Marte (planeta)

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Marte Moon symbol
Planeta principal
Mars Valles Marineris EDIT.jpg
Características orbitais
Semieixo maior 227.939.100 km 1,523 679 UA
Perélio 206.669.000 km 1.381 497 UA
Afélio 249.209.300 km 1.665 861 UA
Excentricidade 0,093 315
Período orbital 686,971 dias (1,8808 anos)
Período sinódico 779,96 dias (2,135 anos)
Velocidade orbital média 24,077 km/s
Inclinação Com a eclíptica: 1.850 °
Com o equador do Sol: 5.65 °
Número de Satélites 2 (Fobos e Deimos)
Características físicas
Diâmetro equatorial 6792,4 km
Área da superfície 144.798.500 km²
Volume 1,6318×1011 km³
Massa 6,4174×1023 kg
Densidade média 3,933 g/cm³
Gravidade equatorial 3.711 m/s² g
Dia sideral 1,025 957 dias
24 h 37 min 22 s
Velocidade de escape 5,03 km/s
Albedo 0,170
Temperatura média: -63 ºC
-143 ºC min
35 ºC max
Composição da atmosfera
Pressão atmosférica 0,636 µPa
Dióxido de Carbono
Nitrogênio
Argônio
Oxigênio
Monóxido de carbono
Vapor de Água
Óxido nítrico
Traços de Neônio, Criptônio, Formaldeído, Xenônio, Ozônio, Metano
95,72%
2,7%
1,6%
0,2%
0,07%
0,03%
0,01%

Marte é o quarto planeta a partir do Sol, o segundo menor do Sistema Solar. Batizado em homenagem ao deus romano da guerra, muitas vezes é descrito como o "Planeta Vermelho", porque o óxido de ferro predominante em sua superfície lhe dá uma aparência avermelhada.[1]

Marte é um planeta rochoso com uma atmosfera fina, com características de superfície que lembram tanto as crateras de impacto da Lua quanto vulcões, vales, desertos e calotas polares da Terra. O período de rotação e os ciclos sazonais de Marte são também semelhantes aos da Terra, assim como é a inclinação que produz as suas estações do ano. Marte é o lar do Monte Olimpo, a segunda montanha mais alta conhecida no Sistema Solar (a mais alta em um planeta), e do Valles Marineris, um desfiladeiro gigantesco. A suave Bacia Polar Norte, no hemisfério norte marciano, cobre cerca de 40% do planeta e pode ser uma enorme marca de impacto.[2] [3] Marte tem duas luas conhecidas, Fobos e Deimos, que são pequenas e de forma irregular. Estas luas podem ser asteroides capturados,[4] [5] semelhante ao 5261 Eureka, um asteroide troiano marciano.

Até o primeiro voo bem-sucedido sobre Marte feito em 1965 pela Mariner 4, muitos especulavam sobre a presença de água em estado líquido na superfície do planeta. Isto era baseado em variações periódicas observadas em manchas claras e escuras, particularmente nas latitudes polares, que pareciam com mares e continentes; escuras e longas faixas foram interpretadas por alguns como canais de irrigação para a água líquida. Estas características foram mais tarde explicadas como ilusões de ótica, apesar de evidências geológicas recolhidas por missões não tripuladas sugerirem que Marte já teve uma cobertura de água de grande escala em sua superfície.[6] Em 2005, dados de radar revelaram a presença de grandes quantidades de gelo de água nos polos[7] e em latitudes médias.[8] [9] A sonda robótica Spirit coletou amostras de compostos químicos que continham moléculas de água em março de 2007. A sonda Phoenix encontrou amostras de gelo de água no solo marciano raso em 31 de julho de 2008.[10]

Marte está sendo explorado por cinco espaçonaves atualmente: três em órbita — Mars Odyssey, Mars Express e Mars Reconnaissance Orbiter — e duas na superfície — Mars Exploration Rover Opportunity e Mars Science Laboratory Curiosity. Entre as espaçonaves desativadas que estão na superfície marciana estão a sonda Spirit e várias outras sondas e rovers, como a Phoenix, que completou sua missão em 2008. As observações feitas pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter revelaram a possibilidade de que exista água corrente no planeta durante os meses mais quentes.[11] Em 2013, o rover Curiosity da NASA descobriu que o solo de Marte contém entre 1,5% e 3% de água em sua massa (cerca de 33 litros de água por metro cúbico, embora não esteja acessível por estar ligada a outros compostos).[12] Marte pode ser facilmente visto da Terra a olho nu, assim como a sua coloração avermelhada. Sua magnitude aparente atinge -3,0[13] e é superada apenas por Júpiter, Vênus, Lua e Sol.[14]

Características físicas[editar | editar código-fonte]

Marte tem aproximadamente metade do diâmetro da Terra. Ele é menos denso do que a Terra, tendo cerca de 15% do seu volume e 11% de sua massa. A superfície marciana é apenas ligeiramente menor do que a área total de terra firme do planeta Terra.[15] Apesar de Marte ser maior e mais massivo do que Mercúrio, este tem uma densidade mais elevada. Isto resulta em dois planetas com uma força gravitacional quase idêntica na superfície — a de Marte é mais forte por menos do que 1%. A aparência vermelho-alaranjada da superfície marciana é causada pelo óxido de ferro (III), mais comumente conhecido como hematita ou ferrugem.[16] Pode também parecer caramelo,[17] enquanto outras cores comuns de superfície incluem dourado, marrom e esverdeado, dependendo dos minerais presentes.[17]

Estrutura interna[editar | editar código-fonte]

Tal como a Terra, este planeta tem sofrido diferenciação, o que resultou em um núcleo metálico denso sobreposto por materiais menos densos.[18] Os modelos atuais do interior do planeta implicam uma região central de cerca de 1794 km ± 65 km de raio, composta principalmente por ferro e níquel, com cerca de 16-17% de enxofre.[19] Este núcleo de sulfureto de ferro é parcialmente fluido e tem duas vezes a concentração dos elementos mais leves que existem no núcleo da Terra. O núcleo está envolvido por um manto de silicato formado por muitas das características tectônicas e vulcânicas do planeta, mas que parecem agora estar dormentes. Além do silício e do oxigênio, os elementos mais abundantes na crosta marciana são ferro, magnésio, alumínio, cálcio e potássio. A espessura média da crosta do planeta é cerca de 50 quilômetros, com uma espessura máxima de 125 km.[20] A crosta terrestre, com uma média de 40 km de espessura, tem apenas um terço da densidade que a crosta de Marte, em relação aos tamanhos dos dois planetas. A sonda InSight prevista para 2016 irá utilizar um sismógrafo para melhor determinar os modelos do interior do planeta.[21]

Geologia da superfície[editar | editar código-fonte]

Comparação do tamanho dos planetas telúricos (da esquerda para a direita): Mercúrio, Vênus, Terra e Marte.
Imagem de satélite de toda a superfície de Marte composta através de medições feitas pela Mars Global Surveyor e de observações realizadas pelas sondas espaciais Viking.
Planícies vulcânicas (em vermelho) e bacias de impacto (em azul) dominam a topografia do planeta.

Marte é um planeta rochoso que consiste em minerais contendo silício e oxigênio, metais e outros elementos que normalmente compõem rocha. A superfície de Marte é composta principalmente de basalto toleítico,[22] embora as pedras sejam mais de basalto típico rico em sílica e podem ser semelhantes às rochas andesíticas da Terra ou ao vidro de sílica. Regiões de baixo albedo apresentam concentrações de plagioclásios, sendo que as regiões mas baixas ao norte exibem concentrações superiores às concentrações normais de silicatos e de vidro de sílica. As áreas de terras altas ao sul incluem quantidades detectáveis ​​de piroxênios de cálcio. Concentrações localizadas de hematita e olivina também foram encontradas.[23] A maior parte da superfície está profundamente coberta por uma camada de pó de óxido de ferro (III) de textura fina.[24] [25]

Embora Marte não tenha qualquer evidência de possuir um campo magnético global e estruturado atualmente,[26] observações mostram que partes da crosta do planeta têm sido magnetizadas e que inversões geomagnéticas já ocorreram no passado. Este paleomagnetismo de minerais magneticamente suscetíveis tem propriedades que são muito semelhantes às faixas alternadas encontradas nos fundos dos oceanos da Terra. Uma teoria, publicada em 1999 e reexaminados em outubro de 2005 (com a ajuda da Mars Global Surveyor), indica que que essas faixas demonstram a existência de placas tectônicas em Marte há quatro bilhões de anos, antes de o dínamo planetário ter deixado de funcionar e o campo magnético do planeta ter desaparecido.[27]

Durante a formação do Sistema Solar, Marte foi criado como resultado de um processo estocástico de acreção que direcionou para longe o disco protoplanetário que orbitava o Sol. Marte tem muitas características químicas distintas causadas por sua posição no sistema solar. Elementos com pontos de ebulição relativamente baixos, como cloro, fósforo e enxofre são muito mais comuns em Marte do que na Terra. Estes elementos, provavelmente, foram removidos das áreas mais próximas ao Sol pelo vento solar da jovem estrela.[28]

Após a formação dos planetas, todos foram sujeitos ao chamado "intenso bombardeio tardio". Cerca de 60% da superfície de Marte mostra registros de impactos dessa época,[29] [30] [31] enquanto a maior parte da superfície restante é provavelmente sustentada por imensas bacias de impacto causadas ​​por esses eventos. Há evidências de uma enorme bacia de impacto no hemisfério norte de Marte, abrangendo 10 600 km por 8 500 km, ou cerca de quatro vezes maior do que a Bacia do Polo Sul-Aitken, a maior depressão de impacto já descoberta.[2] [3] Esta teoria sugere que Marte foi atingido por um corpo do tamanho de Plutão cerca de quatro bilhões de anos atrás . O evento, que se acredita ser a causa da dicotomia hemisférica marciana, criou a suave Bacia Polar Norte, que cobre 40% do planeta.[32] [33]

A história geológica de Marte pode ser dividida em vários períodos, mas os seguintes são os três períodos principais:[34] [35]

  • Período Noachiano (em homenagem a Noachis Terra): formação das mais antigas superfícies existentes de Marte, 4,5 bilhões de anos a 3,5 bilhões de anos. Superfícies desse período são marcadas por muitas grandes crateras de impacto. Acredita-se que a protuberância de Tharsis, um planalto vulcânico, tenha se formado durante este período, com extensas inundações por água líquida no final dessa época.[34] [35]
  • Período Hesperiano (em homenagem a Hesperia Planum): 3,5 bilhões de anos a 2,9-3,3 bilhões de anos atrás. O período Hesperiano é marcado pela formação de extensas planícies de lava.[34] [35]
  • Período Amazoniano (em homenagem a Amazonis Planitia): 2,9-3,3 bilhões de anos atrás até o presente. Regiões amazônicas têm poucas crateras de impacto de meteoritos, mas são bastante variadas. O Monte Olimpo formou-se durante este período, juntamente com fluxos de lava em outros lugares de Marte.[34] [35]

Alguns atividade geológica ainda está ocorrendo no planeta. O Athabasca Valles é tem lava tipo folha flui até cerca de 200 milhões de anos. A água corrente no Cerberus Fossae ocorreu há menos de 20 milhões de anos, indicando intrusões vulcânicas igualmente recentes.[36] Em 19 de fevereiro de 2008, as imagens da sonda Mars Reconnaissance Orbiter mostraram evidências de uma avalanche de 700 metros de altura em um precipício.[37]

Solo[editar | editar código-fonte]

Panorama da cratera Gusev, onde o Spirit analisou basaltos vulcânicos.

A sonda Phoenix trouxe dados que mostraram que o solo marciano é ligeiramente alcalino e contêm elementos como magnésio, sódio, potássio e cloro. Esses nutrientes são encontrados nos jardins da Terra e são necessários para o crescimento das plantas.[38] Experimentos realizados mostraram que o solo marciano tem um pH básico de 8,3 e pode conter traços do sal de perclorato.[39] [40]

Estrias são comuns em Marte e novas aparecem com frequência em encostas íngremes de crateras, desfiladeiros e vales. As estrias são escuras no início e ficam mais claras com a idade. Às vezes, começam em uma pequena área e, em seguida, espalham-se por centenas de metros. Elas também foram vistas a seguir as bordas das pedras e outros obstáculos em seu caminho. As teorias comumente aceitas incluem que elas são camadas subjacentes escuras do solo reveladas após tempestades de poeira ou tornados.[41] Várias explicações têm sido propostas, algumas das quais envolvem água ou mesmo o crescimento de organismos.[42] [43]

Hidrologia[editar | editar código-fonte]

A água líquida não pode existir na superfície de Marte devido à baixa pressão atmosférica, a não ser em menores elevações por curtos períodos.[44] [45] As duas calotas polares parecem ser feitas em grande parte de água.[46] [47] O volume de gelo de água na camada de gelo o polo sul, se derretido, seria suficiente para cobrir toda a superfície do planeta a uma profundidade de 11 metros.[48] Há trechos de manto de permafrost no pólo nas latitudes de cerca de 60°.[46]

Formações rochosas microscópicas indicam sinais antigos de água. Fotografia tirada pelo rover Opportunity.
Possível escoamento de água do solo de Marte.

Acredita-se que grandes quantidades de gelo de água esteja presa dentro da espessa criosfera de Marte. Os dados de radar da Mars Express e da Mars Reconnaissance Orbiter mostra grandes quantidades de gelo de água em ambos os polos (julho de 2005)[7] [49] e nas latitudes médias (novembro de 2008).[8] A sonda Phoenix retirou amostras de gelo de água do solo marciano em 31 de julho de 2008.[10]

Formas de relevo visíveis em Marte sugerem fortemente que água em estado líquido existe na superfície do planeta, ao menos em alguns períodos. Faixas lineares enormes de terra lavada, conhecidas como canais de escoamento, atravessam a superfície em cerca de 25 lugares. Acredita-se que estas faixas são registros de erosões que ocorreram durante a liberação catastrófica de água de aquíferos subterrâneos, embora algumas destas estruturas também podem ter sido resultado da ação de geleiras ou de lava.[50] [51] Um dos maiores exemplos maiores, Ma'adim Vallis tem cerca de 700 km de comprimento e é muito maior que o Grand Canyon, com uma largura de 20 km e uma profundidade de 2 km em alguns lugares. Acredita-se que foi esculpido por água corrente no início da história do planeta.[52] Acredita-se que o mais novo destes canais formou-se recentemente, há apenas alguns milhões de anos.[53] Em outros lugares, particularmente nas áreas mais antigas da superfície marciana, redes dendríticas mais finas de vales estão espalhadas por proporções significativas da paisagem. As características destes vales e sua distribuição indicam que eles foram esculpidos pelo escoamento resultante da chuva ou queda da neve no início da história de Marte. Fluxos de água subsuperficiais e subterrâneos podem desempenhar papéis subsidiários importantes em algumas redes , mas a precipitação foi, provavelmente, a principal causa da formação em quase todos os casos.[54]

Ao longo de crateras e de paredes de desfiladeiros, há também milhares de pontos geográficos que parecem semelhantes às ravinas terrestres. As ravinas tendem a surgir nas terras altas do hemisfério sul e próximas ao Equador, todas em direção aos pólos de 30° de latitude. Vários autores têm sugerido que o seu processo de formação teria exigido o envolvimento de água líquida, provavelmente devido ao degelo,[55] [56] embora outros defendam mecanismos de formação de geada envolvendo o dióxido de carbono ou o movimento do pó seco.[57] [58] ão foram observadas ravinas parcialmente degradadas pelo intemperismo ou crateras sobrepostas, indicando que estas são características muito jovens, possivelmente ainda ativas atualmente. hoje.[56]

Outras características geológicas, como deltas e leques aluviais preservados em crateras, também apontam que condições mais quentes e mais úmidas em algum intervalo ou intervalos na história antiga de Marte.[59] Tais condições requerem necessariamente a presença generalizada de lagoas em uma grande proporção da superfície, para o qual também há evidências mineralógicas, sedimentológicas e geomorfológicas independentes.[60] Alguns autores têm chegado a afirmar que, às vezes, no passado marciano, a maior parte das baixas planícies do norte do planeta foram cobertos com um verdadeiro oceano de centenas de metros de profundidade, embora isso permaneça controverso.[61]

Outra evidência de que a água líquida existiu em algum momento sobre a superfície de Marte vem a partir da detecção de minerais específicos, como hematite e goethita, ambos os quais se formam, por vezes, na presença de água.[62] Algumas das evidências que pareciam indicar antigas bacias hidrográficas e fluxos tem sido refutadas por estudos de alta resolução feitos pelo Mars Reconnaissance Orbiter.[63] Em 2004, o Opportunity detectou o mineral jarosita. Esta forma só existe na presença de água ácida, o que demonstra que a água uma vez existiu em Marte.[64] Evidências mais recentes de água líquida vem da constatação do mineral gipsita na superfície feitas pelo Opportunity da NASA em dezembro de 2011.[65] [66] Além disso, o líder do estudo, Francis McCubbin, cientista planetário da Universidade do Novo México em Albuquerque analisou hidroxilas em minerais cristalinos de Marte que indicam que a quantidade de água no manto superior de Marte é igual ou maior do que a da Terra, entre de 50 e 300 partes por milhão de água, o que é suficiente para cobrir todo o planeta a uma profundidade de 200 a 1000 metros.[67]

Em 18 de Março de 2013, a NASA relatou evidências de instrumentos no rover Curiosity da hidratação mineral, como sulfato de cálcio hidratado provavelmente em várias amostras de rochas, incluindo fragmentos das rochas "Tintina" e "Sutton Inlier", bem como nas veias e nódulos em outras rochas como "Knorr" e "Wernicke".[68] [69] [70] Análises usando o instrumentos DAN instrumento do Curiosity forneceram evidências da presença de água subterrânea, até uma profundidade de 60 cm.[68]

Calotas polares[editar | editar código-fonte]

Calota polar norte em 1999
Calota polar norte em 1999
Calota polar sul em 2000
Calota polar sul em 2000

Marte tem duas calotas polares de gelo permanentes. Durante o inverno, um dos polo que fica em escuridão permanente, resfria a superfície e provoca a deposição de 25 a 30% da atmosfera em placas de gelo de CO2 (gelo seco).[71] Quando os polos são novamente expostos à luz solar, o congelado CO2 entra em sublimação, criando enormes ventos que varrem os polos a velocidades de até 400 km/h. Esses ventos sazonais transportam grandes quantidades de poeira e vapor de água, dando origem a geadas, como na Terra, e de grandes nuvens cirrus. Nuvens de água gelada foram fotografados pelo rover Opportunity em 2004.[72]

As calotas polares em ambos os pólos são compostas principalmente de gelo de água. Dióxido de carbono congelado acumula como uma camada relativamente fina de cerca de um metro de espessura na calota norte apenas no inverno, enquanto a calota do sul tem uma cobertura de gelo seco permanente de cerca de oito metros de espessura.[73] Esta cobertura permanente de gelo seco no polo sul é salpicada por alguns tipos de poços circulares que se repetem e estão se expandindo alguns metros por ano; isso sugere que a cobertura permanente de CO2 sobre o gelo do polo sul está a degradar-se ao longo do tempo.[74] A calota polar norte tem um diâmetro de aproximadamente mil quilômetros durante o verão do hemisfério norte de Marte[75] e contém cerca de 1,6 milhões de quilômetros cúbicos de gelo, que, se espalhado uniformemente sobre a calota, teria 2 km de espessura.[76] Em comparação, a camada de gelo da Groenlândia tem um volume de 2,85 milhões de quilômetros cúbicos (km³). A calota polar do sul tem um diâmetro de 350 km e uma espessura de 3 km.[77] O volume total de gelo na calota polar sul, mais os depósitos em camadas adjacentes, tem também sido estimado em 1,6 milhões de km cúbicos.[78] Ambas as calotas polares apresentam calhas espirais, que em recente análise do radar SHARAD mostrou serem resultado de ventos catabáticos em espiral devido ao efeito Coriolis.[79] [80]

A queda de geada sazonal em algumas áreas perto da calota polar sul resulta na formação de placas transparentes de 1 metro de espessura de gelo seco acima do solo. Com a chegada da primavera, a luz solar aquece o subsolo e a pressão de sublimação CO2 acumula-se elevando e, finalmente, rompendo-se. Isto leva a erupções de gêiseres de gás CO2 misturado com areia ou pó de basalto escuro. Este processo é rápido e acontece no espaço de alguns dias, semanas ou meses, com uma taxa de variação bastante incomum em geologia - especialmente para Marte.[81] [82] [83] [84]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Embora mais seja mais lembrados por terem mapeado a Lua, Johann Heinrich von Mädler e Wilhelm Beer foram os primeiros "areográfos". Eles começaram pela constatação de que a maioria das características da superfície de Marte eram permanentes e determinaram com mais precisão o período de rotação do planeta. Em 1840, Mädler reuniu dez anos de observações e desenhou o primeiro mapa de Marte. Ao invés de dar nomes para as várias marcas na superfície, Beer e Mädler simplesmente designaram-as com letras; Sinus Meridiani foi, assim, o recurso de "a".[85]

Animação da rotação de Marte.

Hoje, as características de Marte são denominadas a partir de uma variedade de fontes. Os albedos são nomeados a partir da mitologia clássica. Crateras com mais de 60 km são nomeadas em homenagem a cientistas e escritores já falecidos e outros que contribuíram para o estudo de Marte. Crateras menores que 60 km são nomeados em homenagem a cidades e vilas do mundo com população inferior a 100 mil habitantes. Grandes vales são nomeados para a palavra "Marte" ou "estrela" em várias línguas; pequenos vales são nomeados por rios.[86]

As grandes estruturas de albedo retêm muitos dos nomes mais antigos, mas são frequentemente atualizadas para refletir novos conhecimentos sobre a natureza desses recursos. Por exemplo, Nix Olympica (as neves do Olimpo) tornou-se Olympus Mons (Monte Olimpo).[87] A superfície de Marte, vista da Terra, é dividida em dois tipos de áreas, com diferentes albedos. As planícies mais pálidas cobertas de poeira e areia rica em óxido de ferro avermelhado já foram consideradas como "continentes" marcianos e a elas foram dados nomes como Arabia Terra (terra da Arábia) ou Amazonis Planitia (Planície Amazônica). Acreditava-se que as características escuras eram ser mares, daí seus nomes Mare Erythraeum, Mare Sirenum e Aurorae Sinus. A maior característica escura vista da Terra é Syrtis Major. A calota polar norte é chamada Planum Boreum, enquanto a calota sul é chamada Planum Australe.[88]

O equador de Marte é definido por sua rotação, mas a localização do seu "Meridiano de Greenwich" foi especificada, como foi a da Terra (em Greenwich) pela escolha de um ponto arbitrário; Mädler e Beer selecionaram uma linha, em 1830, para os primeiros mapas de Marte. Após a nave espacial Mariner 9 fornecerem extensas imagens de Marte em 1972, uma pequena cratera (mais tarde chamado de Airy-0), localizado no Sinus Meridiani ("Baía Meridiana") foi escolhido para a definição da longitude 0,0°, de forma a coincidir com a seleção original.[89]

Como Marte não tem oceanos e, portanto, não há "nível do mar" uma superfície sem qualquer elevação também teve de ser selecionada como um nível de referência, o que também é chamado de areoide[90] de Marte, análogo ao geoide terrestre. A altitude zero foi definida pela altura em que há 610,5 Pa (6,105 mbar) da pressão atmosférica.[91] Esta pressão corresponde ao ponto triplo da água e é cerca de 0,6% da pressão de superfície do nível do mar na Terra (0,006 atm).[92]

Crateras[editar | editar código-fonte]

Cratera Bonneville e o local de pouso da Spirit

A dicotomia da topografia marciana é notável: as planícies do norte são achatadas por fluxos de lava, em contraste com as terras altas do sul, marcada por crateras de antigos impactos com asteroides. Um pesquisa de em 2008 apresentou evidências sobre a teoria proposta em 1980 postulando que quatro bilhões de anos atrás o hemisfério norte de Marte foi atingido por um objeto de um décimo a dois terços do tamanho da Lua. Se confirmada, isso tornaria o hemisfério norte de Marte o local de uma cratera de impacto de 10 600 km de comprimento por 8,5 mil quilômetros de largura, ou mais ou menos a área de Europa, Ásia e Austrália juntas, superando a Bacia do Polo Sul-Aitken como a maior cratera de impacto do Sistema Solar.[2] [3]

Marte é marcado por uma série de crateras de impacto: um total de 43 mil crateras com um diâmetro de 5 quilômetros ou mais foram encontradas em sua superfície.[93] A maior delas é a bacia de impacto Hellas Planitia, uma característica formação de albedo claramente visível a partir da Terra.[94] Devido à menor massa de Marte, a probabilidade de um objeto colidir com o planeta é cerca de metade da presente na Terra. Marte fica mais perto do cinturão de asteroides, por isso tem uma chance maior de ser atingido por materiais a partir dessa região. O planeta é também mais suscetível a ser atingido por cometas de período curto, ou seja, aqueles que se encontram dentro da órbita de Júpiter.[95] Apesar disso , há muito menos crateras em Marte em comparação com a Lua, por exemplo, porque a atmosfera de Marte fornece proteção contra meteoros pequenos. Algumas crateras têm uma geomorfologia que sugere que o solo se tornou úmido após o impacto do meteoro.[96]

Características vulcânicas e tectônicas[editar | editar código-fonte]

O gigantesco Monte Olimpo, o maior vulcão do sistema solar, com cerca de 27 km de altura.

O vulcão Monte Olimpo é um vulcão extinto na vasta região de Tharsis, que contém vários outros grandes vulcões. O Monte Olimpo é três vezes maior que o Monte Everest, que por comparação tem pouco mais de 8,8 km de altura.[97] É a montanha mais alta ou a segunda mais alta do Sistema Solar, dependendo da forma de medição escolhida, com fontes que vão de cerca de 21 a 27 km de altura.[98] [99]

A grande desfiladeiro Valles Marineris (latim para Vales Mariner, também conhecido como Agathadaemon nos velhos mapas dos canais marcianos), tem um comprimento de quatro mil quilômetros e uma profundidade de até sete quilômetros. O comprimento do Valles Marineris é equivalente ao comprimento do continente europeu e estende-se através de um quinto da circunferência de Marte. Em comparação, o Grand Canyon na Terra tem 446 km de comprimento e quase 2 km de profundidade. O Valles Marineris foi formado devido à expansão da área de Tharsis, o que causou o colapso da crosta na superfície do desfiladeiro. Em 2012, foi proposto que o Valles Marineris não é apenas um graben, mas também um limite de placa, onde 150 km de movimento transversal ocorreu, fazendo de Marte um planeta com, possivelmente, de duas placas tectônicas.[100] [101]

As imagens do THEMIS a bordo de sonda Mars Odyssey da NASA revelaram sete possíveis entradas de cavernas nos flancos do vulcão Arsia Mons.[102] As cavernas, em homenagem aos entes queridos de seus descobridores, são conhecidas coletivamente como as "sete irmãs".[103] A entrada das caverna mede de 100 a 252 metros de largura e acredita-se que têm, pelo menos, de 73 a 96 ​​metros de profundidade. Dado que a luz não atinge o piso da maioria das cavernas, é possível que se estendem muito mais profundo do que as estimativas inferiores e amplie a superfície inferior. A caverna "Dena" é a única exceção, o seu chão é visível e tem 130 metros de profundidade. Os interiores destas cavernas podem ser protegidos contra micrometeoritos, radiação UV, erupções solares e partículas de alta energia que bombardeiam a superfície do planeta.[104]

Mosaico de imagens infravermelhas capturadas pela sonda 2001 Mars Odyssey do Valles Marineris, um gigantesco desfiladeiro, com quatro mil quilômetros de comprimento e uma profundidade de até sete quilômetros.

Atmosfera[editar | editar código-fonte]

A tênue atmosfera de Marte vista a partir de uma imagem na órbita baixa do planeta.

Marte perdeu sua magnetosfera há 4 bilhões de anos,[105] então o vento solar interagiu diretamente com a ionosfera marciana, diminuindo a densidade atmosférica e removendo átomos da camada exterior. Ambas as sondas Mars Global Surveyor e Mars Express detectaram partículas atmosféricas ionizadas arrastadas para o espaço a partir de Marte[105] [106] e esta perda atmosférica serão estudadas pela próxima sonda, MAVEN. Em comparação com a Terra, a atmosfera de Marte é muito rarefeita. A pressão atmosférica na superfície hoje varia entre um mínimo de 30 Pa (0.030 kPa) no Monte Olimpo para mais de 1.155 Pa (1.155 kPa) em Hellas Planitia, com uma pressão média ao nível da superfície de 600 Pa (0,60 kPa).[107] A maior densidade atmosférica em Marte é igual à densidade encontrados a 35 km acima da superfície da Terra.[108] A pressão de superfície média resultante é de apenas 0,6% do que a da Terra (101,3 kPa). A altura de escala da atmosfera é cerca de 10,8 km,[109] que é maior do que a da Terra (6 km ), porque a gravidade de superfície de Marte é de apenas 38% da gravidade da Terra, o que resulta em um peso molecular 50% maior da atmosfera de Marte. A atmosfera de Marte é composta por cerca de 96% de dióxido de carbono, 1,93% de argônio e 1,89% de nitrogênio, juntamente com traços de oxigênio e água.[15] [110] A atmosfera é muito empoeirada, contendo partículas de cerca de 1,5 µm de diâmetro que dão ao céu marciano uma cor opaca quando vista da superfície.[111]

Metano foi detectado na atmosfera de Marte, com uma fracção molar de cerca de 30 ppb;[112] [113] os perfis implicam que o metano foi liberado a partir de regiões distintas. No meio do verão do norte, a pluma diretor continha 19 mil toneladas métricas de metano, com uma força de fonte estimada de 0,6 kg por segundo.[114] [115] Os perfis sugerem que pode haver duas regiões de origem local, a primeira centrada perto de 30°N 260°W e a segunda perto de 0°N 310°W.[114] Estima-se que Marte deve produzir 270 toneladas/ano de metano.[114] [116]

Fotografia do pôr-do-Sol marciano pelo robô Spirit na cratera Gusev.

O tempo de destruição do metano pode ser tão longo como cerca de 4 anos da Terra e tão curto quanto cerca de 0,6 anos terrestres.[114] [117] Essa rápida rotatividade indica uma fonte ativa do gás no planeta. Atividade vulcânica, impactos de cometas e a presença de formas de vida microbianas metanogênicas estão entre as possíveis fontes. O metano também poderia ser produzido por um processo não-biológico chamado serpentinização, que envolve água, dióxido de carbono e o mineral olivina, que é conhecido por ser comum em Marte.[118]

O rover Curiosity, que pousou em Marte em agosto de 2012, é capaz de fazer medições que distinguem entre diferentes isotopólogos de metano;[119] mas mesmo que a missão determine que a vida microscópica marciana é a fonte do metano, essas formas de vida provavelmente residem muito abaixo da superfície, fora do alcance do rover.[120] As primeiras medições com o Tunable Laser Spectrometer (TLS) indicaram que há menos de 5 ppb de metano no local de pouso no momento da medição.[121] [122] [123] [124] Em 19 de setembro de 2013, cientistas da NASA, com base em outras medições feitas pela Curiosity, não relataram a detecção de metano atmosférico com um valor medido de 0,18 ± 0,67 ppbv correspondente a um limite máximo de apenas 1,3 ppbv (limite de confiança de 95%) e, como resultado, concluíram que a probabilidade de atividade microbiana metanogênica atual em Marte é reduzida.[125] [126] [127] A sonda ExoMars Trace Gas Orbiter, planejada para ser lançada em 2016 irá estudar mais o metano, bem como os seus produtos de decomposição, como formaldeído e metanol.[128] [129]

A amônia também foi detectada em Marte pelo satélite Mars Express, mas com a sua vida útil relativamente curta, não é claro o que tenha sido produzida. A amônia não é estável na atmosfera marciana e desintegra-se depois de algumas horas. Uma fonte possível é atividade vulcânica.[130]

Clima[editar | editar código-fonte]

18 de novembro de 2012
18 de novembro de 2012
25 de novembro de 2012
25 de novembro de 2012
As localizações dos robôs Opportunity e Curiosity estão marcadas (MRO).

De todos os planetas do Sistema Solar, as estações de Marte são as mais parecido com as da Terra, devido às inclinações semelhantes de eixos de rotação dos dois planetas. As durações das estações marcianas são cerca de duas vezes as da Terra, já que Marte está a uma maior distância do Sol, o que leva o ano marciano a ser equivalente a cerca de dois anos terrestres em duração. As temperaturas de superfície de Marte variam de -143°C (no inverno nas calotas polares)[131] para máximos de até 35°C (no verão equatorial).[132] A ampla variedade de temperaturas é devido à fina atmosfera que não consegue armazenar muito calor solar, a baixa pressão atmosférica e a baixa inércia térmica do solo marciano.[133] O planeta também é 1,52 vezes mais distante do Sol que a Terra, o que resulta em apenas 43% da quantidade de luminosidade em comparação com a Terra.[134]

Se Marte tivesse uma órbita semelhante a da Terra, as suas estações também seria semelhantes, porque a sua inclinação axial é semelhante à da Terra. A relativamente grande excentricidade da órbita de Marte tem um efeito significativo. O planeta está mais próximo do periélio quando é verão no hemisfério sul e inverno no norte e próximo do afélio quando é inverno no hemisfério sul e verão no norte. Como resultado, as estações do ano no hemisfério sul são mais extremas e as estações do ano no norte são mais leves do que o esperado. As temperaturas de verão no sul podem chegar a até 30 graus kelvin mais quentes do que as temperaturas de verão equivalentes no norte.[135]

Marte também tem as maiores tempestades de poeira do Sistema Solar. Estas podem variar de uma tempestade sobre uma pequena área, até tempestades gigantescas que cobrem todo o planeta. Elas tendem a ocorrer quando Marte está mais próximo do Sol e demonstraram aumentar a temperatura global.[136]

Astronomia e órbita[editar | editar código-fonte]

A distância média entre Marte e o Sol é de cerca de 230.000 mil km (1,5 UA, ou 143 milhões de milhas) e seu período orbital é de 687 dias terrestres, como representado pela trilha vermelha, com a órbita da Terra mostrada em azul (animação).

Com a existência de várias sondas e rovers, agora é possível estudar a astronomia do céu marciano. Fobos, uma das duas luas de Marte, tem cerca de um terço do diâmetro angular da Lua cheia como ela aparece na Terra, enquanto Deimos aparece mais ou menos parecido com uma estrela e aparece apenas um pouco mais brilhante do que Vênus na Terra.[137] Existem vários fenômenos, conhecidos na Terra, que têm sido observados em Marte, como meteoros e auroras.[138] Uma passagem da Terra vista de Marte ocorrerá em 10 de novembro de 2084.[139] Há também trânsitos de Mercúrio e os trânsitos de Vênus e das luas Fobos e Deimos são de diâmetro angular suficientemente pequeno para que seus "eclipses solares" parciais sejam melhor considerados (ver Trânsito de Deimos em Marte).[140] [141]

A distância média de Marte ao Sol é de cerca de 230 milhões de quilômetros (1,5 UA) e seu período orbital é de 687 dias (Terra). O dia sola em Marte é apenas um pouco maior do que um dia na Terra: 24 horas, 39 minutos e 35,244 segundo. Um ano marciano é igual a 1,8809 anos terrestres, ou um ano, é igual a 320 dias e 18,2 horas.[15] A inclinação do eixo de Marte é de 25,19 graus, semelhante à inclinação axial da Terra.[15] Como resultado, Marte tem estações como a Terra, embora sejam mais longas. Atualmente, a orientação do polo norte de Marte está próxima da estrela Deneb.[142] Marte passou seu afélio março 2010[143] e seu periélio em março 2011.[144]

Marte tem uma excentricidade orbital relativamente acentuada, de cerca de 0,09; entre os outros sete planetas do Sistema Solar, só Mercúrio mostra maior excentricidade. Sabe-se que, no passado, Marte teve uma órbita circular em muito mais do que atualmente. Em um ponto há 1,35 milhão de anos terrestres, Marte tinha uma excentricidade de cerca de 0,002, muito menor do que a da Terra hoje.[145] O ciclo de excentricidade de Marte é de 96.000 anos terrestres em relação ao ciclo de 100 mil anos da Terra.[146] O planeta também tem um muito mais tempo do ciclo de excentricidade com um período de 2,2 milhões de anos e isso ofusca o ciclo de 96.000 anos nos gráficos de excentricidade. Durante os últimos 35 mil anos, a órbita de Marte foi ficando um pouco mais excêntrica por causa dos efeitos gravitacionais dos outros planetas. A menor distância entre a Terra e Marte continuará a diminuir ligeiramente nos próximos 25 mil anos.[147]

Observação[editar | editar código-fonte]

Animação do movimento retrógrado aparente de Marte em 2003 visto a partir da Terra

Pela órbita de Marte ser excêntrica, a sua magnitude aparente em oposição ao Sol pode variar de -3,0 a -1,4. O brilho mínimo é de magnitude 1,6, quando o planeta está em conjunção com o Sol.[13] Marte geralmente aparece distintamente amarelo, laranja ou vermelho; a cor real do planeta está mais próximo de caramelo e a vermelhidão observada é apenas poeira na atmosfera do planeta, considerando isso, o rover Spirit, da NASA, registrou imagens de uma paisagem marrom-esverdeada com pedras azul-acinzentadas e manchas de areia vermelha.[148] Quando mais distante do que a Terra, fica a mais de sete vezes mais longe de nosso planeta do que quando está próximo. Quando menos favoravelmente posicionado, ele pode ser perdido no brilho do Sol por meses. Em seus momentos mais favoráveis — em intervalos entre 15 e 17 anos, sempre entre o final de Julho e finais de Setembro — Marte mostra a riqueza de detalhes de sua superfície. Especialmente notável, mesmo em baixa ampliação, são as suas calotas polares.[149]

Conforme Marte se aproxima ao ponto de oposição, começa um período de movimento retrógrado em que o planeta vai aparecer para se mover para trás em um movimento de looping em relação às estrelas de fundo. A duração deste movimento retrógrado tem a duração de cerca de 72 dias e Marte atinge o seu pico de luminosidade no meio deste movimento.[150]

Maiores aproximações[editar | editar código-fonte]

Relativa[editar | editar código-fonte]

O ponto em que a longitude geocêntrica de Marte é 180° é diferente da oposição conhecida do Sol, que está perto do momento de maior aproximação com a Terra. O tempo de oposição pode ocorrer tanto como 8 ½ dias longe da maior aproximação. A distância nas maiores aproximações varia entre 54[151] e 103 milhões de quilômetros devido às órbitas elípticas dos planetas, o que causa uma variação comparável em tamanho angular.[152] A última oposição de Marte ocorreu em 3 de março de 2012 a uma distância de cerca de 100 milhões de quilômetros.[153] O tempo médio entre as oposições sucessivas de Marte, o seu período sinódico, é de 780 dias, mas o número de dias entre as datas de oposições sucessivas pode variar entre 764 e 812.[154]

Absoluta, em torno do tempo presente[editar | editar código-fonte]

Marte fez a sua maior aproximação com a Terra há cerca de 60 mil anos, a 55 758 006 km (0,372719 UA), magnitude -2,88 , em 27 de agosto de 2003 às 09:51:13 UTC. Isto ocorreu quando Marte estava a um dia da sua oposição e há cerca de três dias do seu periélio, tornando o planeta particularmente fácil de se ver a partir da Terra. Estima-se que a a última vez que o planeta chegou tão perto foi em 12 de setembro de 57 617 a.C.; o próximo momento será no ano 2287.[155] Esta aproximação recorde foi apenas ligeiramente mais próxima do que outras aproximações recentes. Por exemplo, a distância mínima em 22 de agosto de 1924 foi de 0,37285 UA e a distância mínima em 24 de agosto de 2208 será de 0,37279 UA.[146]

Estudo e exploração[editar | editar código-fonte]

Antiguidade e Idade Média[editar | editar código-fonte]

A existência de Marte como um objeto errante no céu noturno foi registrada por astrônomos do Egito Antigo e, em torno do ano 1534 a.C., eles já estavam familiarizados com o movimento retrógrado do planeta.[156] No período do Império Neobabilônico, os astrônomos babilônios faziam registros regulares das posições dos planetas e observações sistemáticas do seu comportamento. Sobre Marte, eles sabiam que o planeta fazia 37 períodos sinódicos, ou 42 circuitos do zodíaco, a cada 79 anos. Eles também inventaram métodos aritméticos para fazer pequenas correções para as posições previstas dos planetas.[157] [158]

No século IV a.C, Aristóteles observou que Marte desapareceu por trás da Lua durante uma ocultação, indicando que o planeta estava mais distante.[159] Ptolomeu, um grego que vivia em Alexandria,[160] tentou resolver o problema do movimento orbital de Marte. O modelo de Ptolomeu e sua obra coletiva sobre astronomia foram apresentados no Almagesto, que tornou-se o principal tratado da astronomia ocidental nos quatorze séculos seguintes.[161] A literatura da China antiga confirma que Marte era conhecido pelos astrônomos chineses no século IV.[162] No século V d.C., o texto astronômico indiano Surya Siddhanta estimou o diâmetro de Marte.[163]

Durante o século XVII, Tycho Brahe mediu a paralaxe diurna de Marte que Johannes Kepler usou para fazer um cálculo preliminar da distância em relação ao planeta.[164] Quando o telescópio se tornou disponível, a paralaxe diurna de Marte foi novamente medida em um esforço para determinar a distância Sol-Terra. Esta foi realizada pela primeira vez por Giovanni Domenico Cassini em 1672. As primeiras medições de paralaxe foram prejudicadas pela qualidade dos instrumentos.[165] A única ocultação de Marte por Vênus observada foi a de 13 de outubro de 1590, vista por Michael Maestlin em Heidelberg.[166] Em 1610, Marte foi visto por Galileu Galilei, que foi o primeiro a vê-lo através de um telescópio.[167] A primeira pessoa a desenhar um mapa de Marte que exibia características da superfície foi o astrônomo neerlandês Christiaan Huygens.[168]

Canais[editar | editar código-fonte]

Mapa de Marte por Giovanni Schiaparelli
Canais de Marte em desenho de Percival Lowell

Por volta do século XIX, a resolução dos telescópios atingiu um nível suficiente para que as características da superfície de Marte pudessem ser identificadas. A oposição periélica de Marte ocorreu em 5 de setembro de 1877. Naquele ano, o astrônomo italiano Giovanni Schiaparelli usou um telescópio de 22 cm em Milão para ajudar a produzir o primeiro mapa detalhado do planeta vermelho. Estes mapas continham características chamadas por Schiaparelli de canali, que mais tarde mostraram-se ser uma ilusão de óptica. Estes canali eram supostamente longas linhas retas na superfície de Marte para as quais ele deu nomes de rios famosos na Terra.[169] [170]

Influenciado pelas observações, o orientalista Percival Lowell fundou um observatório que tinha um telescópio de 30 cm e outro de 45 cm. O observatório foi utilizado para a exploração de Marte durante uma última boa oportunidade, em 1894. Ele publicou vários livros sobre Marte e a vida no planeta , que tiveram uma grande influência sobre o público.[171] O canali também foram encontrados por outros astrônomos, como Henri Joseph Perrotin e Louis Thollon em Nice, usando um dos maiores telescópios do mundo naquela época.[172] [173]

As mudanças sazonais (que consistem na diminuição das calotas polares e das áreas escuras formadas durante o verão marciano), em combinação com os canais levaram a especulações sobre a presença de vida em Marte e fizeram surgir uma uma crença antiga de que Marte continha vastos mares e vegetação. O telescópio nunca chegou a uma resolução necessária para provar quaisquer destas especulações. Conforme foram usados ​​telescópios maiores, foram observados menos canali retos e longos. Durante uma observação em 1909 por Camille Flammarion com um telescópio de 84 cm, foram observados padrões irregulares, mas os canali não foram vistos.[174]

Mesmo na década de 1960, artigos foram publicados sobre a "biologia marciana", deixando de lado outras explicações para as mudanças sazonais do planeta. Cenários detalhadas do metabolismo e dos ciclos químicos de um ecossistema funcional chegaram a ser publicados.[175]

Exploração direta[editar | editar código-fonte]

O Curiosity na superfície de Marte

Desde que uma nave espacial visitou o planeta durante as missões Mariner da NASA nos anos 1960 e 1970, estes conceitos foram radicalmente quebrados. Além disso, os resultados das experiências de detecção de vida pela Viking auxiliaram para o atraso da hipótese de que Marte era planeta hostil e morto fosse geralmente aceita.[176]

Mariner 9 e Viking permitiram a obtenção de mapas melhores do planeta através do uso dos dados destas missões. Outro grande salto foi a missão Mars Global Surveyor, lançada em 1996 e que funcionou até final de 2006 e permitiu mapas completos e extremamente detalhados da topografia, campo magnético, superfície e minerais marcianos. Estes mapas estão agora disponíveis on-line, por exemplo, no Google Mars. O Mars Reconnaissance Orbiter e a Mars Express continuaram explorando novos instrumentos.[177]

Além da observação da Terra, algumas das mais recentes informações sobre Marte vêm de cinco sondas ativas na órbita do planeta, incluindo três sondas e dois rovers. Isto inclui a Mars Odyssey, a Mars Express, o Mars Reconnaissance Orbiter e os robôs Opportunity e Curiosity.[178]

Dezenas de naves espaciais não tripuladas, como sondas orbitais e rovers, foram enviadas para Marte pela União Soviética, Estados Unidos, Europa e Japão para estudar a superfície, o clima e a geologia do planeta. O público pode solicitar imagens de Marte através do programa HiWish. O Mars Science Laboratory, chamado de Curiosity, foi lançado em 26 de novembro de 2011 e chegou a Marte em 6 de agosto de 2012 (UTC). É maior e mais avançado do que os Mars Exploration Rovers, com uma taxa de movimento de até 90 metros por hora.[179]

A Organização Indiana de Pesquisa Espacial lançou a missão Mars Orbiter Mission em 5 de novembro de 2013, com o objetivo de analisar a atmosfera e a topografia marciana. Equipado com sensores de metano, câmeras multi-espectrais, espectrômetros de imagem em infravermelho termal, fotômetros e outros itens em sua carga útil, a missão procura expandir a compreensão humana do Sistema Solar. Lançado de PSLV-C25, a missão Mars Reconnaissance Orbiter usou uma órbita de transferência de Hohmann para escapar da influência gravitacional da Terra e catapultar para uma longa viagem de nove meses até Marte. Essa é a primeira missão interplanetária bem-sucedida da Ásia e a sonda irá se posicionar na órbita de Marte em setembro de 2014.[180]

Panorama de Marte visto pelo robô Opportunity

Vida e colonização[editar | editar código-fonte]

Marte tem um lugar especial na imaginação popular devido à crença de que o planeta é ou foi habitado no passado. Esta ideia surgiu devido a observações realizadas no fim do século XIX por Percival Lowell. Percival Lowell observava canais e áreas que mudavam de tonalidade com as estações do ano e imaginou Marte habitado por uma civilização antiga que lutava para não morrer de sede. De facto, o que Lowell observou ou não existia ou eram leitos secos ou mudanças naturais na coloração do planeta devido a tempestades de areia.[181]

Existem evidências que o planeta terá sido significativamente mais habitável no passado que nos dias de hoje, mas a existência de que tenha albergado vida permanece em debate. O meteorito ALH84001 que é um meteorito de origem marciana, crê-se que terá sido projectado quando Marte foi atingido por um meteorito, microorganismos marcianos ter-se-ão agarrado e vagueou durante 5 milhões de anos pelo cosmos até cair na Antártida(Terra) onde foi descoberto. Em 1996, pesquisadores estudaram o meteorito ALH84001 e reportaram características que atribuíram a micro-fósseis deixados pela vida em Marte. O meteorito tido como a prova para alguns cientistas que Marte tinha actividade biológica no passado já que contém o que parecem ser fósseis de microrganismos. Em 2005, esta interpretação permanece controversa sem que um consenso tenha sido atingido.[182]

Concepção artística da terraformação de Marte.

As sondas Viking continham dispositivos capazes de detectar microrganismos no solo marciano, e tiveram alguns resultados positivos, mais tarde negados por vários cientistas, resultando numa controvérsia que permanece.[183] Contudo, a actividade biológica no presente é uma das explicações que têm sido sugeridas para a presença de vestígios de metano na atmosfera marciana, mas outras explicações que não envolvem necessariamente seres vivos são consideradas mais prováveis. Mesmo que as sondas Viking não tenham encontrado provas conclusivas não significa que não exista vida em Marte. A vida pode estar escondida na superfície ou no subsolo.[184]

O clima seco e frio de Marte torna o planeta inóspito à Vida. Mas talvez não totalmente. Uma história impressionante durante as missões Apollo à Lua forneceram evidências de que a vida pode mesmo resistir a condições ainda adversas. Os astronautas descobriram que bactérias da Terra que tinham viajado para a Lua na sonda Survior X dois anos e meio antes tinham resistido num ambiente mais hostil que o encontrado em Marte.[185]

Em 9 de dezembro de 2013, a Nasa anunciou que o robô Curiosity, que explora o solo do planeta desde agosto de 2012, encontrou próximo à cratera Gale rochas sedimentares que indicam que ali existiu um lago capaz de abrigar vida. Segundo análises do pesquisadores da agência espacial estadunidense, suas águas tinham um pH relativamente neutro, baixo nível de salinidade e elementos como carbono, hidrogênio, oxigênio, enxofre, nitrogênio e fósforo. Com isso, o lago poderia ter abrigado microrganismos procariontes.[186]

A descoberta de vida, ou simplesmente de fósseis de uma vida desaparecida no planeta seria um dos maiores acontecimentos de todos os tempos. A exploração de Marte pelo Homem deverá acontecer no ano de 2031, pois imensos testes desde um pequeno experimental de 90 dias a um em curso feito no tempo mais exato.[187]

Demorará aproximadamente 520 dias (a simulação Mars500) levados por uma viagem de a 12 a 16 meses.[188] [189] [190] Caso a colonização espacial venha a acontecer, Marte é a escolha ideal pelas suas condições mais próximas à Terra que outros planetas e deverá ser um destino ideal para o aventureiro do futuro devido aos seus enormes vulcões, desfiladeiros imensos e mistérios por resolver.[184]

Satélites naturais[editar | editar código-fonte]

Marte tem duas luas naturais relativamente pequenas — Fobos, com cerca de 26 quilômetros de diâmetro, e Deimos, com cerca de 8 quilômetros de diâmetro — e que têm órbitas próximas. Acredita-se que essas luas sejam asteroides capturados pelo campo gravitacional marciano, mas a sua origem verdadeira permanece incerta.[191] Ambos os satélites foram descobertos em 1877 por Asaph Hall e são nomeados em homenagem aos deuses Fobos (pânico/medo) e Deimos (terror/horror), que na mitologia grega acompanham seu pai, Ares, o deus da guerra, durante as batalhas. Marte era a contraparte romana de Ares.[192] [193] Em grego moderno, porém, o planeta mantém seu antigo nome, Ares (Aris: Άρης).[194]

A partir da superfície de Marte, os movimentos de Fobos e Deimos parecem muito diferentes dos da Lua. Fobos nasce no oeste, se põe a leste e sobe novamente em apenas 11 horas. Deimos, por estar em órbita sincronizada — quando o período orbital combina com o período de rotação do planeta — sobe como esperado no leste, mas muito lentamente. Apesar da órbita de 30 horas de Deimos, ele leva 2,7 dias entre sua ascensão até sumir lentamente atrás da rotação de Marte.[195]

Pela órbita de Fobos ser abaixo da altitude síncrona, as forças de maré a partir de Marte estão gradualmente diminuindo a sua órbita. Em cerca de 50 milhões anos, o satélite ou colidirá com a superfície marciana ou irá desintegrar-se em uma estrutura em forma de anel ao redor de Marte.[195]

A origem das duas luas não é bem compreendida. Seu baixo albedo e composição de condrito carbonáceo foram considerados semelhantes aos de asteroides, apoiando a teoria de captura gravitacional. A órbita instável de Fobos parece apontar para uma captura relativamente recente. Mas ambas têm órbitas circulares muito próximas do equador, o que é muito incomum para objetos capturados, já que a dinâmica de captura exigida é complexa. A possibilidade das luas serem um acréscimo ocorrido no início da história de Marte também é plausível, mas os satélites naturais apresentam uma composição parecida com a de asteroides, em vez com a do próprio Marte. Uma terceira possibilidade é o envolvimento de um terceiro corpo ou algum tipo de impacto.[196] Linhas mais recentes de evidências sobre Fobos sugerem que o satélite tem um interior altamente poroso[197] e uma composição contendo principalmente filossilicatos e outros minerais conhecidos de Marte,[198] o que aponta a origem de Fobos no material ejetado por um impacto em Marte e que foi reagrupado na órbita marciana,[199] semelhante à teoria dominante para a origem da Lua da Terra. Enquanto os espectros VNIR (em inglês: visible and near-infrared) das luas de Marte se assemelham aos de asteroides do cinturão externo, o espectro infravermelho termal de Fobos é inconsistente com condritos de qualquer tipo.[198]

Impacto cultural[editar | editar código-fonte]

Um anúncio de sabão de 1893 brinca com a ideia popular de que Marte é povoado.

Marte é nomeado em homenagem ao deus romano da guerra. Em diferentes culturas, Marte representa a masculinidade e a juventude. Seu símbolo, um círculo com uma seta apontando para o canto superior direito, também é usado como símbolo do sexo masculino. As muitas falhas nas sondas de exploração de Marte resultaram em uma contra-cultura satírica que associa esses acidentes com a existência de um tipo de "Triângulo das Bermudas" entre a Terra e o planeta, ou alguma "maldição marciana".[200]

A ideia popular de que Marte era povoado por marcianos inteligentes se popularizou no final do século XIX. As observações dos canalis por Giovanni Schiaparelli, combinadas com os livros de Percival Lowell sobre o tema, propuseram a noção padrão de um planeta seco, frio e prestes a morrer, com marcas de antigas obras de irrigação feitas por civilizações antigas.[201]

Muitas outras observações e declarações de personalidades notáveis ​​acrescentaram ao que tem sido chamado de "febre marciana".[202] Em 1899, enquanto investigava o ruído de rádio usando receptores em seu laboratório em Colorado Springs, o inventor Nikola Tesla observou sinais repetitivos que mais tarde ele imaginou serem comunicações de rádio vindas de outro planeta, possivelmente de Marte. Em uma entrevista de 1901, Tesla disse:

Foi algum tempo depois, quando o pensamento passou em minha mente que os distúrbios que eu tinha observado poderiam ser devido a um controle inteligente. Embora eu não tenha conseguido decifrar o seu significado, era impossível para mim pensar neles como sendo inteiramente acidentais. O sentimento está crescendo constantemente em mim de que eu tinha sido o primeiro a ouvir a saudação de um outro planeta.[203]

As teorias de Tesla ganharam o apoio de Lord Kelvin que, ao visitar os Estados Unidos em 1902, disse que achava que Tesla tinha captado sinais marcianos que estavam sendo enviados aos Estados Unidos.[204] No entanto, Kelvin negou "enfaticamente" esta declaração pouco antes de partir do país. "O que eu realmente disse foi que os habitantes de Marte, se houver algum, eram, sem dúvida, capazes de ver Nova York, especialmente o brilho da eletricidade."[205]

Comparações entre imagens de alta e baixa resolução (no canto inferior direito) da chamada "Face de Marte".
Ilustração dos tripés marcianos em uma edição francesa de 1906 de A Guerra dos Mundos, de H.G. Wells.

Em um artigo do The New York Times de 1901, Edward Charles Pickering, diretor do Harvard College Observatory, disse que tinha recebido um telegrama do Observatório Lowell, no Arizona, que parecia confirmar que Marte estava tentando se comunicar com a Terra.[206]

No início de dezembro de 1900 recebemos de Lowell, no Arizona, um telegrama afirmando que um raio de luz tinha sido visto de Marte (o observatório Lowell tinha Marte como especialidade) com duração de 70 minutos. Eu enviei um telegrama com estes fatos para a Europa e enviei cópias através deste país. O observador é um homem confiável e cuidadoso e não há nenhuma razão para duvidar de que a luz existia. Foi dada a partir de um ponto geográfico bem conhecido em Marte. Isso foi tudo. Agora, a história tem ido para todo o mundo. Na Europa, afirma-se que eu tenho estado em comunicação com Marte e todos os tipos de exageros têm brotado. O que quer que a luz fosse, não temos meios de saber. Se tinham inteligência ou não, ninguém pode dizer. É absolutamente inexplicável.[206]

Pickering mais tarde propôs a criação de um conjunto de espelhos, no Texas, destinados a sinalizar para os marcianos.[207]

Nas últimas décadas, o mapeamento de alta resolução da superfície marciana, culminando na sonda Mars Global Surveyor, não revelou artefatos de habitação de qualquer tipo de vida "inteligente", mas a especulação pseudocientífica sobre a vida inteligente no planeta continua com comentaristas como Richard C. Hoagland. Remanescente da controvérsia sobre os canalis, algumas especulações são baseadas em características de pequena escala percebidas nas imagens espaciais, como "pirâmides" e a chamada "Face de Marte". O astrônomo planetário Carl Sagan escreveu:

Cquote1.svg Marte tornou-se uma espécie de arena mítica na qual nós projetamos nossas esperanças e medos terrestres. Cquote2.svg

A representação de Marte na ficção foi estimulada por sua cor vermelha e pelas especulações científicas do século XIX de que suas condições de superfície, não só podiam suportar a vida, como também a vida inteligente.[208] Isso originou um grande número de cenários de ficção científica, entre os quais está A Guerra dos Mundos, de H. G. Wells e publicado em 1898, em que os marcianos tentam fugir de seu planeta moribundo ao tentar invadir a Terra. Uma adaptação radiofônica posterior de A Guerra dos Mundos foi feita no dia 30 de outubro de 1938 por Orson Welles nos Estados Unidos e foi apresentada como um noticiário ao vivo. O episódio tornou-se notório por causar pânico público geral, quando muitos ouvintes confundiram a história com a realidade e saíram desesperados.[209]

Obras influentes, como Crônicas Marcianas de Ray Bradbury, em que exploradores humanos acidentalmente destroem uma civilização marciana, a série Barsoom de Edgar Rice Burroughs, Além do Planeta Silencioso (1938) de C. S. Lewis[210] e uma série de histórias de Robert A. Heinlein de meados dos anos 1960 retratam o planeta.[211] O autor Jonathan Swift faz referência às luas de Marte cerca de 150 anos antes de sua descoberta por Asaph Hall, detalhando descrições razoavelmente precisas de suas órbitas no capítulo 19 de seu romance, As Viagens de Gulliver.[212]

O personagem cômico de um marciano inteligente chamado Marvin, o Marciano apareceu na televisão em 1948 como um personagem nos Looney Tunes, da Warner Brothers, e continuou como parte da cultura popular desde então.[213]

Após as naves espaciais Mariner e Viking terem enviado imagens nítidas de Marte e teram revelado um mundo aparentemente sem vida e sem canais, essas ideias sobre o planeta tiveram que ser abandonadas e uma moda de representações precisas e realistas sobra a colonização humana de Marte têm se desenvolvido, como na trilogia Mars de Kim Stanley Robinson. Especulações pseudocientíficas sobre características da superfície marciana, como "Face em Marte" e outros "monumentos" enigmáticos, descobertas por sondas espaciais fizeram com que a ideia de civilizações antigas no planeta continue a ser um tema popular na ficção científica, especialmente no cinema, quando o planeta é retratado.[214]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas[editar | editar código-fonte]

  • Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia em inglês, cujo título é «Mars».

Referências

  1. The Lure of Hematite Science@NASA. NASA (March 2828 de março de 2001). Página visitada em 24 de dezembro de 2009.
  2. a b c Yeager, Ashley (19 de julho de 2008). Impact May Have Transformed Mars ScienceNews.org. Página visitada em 12 de agosto de 2008.
  3. a b c Sample, Ian. "Cataclysmic impact created north-south divide on Mars", Science @ guardian.co.uk, 26 de junho de 2008. Página visitada em 12 de agosto de 2008.
  4. John P. Millis. Mars Moon Mystery.
  5. Adler, M.; Owen, W. and Riedel, J.. (2012). "Use of MRO Optical Navigation Camera to Prepare for Mars Sample Return" 1679: 4337. Bibcode2012LPICo1679.4337A.
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