Marta Suplicy

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Marta Suplicy
A ministra da Cultura Marta Suplicy em 2012.
Senadora por São Paulo São Paulo
Período de governo 1 de fevereiro de 2011
até atualidade
(licenciada entre 13 de setembro de 2012 e 12 de novembro de 2014)
Deputada Federal por São Paulo São Paulo
Período de governo 1 de janeiro de 1995
até 1 de janeiro de 1999
Prefeita de São Paulo Bandeira da cidade de São Paulo.svg
Período de governo 1 de janeiro de 2001
até 1 de janeiro de 2005
Antecessor(a) Celso Pitta
Sucessor(a) José Serra
Ministra do Turismo do Brasil Brasil
Período de governo 23 de março de 2007
até 3 de junho de 2008
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Antecessor(a) Walfrido dos Mares Guia
Sucessor(a) Luiz Barretto Filho
Ministra da Cultura do Brasil Brasil
Período de governo 13 de setembro de 2012
até 11 de novembro de 2014
Presidente Dilma Rousseff
Antecessor(a) Ana de Hollanda
Sucessor(a) Ana Cristina Wanzeler (interina)
Vida
Nascimento 18 de março de 1945 (69 anos)
São Paulo, SP
Dados pessoais
Esposo Eduardo Suplicy (1964–2001)
Luis Favre (2003–2009)
Partido Partido dos Trabalhadores PT star real version.svg
Profissão Psicanalista

Marta Teresa Smith de Vasconcellos Suplicy (São Paulo, 18 de março de 1945) é uma psicóloga, apresentadora de televisão, sexóloga e política brasileira filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT). Foi deputada federal, prefeita de São Paulo, ministra do Turismo, ministra da Cultura, e atualmente é senadora. Foi a primeira mulher vice-presidente do Senado Federal.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Família, infância e primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Marta Teresa Smith de Vasconcellos, conforme o nome no registro de nascimento, é filha de Luís Affonso Smith de Vasconcellos e de Noêmia Fraccalanza Smith de Vasconcellos. Vinda desta família tradicional de São Paulo, é bisneta e trineta dos barões de Vasconcellos. Seu pai, Luís Affonso era proprietário de indústrias de papel e cartonagens.[1]

Foi casada de 1964 a 2001 com Eduardo Suplicy, com quem teve três filhos: João, André e Eduardo.[2] [3] [4]

Divorciou-se em 2001, mantendo o sobrenome com o qual se tornou conhecida. Com o divórcio oficializado em 2003, casou-se com o franco-argentino Luis Favre,[4] pseudônimo de Felipe Belisario Wermus, divorciando-se novamente, em 13 de fevereiro de 2009.

Formação acadêmica[editar | editar código-fonte]

Estudou no Colégio Des Oiseaux (das cônegas de Santo Agostinho) até o fim do curso ginasial. Cursou o Colegial no Colégio Nossa Senhora de Sion, também em São Paulo, no estado de São Paulo, onde fundou o Grêmio na década de 1960, com marcada atuação na política estudantil, notadamente contra o governo militar.

Formada em psicologia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, fez pós-graduação na Universidade de Stanford em 1973.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Marta acena para a multidão na Parada do orgulho LGBT de São Paulo, em 2009.

É membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise e da International Psychoanalytical Association, além de fundadora e ex-presidente do Instituto de Políticas Públicas Florestan Fernandes (1999-2000), organização que tem como objetivo elaborar propostas e políticas alternativas para a cidade de São Paulo e Região Metropolitana de São Paulo.

Apresentadora de televisão[editar | editar código-fonte]

Na década de 1980, ancorou um quadro sobre sexualidade no programa TV Mulher, da Rede Globo, ao lado de Marília Gabriela - momento em que, após a ditadura militar, era possível falar no assunto, até então banido da mídia. Mesmo assim, o programa provocou polêmica e reações por parte de setores conservadores, como as Senhoras de Santana.

ONG[editar | editar código-fonte]

Fundadora e presidente do Grupo TVer (1997), ONG que estimula a visão crítica sobre os abusos e excessos nas programações das emissoras de TV e defende os direitos dos telespectadores.

Também fundou o GTPOS (Grupo de Trabalho e Pesquisa em Orientação Sexual), ONG que desenvolve trabalhos de capacitação e oficinas para profissionais de saúde e educação na área de orientação sexual e prevenção da AIDS.

Política[editar | editar código-fonte]

Em 1981 filia-se Partido dos Trabalhadores (PT).

De 1995 a 1998 foi deputada federal eleita pelo PT, em São Paulo, com 76 130 votos. Na época, foi a quarta melhor votação do partido na Câmara. No Legislativo, foi autora de vários projetos de lei, como a Parceria Civil Registrada entre pessoas do mesmo sexo, a obrigatoriedade da cota mínima de 25% de mulheres na lista de candidatos às eleições que obedecerem ao sistema proporcional.

Em 1995 foi representante da Câmara dos Deputados na IV Conferência Mundial sobre a Mulher, Pequim, China. Em 1996 representante da Câmara dos Deputados no Congresso Mundial contra a Exploração Sexual e Comercial de Crianças, na cidade de Estocolmo, Suécia. Em 1996 a 1997 foi escolhida duas vezes (1996 e 1997) pelo DIAP uma das cem parlamentares mais atuantes do Congresso Nacional

Em 1997 foi vice-líder da bancada federal do PT e vice-presidente do Grupo Parlamentar Interamericano sobre População e Desenvolvimento (órgão ligado à ONU).

Em 1998 foi presidente do Grupo Parlamentar Interamericano sobre População e Desenvolvimento (ligado à ONU);

Ministério da Cultura[editar | editar código-fonte]

Em 12 de setembro de 2012 foi nomeada ministra da Cultura pela presidente Dilma Rousseff, substituindo Ana de Hollanda.[5] Nesse período, Marta promoveu a atualização da Lei Rouanet[6] e a expansão dos CEUs (Centro Educacional Unificado) em regiões carentes.[7]

Em 11 de novembro de 2014, antecipando a reforma ministerial do segundo mandato presidencial de Dilma Rousseff, Marta pediu demissão[8] e em 13 de novembro de 2014 reassumiu o mandato de senadora por São Paulo.[9]

Ministério do Turismo[editar | editar código-fonte]

Marta Suplicy em Zurique (Suíça) para assistir ao anúncio da FIFA sobre o país que sediará a Copa do Mundo de Futebol de 2014.

Ao término do processo eleitoral de reeleição do presidente Lula, Marta Suplicy assume o Ministério do Turismo no segundo mandato do presidente Lula.

Em 13 de junho de 2007 lançou o Plano Nacional do Turismo. Questionada sobre a crise que ocorria então no setor aéreo e sobre a oportunidade de seu plano que incentivava viajar, respondeu: "Relaxa e goza que depois você esquece de todos os transtornos!".[10] Esta frase causou um impacto muito negativo à sua imagem[carece de fontes?]. Marta, pouco tempo depois[quando?], reconheceu publicamente ter errado e ter feito uma declaração inapropriada[carece de fontes?].

Como Ministra do Turismo obteve, na Alemanha, linhas de crédito para empresários brasileiros interessados em investir na Copa do Mundo de 2014. Em março de 2008 foi assinado um acordo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que vai investir um bilhão de dólares no turismo brasileiro, em um novo modelo de Prodetur Nacional.[11]

Em 3 de junho de 2008, o presidente Lula definiu o substituto da ministra, que deixou o governo para se dedicar à campanha municipal de São Paulo. Ela foi substituída por seu secretário-executivo na pasta, Luiz Eduardo Barretto.[12]

Prefeitura de São Paulo[editar | editar código-fonte]

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Foi candidata do PT ao governo de São Paulo, com 3,743 milhões de votos, mas que não passou ao segundo turno, ficando em terceiro lugar, disputado contra Paulo Maluf e Mário Covas.[carece de fontes?]

Em 2000 foi eleita prefeita da cidade de São Paulo pelo PT, com 3.248.115 votos (58,51% dos votos válidos). Disputou o segundo turno com Paulo Maluf (então PPB, atual PP).

Marta assumiu a prefeitura de São Paulo após a gestão de Celso Pitta. Procurou recuperar o verde,[13] retirando o cimento de praças e avenidas, colocando plantas e flores. Foi criticada pela oposição por plantar palmeiras imperiais,[14] [15] que eles apelidaram de "coqueiros" ("Plantou bastante coqueiro e túnel (sobre a administração de Marta Suplicy)" Gilberto Kassab, candidato do DEM O Estado de S. Paulo, 1 de agosto de 2008), nos canteiros centrais de avenidas, plantas que, segundo seus adversários, "têm raízes fracas e podem cair com ventanias", o que "poria em risco motoristas".

As espécies realmente plantadas na gestão de Marta foram palmeiras imperiais, nome científico: (Roystonea oleracea (Palmae)) .[15] A preferência pela palmeira imperial foi alvo de críticas por alguns paisagistas. Alegaram eles que, em comparação a um grupo de árvores como a quaresmeira e o ipê, que tem copa maior, o palmeiral não seria eficiente no controle da temperatura e na retenção de partículas de poluição. Um artigo da Folha de S. Paulo[14] acusou Marta de ter pago cinco vezes mais pelas palmeiras imperiais. O mesmo jornal desmentiu-se, na semana seguinte, em outro artigo: "No caso da av. Faria Lima, por exemplo, o governo Marta Suplicy conseguiu comprar palmeiras imperiais por um preço 41,5% inferior ao estabelecido no edital".[15]

Edifício Matarazzo, sede da prefeitura municipal.

Substituiu as administrações regionais (AR's) pelas subprefeituras, que foram equipadas e informatizadas.[16] A prefeitura passou, no seu mandato, do Palácio das Indústrias, no Parque Dom Pedro, para o Edifício Matarazzo, no Viaduto do Chá. Mediante acordo feito como o banco espanhol Santander, o edifício foi cedido à prefeitura como parte da negociação da divida de R$ 885 milhões que a extinta CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos) tinha com esse banco, até então proprietário do prédio. Ficou acordado que o município passaria a dever R$ 156 milhões, a serem pagos em quatro anos para o novo Banco Santander Banespa, que em contrapartida ganhou o direito de competir pelas contas dos funcionários públicos.[17] Vale ressaltar que o governo do estado, em leilão, conseguiu 2 bilhões de reais pela cessão da folha de pagamentos dos servidores estaduais para o banco Nossa Caixa.

Introduziu o mecanismo de Orçamento Participativo na prefeitura de São Paulo, inspirada[18] pelos 16 anos de experiência, obtida pelo PT[19] com Democracia participativa,[20] na cidade de Porto Alegre,[18] criando algumas inovações como o Orçamento Participativo Criança, lançado em março de 2004, durante o 3º Congresso Municipal de Educação.[21]

Marta enfrentou[22] no início de sua gestão sucessivas greves no serviço de transportes, que eram incitadas por um suposto acordo secreto, feito entre os empresários concessionários de linhas de ônibus e os sindicatos da categoria na capital.[23] Na ocasião Marta foi ameaçada de morte, passando a usar colete antibalas.[24]

Manteve paralisadas as obras do Fura fila por um ano, sendo retomadas em 2002,[25] modificando o projeto de VLP elétrico para ônibus híbrido[26] (já que devido ao abandono da obra a rede elétrica foi furtada[27] ) rebatizando o projeto de Paulistão.

Prometeu entregar seu primeiro trecho 18 meses após o reinício das obras.[28] Em 2004 as obras novamente foram paralisadas por falta de verbas[29] e a previsão de entrega passaria a meados de 2005.

No entanto o Paulistão, rebatizado Expresso Tiradentes, somente foi inaugurado em 2007 no governo de Gilberto Kassab.

Reestruturou o sistema de transportes municipais, com as linhas-tronco convergindo para o centro da cidade de São Paulo. O sistema passou a ser em forma de círculo, com os micro-ônibus fazendo trajetos específicos e complementares aos ônibus. "Na administração Marta Suplicy, foi elaborado um projeto de reforma que previa a distribuição racional da frota, vias exclusivas para a circulação dos veículos de transporte público, renovação da frota e tecnologia de ponta para o controle dos itinerários, velocidade e horários dos ônibus. Mas a meta de instalar 325 quilômetros de corredores de ônibus exclusivos até 2008 não foi cumprida. Marta Suplicy deixou a Prefeitura, a administração Serra/Kassab não deu continuidade ao projeto e abandonou os corredores já construídos".[30]

Desativou parte do sistema de trólebus da cidade (que segundo a prefeitura seria um sistema deficitário e obsoleto[31] ) sendo que várias linhas foram extintas, aproximadamente 300 veículos foram retirados das ruas (uma pequena parte substituída por ônibus híbridos,[31] sendo as demais por ônibus diesel) e cerca de 40% da rede aérea existente foi removida.[32]

Instituiu o bilhete Único, com o qual, durante a sua gestão, era possível fazer ilimitadas integrações de ônibus pagando uma única passagem, na época, dentro do período de duas horas.

No final de sua gestão criou os "passa-rápido", corredores de ônibus sem muros e grades[33] e dois túneis, denominados Max Feffer ligando a avenida Cidade Jardim à avenida 9 de Julho, e o túnel Fernando Vieira de Mello, cruzando a avenida Faria Lima e ligando a avenida Rebouças com a avenida Eusébio Matoso. Ocorreram falhas de execução do projeto desses túneis, cometidas pelas empresas construtoras que ganharam a licitação. Houve inundações e interdições por chuvas dentro de um deles.[34] [35] Os problemas ocorridos foram reparados pelas construtoras encarregadas, após intervenção do novo prefeito José Serra, sem ônus para a prefeitura, conforme o contrato.[36]

Criou os Centros Educacionais Unificados (CEU), estabelecimentos educacionais de grande porte com serviços e atividades extra-curriculares (teatro, piscina, creche, quadras poliesportivas), localizados em áreas carentes da cidade, o que foi uma das bandeiras de sua administração. Em 2005, seu sucessor suspendeu a expansão de todos os novos CEUs já previstos e licitados para reavaliação de custos. Em novembro 2005 a prefeitura decidiu retomar a construção das unidades até então já planejadas e licitadas na gestão de Marta.[37] No dia 7 de junho de 2008 foi inaugurado, o nono CEU entregue por um de seus sucessores, o Centro Educacional Unificado Feitiço da Vila. O custo deste CEU, segundo nota à imprensa distribuída pela prefeitura, foi de R$36,9 milhões.[38] [39]

Ao contrário de experiências anteriores, como os Centros Integrados de Educação Pública (Cieps) do estado do Rio de Janeiro, o Programa de Formação Integral da Criança (Profic) do estado de São Paulo e os Centros de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (Ciacs) do governo federal, os CEU, em São Paulo têm como princípio fundamental[40] o reconhecimento do direito de todas as pessoas a uma educação integral e de qualidade social, cidadã, popular e articulada com o desenvolvimento comunitário.[41]

O acompanhamento e a avaliação do processo de implementação dos CEUs, realizado em parceria com a Fundação para a Infância e Adolescência FIA, mostrou indicadores de satisfação das comunidades acima de 90%,[42] porém os indicadores de eficiência e aproveitamento escolar dos alunos dos CEUs não tem diferido do restante da rede, conforme comprovam os dados da última Prova Brasil (avaliação nacional sobre o desempenho dos alunos das escolas do país).[43] Essa informação tem que ser analisada tendo-se em conta que os rendimentos de eficiência e aproveitamento escolar dos alunos de regiões mais periféricas se mostram na média, em qualquer tipo de escola, não só mais baixos em relação às escolas do centro da cidade, como também há uma menor proporção de alunos com pontuações mais altas nessas regiões carentes.[44] "A questão da escola em locais com alta concentração de pobres precisa ter um tratamento diferenciado por parte da política educacional, capaz de compensar as desigualdades (…).[45]

Não obstante, alguns setores da sociedade, a oposição ao governo de Marta, e a grande imprensa, pelo menos num primeiro momento, resistiram muito a aceitar a validade dos conceitos propostos pelos CEUS's.[46] Atualmente até alguns adversários de Marta elogiam os avanços na educação popular obtidos pelos CEU's: "O CEU é um excelente projeto em termos de escola integral". (Geraldo Alckmin)[47]

As manchetes epigrafadas, publicadas na imprensa de grande circulação e na imprensa local, no ano de 2003, procuram exemplificar como o neoliberalismo, com sua sutileza ideológica, procurou desqualificar os Centros Educacionais Unificados, por meio de estratégias específicas, que transformam os meios de comunicação em "meios de fabricação da representação[48] "[49]
Edson Fasano, Universidade Metodista de São Paulo

Em contraponto Marta foi duramente criticada por não ter acabado com todas as escolas de lata herdadas de administrações anteriores, instalações provisórias de ensino que ofereciam péssimas condições de ensino às crianças, antes de iniciar a construção de CEU's.[50] "Salas de lata", "salas emergenciais", "salas modulares" ou ainda "escolas de lata" foram entregues à população durante a gestão do prefeito Celso Pitta (1997-2000). Receberam esse nome em decorrência do material de que eram feitas tais salas e, "apesar do nome, não expressaram qualquer improviso ou falta de planejamento, mas uma explícita intencionalidade de sucateamento da educação destinada às classes sociais mais excluídas", e se constituíram em resquícios herdados de administrações anteriores. "O sistema educacional brasileiro, assim como em grande parte a política educacional proposta por diferentes administrações, construiu, historicamente, uma escola excludente, reprodutora da realidade sócio-econômica. A essa prática, metaforicamente, denominamos de pedagogia de lata"..[51]

Marta criou o também o "Vai e Volta", transporte escolar para as crianças das escolas municipais. As escolas municipais passaram a fornecer orientação sexual. Seus opositores entraram com uma ação com o "pedido de suspensão dos direitos políticos" por "falta de licitação" da ONG que deveria administrar o referido ensino.[52] Manteve e ampliou o "Leve Leite", criado na administração de Paulo Maluf (1993-1996).

Fez parceria com os comerciantes de várias regiões da cidade, criando os "shoppings em céu aberto". Reformulou o serviço funerário, modernizando-o, especialmente os carros fúnebres.[53] Também ampliou as vans para transportes de deficientes físicos. Reconheceu o direito dos companheiros do mesmo sexo dos servidores municipais, alterando o estatuto destes. Instituiu a coleta de lixo seletiva,[54] criando a "Taxa de Lixo", que foi muito mal recebida pela população, para investir em centrais de tratamento de lixo. A oposição[55] passou a chamá-la de "Martaxa". A obtenção de decisões de liminares junto à Justiça foi muito utilizada pela oposição, para retardar as obras municipais, especialmente o "Túnel da Rebouças" e "Túnel Cidade Jardim", devido a alegações de altos custos e de uma suposta baixa qualidade das obras.[56] Essas ações judiciais propostas pela oposição não prosperaram, as liminares foram cassadas, e as obras acabaram sendo concluídas em sua gestão, com grandes atrasos.

Índices de aprovação do governo Marta

No final de seu governo, em outubro de 2004, o governo Marta na prefeitura de São Paulo obteve um bom índice de aprovação. Segundo pesquisa do Instituto Datafolha, realizada nos dias 7 e 8 de outubro de 2004 e publicada no dia 9 de outubro de 2004 pelo jornal Folha de S. Paulo, 48% da população paulistana considerava a administração do governo Marta Suplicy ótima ou boa.[57] Por alguma razão, que intriga vários analistas políticos, Marta não conseguiu transformar esse alto índice de aprovação em votos nas eleições.[58]

Candidata à reeleição

Em 2004, Marta Suplicy disputou a reeleição, tendo como adversários principais o ex-prefeito Paulo Maluf, do Partido Progressista, a ex-prefeita Luiza Erundina, do Partido Socialista Brasileiro e José Serra, do Partido da Social Democracia Brasileira. Com o apoio do então governador do estado, Geraldo Alckmin, Serra venceu no segundo turno com mais de 54% dos votos, e Marta quase 46%. Marta conseguiu grande votação junto à periferia da cidade, Serra foi largamente vitorioso nas regiões onde habitam as classes alta e a média.[58] [59]

Segundo o Observatório Brasileiro de Mídia, órgão ligado à Universidade de São Paulo, que efetuou medição quantitativa e qualitativa, o noticiário relacionado à campanha para a eleição na prefeitura de São Paulo, em cinco jornais, dentre eles Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo não teria favorecido a candidatura da petista Marta Suplicy, por investigar constantemente sua administração. "O modelo administrativo paulistano, petista, foi impiedosamente discutido na cobertura, segundo atestaram os pesquisadores da USP e o ombudsman da Folha, enquanto a gestão estadual paulista era mantida à distância do debate, quase sem cobranças". Tal fato, porém, é comum, visto que a sede dos grandes jornais brasileiros ficam nas capitais, e no ponto de vista antropológico e psicológico, o local onde o ser humano vive é sempre o mais importante no seu âmbito nacional, sendo comum os jornais focarem mais o seu município-sede do que seu estado de origem.[60]

Pré-candidata ao governo do estado de São Paulo

Em 2006, Marta Suplicy é pré-candidata a governadora pelo PT, sendo derrotada nas prévias do partido pelo senador Aloízio Mercadante, que conseguiu maioria no interior do estado. Mercadante foi derrotado em primeiro turno por José Serra.

No mesmo ano, após o primeiro turno das eleições presidenciais, a ex-prefeita se tornou líder da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Paulo.[61]

Polêmica sobre dívidas com José Serra

Logo ao tomar posse Serra disse que encontrou as finanças da prefeitura desorganizadas, divulgando que Marta Suplicy teria deixado um "rombo" de quase 2 bilhões de reais no final de seu governo. Segundo os dados da Secretaria Municipal de Finanças da Prefeitura de São Paulo registrado em 31 de dezembro de 2004, último dia da gestão de Marta, as dívidas da prefeitura eram as seguintes: Empenhos liquidados (entregues pelo fornecedor e reconhecidos pela prefeitura): R$ 652.098 milhões; empenhos não liquidados (o fornecedor diz que entregou, mas a prefeitura não reconhece): R$ 350.856 milhões; empenhos cancelados (cancelados unilateralmente pela prefeitura, apesar de contratados e em execução): R$ 593.733 milhões; despesas sem empenho (serviços feitos sem orçamento definido, entregues e não pagos pela prefeitura): R$ 233 milhões; Déficit das empresas estatais da prefeitura (CET, Anhembi, SPTrans, Prodam e Emurb): R$ 322.800 milhões; total de déficit (dívidas): R$ 1.819.564 Bilhão.[62] [63] As contas de Marta foram aprovadas pelo TCM (Tribunal de Contas do Município) com ressalvas e posteriormente aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal: "O ministro Eros Grau, do Supremo Tribunal Federal, arquivou, em 17 de abril de 2008, ação contra a ex-prefeita de São Paulo e ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT). Ela respondia ação, acusada de descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal ao cancelar empenhos que já estariam liquidados. A ação refere-se ao ano de 2004, quando ela deixou a prefeitura.".[64]

O ministro Eros Grau, do Supremo Tribunal Federal, acolheu manifestação da subprocuradora-geral da República, Cláudia Sampaio Marques. Cláudia Sampaio lembrou que o Tribunal de Contas do Município de São Paulo aprovou as contas da prefeitura de 2004. Segundo o TCM, o orçamento estava de acordo com a Lei de Diretrizes Orçamentárias e com a Lei de Responsabilidade Fiscal..[64] No segundo debate da TV Bandeirantes com Geraldo Alckmin, em setembro de 2008, Marta disse o seguinte sobre o "rombo" alegado pelos tucanos: "Vocês fizeram processos que foram para o Supremo e eles disseram que cumprimos, sim, com a lei orçamentária. (…) a nossa gestão foi muito boa para quem tinha poucos recursos".[65]

Condenação por improbidade administrativa[editar | editar código-fonte]

Em 10 de janeiro de 2014 foi condenada por improbidade administrativa devido a uma licitação realizada em sua gestão (2001-2004) na Prefeitura de São Paulo.[66] O juiz Alexandre Jorge Carneiro da Cunha Filho condenou a ex-prefeita e determinou a suspensão dos direitos políticos por três anos, além do pagamento de uma multa correspondente a 5 vezes a remuneração que recebia como prefeita. Ela também foi proibida de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócia majoritária, pelo prazo de 3 anos.[66]

Senado[editar | editar código-fonte]

Eleições 2010[editar | editar código-fonte]

Convenção do PT paulista realizada em 26 de junho de 2010 lança candidatura de Marta Suplicy ao Senado Federal. A mesma convenção confirma o senador Aloizio Mercadante (PT) como candidato ao governo estadual, pela coligação União Para Mudar. Marta liderou todas as pesquisas até a data da eleição, quando aparecia empatada com o candidato coligado pelo PC do B, Netinho de Paula. Entretanto, após a apuração dos votos verificou-se que o candidato mais votado e eleito para a primeira vaga de senador foi Aloysio Nunes Ferreira, do PSDB.

Marta Suplicy, Ministra da Cultura, com Paulo Borges, criador do SPFW, no Movimento HotSpot realizado no SEBRAE Nacional em Brasília em abril de 2013.

Marta foi a segunda colocada com 22,61% dos votos válidos ou 8.314.027 votos.Portal G1</ref>[67]

Mandato[editar | editar código-fonte]

Marta tomou posse no Senado Federal em 1 de fevereiro de 2011. Foi eleita também a primeira vice-presidente do Senado por indicação do PT.[68] Durante a posse, declarou à imprensa que lutará pela retomada de discussão sobre projetos de lei autorizando o casamento homossexual e o aborto. Foi licenciada do Senado após assumir a função de ministra da Cultura. Retornou ao Senado após pedir demissão, em 11 de novembro de 2014.[8] [9]

Marta não foi a primeira mulher a representar o Estado de São Paulo no Senado Federal: antes dela, Dulce Sales Cunha Braga, eleita pelo PDS em 1982, representou São Paulo.[69]

Referências

  1. Weis, Bruno. Marta amplia o PT Época. Visitado em 27 de janeiro de 2013.
  2. CARELLI, Gabriela; CEOLIN, Adriano; VIEIRA, Paulo. (25 de abril de 2001). "Um Suplicy para cada lado". Veja Geral Família (1697). São Paulo: Abril. Visitado em 18 de novembro de 2014.
  3. (22 de abril de 2001) "Casal se conheceu na praia em 60". Folha de S. Paulo. São Paulo: UOL. Visitado em 18 de novembro de 2014.
  4. a b "Eleições 2008: Perfil dos candidatos - Marta" (SHTML). Folha Online. São Paulo: Folhapress (seção "NO ARQUIVO DA FOLHA", item "27.out.1995"). Visitado em 18 de novembro de 2014.
  5. BRASIL. (13 de setembro de 2012). "Decretos de 12 de setembro de 2012" (PDF). Diário Oficial da União (DOU) 2 (178) p. 1. Brasília: Imprensa Nacional. ISSN 1677-7050. Visitado em 11 de novembro de 2014.
  6. Nova Lei Rouanet está pronta, afirma relator
  7. Marta inaugura primeiro piloto do CEU
  8. a b MATOSO, Filipe; SALOMÃO, Lucas. (11 de novembro de 2014). "Em carta de demissão, Marta Suplicy faz crítica indireta à política econômica". G1. Globo. Visitado em 11 de novembro de 2014.
  9. a b BRASIL. Senadora Marta Suplicy (ASP) Senado Federal do Brasil. Visitado em 11 de novembro de 2014.
  10. Vídeo com a íntegra da declaração de Marta sobre a crise nos aeroportos
  11. MENDONÇA, Alba Valéria. Turismo no Brasil faturou R$ 34,1 bilhões em 2007. Rio de Janeiro: G1 / economia e negócios / turismo, 17 de março de 2008, 14h39, atualizado às 17h13
  12. Marta Suplicy deve deixar Ministério do Turismo na quarta-feira. São Paulo: Da redação, Folha Online, 2 de junho de 2008, 17h20
  13. Projeto Belezura, segundo a Vejinha
  14. a b DURAN, Sérgio. Marta compra planta até 5 vezes mais cara. São Paulo: Cotidiano, Folha de S. Paulo, 30 de junho de 2002
  15. a b c Prefeitura de SP não pagou mais por palmeiras em paisagismo. São Paulo: Folha Online, Cotidiano, da Folha de S. Paulo, 4 de julho de 2002, 13h29
  16. Lei aprovada que implementa as Subprefeituras em São Paulo, de acordo com o site da Prefeitura de São Paulo
  17. MARRA, Lívia.Editora de Cotidiano da Folha Online. Operário inaugura prédio da prefeitura ao lado de Marta Suplicy. São Paulo: Cotidiano, Folha Online, 25 de janeiro de 2004, 19h10
  18. a b DIAS, João Marcus Pires. O Orçamento Participativo na Cidade de São Paulo - Confrontos e Enfrentamentos no Circuito do Poder - São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais, 2006 , p. 73 e seguintes
  19. ANDRIOLI, Antônio Inácio. Der Beteiligungshaushalt von Porto Alegre/Brasilien: Ein Beispiel für Deutschland? Universität Osnabrück., in Espaço Acadêmico. <versão em português >.
  20. LÜCHMANN, Lígia Helena Hahn. Possibilidades e limites da democracia deliberativa: a experiência do orçamento participativo de Porto Alegre / Lígia Helena Hahn Lüchmann . Campinas, SP : (s. n.), 2002. Orientador: Rachel Meneguello. Tese (doutorado) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas.
  21. MENA, Fernanda. Cidadania: Projeto estimula criança a opinar sobre gestão em SP. São Paulo: Folha de S.Paulo, in Gilberto Dimenstein, Só São Paulo, Jornalismo Comunitário, Folha Online, 31 de março de 2004.
  22. Folha de São Paulo - "São Paulo amanhece com greve de ônibus; rodízio é suspenso"
  23. Saiba mais sobre a crise nos sistema de transporte em São Paulo. Cotidiano online, Crise no Transporte, Folha Online, 23 de maio de 2003
  24. Isto É Gente - Reportagem Personalidade do ano 2004
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Ver também[editar | editar código-fonte]

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]