Maria de Saxe-Coburgo-Gota

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
A página está num processo de expansão ou reestruturação.
Esta página está a atravessar um processo de expansão ou reestruturação. A informação presente poderá mudar rapidamente, podendo conter erros que estão a ser corrigidos. Todos estão convidados a dar o seu contributo e a editar esta página. Caso esta não tenha sido editada durante vários dias, retire esta marcação.

Esta página foi editada pela última vez por Bruno Siqueira (D C) 3 dias atrás. (Recarregar)

Maria de Saxe-Coburgo-Gota
Rainha consorte da Romênia
Rainha consorte da Romênia
Reinado 10 de outubro de 1914 a 20 de julho de 1927
Coroação 15 de outubro de 1922
Predecessora Isabel de Wied
Sucessora Helena da Grécia e Dinamarca[nota 1]
Cônjuge Fernando I da Romênia
Descendência
Carlos II
Isabel
Maria
Nicolau
Ileana
Mircea
Nome completo
Maria Alexandra Vitória
Casa Hohenzollern-Sigmaringen
Saxe-Coburgo-Gota
Pai Alfredo, Duque de Saxe-Coburgo-Gota
Mãe Maria Alexandrovna da Rússia
Nascimento 29 de Outubro de 1875
Eastwell Park, Kent, Flag of England.svg Inglaterra
Morte 18 de Julho de 1938 (62 anos)
Castelo de Pelişor, Sinaia, Flag of Romania.svg Romênia
Enterro Catedral de Curtea de Argeș, Coburgo
Religião Anglicana
Assinatura

Maria Alexandra Vitória (Kent, 29 de outubro de 1875 - Sinaia, 18 de julho de 1938),[nota 2] foi a segunda criança e primeira filha de Alfredo, duque de Saxe-Coburgo-Gota e da grã-duquesa Maria Alexandrovna da Rússia, tendo sido neta da rainha Vitória do Reino Unido e do czar Alexandre II da Rússia. Foi também a última rainha consorte da Romênia, como esposa de Fernando I.

Nascida na família real britânica, Maria viveu seus primeiros anos entre Kent, Malta e a cidade de Coburgo, na Alemanha. Após recusar a proposta de casamento de seu primo, o futuro Jorge V do Reino Unido, ela casou-se com o príncipe Fernando, herdeiro do rei Carlos I da Romênia, em 1892. No longo período em que ocupou a posição de consorte do príncipe herdeiro (entre 1893 e 1914), Maria tornou-se bastante popular entre o povo romeno. A fama de que ela controlava o fraco gênio do marido, levou um jornal canadense a afirmar que "poucas consortes reais exerceram maior influência do que a rainha Maria, durante o reinado de seu marido".[1] Tal influência teria sido decisiva para que Fernando I declarasse guerra à Alemanha, em 1916.

Durante a Primeira Guerra Mundial, Bucareste foi ocupada pelas tropas inimigas e a família real teve que refugiar-se na Moldávia. Lá, Maria e suas filhas atuaram como enfermeiras, cuidando dos soldados feridos ou atingidos pelo cólera. Em 1919, após o término do conflito, Maria participou da Conferência de Paz de Paris, onde fez campanha pelo reconhecimento internacional da Grande Romênia.

Como rainha, ela era muito popular, tanto na Romênia quanto no exterior – chegou a ser recebida com grande entusiasmo durante uma viagem oficial aos Estados Unidos, em 1926. Com a morte de Fernando I, em 1927, ela recusou-se a compor o conselho de regência durante a menoridade de seu neto, Miguel I. Em 1930, seu filho mais velho – que havia renunciado aos seus direitos ao trono em 1925 – depôs o jovem rei e assumiu o trono, como Carlos II. A partir de então, esforçou-se por derrubar a popularidade materna. Afastada da cena política, Maria passou a viver em sua residência, próximo ao mar Negro. Diagnosticada com uma cirrose hepática, ela morreu no Castelo de Pelişor, em 1938.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Marie nasceu na residência de seus pais, Eastwell Park, em Kent, em 29 de outubro de 1875, às 10:30 horas, na presença de seu pai. Seu nascimento foi comemorado com uma salva de tiros de canhão.[2] Ela era a segunda criança e primeira varoa do príncipe Alfredo, duque de Edimburgo e da princesa Maria Alexandrovna (nascida grã-duquesa da Rússia). Ela recebeu os nomes de Maria Alexandra Vitória, em homenagem à sua mãe e avós,[3] mas entre família era chamada de Missy.[4] O duque de Edimburgo escreveu que sua filha "promete ser tão saudável quanto seu irmão e dá todos os indícios de ter pulmões perfeitamente desenvolvidos e mostrou isso antes mesmo de vir ao mundo".[5] Como neta da monarca britânica pela linha masculina, recebeu o estilo de "Sua Alteza Real, Princesa Maria de Edimburgo" desde o nascimento.

Maria foi batizada na capela privada do Castelo de Windsor, em 15 de dezembro 1875, solenidade presidida pelos deões de Westminster e de Windsor.[6] A cerimônia teve "natureza estritamente privada" porque foi realizada um dia após o aniversário de morte do marido da rainha Vitória, o príncipe Alberto.[7] Maria teve como padrinhos a czarina Maria Alexandrovna da Rússia (sua avó materna, representada no ato pela rainha Vitória), a princesa de Gales (sua tia paterna), a duquesa de Saxe-Coburgo-Gota (sua tia-avó, representada pela princesa Helena de Schleswig-Holstein), o czarevich da Rússia (seu tio materno, representado pelo conde Pedro Andreievich Shuvalov) e o duque de Connaught e Strathearn (seu tio paterno, representado pelo duque de Albany).[6]

Educação[editar | editar código-fonte]

A princesa, em retrato de John Everett Millais, de 1882. A pintura, encomendada pela rainha Vitória, chegou a ser exposta na Academia Real Inglesa.[8]

Maria e seus irmãos – Alfredo (nascido em 1874), Vitória Melita (nascida em 1876 e apelidada de "Ducky"), Alexandra (nascida em 1878 e apelidada de "Sandra") e Beatriz (nascida em 1884 e apelidada de "Baby Bee") – passaram grande parte de suas vidas pregressas em Eastwell Park, local que sua mãe preferia à Clarence House, sua residência oficial.[9] Em suas memórias, Maria refere-se carinhosamente a Eastwell.[10] O duque de Edimburgo foi praticamente inexistente na vida de seus filhos, em virtude de sua posição na Marinha Real Britânica, que ficaram a cargo completo da mãe. Maria afirmou mais tarde que nem ao menos sabia a cor dos cabelos de seu pai até ver seus retratos, acreditando serem muito mais escuros do que realmente eram.[10] Quando estava em casa, entretanto, o duque costumava brincar com seus filhos, inventando vários jogos para eles.[11] De todos os seus irmãos, Vitória Melita era a mais próxima de Maria. Embora fosse um ano mais nova, todos acreditavam ser Vitória a mais velha, em virtude de sua estatura.[12] Todos os filhos do duque de Edimburgo foram batizados e educados na fé anglicana, algo que incomodava a duquesa, cristã ortodoxa.[3]

A duquesa de Edimburgo era defensora da ideia de separação das gerações e Maria lamentava profundamente o fato de sua mãe nunca permitir que as duas conversassem "de igual para igual".[13] Ainda assim, a duquesa era uma mulher independente, culta e "a pessoa mais importante" na vida de seus filhos.[14] Por determinação dela, as filhas aprenderam francês, que Maria detestava e raramente falava.[15] No geral, a duquesa negligenciou a educação de suas filhas, considerando-as pouco brilhantes ou talentosas. Elas tinham autorização para ler em voz alta, mas receberam apenas uma instrução superficial em pintura e desenho, áreas em que haviam herdado o talento da rainha Vitória.[16] Os duques de Edimburgo recebiam com frequência membros da família real em Eastwell Park, onde eram convidados quase que diariamente para o café.[17] Essa proximidade levou Maria e Vitória Melita a serem convidadas para servirem como damas de honra no casamento de sua tia, a princesa Beatriz, com o príncipe Henrique de Battenberg.[18] Entre as companhias mais frequentes de Maria estavam seus primos maternos, os grão-duques Nicolau ("Nicky") e Jorge ("Georgie") e a grã-duquesa Xenia da Rússia – os outros dois primos russos, o grão-duque Miguel ("Misha") e a grã-duquesa Olga eram muito jovens para as meninas Edimburgo. Eventualmente, também tinham contato com os filhos de seu tio materno, o grão-duque Vladimir Alexandrovich da Rússia.[19]

Maria, aos treze anos de idade.

Em 1886, quando Maria tinha onze anos, o duque de Edimburgo foi nomeado comandante-em-chefe da esquadra do Mediterrâneo e a família passou a residir no Palácio de San Anton, em Malta.[20] Sua estadia na ilha era recordada como "a memória mais feliz de minha existência".[21] Também foi em Malta que Maria encontrou seu primeiro amor, Maurice Bourke, capitão do navio do duque, a quem ela chamava de "Captain Dear". A jovem chegava a ter crises de ciúmes quando Bourke dava mais atenção a uma de suas irmãs do que a ela.[22] O duque e a duquesa de Edimburgo eram bastante queridos em Malta e o Palácio de San Anton estava sempre cheio de convidados.[23] Maria e Vitória Melita ganharam cavalos brancos de sua mãe e iam quase que diariamente ao hipódromo local, com exceção dos sábados.[24] Durante o primeiro ano em Malta, uma governanta francesa supervisionava a educação das princesas, mas, devido à sua saúde debilitada, ela foi substituída no ano seguinte por uma alemã mais jovem.[25]

Nessa época, como o príncipe de Gales houvesse renunciado aos seus direitos ao trono do Ducado de Saxe-Coburgo-Gota, o duque de Edimburgo tornou-se herdeiro presuntivo de seu tio, o duque Ernesto II. Consequentemente, a família mudou-se para Coburgo em 1889. Maria referiu-se mais tarde a esse momento como "o fim de uma vida de absoluta felicidade e alegria, sem nuvens, de uma vida sem decepções ou ilusões e sem qualquer nota discordante".[26] A duquesa, que era pró-Alemanha, contratou uma governanta alemã para suas filhas, comprou-lhes roupas simples e até as confirmou na fé luterana.[27] A família passava os verões no Castelo de Rosenau.[28] O duque Ernesto foi descrito por Maria como alguém que tinha "suas esquisitices"; sua corte era menos rígida que outras cortes alemãs da época.[29] Em Coburgo, a educação das princesas foi ampliada: maior ênfase foi dada à pintura e à música, cujas aulas eram ministradas por Anna Messing e Mrs. Helferich, respectivamente.[30] As princesas também apreciavam o teatro e assistiam às apresentações no Teatro Coburgo às quintas-feiras e aos domingos.[31] Maria e Vitória Melita observavam frequentemente os amigos de seu irmão e faziam comentários sobre os que mais gostavam – algo que Maria considerava inevitável às meninas que tem irmãos.[32] Outros eventos que as meninas apreciavam grandemente em Coburgo eram as festas de inverno organizadas por sua mãe, quando elas tinham oportunidade de patinar no gelo e participar de jogos, como o hóquei.[33]

Príncipe Jorge de Gales, em 1893.

Casamento[editar | editar código-fonte]

Maria cresceu e tornou-se uma "jovem adorável", com "brilhantes olhos azuis e sedosos cabelos louros" e seus pretendentes logo se multiplicaram.[34] Entre eles, estava o príncipe Jorge de Gales, que em 1892 tornou-se o segundo na linha de sucessão ao trono britânico. A rainha Vitória, o príncipe de Gales e o duque de Edimburgo aprovaram a união, mas a princesa de Gales e a duquesa de Edimburgo não. A Princesa de Gales não suportava o sentimento pró-alemão da família e a duquesa de Edimburgo, que detestava tanto a Inglaterra quanto a família reinante, não desejava que sua filha permanecesse no país. Maria Alexandrovna tammbém não gostou do fato da princesa Alexandra, cujo pai fora um príncipe alemão menor antes de ser chamado ao trono dinamarquês, estar acima dela na ordem de precedência.[35] Além disso, a duquesa de Edimburgo era contra a ideia do casamento entre primos de primeiro grau, o que não era permitido pela Igreja Ortodoxa Russa, na qual fora criada.[36] Assim, quando Jorge fez a proposta, Maria informou-lhe que o casamento era impossível e que ele deveria permanecer apenas como seu "amigo querido". A rainha Vitória comentou mais tarde que Jorge "perdeu Missy por esperar e esperar".[37]

Maria, em 1893.

Nessa época, o rei Carlos I da Romênia procurava uma noiva adequada para o príncipe Fernando, a fim de garantir a sucessão e a continuação da Casa de Hohenzollern-Sigmaringen. Possivelmente motivado pela perspectiva de eliminar as tensões entre Rússia e Roménia sobre o tema do controle sobre a Bessarábia, a duquesa de Edimburgo sugeriu que Maria conhecesse Fernando.[36] Seu primeiro encontro ocorreu durante um jantar de gala e os dois conversaram em alemão. Ela achou-o tímido, mas amável, e o segundo encontro foi bem sucedido.[38] Logo que o compromisso foi formalizado, a rainha Vitória escreveu à princesa Vitória de Hesse que "[Fernando] é bom e seus pais são encantadores, mas o país é bastante inseguro e a imoralidade da sociedade de Bucareste é terrível. Naturalmente, o casamento terá que ser atrasado em algum tempo, visto que Missy só completará 17 anos no final de outubro!"[39] Da mesma forma, a imperatriz-viúva da Alemanha escreveu à sua filha, a duquesa de Esparta, que "até agora, Missy está bastante satisfeita, mas a pobre criança é tão jovem, como pode imaginar o que virá?"[40] No final de 1892, Carlos I foi a Londres encontrar-se com o duque de Edimburgo e a rainha Victoria, que finalmente concordou com o casamento e nomeou-o cavaleiro da Ordem da Jarreteira.[41]

Em 10 de janeiro de 1893, Maria e Fernando casaram-se, no Castelo de Sigmaringen, em três cerimônias: uma civil, uma católica (religião de Fernando) e uma anglicana. A cerimônia civil foi realizada no Salão Vermelho do castelo, por Karl von Wendel e o kaiser Guilherme II foi a primeira testemunha a assinar a certidão de casamento. Às quatro horas, a cerimônia católica foi celebrada na igreja da cidade, com Maria sendo conduzida ao altar pelo pai. A cerimônia anglicana foi mais modesta, sendo realizada em uma das salas do castelo.[42] [43] Embora Carlos I tenha concedido ao casal o "Honigtag" (um dia de lua de mel), Maria e Fernando passaram alguns dias no Castelo de Krauchenwies, na Baviera. De lá, eles partiram para o campo, mas a viagem foi brevemente interrompida por uma parada em Viena, onde visitaram o imperador Francisco José I. Devido às crescentes tensões entre a Áustria e a Romênia (a visita ocorreu em pleno progresso do Memorando Transilvano), a visita do casal foi breve e eles chegaram à cidade fronteiriça de Predeal após cruzar a Transilvânia em um trem noturno.[44] Maria foi muito bem recebida pelo povo romeno, saudoso de uma monarquia mais próxima dele.[45]

Princesa herdeira consorte (1893-1914)[editar | editar código-fonte]

Maria, como princesa herdeira consorte, em 1893. Esta é a primeira foto da princesa na Romênia.[46]

Vida doméstica[editar | editar código-fonte]

Os primeiros anos de casamento de Maria e Fernando foram particularmente difíceis – anos depois, ela declarou ter sido "uma pena termos perdido tantos anos de nossa juventude apenas para aprendermos a viver juntos!"[47] Eles tinham em comum o amor pelo país. Em sua memórias Maria afirmou que "cometemos todos os erros, mas sempre tivemos a melhor das intenções em mente e estou convencida de que as pessoas sabem disso".[47] Em seu diário, ela falou sobre seus primeiros anos de casamento: "nós temos temperamentos completamente diferentes, somos incapazes de compreender certas coisas porque nossas mentes funcionam de forma completamente diferente. Em nossa juventude, fizemos sofrer um ao outro sofrer; éramos como dois cavalos mal emparelhados, apesar de sempre ter havidos questões sobre as quais concordamos".[48] Aos poucos, o relacionamento do casal transformou-se apenas em uma cordial amizade: Maria respeitava Fernando por sua superioridade masculina e, mais tarde, como rei, e ele a respeitava porque percebeu que ela tinha uma melhor compreensão do mundo que ele.[49] Eventualmente, Maria passou a acreditar que ela e Fernando foram "os melhores colaboradores, os companheiros mais leais, mas as nossas vidas se entrelaçaram apenas em certos assuntos".[48] Fernando apreciava a presença de Maria durante as marchas militares e a convidava freqüentemente para esse tipo de evento.[50]

Maria deu à luz seu primeiro filho, o príncipe Carlos, apenas nove meses após o casamento, em 15 de outubro 1893. Embora ela tenha pedido para usar clorofórmio a fim de aliviar as dores do parto, os médicos estavam relutantes em fazê-lo, por acreditar que "as mulheres devem pagar em agonia pelos pecados de Eva". Somente após a insistência da duquesa de Edimburgo e da rainha Vitória, o rei Carlos finalmente permitiu o uso da droga na princesa.[51] Maria não demonstrou muita alegria com a chegada de seu primogênito, tendo registrado que "sentia-se como se estivesse virando a cabeça para a parede".[52] Da mesma forma – embora a rainha Isabel de Wied tenha declarado que o parto foi "o momento mais glorioso da vida [ de Maria ]" –, ela só conseguia sentir a falta da mãe durante o nascimento de sua segunda filha, a princesa Isabel, em 1894.[53] Após acostumar-se à vida na Romênia, Maria passou a regozijar-se com o nascimento de seus outros filhos,[54] a princesa Maria (apelidada de "Mignon"), o príncipe Nicolau (apelidado de "Nicky"),[55] a princesa Ileana e o príncipe Mircea.

Fernando e Maria como príncipes herdeiros, em 1893.

O rei e a rainha logo tiraram os príncipes Carlos e Isabel dos cuidados da mãe, pois consideravam inapropriado que eles fossem criados por pais tão jovens.[56] Maria amava seus filhos, mas tinha dificuldades até mesmo para repreendê-los, falhando na tarefa de controlá-los adequadamente.[57] Em consequência, as crianças reais receberam alguma educação, mas nunca frequentaram a escola. A incapacidade da família real em oferecer aos príncipes a mesma educação que teriam na sala de aula, fez com que suas personalidades apresentassem graves falhas à medida que cresciam.[58] O primeiro-ministro Ion G. Duca escreveria mais tarde que "era como se [o rei Carlos] quisesse deixar os herdeiros da Romênia completamente despreparados para o êxito".[59]

Vida na corte[editar | editar código-fonte]

Desde o início, Maria teve dificuldades para se adaptar à vida na Romênia. Sua personalidade e "alto astral" eram motivos frequentes de discussão na corte romena, e ela não gostava do ambiente austero de sua família. Em suas memórias, ela escreveu: "não vim para a Romênia para ser adorada e mimada e fazer figura; vim para fazer parte da engrenagem à qual o rei Carlos dava corda. Fui importada para ser enfeitada, educada, modificada e treinada de acordo com a concepção do grande homem". Ao descrever seus primeiros dias na Romênia, Maria escreveu que "por muito tempo ficou deprimida, enquanto seu jovem marido cumpria o serviço militar; sozinha em quartos que odiava, pesados quartos alemães​".[60] A imperatriz-viúva da Alemanha escreveu à duquesa de Esparta que "Missy da Romênia é mais digna de pena do que você. O rei é um grande tirano em sua família e esmagou a independência de Fernando para que ninguém se importasse com ele, e sua bela e talentosa esposa, temo eu, mete-se em confusões e, como uma borboleta, ao invés vez de pairar sobre as flores, queima suas lindas asas voando bem próximo do fogo!"[61] Maria aprendeu facilmente a falar a língua romena e seguiu os conselhos de sua mãe para vestir-se com apuro e demonstrar respeito pelos rituais ortodoxos.[62]

Fernando e Maria foram aconselhados pelo rei Carlos a manter um grupo restrito de amigos. Assim, ela lamentava-se de que seu círculo familiar havia se reduzido a apenas o rei e o marido, "que dedicava fervorosa admiração pelo velho homem de ferro, tremendo sempre que qualquer ação [dela] pudesse desagradar ao dever chefe da família".[60] The Times Literary Supplement escreveu que Maria encontrava-se "desde o momento de sua chegada a Bucareste, sob a tutela do severo disciplinador rei Carlos I". [63]

Em 1896, Fernando e Maria mudaram-se para o Palácio Cotroceni, que havia sido especialmente organizado para o casal pelo rei.[64] No ano seguinte, Fernando foi acometido pela febre tifoide. Ele delirou durante dias e, mesmo com todos os esforços de seu médico, ficou à beira da morte.[65] Nesse período, Maria trocou inúmeras cartas com sua família na Grã-Bretanha e estava apavorada com a perspectiva de perder o marido.[66] O rei ainda tinha um herdeiro no príncipe Carlos, mas havia o problema de sua pouca idade. Assim, toda a família desejava desesperadamente que Fernando sobrevivesse. Com a melhora de seu estado de saúde, Fernando e Maria foram para o Castelo de Peleş, em Sinaia, para um período de recuperação. Isso os impediu de comparecer às celebrações pelo jubileu de ouro da rainha Vitória, naquele verão. Durante a convalescença do marido, Maria passou a maior parte do tempo com seus dois filhos, levando-os em longas caminhadas e colhendo flores com eles.[67] O inverno de 1897/1898 foi passado com a família imperial russa, na Riviera Francesa, onde Maria montava a cavalo com frequência, apesar das baixas temperaturas.[68]

Maria (à extrema direita) e suas irmãs em luto pela morte de seu pai, em 1900.

Nessa época, Maria conheceu o tenente Gheorghe " Zizi " Cantacuzene, membro, ainda que por um ramo ilegítimo, de uma antiga família principesca romena e um descendente do príncipe Şerban Cantacuzino. Apesar de não ser muito atraente, Cantacuzene destacava-se pelo senso de humor e pelo modo de se vestir, além do seu talento na equitação.[69] Os dois logo se envolveram amorosamente, mas o caso foi encerrado quando a opinião pública tomou conhecimento. Por mais que condenasse o comportamento de Maria, sua mãe permitiu que ela seguisse para Coburgo quando, em 1897, supunha-se que ela estivesse grávida.[70] [nota 3] Houve especulações sobre se a segunda filha de Maria, "Mignon", seria filha de Cantacuzene e não de Fernando.[71] Ao longo dos anos seguintes, também surgiram rumores de que Maria tivesse se envolvido com o grão-duque Boris Vladimirovich da Rússia,[nota 4] Waldorf Astor,[nota 5] o príncipe Barbu Ştirbey[nota 6] e Joe Boyle.[78] Em 1903, Fernando e Maria inauguraram Pelişor, um castelo em estilo Art Nouveau em Sinaia que o rei Carlos havia encomendado para o casal real.[79]

Em março de 1907, rebentou a Revolta dos Camponeses, no norte da Moldávia, gerando uma violenta repressão por parte de Carlos I.[80] Maria só tomou conhecimento da força utilizada sufocar a revolta quando já era tarde demais para interceder. Depois disso, passou a usar com frequência trajes típicos romenos, tanto em casa quanto em público, iniciando uma tendência de moda entre as jovens de classe alta.[62]

Em 29 de junho de 1913, a Bulgária declarou guerra à Grécia, dando início à Segunda Guerra Balcânica. Em 4 de julho, a Romênia entrou na guerra, aliando-se aos gregos.[81] O conflito, que durou pouco mais de um mês, foi agravado por uma epidemia de cólera. O primeiro contato com uma epidemia representou uma reviravolta na vida de Maria. Com a ajuda do médico Ioan Cantacuzino e da irmã Pucci, uma enfermeira da Cruz Vermelha, a princesa viajou entre a Romênia e a Bulgária, levando seu auxílio aos hospitais.[82] Estes eventos a prepararam para as experiências que viveria durante a Primeira Guerra Mundial.[83] Como resultado da guerra, a Romênia recebeu a possessão da Dobruja do Sul, incluindo a cidade costeira de Balčik, onde Maria fez construir sua casa, anos depois.[84] Logo após o final da guerra, Carlos I adoeceu.

Em 28 de junho de 1914, em Sarajevo, o arquiduque Francisco Fernando da Áustria, herdeiro do Império Austro-Húngaro, foi assassinado. A notícia chocou Maria e sua família, que encontrava-se em férias em Sinaia. Em 28 de julho, a Áustria-Hungria declarou guerra à Sérvia e a princesa anotou que "a paz mundial foi despedaçada". Assim, em 3 de agosto, o rei convocou o Conselho da Coroa em Sinaia, a fim de decidir se a Romênia deveria entrar na guerra. Embora Carlos I fosse favorável a apoiar a Alemanha e as Potências Centrais, o conselho decidiu pela neutralidade. Pouco tempo depois, sua doença agravou-se, mas a possibilidade de abdicação não foi sequer discutida. Carlos I morreu em 10 de outubro de 1914 e Fernando sucedeu-o automaticamente.

Rainha consorte da Romênia (1914-1927)[editar | editar código-fonte]

Primeiros-ministros da Romênia (1914–1927)
Ano Primeiro-ministro (partido)
1914 Ion I. C. Brătianu (PNL)
1918 (Jan.) Gal. Alexandru Averescu (Mil.)
1918 (Mar.) Alexandru Marghiloman (PC)
1918 (Out.) Gal. Constantin Coandă (Mil.)
1918 (Nov.) Ion I. C. Brătianu (PNL)
1919 (Set.) Gal. Artur Văitoianu (Mil.)
1919 (Dez.) Alexandru Vaida-Voevod (PNR)
1920 Gal. Averescu (PP)
1921 Take Ionescu (PCD)
1922 Ion I. C. Brătianu (PNL)
1926 Gal. Averescu (PP)
1927 (Jun.) Barbu Ştirbey (Ind.)
1927 (Jun.) Ion I. C. Brătianu (PNL)

Primeira Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Logo no início da manhã de 10 de outubro, Maria recebeu um telefonema do príncipe Ştirbey, informando-a que ela havia se tornado rainha. Apesar de ter-se preparado mentalmente para sua ascensão durante algum tempo, a notícia foi um "choque colossal" para ela. No dia seguinte, ela e Fernando foram aclamados como rei e rainha na Câmara dos Deputados.[85] Mais tarde, a nova rainha escreveu: "nesse momento eu sabia que havia vencido, aquela estrangeira, a menina que veio por sobre as águas, não era mais uma estrangeira".[86] A princesa Anne Marie Callimachi, uma amiga próxima de Maria, escreveu que "como princesa herdeira, ela havia sido popular; como rainha, ela foi mais amada".[87] A rainha teve uma grande influência sobre seu marido e toda a corte, o que levou o historiador A.L. Easterman a escrever que "não foi ele [Fernando], mas Maria, quem governou a Romênia".[88] À época da ascensão de Fernando, o governo era liderado pelo primeiro-ministro liberal Ion I. C. Brătianu. Segundo a tradição, Brătianu apresentou sua carta de demissão ao novo rei que, no entanto, a recusou, iniciando seu reinado sob um regime liberal. Fernando e Maria decidiram não fazer muitas mudanças na corte, permitindo que todos aceitassem a transição de um regime para o outro ao invés de forçá-los. Assim, muitos dos servidores de Carlos I e Isabel foram mantidos em suas funções, mesmo aqueles por quem não nutriam simpatias.[89] Com a ajuda de Brătianu, Maria começou a pressionar Fernando a entrar na guerra. Ao mesmo tempo, ela contatou vários parentes reinantes na Europa, tentando barganhar as melhores condições para a Romênia, caso o país entrasse na guerra. Maria favoreceu uma aliança com a Tríplice Entente (Rússia, França e Grã-Bretanha), em parte por sua ascendência britânica. A neutralidade implicava riscos e entrar na guerra com a Entente significava que a Romênia serviria como um "tampão" da Rússia contra possíveis ataques.[90]

Maria em visita a um hospital militar em 1917.

Eventualmente, Maria exigiu de Fernando, em termos inequívocos, que ele entrasse na guerra – levando o ministro francês para a Romênia, Auguste Félix de Beaupoil, conde de Saint-Aulaire, a comentar que a rainha fora duas vezes aliada dos franceses: por nascimento e pelo coração.[91] Fernando cedeu aos apelos de Maria e assinou um tratado com a Entente, em 17 de agosto de 1916. Em 27 de agosto, a Romênia declarou formalmente guerra à Áustria-Hungria.[92] Saint-Aulaire escreveu que Maria "abraçou a guerra como outros abraçariam a religião".[93] Após comunicar aos filhos que o país havia entrado na guerra, Fernando e Maria demitiu seus funcionários alemães, que só poderiam permanecer a seus serviços como "prisioneiros de guerra" de nível inferior.[94] No início dos confrontos, Maria esteve envolvida no auxílio à Cruz Vermelha romena e em visitas diárias aos hospitais.[95] Durante o primeiro mês da guerra, a Romênia lutou nada menos que nove batalhas, sendo algumas em território romeno, como a Batalha de Turtucaia.[96]

Em 2 de novembro de 1916, o príncipe Mircea, filho mais novo de Maria, que havia adoecido com a febre tifoide, morreu em Buftea. Perturbada, a rainha anotou em seu diário: "​​nada mais será o mesmo?".[97] Após a queda de Bucareste perante as tropas austríacas, a corte real foi transferida para Iaşi, capital da região da Moldávia, em dezembro de 1916.[98] Lá, Maria continuou a atuar como enfermeira nos hospitais militares. Novamente auxiliada pelo Dr. Ioan Cantacuzino e pela irmã Pucci, ela tentou conter a propagação de a epidemia de tifo que varria a Moldávia e aproveitou a oportunidade para enviar seu filho, o príncipe Carlos, aos bairros periféricos, com suprimentos de comida e água, para que ele pudesse granjear o amor e o reconhecimento de seus futuros súditos.[99] Diariamente, Maria vestia o uniforme de enfermeira e seguia para a estação de trens, para receber os soldados feridos e transportá-los ao hospital.[100]

A assembleia em Alba Iulia, 1918.

Após o termo da Revolução Russa, no início de novembro de 1917, e da vitória dos bolcheviques, a Romênia tornou-se, nas palavras do diplomata Frank Rattigan, "uma ilha cercada pelo inimigo por todos os lados, sem qualquer esperança de ajuda dos Aliados".[101] Logo depois, em 9 de dezembro de 1917, Fernando assinou a Trégua de Focşani.[102] Maria considerou o tratado perigoso, enquanto Brătianu e Știrbey acreditavam ser uma medida necessária para a obtenção de mais tempo. Mais tarde, as reviravoltas nos eventos provariam que Maria estava correta.[103] Em 1918, ela foi veementemente contra a assinatura do Tratado de Bucareste, dando origem à expressão que a descrevia como "verdadeiramente o único homem na Romênia".[104] O armistício com Alemanha, em 11 de novembro de 1918, pôs fim aos combates e à guerra.

No século X , o Principado da Hungria começou a conquista da Transilvânia, que foi concluída por volta de 1200.[105] A ideia de uma "Grande Romênia" já existia na mente dos romenos daquela região a algum tempo[106] e Brătianu apoiou ativamente esse conceito antes da guerra.[107] Em 1918, tanto a Bessarábia quanto Bucovina votaram pela união com a Romênia. Uma assembleia teve lugar na antiga cidade de Alba Iulia, em 1 de dezembro de 1918, onde Vasile Goldiș leu a resolução pela união da Transilvânia com o Antigo Reino. Esse documento, apoiado tanto pelos romenos quanto pelos deputados saxões,[108] estabeleceu o Alto Conselho Nacional Romeno (Marele Sfat Național Român) para administrar temporariamente a província.[109] Maria escreveu: "o sonho da Grande Romênia parece estar se tornando uma realidade... é tudo tão incrível que quase não ouso acreditar".[110] Após aassembleia, Fernando e Maria retornaram a Bucareste, onde foram recebidos com grande alegria: "um dia de 'bárbaro e delirante entusiasmo', com as tocando, as tropas marchando e as pessoas aplaudindo".[110] As tropas aliadas participaram da celebração e Maria ficou exultante em ver a Entente pela primeira vez em território romeno.[111]

Conferência de Paz de Paris[editar | editar código-fonte]

Ela é magnífica, e nós, contra todos os protocolos, gritamos nossa admiração. O dia permaneceu cinza, mas a rainha Maria levava luz dentro de si.

Le Matin, jornal francês[112]

Como Fernando I recusou-se a assinar o Tratado de Bucareste e a Romênia foi hostil às Potências Centrais até o final da guerra, seu lugar entre os países vencedores durante a Conferência de Paz de Paris foi garantido. A delegação oficial foi conduzida por Brătianu, que mal começara seu terceiro mandato como primeiro-ministro.[113] Sua rigidez, associada à relutância do primeiro-ministro francês Georges Clemenceau em esquecer a aceitação de Fernando ao Tratado de Bucareste, gerou um conflito aberto e a delegação romena deixou Paris, para o desespero dos "Quatro Grandes". Na esperança de resolver a situação, Saint-Aulaire sugeriu que Maria fosse enviada à conferência em seu lugar. A rainha encantou-se com a perspectiva.[114]

A rainha (à esquerda) com suas filhas Isabel e Maria, em Paris, 1919.

Maria chegou a Paris em 6 de março de 1919.[112] Devido à sua ousadia durante a guerra, ela tornou-se imediatamente popular entre os franceses.[115] Após reunir-se com Clemenceau, este disse-lhe abruptamente: "Eu não gosto de seu primeiro-ministro", ao que ela respondeu : "Talvez então você me ache mais agradável".[116] O presidente Raymond Poincaré notou uma mudança na atitude de Clemenceau para com a Romênia, após a chegada de Maria. Depois de ficar em Paris por uma semana, ela aceitou o convite de Jorge V e da rainha Maria para cruzar o Canal da Mancha e hospedar-se no Palácio de Buckingham. Na esperança de conquistar o máximo possível de boa vontade para a Romênia, Marie aproximou-se de muitas figuras políticas importantes da época, incluindo lorde Curzon, Winston Churchill e Waldorf e Nancy Astor. Ela também visitava frequentemente seu filho Nicky, que estudava em Eton College.[117] Marie ficou bastante feliz por retornar à Inglaterra após tanto tempo, escrevendo que "foi uma tremenda emoção chegar a Londres e ser saudada na estação por Jorge e May".[118]

Após concluir sua visita à Inglaterra, Maria voltou para Paris, onde o povo mostrou-se tão animado com sua chegada como havia sido algumas semanas antes. Multidões se reuniam em torno dela com freqüência, à espera de ver a "exótica" rainha da Romênia. O presidente norte-americano Woodrow Wilson não se impressionou com Maria, especialmente após os comentários reais – considerados inadequados – sobre as leis russas que tratam das relações sexuais.[117] Maria chocou muitos oficiais ao deixar seus ministros de lado para liderar ela mesma as negociações. Sobre isso, ela comentou mais tarde: "Não se preocupem, vocês só tem que se acostumar com as falhas de minha virtudes".[119] Maria deixou Paris com numerosos suprimentos, para alívio da Romênia. Mais tarde, naquele mesmo ano, a conferência resultou no reconhecimento internacional da Grande Romênia, duplicando o reino de Fernando e Maria para 295.000 quilômetros quadrados e aumentando sua população em dez milhões.[117] Isso levou a grã-duquesa Maria Pavlovna da Rússia, que viveu brevemente em Bucareste, a concluir que "por seu charme, beleza e ágil sagacidade, [Maria] poderia obter qualquer coisa que desejasse".[120]

Maria nos anos 20.

Esforços dinásticos[editar | editar código-fonte]

Em 1920, a filha mais velha de Maria, a princesa Isabel, ficou noiva do príncipe Jorge da Grécia, filho mais velho do deposto rei Constantino I e de Sofia da Prússia (ex-duquesa de Esparta). Após convidar Jorge e suas duas irmãs, as princesas Helena e Irene, para hospedar-se Sinaia, Marie organizou inúmeras atividades para o jovem casal e ficou encantada com a perspectiva de casar sua filha. Em 25 de outubro, eles foram informados da morte do rei Alexandre I e as princesas gregas deveriam ir ao encontro de seus pais. No dia seguinte, chegou a notícia da morte de Maria Alexandrovna, durante o sono, em Zurique.[121] Maria preparou-se para seguir para a Suíça, onde entregaria Helena e Irene aos pais e organizaria os funerais da mão. Jorge e Isabel permaneceram em Sinaia.[122]

Pouco depois, o príncipe Carlos pediu a mão da princesa Helena e eles se casaram no ano seguinte. Maria ficou exultante com a união, visto que havia desaprovado a relação de Carlos com Zizi Lambrino e estava preocupada com o nascimento do filho do casal, que, para seu grande alívio, havia recebido o sobrenome da mãe.[123] A criança foi considerada ilegítima e passou a maior parte de sua vida tentando provar o contrário. Em 1922, Maria casou sua segunda filha, "Mignon", com Alexandre I da Sérvia (depois da Iugoslávia). Ela estava encantada com o nascimento de seus dois netos reais, os príncipes Miguel da Romênia e Pedro Iugoslávia, duas crianças destinadas a sentar-se em tronos da Europa que pareciam cimentar suas ambições. Os esforços dinásticos de Maria eram vistos pelos críticos como os de uma mãe manipuladora que sacrificava a felicidade de seus filhos para satisfazer seus planos, mas a verdade é que nenhum deles se casou contra a vontade.[124]

Em 1924, Fernando e Maria realizaram viagens oficiais à França, à Suíça, à Bélgica e ao Reino Unido. Na Inglaterra, ela foi calorosamente recebida por Jorge V, que declarou que "além dos objetivos comuns que perseguimos, há outros e queridos laços entre nós. Sua Majestade a rainha, minha querida prima, é britânica de nascença."[125] Da mesma forma, Maria descreveu sua chegada à Inglaterra como "um grande dia para mim, de emoções, doces, felizes e ao mesmo tempo gloriosas em voltar como rainha de meu próprio país, ser recebida oficialmente, com toda a honra e entusiasmo ainda por cima - sentir seu coração inchar com orgulho e satisfação, sentir seu coração bater e lágrimas brotarem dos olhos, enquanto algo lhe dá um nó na garganta!"[125] Essas visitas de Estado eram um símbolo do reconhecimento e do prestígio que a Romênia ganhou após a Primeira Guerra Mundial. Durante a visita a Genebra, Maria e Fernando foram os primeiros monarcas a entrar na sede da recém-criada Liga das Nações.[125]

Coroação[editar | editar código-fonte]

Foto oficial da coroação de Maria.

Nessa época, os preparativos para a coroação de Fernando I e Maria foram concluídos. O local escolhido foi Alba Iulia, que havia sido uma importante fortaleza na Idade Média e onde Miguel, o Valente foi declarado voivoda da Transilvânia em 1599, unindo, pela primeira vez, a Valáquia e a Transilvânia.[126] Como a cidade não dispunha de uma catedral ortodoxa - havia apenas a católica Catedral de São Miguel -, Maria fez erigir uma, em estilo bizantino.[127] Esse edifício ficou conhecido como a Catedral da Coroação.

Um elaborado conjunto de joias e roupas foi feito especialmente para a coroação. A coroa de Maria foi concebida pelo pintor Costin Petrescu e feita em estilo Art Nouveau pela joalheria parisiense Falize. Inspirada naquela usada por Despina, esposa de Neagoe Basarab V, voivoda da Valáquia no século XVI, a coroa foi feita inteiramente com ouro da Transilvânia. Nas laterais haviam dois pingentes, sendo um com as armas reais da Romênia e o outro com as armas do duque de Edimburgo, que Maria utilizou antes de se casar e ter seu próprio escudo. A coroa custou cerca de 65.000 francos, que foram pagos pelo Estado, através de uma lei especial.[128]

Entre os convidados para a coroação estavam a irmã de Maria, a princesa Beatriz, o duque de Iorque e os generais franceses Maxime Weygand e Henri Mathias Berthelot. A cerimônia foi conduzida pelo Patriarca de Toda a Romênia, Miron Cristea, mas não foi realizada dentro da catedral porque Fernando, como católico romano, recusou-se a ser coroado por um membro da Igreja Ortodoxa Oriental. Após coroar a si próprio, Fernando coroou Maria, que se ajoelhou diante dele. Imediatamente, as salvas de tiros de canhão sinalizaram que os primeiros monarcas da Grande Romênia haviam sido ungidos. A festa foi dada na mesma sala em que a união havia sido proclamada em 1918; lá, foi oferecido carne assada a mais de 20.000 camponeses. No dia seguinte, Fernando e Maria fizeram uma entrada triunfal em Bucareste.[129] O esplendor da coroação foi posteriormente mencionado como evidência de teatralidade de Maria.[130] Posteriormente, em 1926, a rainha converteu-se à Igreja Ortodoxa Romena, alegando o desejo de estar mais próxima de seu povo.[62]

Rainha e rainha-mãe[editar | editar código-fonte]

Em 1914, Carlos I morreu e Fernando subiu ao trono da Roménia. A princesa real Maria passou então a ser designada por Sua Majestade a Rainha da Roménia. Devido à Primeira Guerra Mundial eles não foram coroados antes de 1922.

Maria tinha-se tornado numa patriota romena e a sua influência no país era grande. A.L. Easterman escreveu que o rei Fernando era "um homem calmo e descontraído sem qualquer personalidade visível. Não era ele, mas Maria quem governava a Roménia." Dá crédito às simpatias de Maria pelos Aliados como sendo "a maior influência para levar o seu país para o lado deles" durante a guerra.

Durante a guerra ela voluntariou-se para ser enfermeira da Cruz Vermelha para assim poder ajudar os doentes e os feridos, escrevendo um livro sobre a experiência chamado "O Meu País" com o objectivo de ganhar fundos para a Cruz Vermelha, mas esta não foi a sua única contribuição para o conflito. Com metade do país ocupada pelo exército alemão, ela e um grupo de conselheiros militares elaboraram um plano no qual o exército romeno, em vez de se retirar para a Rússia, escolheria um triângulo no país onde pudessem lutar. Durante uma carta a Loïe Fuller, ela deu início à série de acontecimentos que trouxeram um empréstimo americano à Roménia, providenciando os fundos necessários para dar marcha ao plano. Por sorte, a jovem da embaixada americana que entregou a carta a Fuller era uma antiga pupila de Newton D. Baker, na altura a prestar serviço como Secretário de Guerra dos Estados Unidos. Fuller e a jovem viajaram de Paris a Washington e conseguiram uma audiência com Baker que, juntamente com o secretário americano das finanças, Carter Glass, conseguiu o empréstimo.

Quando a guerra acabou, as Grandes Potências decidiram tratar dos seus problemas na Conferência de Paris. O objectivo da Roménia era recuperar os territórios habitados por romenos na área do recém-extinto Império Austro-Húngaro, unificando assim todos os falantes de romeno num único estado. Os diplomatas romenos na conferência procuraram obter apoio por parte dos Aliados para a união da Bessarábia, Bukovina e Transilvânia com a Roménia, já proclamada em 1918. Com a delegação romena a perder terreno nas negociações, o primeiro-ministro Ionel Bratianu pediu que a rainha viajasse até França. Maria declarou uma das suas celebres afirmações: "A Roménia precisa de uma face e eu serei essa face", calculando de forma astuta que a impressa internacional estava cansada de negociações cansativas e não conseguiria resistir ao charme de uma visita real. A chegada da chamada "Rainha Soldado" foi uma sensação para a imprensa internacional e ela defendeu apaixonadamente que as potências ocidentais deviam honrar a sua dívida para com a Roménia (que tinha sofrido uma taxa de mortalidade na guerra bastante mais superior do que a Grã-bretanha, a França ou os Estados Unidos). Nos bastidores, ela encantava e tiranizava alternadamente os líderes dos Aliados no sentido de apoiarem a causa romena. O resultado da sua intervenção carismática foi o cumprimento de todas as promessas de pré-guerra, ou seja, o aumento de 60% na expansão do território romeno.

O filho de Maria, o príncipe-herdeiro Carlos (mais tarde rei Carlos II da Roménia) nunca foi muito chegado ao seu pai, Fernando e, quando Carlos se tornou adulto, esse antagonismo tornou-se numa "fenda aberta", mas mesmo assim havia uma "ligação profunda de afecto e respeito" entre Carlos e a sua mãe Maria. Contudo a sua relação começou a deteriorar-se. O conflito inicial veio devido às objecções de Carlos em relação à relação de Maria com o príncipe Ştirbey. Esta zanga piorou quando Maria tentou arrastar Carlos para um casamento dinástico em vez de o deixar escolher a noiva que quisesse. Durante o exílio de Carlos em Paris, Loïe Fuller tinha ficado amigo de Carlos e da sua amante Magda Lupescu, mas eles desconheciam a ligação deste com Maria. Inicialmente, Fuller favoreceu a causa do casal junto de Maria, mas mais tarde conspirou com ela sem sucesso para os separar. Eventualmente, quando Carlos se tornou rei e não procurou a ajuda da mãe, a sua separação tornou-se completa.

Após a morte do seu marido em 1927, a rainha Maria permaneceu na Roménia a escrever livros e as suas memórias, "A História da Minha Vida". Morreu no Castelo de Peleş a 18 de julho de 1938 e foi enterrada junto do marido no Mosteiro de Curtea de Arges. Por vontade sua, o seu coração foi mantido num claustro no Palácio de Balchick que ela tinha mandado construir. Em 1940, quando Balchik e o resto de Dobrudja do sul foram devolvidos à Bulgária nos termos do Tratado de Craiova, o coração da rainha Maria foi transferido para o Castelo de Bran. Esta tinha sido a sua principal residência no início do século XX e os objectos com os quais ela se rodeava (mobília tradicional e tapeçarias, por exemplo) podem ainda ser visitados nos dias de hoje. Muitos dos seus outros objectos pessoais podem ser vistos no Museu de Maryhill, a antiga residência de Samuel Hill, um empresário ferroviário com quem Maria correspondeu por muito da sua vida. O famoso museu, que fica no Estado de Washington nos Estados Unidos, no lado norte do Rio Columbia, expõe muitas das joias de Maria, incluindo a sua coroa.

Ancestrais[editar | editar código-fonte]

Obras[editar | editar código-fonte]

  • The Lily of Life, Crinul Vieţii, 1912
  • The Dreamer of dreams, Visătorul de vise, 1912
  • Ilderim, 1915
  • Patru anotimpuri, 1915
  • Povestea unei inimi, 1915
  • Why? A Story of Great Longing, Povestea unui dor nestins, 1915
  • The Stealers of Night, 1916, Londra
  • Regina cea rea, 1918
  • The Story of Naughty Kildeen, Povestea neastâmpăratei Kildeen, 1917
  • O poveste de la Sfântul Munte, 1917
  • My country, Ţara mea, 1921
  • Minola, 1918
  • Gânduri şi icoane din timpul războiului, Sibiu, 1919
  • Peeping Pansy, Londra, 1920
  • The Queen s of Romania Fairy Book, Cartea de basme a reginei României, 1923
  • The Voice on the Mountain, Glasul de pe munte, 1923
  • The Lost Princess, Londra, 1924
  • Înainte şi după războiu, 1925
  • The Magic Doll of Romania, New York, 1929
  • Lulaloo, 1929
  • Casele mele de vis, 1930
  • Copila cu ochi albaştri, 1930
  • Crowned Queens, Regine încoronate, 1930
  • Stella Maris, 1933
  • The Story of My Life, Povestea vieţii mele, 1934, ed. A II. A, Ed. Eminescu 1991

Notas

  1. Como "Rainha-mãe da Romênia", título concedido por seu filho, o rei Miguel I, em setembro de 1940.
  2. Todas as datas mencionadas neste artigo referem-se ao calendário gregoriano, que não era utilizado na Romênia até 1919.
  3. A historiadora Julia Gelardi sustenta que Maria deu à luz a uma criança em Coburgo e que esta pode ter nascido morta ou mesmo enviada para um orfanato logo após o seu nascimento.[70]
  4. Havia rumores de que Boris era o verdadeiro pai de "Mignon", pois a paternidade da princesa era tida como um "segredo público".[72] Maria insultava frequentemente o marido, dizendo-lhe que Boris era, de fato, o pai de "Mignon".[73]
  5. Os rumores de que Astor fosse pai do príncipe Nicolau, o segundo filho de Maria, devia-se ao fato do menino possuir olhos azuis e um "nariz aquilino" que se assemelhavam aos do visconde britânico.[74] Entretanto, à medida que envelhecia, Nicolau veio passou a exibir características físicas de seus parentes Hohenzollern, sufocando assim os comentários.[75]
  6. Especulava-se que Stirbey fosse o verdadeiro pai do príncipe Mircea, filho mais novo de Maria. O menino tinha olhos castanhos escuros, assim como Stirbey, enquanto Fernando, Maria e seus outros filhos tinham olhos azuis.[76] Os olhos azuis têm um padrão de herança recessiva, o que significa que as pessoas com essas características não podem transmitir genes de olhos castanhos para seus filhos.[77]

Referências

  1. (18 de julho de 1938) "Dowager Queen Marie of Roumania is Dead" (em inglês). The Winnipeg Tribune: 9 pp..
  2. (30 de outubro de 1875) "Eastwell Park, October 29, 1875" (PDF) (em inglês). The London Gazette 24261: 5161 pp..
  3. a b Marie 1990, p. 19.
  4. Gelardi 2005, p. 6.
  5. Gelardi 2005, p. 7.
  6. a b (17 de dezembro de 1875) "Windsor Castle, December 15, 1875" (PDF) (em inglês). The London Gazette 24276: 6461 pp..
  7. The Times, 16 de dezembro de 1875
  8. Princess Marie of Edinburgh (1875–1938). Royal Collection. Página visitada em 3 November 2013.
  9. Gauthier 2010, p. 9.
  10. a b Marie 1990, p. 12.
  11. Marie 1990, p. 15.
  12. Marie 1990, p. 9.
  13. Marie 1990, p. 21.
  14. Van der Kiste 1991, p. 20.
  15. Marie 1990, pp. 31-32.
  16. Pakula 1984, p. 49.
  17. Marie 1990, p. 47.
  18. Hughes & Mullins (23 de julho de 1885). Prince and Princess Henry of Battenberg with their bridesmaids and others on their wedding day (em inglês). National Portrait Gallery. Página visitada em 12/02/2014.
  19. Marie 1990, pp. 88-89.
  20. Pakula 1984, p. 45.
  21. Marie 1990, p. 83.
  22. Elsberry 1972, pp. 17–19.
  23. Marie 1990, p. 105.
  24. Marie 1990, pp. 106-107.
  25. Marie 1990, p. 109.
  26. Marie 1990, p. 146.
  27. Sullivan 1997, pp. 80-82.
  28. Marie 1990, p. 155.
  29. Marie 1990, p. 152.
  30. Marie 1990, p. 169.
  31. Marie 1990, p. 177.
  32. Marie 1990, p. 190.
  33. Marie 1990, p. 194.
  34. Gelardi 2005, p. 31.
  35. Pope-Hennessy 1959, pp. 250–251.
  36. a b Mandache 2001, p. 334.
  37. Gelardi 2005, p. 32.
  38. Gelardi.
  39. Gelardi 2005, p. 34.
  40. Gelardi 2005, p. 35.
  41. Elsberry 1972, p. 44.
  42. (21 de janeiro de 1893) "The Marriage of H.R.H. The Princess Marie of Edinburgh with H.R.H. Ferdinand, Crown Prince of Roumania at Sigmaringen, january 10, 1893" (em inglês). The Graphic Suplemento.
  43. Pakula 1984, p. 68.
  44. Marie 1991, Vol 2, pp. 10–14.
  45. Gauthier 2010, p. 52.
  46. Marie 1991, Vol 2, p. 15.
  47. a b Wolbe 2004, p. 214.
  48. a b Marie 2004, p. 122.
  49. Ciubotaru 2011, p. 22.
  50. Marie 1991, Vol 2, p. 121.
  51. Gelardi 2005, p. 49.
  52. Elsberry 1972, p. 54.
  53. Elsberry 1972, p. 57.
  54. Marie 1991, Vol 2, pp. 171, 316–317.
  55. Marie 1991, Vol 2, pp. 312–313.
  56. Ciubotaru 2011, p. 51.
  57. Marie 1991, Vol 2, pp. 310–311.
  58. Ciubotaru 2011, p. 92.
  59. Duca 1981, p. 103.
  60. a b Mandache 2011, p. xxiii.
  61. Gelardi 2005, p. 87.
  62. a b c Ciobanu, Carmen Anghel Luminita (10 de fevereiro de 2011). Regina Maria: Povestea vieţii mele (em romeno). jurnalul.ro. Página visitada em 13/02/2014.
  63. Mandache 2011, p. xxiv.
  64. Pakula 1984, p. 109.
  65. Pakula 1984, p. 117.
  66. Mandache 2011, p. xiv.
  67. Marie 1991, Vol 2, pp. 146–150.
  68. Pakula 1984, p. 145.
  69. Pakula 1984, p. 118.
  70. a b Gelardi 2005, pp. 87–88.
  71. Veiga 1995, p. 185.
  72. Crawford 2011, p. 28.
  73. Gelardi 2005, p. 88.
  74. Pakula 1984, p. 136, 155.
  75. Gelardi 2005, p. 109.
  76. Gelardi 2005, p. 219.
  77. Grant, M.D.; lauderdale, D.S. (2002). Cohort effects in a genetically determined trait: eye colour among US whites (em inglês). Annals of Human Biology 29 (6): 657–66. Página visitada em 13/02/2014.
  78. Pakula 1984, pp. 146–148.
  79. Mihai, Dana (3 de fevereiro de 2013). 110 ani de la inaugurarea Castelului Pelişor, darul făcut de Carol I lui Ferdinand şi Reginei Maria (em romeno). Adevărul. Página visitada em 14/02/2014.
  80. Schauberger, Franz (16 de março de 2007). Unruhen auf dem Balkan: Bauernaufstände, Demonstrationen, politischer Mord - vor hundert Jahren herrschten in Rumänien und Bulgarien krisenhafte politische Zustände (em alemão). Wiener Zeitung. Página visitada em 14/02/2014.
  81. Giurescu 1972, p. 295.
  82. Marie 1991, Vol 2, pp. 356–364.
  83. Gelardi 2005, p. 184.
  84. Rădulescu, George. Balcic, suma Balcanilor (em romeno). Historia Magazine. Página visitada em 14/02/2014.
  85. Marie 1991, Vol 2, pp. 409–412.
  86. Aronson 1973, p. 208.
  87. Pakula 1984, p. 180.
  88. Easterman 1942, pp. 38–42.
  89. Marie 1991, Vol 3, p. 13.
  90. Elsberry 1972, p. 104.
  91. Saint-Aulaire 1953, p. 322.
  92. Giurescu 1972, p. 300.
  93. Saint-Aulaire 1953, p. 399.
  94. Diário da rainha Maria, 27 de agosto de 1914 (citado em Marie 1991, Vol 3, p. 69).
  95. Gauthier 2010, pp. 190–191.
  96. Giurescu 1972, pp. 300–301.
  97. Diário da rainha Maria, 10 de novembro de 1916 (citado em Marie 1991, Vol 3, p. 97
  98. Bachman, Ronald D. (1989). The Balkan Wars and World War I (em inglês). Romania: A Country Study. Library of Congress. Página visitada em 14/02/2014.
  99. Elsberry 1972, p. 136.
  100. Saint-Aulaire 1953, p. 360.
  101. Rattigan 1924, pp. 194–195.
  102. Giurescu 1972, p. 307.
  103. Gauthier 2010, p. 215.
  104. Gauthier 2010, p. 216.
  105. Horedt 1958, pp. 117–123.
  106. Gelardi 2005, p. 203.
  107. Gelardi 2005, p. 207.
  108. Hupchik 1995, p. 83.
  109. Giurescu 1972, pp. 311–312.
  110. a b Aronson 1973, p. 237.
  111. Marie 1991, Vol 3, pp. 492–493.
  112. a b Colette, Sidonie Gabrielle. (6 de março de 1919). "Ainsi Parla la Reine de Roumanie" (em francês). Le Matin 12791: 1 pp..
  113. Botoran 1983, pp. 328–336.
  114. Ciubotaru 2011, p. xxiv.
  115. Gauthier 2010, p. 238.
  116. Daggett 1926, p. 270.
  117. a b c Gelardi 2005, pp. 282–283.
  118. Pakula 1984, p. 280.
  119. Daggett 1926, p. 282.
  120. Maria Pavlovna 1932, p. 16.
  121. Gelardi 2005, p. 297.
  122. Pakula 1984, p. 305.
  123. Gelardi 2005, pp. 274–278.
  124. Gelardi 2005, p. 308.
  125. a b c Mandache 2011, pp. 152–153.
  126. Elsberry 1972, p. 178.
  127. Aronson 1973, p. 253.
  128. Ilie, Cornel Constantin. (novembro de 2011). "Coroana reginei Maria" (em romeno). Istorie și Civilizație 3: 78 pp.. ISSN 2066-9429.
  129. Anghel, Costin. Incoronarea Regilor Romăniei Desăvărşite (em romeno). jurnalul.ro. Página visitada em 16/02/2014.
  130. Pakula 1984, p. 318.
Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Rainha Maria da Romênia