Maria de Cleófas

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Maria de Cleofas)
Ir para: navegação, pesquisa
Ícone de esboço Este artigo sobre uma pessoa é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.
Santa Maria de Cleofas
Le Faouët (56) Chapelle Saint-Fiacre Vitrail de la Sainte Parenté 03
Parenta de Maria, Tia de Jesus, Mãe dos 'irmãos de Jesus'
Nascimento Sec. I a.C em Galiléia
Veneração por Toda a Cristandade
Festa litúrgica 09 de Abril
Atribuições Padroeira das Tias, Parenta de Maria, tia de Jesus, mãe de Judas Tadeu, Mãe de Simão, Mãe de José, Mãe de Tiago Menor, Mulher de Cleofas, Mãe dos Irmãos de Jesus, Mulher de Alfeu, a outra Maria
Padroeira Tias, Parentas
Polêmicas Ela é dita a mãe dos irmãos de Jesus, pela maioria dos cristãos. Mas, para os que se denominam protestantes e reformados, ela é somente tia de Jesus e por coincidência colocou o mesmo nome em seus filhos.
Gloriole.svg Portal dos Santos

Maria de Cléofas ( hebraico: מרי של קליאופס; grego: Μαρία του Κλεόπας; latim: Maria Cleophae) segundo pesquisadores é considerada a tia de Jesus, parenta de Maria (mãe de Jesus) e casada com Cléofas. Segundo a tradição católica ela também é considerada uma santa.

Segundo a tradição católica e muitas vezes ortodoxa, foi na casa desta santa, que Maria ficara após a morte de seu noivo São José, devido ao seu parentesco próximo com os membros desta família, que a acolheu e a seguiam para onde ela fosse.

Segundo a Bíblia, a tia de Jesus ( Jo 19,25), serviu e acompanhou Jesus desde a Galiléia, até a cruxificação ( Mt 27,55-56; Mc 15,40-47) e teve a bem-aventurança bíblica de ver o Cristo ressuscitado ( Lc 24,1-12; Mc 16,1-8; Mt 28,1-20). É mencionada como 'Mãe de Tiago' ( Mc 16,1-8; Lc 24,10); 'Mãe de Tiago e José' (Mt 27,55-56), 'Mãe de Tiago Menor e José' ( Mc 15,40-47), 'Irmã de Maria' (Jo 19,25), 'Mulher de Cleofas' ( Jo 19,25).

Foi mãe de Tiago, José, Judas, Simão, e de algumas mulheres não nomeadas na Bíblia. Maria de Cleofas é mencionada como sendo a mãe dos 'irmãos de Jesus' pelos católicos, devido ao fato do nome de seus filhos, serem o nome dos mencionados pelo evangelista Mateus em Mt 13,55. Porém, os protestantes, acham que o fato dos nomes serem iguais é apenas coincidência e afirmam que Jesus teve primos e irmãos biológicos.

Sua festa é celebrada dia 09 de abril segundo a Igreja Católica Romana.

Na Bíblia[editar | editar código-fonte]

A Sagrada Escritura, comenta seis vezes sobre esta Maria, a quem João Evangelista chama de 'Mulher de Cleofas':

Maria de Cléofas segundo Mateus[editar | editar código-fonte]

A figura de Maria de Cleofas, é narrada duas vezes pelo Evangelista Mateus em seu evangelho. Ela aparece em duas passagens: Na primeira ela é denominada como a Mãe de Tiago, e José (Mt 27,55-56), estando junto de outras mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galiléia para o servir, estava de longe olhando para Cristo na Cruz; e na segunda, é denominada (pelo menos pela maior parte dos exegetas bíblicos) como a 'outra' Maria, que acompanha Maria Madalena ao túmulo de Jesus para perfumar a área onde estava o sepulcro de Jesus (Mt 28,1-20).

Estes dois capítulos, mostram a imagem de uma serva de Cristo (Mt 27,55-56); que se manteve na fé, mesmo após a morte de Jesus, o que não ocorreu com seu marido, que começou a demonstrar resquícios de incredulidade em Cristo após a sua morte, como mostra o evangelista Lucas no capítulo 24 de sua obra, versículos 21 ao 25.

Maria de Cléofas segundo Marcos[editar | editar código-fonte]

O Evangelista Marcos, a registrou duas vezes: A primeira fora no capítulo 15, versículos 40-47, onde na qual ela é mencionada como a mãe de Tiago, o Menor e José; neste capítulo é documentado que ela seguiu Jesus desde a Galiléia e que observou com Maria Madalena, a deposição do corpo de Cristo no sepulcro.

Na Segunda (Mc 16,1-8), ela é documentada indo ao sepulcro de Jesus, como sendo a 'Mãe de Tiago'; onde na qual um jovem vestido de branco, fala que ele ressuscitou e que era para elas avisarem aos discípulos o que fazer.

Maria de Cléofas segundo Lucas[editar | editar código-fonte]

O Evangelista Lucas, comenta apenas uma vez Maria de Cléofas em seu evangelho, também pelo nome de 'mãe de Tiago' ( Lc 24,1-12); porém após uma exegese aprofundada deste capítulo de Lucas (Capítulo 24), notamos que Lucas comentou não apenas a aparição para Maria de Cleofas, mas também para seu marido Cleofas, a caminho de Emaús (Lc 24, 13-32).

Podemos dizer que praticamente, o capítulo 24 do Evangelho de Lucas, seja somente sobre aparições de Jesus para seus parentes próximos, uma vez que Paulo documentará que após isso tudo, Jesus aparecerá a Tiago, filho de Maria de Cleofas (Lucas 24,10) em I Cor 15,6.

Maria de Cléofas segundo João[editar | editar código-fonte]

O Evangelista João, não fala muito sobre ela, mas nos deixou no versículo João 19,25: duas informações: Ela tem certo parentesco com Maria, Mãe de Jesus ( Já que o evangelista utiliza o termo irmã para ela, querendo indicar parentesco próximo); e também tem algum parentesco com Cleofas, provavelmente, parentesco de casamento com este. Ele também nos deixou o nome que conhecemos-a: Maria de Cléofas. Este evangelista, mostrou que a tia de Cristo esteve junto de sua mãe no momento da crucificação, e presenciou Jesus dar sua mãe, segundo os católicos, como mãe da Igreja ( Cf. Jo 19,26-27).

A Mãe dos Irmãos de Jesus[editar | editar código-fonte]

Para a maioria dos cristãos de todo o mundo, principalmente para os que se denominam católicos romanos, e que acreditam na Perpétua Virgindade de Maria, interpretando que em Lc 1,34, Maria mostra um voto de Virgindade, Maria de Cléofas é aceita como a mãe dos denominados 'irmãos de Jesus' de Mt 13,55-56.

Maria de Cléofas foi bíblicamente e historicamente dita Mãe de Tiago, José, Simão e Judas. Em Mt 27,55-56, foi dita como Mãe de Tiago e José; e a Bíblia também narra-a como sendo mãe de Judas, o Tadeu ( Jd 1,1; At 1,13; Lc 6,12-16), visto que este era irmão de Tiago; e pela lógica das listas do Novo Testamento, onde os irmãos são sempre colocados um do lado do outro, Simão Cananeu sempre fica do lado de seus 'irmãos' (Mc 3,16; Mt 10,2-4; At 1,13; Lc 6,12-16). E este são os nomes ditos por Mateus como 'irmãos de Jesus' em Mt 13,55-56. Outro dado histórico importante, é que todos são de Caná, a terra de Maria de Cleofas, e não de Nazaré, terra de Maria, mãe de Jesus.

Muitos padres, dos primeiros séculos como Papias (Sec. II)[1] , Eusébio de Cesaréia (Sec. IV)[2] , e Jerônimo (Sec. IV)[3] ; acreditavam que os ditos 'irmãos', eram filhos de Maria de Cléofas, e primos de Jesus.

Contudo, os protestantes interpretam como outra situação, eles acreditam que haja tanto 'primos' quanto 'irmãos' biológicos. E não acreditam na Perpétua Virgindade de Maria, seguindo os princípios do montanista Tertuliano de Cartago (Sec. II), e do dito herege por Jerônimo: Helvídio.

Nos Escritos Patrísticos[editar | editar código-fonte]

São Papias de Hierápolis ( 70- 155), foi um dos primeiros a comentar sobre Maria de Cleofas, e introduzir a lista dos 'irmãos de Jesus' como sendo, lista de filhos de Maria de Cleofas em seus fragmentos, que estão presentes e guardados na Patrologia Graeca, livro 5, de Migne:

"Maria, a mãe do Senhor; Maria, a esposa de Cléofas ou Alfeu, que era mãe de Tiago, bispo e apóstolo, de Simão, de Tadeu e de um dos que se chamavam José; Maria Salomé, esposa de Zebedeu, mãe de João, o evangelista, e Tiago; e Maria Madalena. Estas quatro mulheres são encontradas no Evangelho. Tiago, Judas e José são filhos de uma tia do Senhor. Maria, mãe de Tiago, o menor, e José, esposa de Alfeu, era irmã de Maria, mãe do Senhor, e que João liga a Cléofas; eram irmãs por parte de pai, por parte da família do clã ou por outra ligação qualquer. Maria Salomé é chamada simplesmente por Salomé por causa de seu marido ou de seu vilarejo. Alguns afirmam que ela é a mesma pessoa que Maria de Cléofas, já que teria se casado duas vezes."[4]

Já São Jerônimo de Estridão ( 347-420), ainda no século IV, escreve uma obra somente falando sobre os 'irmãos de Jesus', contra um herege chamado Helvídio que dizia que a Virgem Maria tivera outros filhos além de Jesus. A Obra ficou conhecida como: Da Virgindade Perpétua de Maria, onde Jerônimo falava com exclusividade que Maria de Cleofas fora a mãe destes ditos 'irmãos de Jesus':

"A única conclusão é que a Maria que é descrita como a mãe de Tiago o menor era a esposa de Alfeu e irmã de Maria, a mãe do Senhor, aquela que é chamada por João Evangelista "Maria de Cléofas", seja por filiação, seja por parentesco, seja por outra razão.

Mas se você julga que são duas pessoas porque em outro lugar lemos: "Maria a mãe de Tiago menor" e aqui: "Maria de Cléofas", você terá a aprender ainda que era costume na Escritura dar diferentes nomes ao mesmo indivíduo. Raguel, sogro de Moisés, é chamado também de Jetro. Gedeão, sem nenhuma outra razão aparente para a troca, de repente se torna Jerubbaal. Ozias, rei de Judá, tem, como nome alternativo, Azarias. O Monte Tabor é chamado Itabyrium. Igualmente, o Hermon é chamado pelos fenícios Sanior, e pelos amorreus Sanir. O mesmo pedaço do país é conhecido por três nomes: Negebb, Teman e Darom, em Ezequiel. Pedro é também chamado Simão e Cefas. Judas, o zelote, em outro Evangelho é chamado Tadeu. Há numerosos outros exemplos que o leitor pode por si mesmo colecionar, em toda a Escritura.

Agora aqui temos a explicação do que eu me esforcei por mostrar, como foi que os filhos de Maria, a irmã da mãe de Nosso Senhor, que anteriormente eram tidos por não crentes, e que depois passaram a acreditar, podem ser chamados irmãos do Senhor."[5]

Da Virgindade Perpétua de Maria 15-16

Nesta obra, ele explica como os filhos de Santa Maria de Cléofas, foram chamados de 'irmão'.

Também, Eusébio de Cesaréia (265- 339) fala sobre esta santa em sua obra A História Eclesiástica, ao referir-se sobre o martírio do filho desta: Simão.

"O mesmo autor diz que inclusive os próprios carrascos foram presos quando se procuraram os

descendentes da tribo real dos judeus, já que também eles o eram. Com um pouco de cálculo 

pode-se dizer que também Simão viu e ouviu pessoalmente o Senhor, baseando-se na longa 

duração de sua vida e na menção que o texto dos evangelhos faz de Maria de Cléofas, de quem 

já se demonstrou que Simão era filho.

O mesmo escritor diz que também outros descendentes de um dos chamados irmãos do Salvador, 

de nome Judas, sobreviveram até este mesmo reinado, depois de ter dado testemunho de sua fé em 

Cristo sob Domiciano, como já referimos anteriormente."[6]

A História Eclesiástica, Livro III, XXXII, 4-5

Além disso, outros defensores, de que Maria de Cleofas fora 'mãe dos irmãos de Jesus' foi Agostinho de Hipona[7] , também no século IV. Após o século IV, sucedeu-se de obras e teólogos que afirmavam o pensamento de Jerônimo e Papias de Hirápolis, até virar a posição oficial da Igreja Católica Apostólica Romana, sobre os ditos 'irmãos de Jesus'[8] .

Parentesco com Maria, a Mãe de Jesus[editar | editar código-fonte]

O Evangelho de João nos diz: "E estavam junto à Cruz de Jesus, sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria [mulher] de Cléofas" (Jo 19,25). Para uma boa parte dos Exegetas e historiadores, não há como aceitar que essa irmandade seja biológica. Escritos dos primeiros séculos, falam que os pais de Maria eram estéreis[9] , e portanto, Maria nasceu de um milagre. Esta tradição é utilizada até hoje, tanto nas Igrejas Católicas Romanas, como na maioria das denominadas ortodoxas. Seria ilógico que os pais de Maria, colocassem em sua filha, o mesmo nome da primeira. Além do mais, para uma boa parte de exegetas católicos, o versículo de Ct 6,9; refere-se a Maria; como filha única de sua mãe.

Embora alguns apócrifos mais tardios do que aquele que foi tirado a tradição de Maria ser filha de estéreis, digam que eram irmãs[10] , a maior parte dos exegetas a interpretam no sentido de parenta próxima, no caso, uma concunhada. Eusébio, disse em sua obra A História Eclesiástica:

"Depois do martírio de Tiago e da tomada de Jerusalém, que se seguiu imediatamente, é tradição

que os apóstolos e discípulos do Senhor que ainda viviam reuniram-se de todas as partes num 

mesmo lugar, junto com os que eram da família do Senhor segundo a carne (pois muitos deles 

ainda viviam), e todos celebraram um conselho sobre quem seria considerado digno de suceder a 

Tiago, e todos, por unanimidade, decidiram que Simão, o filho de Cléofas - mencionado também 

pelo texto do Evangelho-, era digno do trono daquela igreja, por ser primo do Salvador, ao

menos segundo se diz, pois Hegesipo refere que Cléofas era irmão de José[11] ."

A História Eclesiástica, Livro III, XI,1

Os exegetas interpretam, que devido a impossibilidade de uma irmandade biológica, devido ao próprio nome destas Marias, elas sejam concunhadas, uma vez que os seus maridos eram irmãos biológicos, como mostrado por Hegésipo (Séc. II).

A explicação para ela ser chamada de 'irmã' é esta:  Maria falava Aramaico. E no Aramaico, não há a palavra ‘concunhada’, mas, nesta língua a palavra ‘irmã’ (ou 'irmão) era empregado para qualquer tipo de parente próximo. O valor semítico do termo ‘irmão’ e 'irmã' que havia no Antigo testamento, foi preservado no Novo Testamento, já que foi feito o uso do termo ‘irmã’ (no aramaico - “ha”. A palavra hebraica "ha" e a aramaica "aha"), que serve para designar tanto irmãos, como sobrinhos, primos, concunhada, cunhados e qualquer outro tipo de parentes, como era utilizado na Bíblia[12] .

Porém, há quem interprete o sentido literal da palavra: Os pentecostais, geralmente interpretam no sentido literal, rejeitando as variações linguísticas e lógicas da época.

Parentesco com Alfeu-Cléofas[editar | editar código-fonte]

A Bíblia não deixa claro a relação de Maria de Cléofas com Cléofas-Alfeu (Já que Alfeu e Cléofas são formas gregas derivadas do mesmo nome em hebraico Halphai e aramaico Claphai). Neste caso, há concordância sobre seu parentesco. A Maioria das denominações Cristãs, a interpretam como relação de marido e mulher, uma vez que geralmente, ao casar, a mulher ganhava o nome do marido. Alguns apócrifos nos primeiros séculos, diziam que Cléofas era seu pai, esposo de Ana, mãe de Maria, a mãe de Jesus[13] , outros mais tardios que ela seja a própria mãe de Cléofas[14] .

Nos Apócrifos[editar | editar código-fonte]

Maria de Cléofas é pouco citada nos evangelhos apócrifos. É citada pelo Evangelho Pseudo-Mateus XLII,1-2 numa reunião da família de Jesus. Ela é dita como 'filha' de Cléofas neste apócrifo. Essa ideia é bastante rejeitada por todas as denominações Cristãs. Também é mencionada pelo Evangelho Árabe da Infância de Jesus XXIX, 1-3; como sendo a mãe de Cléofas e recorrendo a Maria por vingança, contra sua inimiga Azrami e seu filho.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  1. Patrologia Graeca, livro 5, de Migne. [S.l.: s.n.].
  2. A História Eclesiástica, Livro III, XXXII, 4-5. [S.l.: s.n.].
  3. Da Virgindade Perpétua de Maria 15-16, Jerônimo. [S.l.: s.n.].
  4. Papias, Fragmentos.
  5. Da Perpétua Virgindade de Maria, Jerônimo.
  6. Eusébio de Cesaréia, A História Eclesiástica.
  7. Santo Agostinho dizia: "Quando vocês ouvirem falar dos 'irmãos do Senhor', pensem logo que se trata de algum parentesco que os une a Maria, sem imaginar ter ela tido outros filhos" (Comentário do Evangelho de João XXVIII,3). Além disso, também comentou sobre isso no Capítulo X,2 de seu livro.
  8. CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA 500. [S.l.: s.n.].
  9. Protoevangelho de Tiago
  10. Evangelho do Pseudo-Mateus
  11. [1].
  12. Lv 10,4; Gn 13,8; Gn 12,5; Gn 11,28-31; Gn 29,13; Gn 29,15; Gn 31,23; Gn 37,16; Gn 39,15; Gn 42,15; Gn 43,5; I Cr 23,22; 1 Cr 15,5; 2 Cr 36,10; 2 Rs 10,13; Jz 9,3; 1Sm 20,29; Tb 8,9; Jó 19,13-14; Jó 42,11
  13. Evangelho do Pseudo-Mateus XLII,1-2
  14. O Evangelho Árabe da Infância de Jesus XXIX, 1-3