stolberg-Wernigerode |
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| Bisavó materna: Jenny de Schönburg-Waldenburg, |
Notas e referências
- ↑ Sole, Kent & Gilbert Paul THE FATE OF THE ROMANOVS THE SURVIVORS, consultado a 26 de Junho de 2012.
- ↑ Charlotte Zeepvat, The Camera and the Tsars: A Romanov Family Album, Sutton Publishing, 2004, p. 45
- ↑ Zeepvat, 45
- ↑ Zeepvat, 54
- ↑ Massie, 388
- ↑ Massie, 389
- ↑ Massie, 390
- ↑ John Curtis Perry and Constantine Pleshakov, The Flight of the Romanovs, Perseus Books Group, 1999, pp. 228-32
- ↑ Vorres, Ian (1965). The Last Grand Duchess. Scribner. ASIN B-0007-E0JK-0
- ↑ Perry and Pleshakov, pp. 263-4
- ↑ Sotheby’s Sells Tsar Family Jewelry Found in Swedish Archive, consultado a 28 de Junho de 2012.