Maurice Godelier

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Maurice Godelier
Antropologia
Maurice Godelier em 1977
Nacionalidade França francês
Nascimento 28 de fevereiro de 1934 (81 anos)
Local Cambrai
Atividade
Campo(s) Antropologia
Prêmio(s) Medalha de Ouro CNRS (2001)

Maurice Godelier (Cambrai, 28 de fevereiro de 1934) é um antropólogo francês.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Godelier advoga a incorporação do marxismo à antropologia. Foi Directeur d'études na École des Hautes Études en Sciences Sociales. Além do marxismo, outra corrente teórica fundamental em sua formação intelectual, é o estruturalismo de Claude Lévi-Strauss. Trabalhou, inicialmente, com Fernand Braudel, na École Pratique des Hautes Etudes, onde estudou, de modo aprofundado, a metodologia do materialismo histórico, lendo várias obras de Marx, e foi professor assistente de Claude Lévi-Strauss, então titular da cátedra de Antropologia do Collège de France.[1]

Godelier realizou pesquisas etnográficas na Papua Nova Guiné, entre 1966 e 1969, junto aos Baruya, escolha que representou uma inflexão em relação à tradição francesa de estudar os povos africanos e ameríndios, como campo de eleição etnográfica preferencial.

Na Escola Normal Superior, Maurice Godelier cursou psicofisiologia e filosofia, na segunda metade dos anos 50, entre 1955 e 1959. Ele tem lincenciatura em filosofia, psicologia e literatura moderna. Sua atenção para a Antropologia Social foi despertada pela figura de Claude Lévi-Strauss, como intelectual.

Godelier é professor da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, desde 1961, e trabalhou no Laboratório de Antropologia Social do Colégio da França, sob a direção de Claude Lévi-Strauss nos anos 80.

Foi nomeado diretor de estudos da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, em 1975.

Maurice Godelier criou em Marselha, em 1995, o CREDO, o Centro de Pesquisas e Documentação sobre a Oceania, reunindo pesquisas de laboratório e um centro de documentação dedicado às sociedades do Pacífico.

Pensamento[editar | editar código-fonte]

Seus estudos concentram-se na relação, ou na interligação, entre economia, política, parentesco e imaginário cultural dos povos não-Ocidentais ou pré-industriais, recorrendo, simultaneamente, ao marxismo e ao estruturalismo antropológico. Maurice Godelier tematiza, também, em sua obra, teorias anteriores ao estruturalismo, como o evolucionismo, o funcionalismo, a sociologia de Durkheim e Mauss, a sociologia weberiana, bem como questões pós-estruturalistas. Ele faz a crítica do alcance do estruturalismo, discutindo seus limites, e expondo as suas divergências com teóricos da referida corrente. Trata das análises e reflexões propostas pelos filósofos Althusser, Foucault, Deleuze e Derrida sobre a epistemologia das ciências sociais; além de criticar as rigorosas clivagens entre infra-estrutura econômica e super-estrutura ideológica do marxismo clássico, quando aplicado a povos não-Ocidentais ou pré-modernos. Segundo Godelier, a conexão entre o imaginário das culturas e os fatores políticos e econômicos não pode ter uma abordagem simplista ou esquemática, como, por exemplo, no caso da problemática do poder político associado a fatores religiosos ou mágicos, explicações místicas sobre vitórias militares, e as relações de parentesco como papel fundamental nas relações econômicas[2] [3]

Exibindo grande erudição, um vasto conhecimento etnológico acumulado, passando pela história do pensamento antropológico sobre o tema, e também de primatologia, citando vários exemplos, Maurice Godelier, em "Metamorfoses do Parentesco", critica as teses de Freud, em "Totem e Tabu", e Claude Lévi-Strauss, em "Totemismo Hoje", sobre a origem da família e da vida social.

Godelier refuta vários elementos da teoria de Claude Lévi-Strauss sobre os sistemas de parentesco. Como, por exemplo, a tese que afirma a troca de mulheres por homens como a base universal dos sistemas de parentesco e da dominação masculina, segundo ele, há outros fatores de natureza material, bem como políticos e religiosos necessários para o entendimento do fenômeno do parentesco. Godelier nega que os homens, no passado, tenham vivido em bandos como propõe Freud, ou em famílias biológicas isoladas como propõe Lévi-Strauss, em relações promíscuas. Ele nega que a passagem da natureza à vida social, ocorreu através do parricidio original como na concepção de Freud, com a instauração da proibição do incesto e do principio da exogamia, ou no nascimento da linguagem e da função simbólica do pensamento, segundo Lévi-Strauss, que teria originado a cultura

Segundo Godelier, não se pode entender os laços de parentesco sem entender as representações culturais da pessoa, a própria exigência de certos elementos da natureza estranhos ao processo biológico, para que a concepção ou o nascimento de um indivíduo possa ocorrer, narrativas presentes em várias sociedades estudadas, indica que o corpo, além das relações de parentesco, também porta vínculos sociais, políticos, religiosos, etc. Os significados do parentesco variam entre as culturas, sempre existe um campo do parentesco, Godelier, contudo, questiona a ideia de que o parentesco sempre implica numa rede genealógica classificatória de indivíduos em relação a um indivíduo tomado como referência, ou ego, identificável pelo pesquisador. Ele cita o debate entre Hocart, Edmund Leach e Louis Dumont, de um lado, e Scheffler, Floyd Lounsbury e os adeptos da análise componencial, do outro, para ilustrar essa problemática.[4] [5] [6]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Obras[editar | editar código-fonte]

  • Racionalidade e irracionalidade na Economia , 1969
  • Antropologia e Economia, 1973
  • Perspectivas em Antropologia Marxista, 1977
  • A produção de Grandes homens : poder e dominação masculina entre os Baruya de Nova Guiné, 1982
  • O ideal e o material: pensamento, economias, sociedades, 1984
  • O engima do dom, 1996
  • Metamorfoses do parentesco, 2004

Referências

Ligação externa[editar | editar código-fonte]

Precedido por
Michel Lazdunski
Medalha de Ouro CNRS
2001
Sucedido por
Claude Lorius e Jean Jouzel
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