Max Schreck

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Max Schreck
Ocupação ator de teatro e cinema
Cônjuge Fanny Normann (1910 - 1936)
IMDb: (inglês)


Max Schreck, nascido Maximilian Schreck (06 de setembro de 1879 ― 20 de fevereiro de 1936), foi um ator alemão de teatro e de cinema, famoso por sua brilhante atuação como o vampiro Conde Orlok em Nosferatu, uma sinfonia de horrores.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos e início da carreira[editar | editar código-fonte]

Max Schreck nasceu em Berlim, Alemanha, no dia 06 de setembro de 1879. Interessado na carreira teatral, ingressou no Berliner Staatstheater, onde concluiu os estudos de artes cênicas em 1902. Logo se juntou à companhia teatral de Max Reinhardt.

Em 1910, casou-se com a atriz Fanny Normann, a qual passou a adotar, em algumas produções, o nome artístico de Fanny Schreck.

Sua carreira foi temporariamente interrompida por ter servido entre 1915 e 1918 na Primeira Guerra Mundial.

Entrada para o cinema e Nosferatu[editar | editar código-fonte]

Após regressar do conflito, Max Schreck atuou de 1919 a 1922 em várias peças no teatro Münchner Kammerspiele, em Munique, incluindo a montagem de estreia do dramaturgo Bertolt Brecht, Tambores na noite. Essa retomada da carreira teatral seguiu paralela ao início de sua carreira no cinema, em 1920, com o filme Der Richter von Zalamea, baseado no drama El alcalde de Zamalea de Pedro Calderón de la Barca, ao qual sucederam mais três filmes em 1921.

Ainda em 1921, Max Schreck é apresentado a F. W. Murnau por Max Reinhardt. Nessa oportunidade, ele é contratado pela Prana-Film para trabalhar como o protagonista de Nosferatu, uma sinfonia de horrores. Sua esposa, Fanny Schreck, também é contratada para atuar no filme, fazendo o papel de uma enfermeira hospitalar, embora seu nome não tenha sido creditado. Apesar do desgastante processo judicial movido pela viúva de Bram Stoker, que condenou a Prana-Film por violação de direitos autorais da obra Drácula, levando-a à falência, Max Schreck tornou-se muito famoso, graças ao enorme sucesso de sua interpretação do vampiro Conde Orlok.

Carreira pós-Nosferatu e morte[editar | editar código-fonte]

Nos anos seguintes, Max Schreck continuou atuando em várias peças teatrais no Berliner Staatstheater, tendo se notabilizado na condução de personagens sombrios e tipos cômicos, como o protagonista de O avarento, de Molière. Atuou também em vários filmes sem expressão.

Na noite de 19 de fevereiro de 1936, após exibir-se no papel do Grande Inquisidor na peça Don Carlos, Infante de España, de Friedrich Schiller, Max Schreck sentiu-se mal e foi internado no hospital, onde foi diagnosticado com infarto agudo do miocárdio, vindo a falecer na manhã seguinte. Foi sepultado em 14 de março, no Wilmersdorfer Waldfriedhof, em Berlim.

Lendas sobre Max Schreck[editar | editar código-fonte]

A palavra alemã schreck significa “susto, espanto”. Fundamentado nisso, no desconhecimento de sua pregressa carreira de ator e na repercussão de sua antológica interpretação e perfeita caracterização como Conde Orlok, papel no qual condensa o mal e a repugnância, muitos pensaram que Max Schreck era, na verdade, um vampiro que fora contratado por F. W. Murnau para dar maior veracidade à personagem e, assim, produzir uma obra-prima atemporal. O pagamento seria o direito de morder o pescoço e chupar o sangue da grande estrela do filme, a atriz Greta Schröder, na cena final.

Essa lenda serviu de inspiração para que Steven A. Katz elaborasse o roteiro de A sombra do vampiro, filme dirigido por E. Elias Merhige. Nessa obra, John Malkovich interpreta um atormentado F. W. Murnau, que se divide entre a direção da equipe e o controle dos impulsos tenebrosos de Max Schreck, um vampiro que ele contratara para dar maior autencidade ao papel do Conde Orlok. O sublime desempenho de Willem Dafoe, que interpretou um bizarro Max Schreck, rendeu-lhe, como ator coadjuvante, uma indicação ao Oscar e ao Globo de Ouro de 2001, além de algumas premiações.

Outra lenda, também fruto da ignorância quanto ao seu trabalho no teatro, foi disseminada por alguns historiadores do cinema, que especularam sobre Max Schreck ser um pseudônimo de algum ator conhecido, cioso de não ter sua imagem associada permanentemente a um vampiro abominável. O maior suspeito de usar Max Schreck como pseudônimo era Alfred Abel, ator alemão que atuou em filmes importantes, tais como Dr. Mabuse, o jogador e Metrópolis, ambos de Fritz Lang, além de Terra em chamas e Fantasma, ambos de F. W. Murnau. O curioso é que, em 1924, Max Schreck e Alfred Abel atuaram juntos em um outro filme de Murnau, a comédia As finanças do Grão-Duque.

Legado[editar | editar código-fonte]

A especial habilidade de Max Schreck em interpretar personagens execráveis influenciou vários atores que tiveram de enfrentar semelhante desafio. Foi nele que o ator Klaus Kinski se inspirou para compor sua versão particular do Conde Drácula para o filme Nosferatu ― O vampiro da noite, de Werner Herzog.

O papel de Conde Orlok garantiu a Max Schreck, de maneira indelével, grande importância artística, cultural e histórica. Foram várias as citações honoríficas em sua decorrência. No filme Batman ― o retorno, de Tim Burton, Max Schreck é o nome da personagem interpretada por Christopher Walken, um milionário criminoso que se associa ao Pinguim para enfrentar o Batman.

No episódio de desenho animado “Turno Macabro”, Lula Molusco assusta Bob Esponja, ao contar-lhe um conto sobre um maníaco homicida, chamado Zé do Picadinho; no final, quando Lula Molusco pergunta: Se era você que estava no telefone, e você no ônibus, então, quem estava apagando as luzes?. Aí, as luzes voltam a piscar, e então, Max Schreck aparece, caracterizado como Conde Orlok, apagando e acendendo a luz e sorri após os personagens reconhecerem-no e falarem: “Nosferatu!”. Muitos documentários sobre filmes de terror e vampiros, e até mesmo Fahrenheit 9/11, de Michael Moore, também trazem imagens de Max Schreck em sua atuação mais marcante.

Alguns videogames da série Castlevania e o RPG Vampiro: A Máscara têm o Conde Orlok como personagem.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]