Massacre de Katyn

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Memorial ao massacre de Katyn

O massacre de Katyn (em polaco zbrodnia katyńska) foi uma execução em massa de cidadãos da Polônia ordenada por autoridades da União Soviética em 1940[1]. Estima-se que mais de 22 mil pessoas tenham sido mortas.[2].

Os prisioneiros poloneses foram assassinados numa floresta nos arredores da vila de Katyn, em prisões e em diversos outros lugares[3]. Cerca de oito mil vítimas eram militares poloneses que haviam sido tomados como prisioneiros na invasão soviética da Polônia em 1939, sendo o restante cidadãos polacos presos sob alegações de pertencerem a corpos de serviços de inteligência, espionagem, sabotagem, e também proprietários rurais, advogados, padres etc.

Índice

[editar] História

Uma das Valas em Katyn

Após a invasão da Polônia, que teve início em 1 de setembro de 1939, a União Soviética declarou, em 17 de setembro de 1939, que o governo polonês não estava mais no controle de seu país. Isto fez com que qualquer acordo diplomático em vigor com o Estado Polonês fosse cancelado.

Na mesma data (17/09/1939), o Exército Vermelho ocupou o leste da Polônia, conforme previsto no Pacto Molotov-Ribbentrop. A ação foi apontada como afronta pelos governos da Inglaterra e França, que afirmaram responder a ação do exército alemão conforme o Pacto Britânico-Polonês de Defesa e a Aliança Militar Franco-Polonesa. Este episódio ficou conhecido como a "traição ocidental".

O Exército Soviético rapidamente avançou ao território polonês e encontrou pouca resistência por parte dos militares locais. Entre 250.000 e 454.700 soldados e policiais poloneses foram presos. Após isso, cerca de 250 mil foram libertados e 125 mil foram encaminhados ao Comissariado do Povo de Assuntos Internos soviética, o NKVD. O órgão, em um segundo momento, libertou 42.400 soldados de etnia ucraniana e bielorussa que estavam a serviço do Exércio Polonês. Já os 43 mil soldados detidos que residiam no oeste da Polônia foram entregues à Alemanha.

Em Novembro de 1939, o NKVD tinha cerca de 40 mil poloneses presos, sendo cerca de 8.500 oficiais e subtenentes, 6.500 policiais e 25 mil soldados e sargentos. Estes foram interrogados através de determinação do Comissário do Povo para Assuntos Internos da URSS, Lavrentiy Beria, que criou um órgão de gerenciamento dos prisioneiros de guerra dentro do NKVD.

O NKVD organizou uma rede de campos de trabalho e pontos de transição de presos poloneses através de linhas ferroviárias para o Oeste da União Soviética. Os maiores campos estavam localizados em Kozelsk, Ostashkov e Starobelsk. Prisioneiros também foram encaminhados para Jukhnovo, Yuzhe, Tyotkino, Kozelshchyna, Oranki, Vologda e Gryazovets.

Kozelsk e Starobelsk foram utilizados principalmente para os oficiais militares, enquanto Ostashkov foi utilizado principalmente para guardas, policiais e agentes penitenciários. Também foram detidos intelectuais poloneses.

De outubro de 1939 a fevereiro de 1940, os prisioneiros poloneses foram submetidos a interrogatórios. O processo de entrevistas determinou quais seriam libertados ou condenados. Em 5 de março de 1940, Joseph Stalin e mais três membros do Politburo assinaram ordem para executar 27.500 poloneses sob acusação de contra-revolucionários e [4]

[editar] Consequências

Em 2007, o diretor polonês Andrzej Wajda, cujo pai foi assassinado enquanto preso em Kharkov pela NKVD, rodou um filme sobre o evento, que reconta a história de algumas mulheres (mães, esposas e filhas) de alguns prisioneiros que morreram no massacre. O filme, chamado apenas Katyn (no Brasil, O Massacre de Katyn) tem seu roteiro baseado no livro póstumo de Andrzej Mularczyk A história de Katyn, em tradução livre. O filme foi indicado em 2008 para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

No dia 10 de abril de 2010, o presidente polaco Lech Kaczynski faleceu na sequência da queda do avião em que viajava para Katyn, onde iria participar das cerimônias alusivas aos 70 anos do massacre. Em 28 de abril de 2010, o governo russo tornou públicos diversos arquivos até então secretos sobre o massacre de Katyn. Uma nota de Lavrentiy Beria, chefe do NKVD, onde ele propõe a execução dos oficiais poloneses presos, figura entre os documentos publicados[5]. Durante quatro décadas soldados da Alemanha Nazista foram acusados pelo fuzilamento dos poloneses, fato desmentindo pela abertura de documentos secretos. Foi somente em 1990 que o último dirigente soviético, Mikhail Gorbachev, reconheceu que o NKVD de Stálin, predecessor da KGB, havia sido o responsável pelo massacre. Dos 183 volumes da enquete dirigida entre 1990 et 2004, 116 ainda estavam classificados como secretos.

Em 26 de outubro de 2010, a Duma (câmara baixa do Parlamento Russo) aprovou, por 342 votos a 108, a resolução de que as provas documentais mostram que Stalin ordenou diretamente o massacre. A resolução é uma condenação oficial dos crimes stalinistas - a mais dura desde o colapso da União Soviética, em 1991. O Partido Comunista da Federação Russa se opôs fortemente à resolução, pois não admite o envolvimento da polícia secreta soviética no massacre, e continua a sustentar a tese de que os alemães, que invadiram a região em 1941, tenham sido os responsáveis. A chancelaria polonesa disse que a resolução "confirma que não há volta no caminho de um diálogo polaco-russo baseado na verdade" e defende a reabilitação pública das vítimas polonesas. O governo polonês, de centro-direita, espera que o Kremlin forneça outros documentos sigilosos relativos a Katyn, além daqueles que foram entregues pelo presidente Dmitri Medvedev, em abril.[6]

[editar] Defensores da versão soviética

Alguns historiadores, advogados, políticos e jornalistas defendem atualmente a versão oficial soviética, como Yuri Alexander Jukov e Kolesnik Alexander [7], Viktor Ivanovich Ilyukhin [8], Andrey Saveliev [9] Alexander Shirokorad, Yury Mukhin Ignat'evich[10][11], Vladislav Sueco[12], Yuri Slobodkin Maksimovich[13].

Os defensores da versão soviética argumentam que os documentos apresentados na década de 90 são falsos[14][15] e foram fabricadas por várias forças hostis à URSS para desacreditar o regime soviético. Há em favor dessa versão o parecer de um perito criminal que demonstra a utilização de duas máquinas de escrever diferentes na confecção do ofício 794/b, de março de 1940, do qual consta a decisão do Politburo pela execução dos poloneses.[16]

Em 19 de abril de 2010 o Partido Comunista organizou, na Duma, uma mesa redonda com o tema "Katyn - aspectos jurídicos e políticos", da qual participaram defensores da versão soviética. Na ocasião, o doutor em Ciências Históricas Kolesnik Alexander declarou ter conhecido pessoalmente Kaganovich, um dos autores da falsificação dos documentos de Katyn.

O historiador Jukov oferece outra explicação para a origem das sepulturas em massa: nos anos de 41 e 42 foi construído em Smolensk um bunker de Hitler, era costume fuzilar prisioneiros de guerra que participaram da construção de bunkers.

Segundo Ilyukhin, Vice-Presidente do Comitê da Duma de Desenvolvimento Constitucional, Advogado Honorário da Rússia:

  • culpar a NKVD era de interesse da Alemanha em 1943, quando os poloneses lutavam ativamente contra Hitler, e os alemães e queriam apresentar os bolcheviques como monstros.
  • a autoria pela NKVD estaria em contradição com a formação do Exército de Anders, por meio do qual prisioneiros de guerra poloneses na União Soviética foram agrupados militarmente e saíram da URSS pela fronteira com o Irã para juntar-se ao Exército Britânico e combater os nazistas na Itália.
  • houve uma filmagem de oficiais polonesês pelos alemães no outono de 1941, após a ocupação da região de Smolensk pela Wehrmacht
  • os poloneses foram executados com armas alemãs
  • muitas das vítimas tinham as mãos amarradas com fio de papel, que não era produzido na URSS.
  • a autenticidade do documento assinado por Beria é questionável, pois testes efetuados a pedido do historiador C. Strygina, constatariam que as três primeiras páginas foram produzidas em uma máquina de escrever, e a última página, na qual existem apenas cinco linhas de texto, bem como a suposta assinatura L. Beria, foi produzida por outra máquina de escrever.

Em entrevista ao jornal georgiano Georgia Times, o neto do líder soviético Josif Stálin Yevgeniy Iakovlevitch Djugashvili dá sua versão sobre o massacre cometido contra oficiais poloneses nas florestas de Katyn:[17]

Em 13 de Abril de 1943, Goebbels – com o objetivo de separar a União Soviética de seus aliados – declarou que em 1940 os judeus da União Soviética haviam executado milhares de oficiais poloneses. Dois dias depois, no dia 15 de Abril, o chefe exilado do Governo polonês e aliado do Reino Unido, Sikorski, confirmou publicamente a afirmação de Goebbels sem fazer nenhuma investigação ou mostrar algum fato.

Em 1943, os britânicos planejaram um ataque à Noruega para cortar os alemães no Báltico. Mas os alemães descobriram isto. Então a paciência inglesa chegou ao fim e em julho de 1943 o avião em que Sikorski voava do Marrocos para a Inglaterra caiu no Estreito de Gibraltar. Apenas os pilotos ingleses sobreviveram, Sikorski e seus filhos morreram.

O Governo polonês daquele tempo traiu todos seus aliados (até seu próprio povo) e deste modo provocou a Segunda Guerra. O truque propagandístico de Goebbels trouxe 1.8 milhões de voluntários ao exército alemão, prolongando a guerra e aumentando o sacrifício.


[editar] Ver também

Referências

  1. Fischer, Benjamin B., "The Katyn Controversy: Stalin's Killing Field", Studies in Intelligence, Winter 1999–2000, visitado em 10 de dezembro de 2005
  2. Decision to commence investigation into Katyn Massacre, Małgorzata Kużniar-Plota, Departamental Commission for the Prosecution of Crimes against the Polish Nation, Varsóvia 30 de novembro de 2004. .Internet Archive. Ver também o press release (tradução, em inglês do documento original em polonês). Visitado em 19 de dezembro de 2005.
  3. Data combined from Shelepin's letter to Khrushchev and Soviet data from 03.12.1941 UPVI note in Katyn. 1940–2000, Moscow, "Ves' mir", 2001, pp. 384, 385)
  4. Lavrenti P. Ofício 794/b, de março de 1940., em russo, visitado em 19 de agosto de 2011.
  5. Artigo do Le Monde, "Moscou ordonne la publication sur le Web de documents inédits sur le massacre de Katyn", visitado em 28 de abril de 2010
  6. [Rússia culpa Stalin por massacre de Katyn], por Maria Tsvetkova http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/11/26/russia-culpa-stalin-por-massacre-de-katyn-923121771.asp]. O Globo, 26 de outubro de 2010.
  7. Os comunistas insistem: Katyn encenação fascista em russo, visitado em 05 de junho de 2010
  8. Viktor Ilyukhin pediu ao presidente da Rússia, Medvedev para reabrir a investigação do caso Katyn em russo, visitado em 05 de junho de 2010
  9. Memorial da ignorância e da traição em russo, visitado em 05 de junho de 2010
  10. Detetive Katyn, em russo, Visitado em 06 de junho de 2010
  11. Vilania anti-russa (em russo) visitado em 06 de junho de 2010" Investigação de falsificação de Katyn caso da Polônia e do Gabinete do Procurador-Geral da Rússia, a fim de fomentar o ódio dos poloneses à Rússia. - M.: "ponte-9D da Criméia," Fórum ", de 2003. - 762 pp.
  12. "O Mistério de Katyn" em russo, acessado em 06 de junho de 2010
  13. Katin. Como e por que os nazistas fuzilaram oficiais poloneses no outono de 1941 em russo, acessado em 06 de junho de 2010
  14. Arquivos soviéticos foram falsificados por Yeltsin, acessado em 09 de agosto de 2010
  15. Katyn: 49 signs of falsification of “Closed package no. 1”, em inglês, acessado em 10 de agosto de 2010. Em português: Katyn: 49 sinais de falsificação do “pacote secreto nº 1”, acessado em 19 de agosto de 2011.
  16. Экспертиза машинописных шрифтов "письма Берии №794/Б", em russo, acessado em 19 de agosto e 2011.
  17. Falsificando a História: Rússia "assume" morte de poloneses
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