Matriarcado

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Matriarcado (do grego antigo μητέρος, translit. metéros: "mãe"; e ἀρχή, translit. arché: "origem", ou "regra") é uma forma de organização social em que a mulher-mãe tem uma posição dominante na família e na comunidade. Há um termo diferente para 'governo ou domínio da mulher' - ginecocracia ( em grego, γυναικοκρατία), algumas vezes citado como 'ginocracia'.

Em algumas culturas, a mulher é líder da família, e a transmissão de bens, assim como do poder tribal, se faz através dos membros do sexo feminino do grupo. [1] . Na dimensão religiosa, muitas vezes o matriarcado tem sido associado à adoração de divindades femininas da fertilidade e da maternidade (ver Deusa Mãe).

James Frazer, J. J. Bachofen, Walter Burkert, Robert Graves, James Mellaart e Marija Gimbutas desenvolveram a teoria segundo a qual todas as divindades da Europa e da bacia do Mar Egeu são oriundas de uma deusa matriarca pré-indo-europeia ou proto-indo-europeia (Neolítico). Segundo esses estudiosos, a religião da Deusa mãe era a base de toda a Pré-história e das civilizações antigas, e a Deusa seria o fundamento sócio-religioso do matriarcado, que se mantém ainda hoje entre povos tão diferentes como os tuaregs e os iroqueses das ilhas Trobriand [2] , os Minangkabau da Indonésia ou os comorianos.[3]

Na mitologia nórdica existem referências às sociedades matriarcais, como as Elvens e povos pré-históricos que habitaram as regiões da Escandinávia. Essas teorias são baseadas em escavações que reveleram um grande número de armaduras e equipamentos de guerra feito especialimente para mulheres, com proteção em bronze reforçado para área dos seios, quadris e armas leves e laminadas que demandavam pouca força para serem letais. Estudos pré-históricos dos povos nórdicos, especialmente da Suécia são escassos e dificultam a identificação de uma sociedade matriarcal comprovada cientificamente. Algumas teorias dizem que o uso de armas duplas (dual wield) foram desenvolvidos especialmente para mulheres, pela dificuldade de carregar escudos muito pesados.

Definição[editar | editar código-fonte]

Matriarcado é um sistema social no qual a mãe ou a mulher exerce autoridade absoluta sobre a família ou um grupo; por extensão, matriarcado, também pode ocorrer quando uma ou mais mulheres (como num conselho) exercem poder sobre uma comunidade [4] . Não é o mesmo que matrilinearidade, onde as crianças são identificadas em função das mães em vez dos pais, e famílias estendidas e alianças tribais formam linhas consanguíneas femininas conjuntas. Por exemplo, na tradição judaica Halakha, somente uma pessoa nascida de mãe judia é automaticamente considerada judia. Portanto, a herança judaica é passada de mãe para filho. É também diferente de matrifocalidade, que alguns antropólogos usam para descrever sociedades onde a autoridade materna é proeminente nas relações domésticas, devendo o marido juntar-se à família da esposa, em vez de a esposa mudar-se para a vila ou tribo do marido. Enquanto ela recebe o apoio da família estendida os maridos tendem a ser mais isolados socialmente.

Assim, matriarcado é uma combinação de múltiplos fatores. Inclui matrilinearidade e matrifocalidade, porém o mais importante é que as mulheres são encarregadas da distribuição de bens do clã e, especialmente, das fontes de sustento - dos campos e dos alimentos -, o que torna dependente cada membro do clã e garante às mulheres uma posição tão forte nestas sociedades, que elas são consideradas matriarcas.

A discussão recente sobre sociedades matriarcais[editar | editar código-fonte]

Intelectuais feministas ligadas aos estudos das formas do matriarcado moderno consideram qualquer forma de sociedade não patriarcal, matrilinear, matrilocal e avuncular como parte do objeto de investigação. Durante congressos mundiais de estudos sobre o matriarcado, têm sido inclusive apresentados relatos de porta-vozes indígenas de sociedades tradicionais consideradas como matriarcais.[5] [6] [7]

O primeiro teve lugar em Luxemburgo, em 2003, e foi patrocinado pela ministra dos Assuntos da Mulher de Luxemburgo, Marie-Josée Jacobs, tendo sido organizado e dirigido por Heide Göttner-Abendroth, fundadora da Hagia - International Academy for Modern Matriarchal Studies and Matriarchal Spirituality, criada em 1986, na Alemanha. [8] [9] O segundo ocorreu em 2005, em San Marcos, Texas. [10] O evento foi patrocinado por Genevieve Vaughan e novamente dirigido por Heide Goettner-Abendroth. Uma conferência internacional está programada para 2011, em St. Gallen, na Suíça [11]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Khasi. Enciclopédia Universalis.
  2. MALINOWSKI, Bronislaw Argonauts Of The Western Pacific (1932)
  3. Library of Congress Country Studies. "Comoros - Status of Women".
  4. Enciclopédia Britânica
  5. World Congresses on Matriarchal Studies Congressos Mundiais de Estudos Matriarcais
  6. 2nd. World Congress on Matriarchal Studies. Lecturers of the Congress
  7. The Representation of Gender among the Tuaregs, por Hélène Claudot-Hawad.
  8. Matriarchal Society: Definition and Theory, por Heide Göttner-Abendroth
  9. 1st. World Congress on Matriarchal Studies, 2003.
  10. 2nd. World Congress on Matriarchal Studies, 2005
  11. Website da conferência de 2011.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre antropologia ou um antropólogo é um esboço relacionado ao Projeto Ciências Sociais. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.