Martin & Lewis

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Martin e Lewis.

Martin & Lewis foi uma dupla americana dos anos 40 e 50, feita pelo cantor Dean Martin e pelo comediante Jerry Lewis.

Na carreira como dupla, os dois fizeram trabalhos na rádio como em seu bloco The Martin & Lewis Show na NBC Radio de 1949 a 1953; em nightclubs, principalmente no Copacabana Palace; na televisão, no programa The Colgate Comedy Hour da NBC, em que basicamente os dois eram apresentadores junto com outros grandes nomes; e por fim no cinema, em que começaram no ano de 1949 com o filme My Friend Irma e terminaram em 1956, que fora o ano oficial da separação da dupla, com o filme Hollywood or Bust. No total, a dupla realizou 16 filmes.

Nos primeiros anos, os dois nomeavam a dupla somente com os seus sobrenomes. Anos depois até o término, os dois preferiram nomear a dupla com os seus nomes inteiros: "Dean Martin & Jerry Lewis". Isso ajudou muito em relação à popularidade, quando ambos partiram para a carreira solo.

Começo[editar | editar código-fonte]

Dean Martin e Jerry Lewis realmente se conheceram em 1945 quando ambos iriam fazer uma apresentação na Glass Hat Club, uma nightclub de Nova York. Mas a primeira aparição dos dois como dupla foi no dia 24/25 de Julho de 1946 em uma nightclub de Atlantic City, chamada 500 Club. Em um período em que suas apresentações não vingavam, o dono da nightclub, Skinny D'Amato, os avisaram que se eles não fizessem uma apresentação melhor naquela noite, seriam despedidos. Nos fundos da casa, Lewis e Martin decidiram arriscar descartando os outros roteiros que não tinham dado certo para a apresentação partindo para a improvisação. No número, Dean cantava algumas canções e Jerry vinha, vestido de mensageiro, derrubando os pratos da mesa, estragando tanto a canção de Dean quanto a decoração da nightclub. Eles fizeram slapstick, piadas do tipo das apresentações de vaudeville, e enfim, tudo o que eles poderiam improvisar, eles improvisavam no palco. Já naquele momento, a platéia se matava de rir.

O sucesso dos dois no 500 Club os levaram a uma série de apresentações muito bem pagas no navio Eastern, fazendo com que eles se apresentassem também na boate Copacabana em Nova York. Os patrões dos clubes ficavam abismados com as apresentações da dupla, em que consistia com Martin tentando cantar enquanto Lewis o interrompia toda a hora, terminando com os dois discutindo e fazendo graça no palco. O segredo de tanto sucesso, dito por ambos, é que eles não prestavam a atenção na platéia e sim em eles mesmos.

Ascensão e sucesso[editar | editar código-fonte]

Por volta de 1948 e 1949, eles tinham sido descobertos pelo produtor da Paramount, Hal B. Wallis, que na época estava planejando em levar o seriado americano My Friend Irma para as telas do cinema. Foi aí que a dupla assinou um contrato com o estúdio começando sua carreira cinematográfica.

O agente da dupla, Abby Greshler, fez para os dois uma proposta irrecusável e um dos melhores negócios de Hollywood: tirando o que eles receberiam de cada filme em parceria com o produtor Hal B. Wallis, que era um salário de 75 mil dólares, a dupla também poderia fazer seus filmes através de sua própria produtora: a York Productions. O primeiro filme dos dois em que foi da York Productions foi At War with the Army de 1950. Além disso, eles também poderiam controlar suas aparições na televisão, rádio, nightclubs, propagandas e até as gravações de suas músicas. Por conta de tudo isso, a dupla passou a valer muitos dólares. Mesmo na época existindo outras grandes duplas, Martin & Lewis era uma dupla diferente. Os dois já eram mais que um sucesso no meio da década de 50, porém situações desfavoráveis começaram a tomar conta da dupla.

Aparição dos problemas e término[editar | editar código-fonte]

Martin e Lewis em 1955.

Em 1956, durante as filmagens de Pardners, o penúltimo filme da dupla, já se corriam boatos de que Dean Martin e Jerry Lewis iriam romper com a parceria. Para desfazer toda essa história, os dois deixaram um recado ao final do filme dizendo que nunca iriam se separar pois, não estavam ainda preparados para o fim definitivo e além disso, cantaram a música "Side by Side (We Ain't Got a Barell of Money)" no programa The Colgate Comedy Hour. Mas já na estréia de Pardners, em Agosto de 1956, a dupla já tinha se separado há um mês e feito o último show juntos no Copacabana.

Os motivos do término da dupla foram vários como: ciúmes profissional; divergências; influência da mídia; desinteresse de um e cobrança de outro. Depois das filmagens de Pardners, a dupla partiu para começar as filmagens de seu último filme, Hollywood or Bust, também de 1956. Já nas filmagens, os dois não trocaram uma palavra sequer, exceto na hora das gravações das cenas. Os desentendimentos poderiam até terem surgidos em 1956 mas, a raíz de tudo surgiu em 1954, quando a revista Look Magazine tinha publicado na época em sua capa, uma foto da dupla mas com a parte de Martin rasgada. A relação entre os dois começou a esfriar a partir daí.

Após quase cinco anos trabalhando na Paramount, Martin começou a se cansar dos roteiros dos filmes da dupla, pois, enquanto ele interpretava papéis românticos e sérios (no início, ele era grato por isso), a atenção do enredo sempre se voltava às palhaçadas de Lewis. Martin constatou que Lewis com o tempo acabou ficando mais ambicioso, fazendo cenas de comédia patéticas e representando mais do que deveria. Sendo assim, Martin acabou desconsiderando seu contrato e mostrando desinteresse pelo trabalho, já levando a criar sérias discussões com o amigo. Durante as filmagens de Hollywood or Bust, Lewis tinha passado muito mal durante as gravações, determinado a ficar de repouso fazendo com que surgisse mais divergências entre os dois quando as filmagens foram suspensas. O estopim da situação foi quando Martin declarou a Lewis que ele não era nada além de "um simples contrato". Após essa declaração árdua de Martin, os dois se viram sem condições de continuarem a trabalhar juntos anunciando oficialmente quase um mês após os términos das filmagens de Hollywood or Bust, a separação. Dean Martin foi o primeiro a tomar a decisão quando houve oportunidade, e ocorreu exatamente no dia 25 de Julho de 1956, quando se comemorou 10 anos de existência da dupla. Na estréia de Hollywood or Bust, em Dezembro de 1956, a dupla já tinha se separado há cinco meses.

Romper com a parceria não foi fácil. Isso levou meses e meses para advogados completarem o processo, incluindo o cancelamento de seus contratos com as casas de shows, com a televisão e também a dissolução da York Productions. Além disso, havia um enorme descontentamento do público, que não queria que os dois rompessem com a parceria.

Enfim, o primeiro filme de Jerry Lewis sem Dean Martin, The Delicate Delinquent de 1957, seria protagonizado pela dupla mas isso não aconteceu. No entanto, o projeto acabou caindo somente nas mãos de Lewis.

Após o término[editar | editar código-fonte]

Após o anúncio dos dois de que iriam romper com a parceria, o público se questionava se cada um conseguiria seguir sozinho. Jerry Lewis ficou deprimido por semanas porém, não teve dificuldade nenhuma em manter a sua popularidade. Sua primeira aparição em público após a separação foi em Las Vegas, ajudando Judy Garland, que estava com laringite, a cantar em sua apresentação. Lewis também voltou a trabalhar com as comédias The Delicate Delinquent e The Sad Sack, com o seu álbum Just Sings e com o seu programa The Jerry Lewis Show na NBC, em 1957.

Já Dean Martin no começo teve as suas dificuldades. Isso porque ele se destacava mais como cantor mas, também queria ser reconhecido como ator. Também em 1957, lançou um álbum e um filme de comédia romântica, que infelizmente fora um fracasso, chamado Ten Thousand Bedrooms. Isso mudaria no ano seguinte, com o drama The Young Lions, contracenando com Marlon Brando e Montgomery Clift.

Nos anos 60, os dois se sobressaíram em suas carreiras. Jerry Lewis começou definitivamente a escrever, produzir e dirigir os seus próprios filmes. O primeiro de sua autoria foi The Bellboy de 1960, e até 1964, revezaria o cargo de direção com Frank Tashlin. Seu maior e mais conhecido projeto nesta década foi o filme The Nutty Professor de 1963 em que Lewis encarnou dois personagens: Julius Kelp, um professor feio e atrapalhado que resolve inventar uma poção para poder se transformar em um homem bonito; e Buddy Love, o alter-ego galã e arrogante de Kelp. Já Dean Martin começou a década fazendo o filme Ocean's Eleven de 1960, contracenando com Frank Sinatra, Sammy Davis Jr., Peter Lawford e Joey Bishop. Estes que formariam o famoso Rat Pack. Mais tarde em 1966, Martin comandaria o seu próprio programa, The Dean Martin Show, na NBC que acabou se tornando um êxito.

Reencontro e reconciliação[editar | editar código-fonte]

Dean Martin e Jerry Lewis na verdade, se reencontrariam quatro vezes após a separação da dupla.

A primeira foi em 1960, quando os dois se apresentariam no Sands Hotel, em Las Vegas, no mesmo dia. Por coincidência, o Sands Hotel era o lugar em que os dois, como dupla, frequentemente se apresentavam. Nesse dia, Martin tinha chamado Lewis ao palco no final de sua apresentação. Durante 15 minutos, os dois conversaram, brincaram e até fizeram um dueto cantando a música "Come Back to Me". Em uma outra apresentação, a reunião não foi grande coisa. Lewis se mostrou exausto demais para fazer seu número, obviamente pelo término das filmagens de seu filme, The Bellboy. Sendo assim, Martin generosamente o substituiu.

A segunda foi em 1976, tudo planejado por Frank Sinatra no programa beneficente de Jerry Lewis, o Jerry Lewis MDA Telethón, quando se completou 20 anos em que a dupla tinha se desintegrado. Sinatra tinha ido como convidado no programa. Ele anunciou a Lewis suas contribuições e aproveitou dizer que tinha um amigo que adorava o programa e após isso, ele chamou Martin ao palco dizendo para trazer o "seu amigo". Lewis constatou que naquele momento em que Martin entrou no palco, ficou estático, sem saber o que dizer e com as mãos suando. Sinatra deixou os dois conversarem por alguns minutos. Timidamente, os dois bateram um papo rápido com direito a muitas risadas da platéia, por conta das tiradas que Lewis fazia a Martin. Por exemplo, teve uma hora em que Lewis acabou perguntando: "Você está trabalhando?", fazendo a platéia ir abaixo. Após a conversa, Sinatra os interrompe dizendo que ele e Martin tinham que cantar um medley (como brincadeira, eles referiram como "meldy"). Sendo assim, Lewis sai do palco deixando os dois cantarem. Lewis declarou anos mais tarde que esse foi um dos momentos mais emocionantes de sua vida.

A terceira foi em 1987, quando o filho de Dean Martin, Dean Paul Martin, tinha morrido em um acidente de avião. Lewis foi ao funeral, mas não ficou perto de Martin, primeiro para que os repórteres não os fotografassem juntos e segundo porque Martin não sabia que Lewis tinha ido ao funeral. Bem depois, quando Martin tinha descoberto que Lewis estava presente no funeral, os dois conversaram durante uma hora.

E a quarta e última vez, foi em 1989, quando Dean Martin estava fazendo suas apresentações (aparentemente as últimas), no Baily's Hotel, em Las Vegas. A ocasião foi o aniversário de 72 anos de Martin. Lewis lhe entregou um bolo de aniversário, o homenageou e acabou soltando a frase: "O motivo de termos nos separado, eu nunca saberei!".

Filme biográfico[editar | editar código-fonte]

Em 2002, foi feito um filme para a televisão contando sobre a história da dupla, desde quando se conheceram até a separação, chamada Martin and Lewis. O ator Sean Hayes interpretou Jerry Lewis e o ator Jeremy Northam interpretou Dean Martin. O filme foi dirigido por John Gray e foi ao ar pela CBS.

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Ano Filme Papel de Dean Martin Papel de Jerry Lewis Nota
1949 My Friend Irma Steve Laird Seymour Primeiro filme da dupla.
1950 My Friend Irma Goes West
At War with the Army Sargento Victor Puncinelli Alvin Korwin
1951 That's My Boy Bill Baker "Junior" Jackson
1952 Sailor Beware Al Crowthers Melvin Jones
Jumping Jacks Chick Allen Hap Smith
Road to Bali Homem no sonho de Lalah Mulher no sonho de Lalah Participação especial.
Primeiro em Technicolor.
The Stooge Bill Miller Theodore "Ted" Rogers
1953 Scared Stiff Larry Todd Myron Mertz
The Caddy Joe Anthony Harvey Miller, Jr.
1954 Money from Home Herman "Honey Talk" Nelson Virgil Yokum Filmado em 3-D.
Living It Up Dr. Steve Harris Homer Flagg
3 Ring Circus Pete Nelson Jerome "Jerry" F. Hotchkiss Relançado como Jerricho, the Wonder Clown em 1978.
1955 You're Never Too Young Bob Miles Wilbur Hollick
Artists and Models Rick Todd Eugene Fullstack
1956 Pardners Slim Mosley, Sr./ Slim Mosley, Jr. Wade Kingsley, Sr./ Wade Kingsley, Jr.
Hollywood or Bust Steve Wiley Malcolm Smith Último filme da dupla.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]