Maximiliano III José, Príncipe-Eleitor da Baviera

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Maximiliano III José
Príncipe-Eleitor da Baviera
Príncipe-Eleitor da Baviera
Reinado 20 de janeiro de 1745
a 30 de dezembro de 1777
Predecessor Carlos VII, Sacro Imperador Romano-Germânico
Sucessor Carlos Teodoro da Baviera
Cônjuge Maria Ana Sofia da Saxónia
Casa Wittelsbach
Pai Carlos VII, Sacro Imperador Romano-Germânico
Mãe Maria Amália da Áustria
Nascimento 28 de março de 1727
Munique
Morte 30 de dezembro de 1777 (50 anos)
Munique
Enterro Theatinerkirche, Munique
Religião Católica

Maximiliano III José (Munique, 28 de março de 1727 — Munique, 30 de dezembro de 1777) foi príncipe-eleitor e duque da Baviera de 1745 a 1777. Era filho de Carlos VII da Baviera e de Maria Amália de Áustria.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Maximiliano José ainda criança.

Nascido em Munique, Maximiliano era o filho mais velho do sacro-imperador Carlos VII da Áustria e da sua esposa, a arquiduquesa Maria Amália da Áustria, filha do sacro-imperador José I da Áustria e irmã da imperatriz Maria Teresa.

Quando o seu pai morreu em Janeiro de 1745, Maximiliano herdou os seus territórios que estavam, na altura, a ser invadidos pelo exército da Áustria devido à Guerra da Sucessão Austríaca. Maximiliano, com dezoito anos de idade, era disputado pelo partido da paz, liderado pela sua mãe, a arquiduquesa Maria Amália da Áustria, e pelo comandante do exército, Friedrich Heinrich von Seckendorff e o partido da guerra, liderado pelo ministro dos negócios estrangeiros e general Ignaz Count of Törring e pelo enviado francês Chavigny. Após a derrota decisiva na Batalha de Pfaffenhofen a 15 de Abril, Maximiliano desistiu rapidamente das pretensões imperiais do pai e assinou o Tratado de Füssen com a sua tia materna, a imperatriz Maria Teresa da Áustria, através do qual concordou em apoiar o marido dela, o grão-duque Francisco Estêvão da Toscana, na eleição imperial que se aproximava. Durante a Guerra dos Sete Anos, as forças da Baviera lutaram do lado dos Habsburgos. A irmã de Maximiliano, a princesa Maria Josefa da Baviera, casou-se em 1765 com o filho de Maria Teresa, o sacro-imperador José II da Áustria. No entanto, não estava nos interesses da Baviera assistir ao enfraquecimento da Prússia, uma vez que este era o único país que contrabalançava o poder da monarquia dos Habsburgo. Tanto quanto lhe foi possível, Maximiliano tentou manter a Baviera afastada de guerras. Além das tropas da região, contava apenas com uma força de quatro mil homens. O príncipe-eleitor tinha já recorrido às tropas auxiliares em 1758/59. Juntamente com o príncipe-eleitor Carlos Teodoro do Palatinado, outro Wittelsbach, reforçou a neutralidade do território durante o conflito.

Maximiliano José era um governante progressista e iluminista que fez muito para melhorar o desenvolvimento do seu país. O príncipe-eleitor incentivou a agricultura, a industria, a exploração da riqueza mineral do território e aboliu a censura jesuíta da imprensa. Em 1747 foi criada a fábrica de porcelana de Nymphenburg e o Codex Maximilianeus bavaricus civilis foi escrito em 1756. A primeira instituição académica de Munique, a Academia de Ciências da Baviera, foi criada em 1759 por Maximiliano. Durante a grande fome de 1770, Maximiliano vendeu jóias da coroa para pagar carregamentos de milho. Nesse mesmo ano também publicou um édito contra a pomposidade extravagante da Igreja que contribui para o final da era do Rococó na Baviera. Também proibiu a Via Sacra de Oberammergau. Em 1771, regulou a escolaridade geral.

Em Dezembro de 1777, Maximiliano estava a passear por Munique de carruagem. Durante a viagem, quando passava por uma das torres relógio, o mecanismo da mesma avariou-se e o relógio bateu setenta-e-sete vezes. Comentando este facto com os restantes passageiros, Maximiliano achou que este era um presságio e que os seus anos se estavam a esgotar. Alguns dias depois, o príncipe-eleitor adoeceu. Nenhum dos seus quinze médicos conseguiu diagnosticar a doença, mas, no Natal, tinha-se tornado claro que se tratava de um tipo particularmente grave de varíola.[1]

No último dia do ano, Maximiliano morreu sem deixar herdeiros. O seu corpo foi sepultado na Theatinerkirche de Munique.

Sucessão[editar | editar código-fonte]

Uma vez que era o último membro do ramo menor da dinastia de Wittelsbach que descendia do sacro-imperador Luís IV da Áustria que tinha reinado na Baviera desde o século XIV, a morte de Maximiliano levou a uma disputa da sucessão e à curta Guerra de Sucessão da Baviera. Foi sucedido pelo seu primo afastado, o príncipe-eleitor Carlos Teodoro do Palatinado, que pertencia ao ramo principal da dinastia. A viúva de Maximiliano, a princesa Maria Ana Sofia da Saxónia, a sua irmã, a duquesa Maria Antónia da Baviera e a duquesa Maria Ana do Palatinado-Sulzbach, viúva do antigo príncipe-herdeiro da Baviera, o duque Clemente Francisco da Baviera, negociaram com a Prússia para assegurar a independência da Baviera da Áustria, que tinha invadido partes do território logo após a morte do príncipe-eleitor.[2]

Legado cultural[editar | editar código-fonte]

Em 1751, Maximiliano ordenou que François de Cuvilliés construísse o esplêndido Teatro Cuvilliés em estilo rococó e, em 1755, o Salão de Pedra do Palácio de Nymphenburg. Também ordenou a decoração de algumas divisões do Castelo de Schleissheim em estilo rococó.

Maximiliano recebeu Wolfgang Amadeus Mozart que, tal como a sua irmã Maria Antónia, tinha muito talento para a música e composição, mas devido a frugalidades, não lhe ofereceu um posto. Em 1775, "La finta giardiniera", uma ópera italiana da autoria de Wolfgang Amadeus Mozart foi mostrada pela primeira vez no Salvatortheater em Munique.

Genealogia[editar | editar código-fonte]

Os antepassados de Maximiliano III José da Baviera em três gerações[3]
Maria Antónia da Baviera Pai:
Carlos VII, Sacro Imperador Romano-Germânico
Avô paterno:
Maximiliano II Emanuel, Príncipe-Eleitor da Baviera
Bisavô paterno:
Fernando Maria, Príncipe-Eleitor da Baviera
Bisavó paterna:
Henriqueta Adelaide de Saboia
Avó paterna:
Theresa Kunegunda Sobieska
Bisavô paterno:
João III da Polónia
Bisavó paterna:
Marie Casimire Louise de La Grange d'Arquien
Mãe:
Maria Amália da Áustria
Avô materno:
José I, Sacro Imperador Romano-Germânico
Bisavô materno:
Leopoldo I, Sacro Imperador Romano-Germânico
Bisavó materna:
Leonor Madalena de Neuburgo
Avó materna:
Guilhermina Amália de Brunsvique-Luneburgo
Bisavô materno:
João Frederico de Brunsvique-Luneburgo
Bisavó materna:
Benedita Henriqueta do Palatinado-Simmern

Referências

  1. Paul Bernard. Joseph II and Bavaria: Two Eighteenth Century Attempts at German Unification. Hague: Martin Nijoff, 1965, p. 40.
  2. Alemanha, Guias Alemães, Arquivo CUP, 1931, pg. 94–95.
  3. The Peerage, consultado a 1 de Abril de 2014
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