Marwan II

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Marwan II
14º e último Califa Omíada
Map of expansion of Caliphate.svg

  Expansão durante a vida do Profeta Maomé, 622-632
  Expansão durante o período dos três primeiros califas, 632-661
  Expansão durante o Califado Omíada, 661-750
Governo
Reinado 744-750
Antecessor Ibrahim
Sucessor As-Saffah (abássidas)
Abderramão I (omíadas de Córdova)
Dinastia Omíadas
Vida
Nome completo Marwan ibn Muhammad ibn Marwan
Nascimento 688
Morte 750
Filhos Ubaydallah e Abdallah
Pai Muhammad ibn Marwan

Marwan ibn Muhammad ibn Marwan (em árabe: مروان بن محمد بن مروان بن الحكم), conhecido como Marwan II, foi o último califa omíada, com reinado entre 744 e sua morte, em 750.

General e governador[editar | editar código-fonte]

Em 732-733 (114AH), o califa Hisham escolheu Marwan como governador da Armênia e do Azerbaijão. Em 735-736, Marwan invadiu a Geórgia, devastou-a e tomou três fortalezas que estavam nas mãos dos alanos, celebrando, por fim, uma paz com Tumanshah. Quatro anos depois, ele lançou novos ataques e conseguiu arrancar tributos de seus inimigos. Em 744-745, ao saber que havia uma complô para derrubar al-Walid II, Marwan escreveu para os parentes na Armênia tentando fortemente dissuadi-los, alegando principalmente o bem maior que seria a preservação da estabilidade na casa dos omíadas.

Quando Yazid III persistiu no plano para derrubar al-Walid, Marwan à princípio se opôs, mas acabou jurando-lhe lealdade. Com a morte prematura de Yazid, Marwan seguiu o seu próprio plano, ignorando o sucessor designado de Yazid, Ibrahim ibn al-Walid, e se denominou califa. Ibrahim tentou inicialmente se esconder, mas acabou implorando a Marwan que garantisse a sua segurança pessoal se ele abdicasse. Marwan concedeu o pedido e chegou mesmo a acompanhar o califa deposto até a antiga casa do califa Hisham em Rusafah, onde ele passou a viver.

Califa[editar | editar código-fonte]

Marwan então nomeou seus dois filhos, Ubaydallah e Abdallah, como herdeiros e apontou governadores para ajudá-lo a consolidar sua autoridade. Porém, os sentimentos anti-omíadas já eram muito prevalentes, principalmente no território onde hoje estão o Irã e o Iraque. Os abássidas conseguiram angariar muito apoio na região, o que deixou Marwan com a ingrata tarefa de tentar manter coesa a casa dos omíadas, que se despedaçava em brigas internas.

O novo califa tomou Emesa após um amargo cerco que durou dez meses. Na mesma época, Al-Dahhak ibn Qays al-Shaybani iniciou uma revolta entre os kharijitas, chegando a derrotar as forças sírias para tomar Kufa. Os kharijitas avançaram sobre a cidade de Mosul e foram derrotados, juntamente com o general rebelde Sulayman ibn Hisham, que se juntara a eles. Durante a luta, o sucessor de Al-Dahhak, al-Khaybari, conseguiu alguns sucessos iniciais empurrando o centro das forças de Marwan e chegou até a tomar o campo do califa, sentando em seu carpete. Porém, ele e os que estavam com ele morreram na batalha. Ele foi sucedido por Shayban. Marwan perseguiu tanto ele quanto Sulayman até Mosul e os cercou lá por seis meses. Quando o califa recebeu reforços conseguiu expulsá-los, com Shayban fugindo para Bahrein, onde foi assassinado e Sulayman, para a Índia.

Revolta Abássida[editar | editar código-fonte]

No Coração havia uma discórdia interna entre o governador omíada Nasr ibn Sayyar e seus adversários, al-Harith e al-Kirmani e que acabou uma luta aberta. Quando enviados abássidos chegaram, eles exacerbaram um fervor religioso já existente, principalmente na forma de uma expectativa quase messiânica sobre a ascendência abássida. No Ramadã de 747, os abássidas iniciaram uma revolta aberta e Nasr enviou um de seus assessores, Yazid, contra eles. Ele acabou derrotado e foi levado como prisioneiro. Yazid se impressionou com os abássidas e, quando foi solto, informou a Nasr que queria se juntar a eles, mas acabou mantendo a sua lealdade ao antigo mestre.

A luta continuou por toda a região do Coração, com os abássidas conseguindo cada vez mais vitórias. Finalmente, Nasr acabou adoecendo e morreu em Rayy em 9 de novembro de 748, aos 85 anos. O avanço abássida foi fortalecido e eles tomaram Hijaz. Mas a derrota definitiva de Marwan veio pelas mãos de Abu al-'Abbas al-Saffah às margens do Grande Zab, na chamada Batalha de Zab. Somente nela, mais de 300 membros da casa dos omíadas caíram. Marwan abandonou Damasco e fugiu para o Egito, onde foi capturado e morto em 6 de agosto de 750. Seus filhos, Ubaydallah e Abdallah, conseguiram chegar até a Etiópia, onde o primeiro acabou morrendo na luta.

A morte de Marwan marcou o final do Califado Omíada no oriente e a ela se seguiu um grande massacre dos omíadas pelos abássidas. Quase toda a dinastia foi morta, com exceção de um talentoso príncipe, Abderramão, que escapou para a Espanha islâmica e fundou ali uma dinastia omíada ali, o Emirado de Córdova.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Muhammad ibn Jarir al-Tabari History v. 25 "The End of Expansion," transl. Khalid Yahya Blankinship, SUNY, Albany, 1989; v. 26 "The Waning of the Umayyad Caliphate," transl. Carole Hillenbrand, SUNY, Albany, 1989; v. 27 "The Abbasid Revolution," transl. John Alden Williams, SUNY, Albany, 1985 (em inglês)
  • Sir John Glubb, The Empire of the Arabs, Hodder and Stoughton, London, 1963 (em inglês)
  • Syed Ameer Ali " A Short History of the Saracens " Macmillan and co., London , 1912 (em inglês)