Massacre do Carandiru

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O Massacre da Casa de Detenção de São Paulo ou Massacre do Carandiru, como foi popularizado pela imprensa, ocorreu no dia 2 de outubro de 1992, quando a intervenção da Polícia Militar do Estado de São Paulo para conter uma rebelião causou a morte de 111 (segundo números oficiais).

Motivos da rebelião e intervenção da PM[editar | editar código-fonte]

A rebelião teve início com uma briga de presos no Pavilhão 9 da Casa de Detenção. A intervenção da Polícia Militar, liderada pelo coronel Ubiratan Guimarães, tinha como justificativa acalmar a rebelião no local. Sobreviventes afirmam que o número de mortos é superior ao divulgado e que os policiais atiraram em detentos que já haviam se rendido ou que estavam se escondendo em suas celas. Nenhum dos 68 policiais envolvidos no massacre foi morto. A promotoria do julgamento do coronel Ubiratan classificou a intervenção como sendo "desastrosa e mal-preparada".[1]

Um tribunal brasileiro condenou, em abril de 2013, 23 dos polícias militares a 156 anos de prisão cada um pelo seu envolvimento na morte de 12 presos durante o massacre. A sentença foi anunciada pelo juiz José Augusto Nardy Marzagão e corresponde apenas à primeira parte do julgamento que está dividido em quatro etapas. Outros três polícias julgados nesta primeira fase foram absolvidos a pedido do próprio Ministério Público.

Em 3 de agosto de 2013, por volta das 4 horas da manhã, o juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo leu a sentença de 624 anos de prisão a 25 réus policiais militares que foram acusados de participação no massacre, especificamente na participação direta na morte de 52 detentos instalados no terceiro pavimento do pavilhão 9. Estes réus foram julgados por um júri composto por 7 homens que foram submetidos a 7.300 perguntas sobre a responsabilidade de cada um dos réus envolvidos.[2] [3]

No conjunto do processo irão ser julgados 76 agentes pelo massacre.

O caso do Massacre de Carandiru é tão complexo que só 26 dos 83 acusados estão em 2013 a ser julgados. Os advogados de defesa dizem que os agentes estavam a cumprir ordens e que não há provas forenses para determinar quem matou os prisioneiros.

Julgamento e morte do coronel Ubiratan[editar | editar código-fonte]

Em junho de 2001, o coronel Ubiratan Guimarães foi inicialmente condenado a 632 anos de prisão por 102 das 111 mortes do massacre (seis anos por cada homicídio e vinte anos por cinco tentativas de homicídio)[4] . No ano seguinte, ele foi eleito deputado estadual por São Paulo após a sentença condenatória, durante o trâmite do recurso da sentença de 2001. Por este motivo, o julgamento do recurso foi realizado pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça, ou seja, pelos 25 desembargadores mais antigos do estado de São Paulo, em 15 de fevereiro de 2006. O Órgão reconheceu, por vinte votos a dois, que a sentença condenatória, proferida em julgamento pelo Tribunal do Júri, continha um equívoco. Essa revisão acabou absolvendo o réu. A absolvição do réu causou indignação em vários grupos de direitos humanos, que acusaram o fato de ser um "passo para trás" da justiça brasileira[5] .

No dia 10 de setembro de 2006, o coronel Ubiratan foi assassinado com um tiro na região do abdôme.[6] . No muro do prédio onde morava foi pichada a frase "aqui se faz, aqui se paga", em referência ao massacre do Carandiru[7] .

Fundação do PCC[editar | editar código-fonte]

O massacre causou indignação em detentos de outras penitenciárias, os quais supostamente decidiram formar o Primeiro Comando da Capital (PCC) no ano seguinte ao do evento. Uma das afirmações iniciais do grupo era a de que pretendiam "combater a opressão dentro do sistema prisional paulista" e "vingar a morte dos cento e onze presos". Entretanto, esta suposta origem do PCC, um dos principais grupos do crime organizado no Brasil, é muito questionada, não havendo provas claras de que haja qualquer ligação entre a facção criminosa e o massacre dos detentos.

Na cultura popular[editar | editar código-fonte]

Canções[editar | editar código-fonte]

Filmes[editar | editar código-fonte]

Livros[editar | editar código-fonte]

  • Diário de um Detento do ex-detento Jocenir
  • Estação Carandiru (1999) de Dr. Dráuzio Varella
  • O outro lado do muro - Ladrões, humildes, vacilões e bandidões nas prisões paulistas, 1997, Copyright by Silvio Cavalcante & Osvaldo Valente

Televisão[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Terra.com.br Sob ameaça de anulação, julgamento do Carandiru acaba hoje de sexta, 29 de junho de 2001
  2. [1] Carandiru: PMs são condenados a 624 anos por massacre de sábado, 03 de agosto de 2013
  3. [2] Réus do massacre do Carandiru são condenados a 624 anos de prisão de sábado, 03 de agosto de 2013
  4. CMI Brasil - Coronel Ubiratan: condenado a 632 anos de prisão tem sentença anulada. www.midiaindependente.org. Página visitada em 8 de fevereiro de 2010.
  5. Folha Online - Cotidiano - TJ inocenta coronel Ubiratan por massacre do Carandiru - 15/02/2006. www1.folha.uol.com.br. Página visitada em 8 de fevereiro de 2010.
  6. Veja cronologia do caso da morte do coronel Ubiratan -. noticias.terra.com.br. Página visitada em 8 de fevereiro de 2010.
  7. Muro em frente à casa de coronel Ubiratan é pichado -. noticias.terra.com.br. Página visitada em 8 de fevereiro de 2010.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]