Maysa

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Maysa
Informação geral
Nome completo Maysa Figueira Monjardim
Nascimento 6 de junho de 1936
Origem São Paulo ou Rio de Janeiro, Brasil
País  Brasil
Data de morte 22 de janeiro de 1977 (40 anos)
Gênero(s) Samba-canção, bossa nova, MPB
Período em atividade 1956-1977
Gravadora(s) RGE (1956-1961, 1962), Continental (1960), Columbia Records (1961), Barclay Records (1963), Elenco (1964), RCA Victor (1966, 1968, 1972), GTA Records (1967), Copacabana Discos (1969), Philips (1970-1971), Som Livre (1971, 1975), Odeon Records (1974)[1]
Afiliação(ões) Elizeth Cardoso, Dolores Duran, Sylvia Telles, Silvio Caldas, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Roberto Menescal, Frank Sinatra, Cole Porter, Edith Piaf, Billie Holiday[2]

Maysa Figueira Monjardim, mais conhecida como Maysa Matarazzo ou simplesmente Maysa (São Paulo[3] [4] [5] ou Rio de Janeiro[6] [7] [8] , 6 de junho de 1936Niterói, 22 de janeiro de 1977), foi uma cantora, compositora e atriz brasileira.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Segundo algumas fontes, Maysa teria nascido na capital paulista, de uma tradicional família proveniente do estado do Espírito Santo, que logo se mudou para o Rio de Janeiro. Outras fontes, porém, afirmam que seu nascimento foi no Rio. Em 1947 a família transferiu-se para Bauru, no interior paulista.

Maysa era neta do barão de Monjardim, que foi presidente da província do Espírito Santo por cinco vezes. Estudou no tradicional colégio paulistano Assunção, no Ginásio Ofélia Fonseca e no Sacré-Cœur de Marie, em São Paulo.[9]

Casou-se aos dezoito anos com seu noivo, o empresário André Matarazzo, passando a assinar Maysa Monjardim Matarazzo. Seu marido era membro da importante ramo ítalo-brasileiro da família Matarazzo. Com pouco tempo de casados, nasceu Jayme Monjardim Matarazzo, diretor de cinema e telenovelas.

Desquitou-se do marido em 1957 e voltou a usar seu sobrenome de solteira, Figueira Monjardim, ficando furiosa quando havia alguma matéria jornalística que ligasse seu nome ao sobrenome Matarazzo.

Com apenas um disco gravado, seu repertório foi um sucesso, recebendo convites para shows. Seu disco vendeu milhares de cópias e o sucesso bateu a sua porta, porém, isto pesou na criação de Jayme, seu filho. Maysa teve que escolher entre o filho e a carreira. Para lhe dar um futuro melhor, optou pela carreira e seu filho passou parte de sua infância sendo criado pelo pai e por sua nova esposa.

Em sua agitada vida de cantora, marcada por muitas viagens e também por muitos amores, Maysa teve vários relacionamentos, entre eles, com o compositor Ronaldo Bôscoli, e com o empresário espanhol Miguel Azanza, com quem casou após ele, manteve um caso com o maestro Julio Medaglia, quando viajou para Buenos Aires, depois dele namorou o ator Carlos Alberto, de quem depois foi esposa, entre vários outros.

Na década de 70, Maysa se aventurou pelo mundo das telenovelas e do teatro participando de produções como O Cafona, Bel-Ami e o espetáculo Woyzeck de George Büchner.[10]

Últimos momentos[editar | editar código-fonte]

A cantora vivia isolada em sua casa de praia em Maricá, desde 1972, em depressão. No fim da tarde do dia de casamento do seu filho, pegou seu carro e foi para Maricá, quando um acidente automobilístico na Ponte Rio-Niterói deu fim a sua vida. [11] Em uma de suas últimas anotações, registrou:

Cquote1.svg Hoje é novembro de 1976, sou viúva, tenho 40 anos Cquote2.svg
Maysa[12]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Anos 50 e o início da carreira[editar | editar código-fonte]

Em 1956, Maysa foi convidada pelo produtor Roberto Côrte-Real para gravar um disco, durante uma reunião familiar. O álbum Convite para ouvir Maysa (todo preenchido com composições próprias) foi gravado logo após o nascimento de seu único filho Jayme Monjardim. O disco gravado apenas em caráter beneficente (toda sua renda fora destinada ao Hospital do Câncer de Dona Carmen Annes Dias Prudente) logo começou a fazer sucesso, tocando nas rádios paulistas e cariocas. Pouco a pouco, a carreira de Maysa foi adquirindo um caráter profissional, o que descontentou seu marido André Matarazzo e logo levou seu casamento à ruína. Já em 1957 (ainda não desquitada), Maysa era contratada da TV Record paulista, com um programa só seu, patrocinado pela Abrasivos Bombril, tendo acabado de gravar seu segundo disco, de 10 polegadas, intitulado Maysa.

Em 1957, com menos de um ano de carreira, no julgamento anual dos cronistas de Rádio de São Paulo, para a escolha de Os Melhores do Ano de 1956, Maysa foi apontada como A maior revelação feminina, O melhor compositor e O melhor letrista[13] . O Clube dos Cronistas de Discos concedeu-lhe o título de A maior cantora do ano. No ano seguinte, foi premiada com o disputado Troféu Roquette Pinto de A melhor cantora de 1958. No ano anterior, ela já havia recebido o mesmo prêmio como cantora revelação de 1957. O jornal O Globo, que em 1957 havia conferido a ela o Disco de Ouro de cantora revelação, agora também a premiava como a principal voz feminina do país. Também seria de Maysa naquele ano o Troféu Chico Viola, para o melhor disco de 1958.[14]

Em 1958 (já desquitada) muda-se para o Rio de Janeiro, então Capital Federal, e se torna também contratada da TV Rio, com um programa só seu patrocinado pelos Biscoitos Piraquê. Lança seu terceiro disco (agora de 12 polegadas) intitulado Convite para Ouvir Maysa nº 2. O disco foi considerado, pela crítica, musicalmente irretocável, tornando-se campeão de vendas[13] , e lançou a canção Meu Mundo Caiu como o maior sucesso do ano. Até o fim da década, Maysa seguiria sua carreira, acumulando diversos prêmios, e vendo a carreira e popularidade em crescente ascensão. Seus discos eram campeões de vendas e seus programas de televisão eram muito prestigiados. Ainda em 1958 ela se tornaria a melhor e mais bem paga cantora do Brasil.[15]

Anos 60[editar | editar código-fonte]

Durante os anos 60, Maysa aprimorou constantemente a técnica vocal, registrando em discos de grande qualidade técnica o auge de sua carreira. A partir de 1960, empreendeu inúmeras excursões pelo mundo, se apresentando em vários países, além de aderir ao movimento da Bossa Nova, com o qual pode expandir referências musicais. Junto a um grupo formado por Roberto Menescal, Luiz Eça, Luiz Carlos Vinhas, Bebeto Castilho, Hélcio Milito e Ronaldo Bôscoli, foram responsáveis pelo lançamento da Bossa Nova no exterior. Em uma histórica turnê à Argentina e ao Uruguai, em 1961. Maysa teve uma intensa carreira internacional. Em 1960, tornou-se a primeira cantora brasileira a se apresentar no Japão, a convite da companhia área brasileira Real Aerovias, que acabara de estrear o voo Rio de Janeiro - Tóquio. Excursionou pela América Latina, passando diversas vezes por Buenos Aires, Montevidéu, Punta del Leste, Lima, Caracas, Bogotá, Porto Rico e Cidade do México. Apresentou-se em Paris, Lisboa, Madri, Nova Iorque, Itália, Marrocos e Angola. Lá, se apresentava em casas noturnas e gravava discos. Entre 1960 e 1961 realizou temporada nos Estados Unidos, gravando o lendário álbum Maysa Sings Songs Before Dawn pela Columbia Records norte-americana. Lá, também se apresentou no sofisticado Blue Angel Night Club, a mais requintada casa noturna de Nova Iorque à época.

Ainda em 1963, empreendeu um histórico concerto no Olympia de Paris, naquela que é a mais famosa casa de espetáculos da capital francesa. Em 1966 participou do II Festival da Música Popular Brasileira da TV Record, classificando para a finalíssima a canção Amor-Paz de sua autoria, com a compositora Vera Brasil, juntamente com Disparada, com Jair Rodrigues e A Banda, com Chico Buarque e Nara Leão. No mesmo ano, Maysa também participou da primeira edição Festival Internacional da Canção. Neste último alcançou o terceiro lugar na fase nacional e o prêmio de melhor intérprete brasileira do festival, defendendo a canção Dia das Rosas de Luiz Bonfá e Maria Helena Toledo. Desbancando totalmente a vencedora Saveiros, interpretada por uma então novata: Nana Caymmi.

Retornou definitivamente ao Brasil em 1969. Neste ano, estreou Maysa Especial com Ítalo Rossi na TV Tupi carioca e o espetáculo A Maysa de Hoje, gravado em disco, com temporadas no Canecão do Rio de Janeiro e no Urso Branco de São Paulo, obtendo sucesso de crítica e público. Pouco tempo depois, participou como jurada do V Festival da Música Popular Brasileira da TV Record. E do IV Festival Internacional da Canção, com a música Ave-Maria dos Retirantes, de Alcyvando Luz e Carlos Coqueijo, que não se classificou para a final. Naquela edição, o Troféu Galo de Ouro (premiação máxima do festival) ganhou o nome de Maysa Monjardim[16] .

Anos 70[editar | editar código-fonte]

Em 1970, Maysa lança pela Philips o álbum Ando Só numa Multidão de Amores, que não obteve sucesso de público. Maysa passou então a investir na carreira de atriz e já em 1971 estreou na telenovela O Cafona, da Rede Globo, interpretando Simone, seu alter-ego. Por esse papel, Maysa acabou ganhando o prêmio de Coadjuvante de Ouro. No mesmo ano, integrou o elenco da telenovela Bel-Ami da TV Tupi, interpretando Márica, mas abandonou a produção. Ela ainda montaria o espetáculo teatral Woyzeck de George Büchner, sem sucesso.

Após algumas temporadas em boates do Rio de Janeiro e São Paulo, desde o fim de 1972, Maysa se afasta do meio artístico e vai morar em uma casa de praia, localizada no município de Maricá, litoral fluminense. Lá, morou até o fim da vida, na maior parte em companhia do namorado, o ator Carlos Alberto. Durante este período, quase não gravou discos nem fez shows, fazia poucas aparições na mídia e reservava suas aparições a participações especiais, como no Fantástico e no Brasil Especial, da TV Globo.

Realizou alguns dos últimos shows de sua carreira na boate Igrejinha, localizada em São Paulo, em 1975. A temporada, pouco tempo depois, ficaria marcada como “a turnê do adeus”. Até ali já havia feito inúmeras temporadas de grande sucesso em diversas casas noturnas de São Paulo, como a Cave, o Oásis, Urso Branco, Di Mônaco e Igrejinha; e do Rio de Janeiro, como o Club 36, Au Bon gourmet, Meia-Noite do Hotel Copacabana Palace, Canecão, Flag, Sucata, Fossa e Number One, dentre outras casas tradicionais e famosas.[17]

Estilo Musical[editar | editar código-fonte]

As composições e as canções foram escolhidas de maneira a formar um repertório sob medida para o seu timbre, que não era o de uma voz vulgar; pelo contrário, possuía um viés melancólico e triste, que se tornou emblemático do gênero fossa ou samba-canção. Ao lado de Maysa, destacam-se Nora Ney, Ângela Maria e Dolores Duran. O gênero, comparado ao bolero pela exaltação do tema amor-romântico ou pelo sofrimento de um amor não realizado, foi chamado também de dor-de-cotovelo. O samba-canção (surgido na década de 1930) antecedeu o movimento da bossa nova (surgido ao final da década de 1950, em 1958), com o qual Maysa também se identificou. Mas este último representou um refinamento e uma maior leveza nas melodias e interpretações em detrimento do drama e das melodias ressentidas, do gênero "dor-de-cotovelo". O legado de Maysa, ainda que aponte para dívidas históricas com a bossa, é o de uma cantora de voz mais arrastada do que as intérpretes da bossa e por isso aproxima-se antes do bolero.

Contemporânea da compositora e cantora Dolores Duran, Maysa compôs 30 canções, numa época em que havia poucas mulheres nessa atividade. Maysa interpretava de maneira muito singular, personalista, com toda a voz, sentimento e expressão, sendo um dos maiores nomes da canção intimista. Um canto gutural, ensejando momentos de solidão e de grande expressão afetiva. Um dos momentos antológicos desta caracterização dramática foi a apresentação, em 1974, de Chão de Estrelas (Sílvio Caldas e Orestes Barbosa), e de Ne Me Quitte Pas (10 de junho de 1976), tendo sido apresentadas em duas edições do programa Fantástico da Rede Globo.

Todo este característico Estilo Maysa influenciou ao menos meia dúzia de sua geração, e principalmente a geração posterior a sua. Este Estilo Maysa se tornou notável em cantores e compositores, como: Ângela Rô Rô, Leila Pinheiro, Fafá de Belém, Simone e também Cazuza e Renato Russo.

Celebrizaram-se as canções: Ouça, Meu Mundo Caiu, Tarde Triste, Resposta, Adeus, Felicidade Infeliz, Diplomacia e O Que? (todas de sua autoria) e mais: Ne Me Quitte Pas, Chão de Estrelas, Dindi, Por Causa de Você, Se Todos Fossem Iguais a Você, Eu Sei Que Vou Te Amar, Franqueza, Eu Não Existo Sem Você, Suas Mãos, Bouquet de Izabel, Bronzes e Cristais, Bom Dia Tristeza, Noite de Paz, Castigo, Fim de Caso, O Barquinho, Fim de Noite, Meditação, Alguém me Disse, Cantiga de Quem Está Só, A Felicidade, Manhã de Carnaval, Hino ao Amor (L'Hymne a L'Amour), Demais, Preciso Aprender a Ser Só, Canto de Ossanha, Tristeza, As Mesmas Histórias, Dia das Rosas, Se Você Pensa, Pra Quem Não Quiser Ouvir Meu Canto, Light My Fire, Chuvas de Verão, Bonita, As Praias Desertas, Bloco da Solidão, Tema de Simone e Morrer de Amor.[18]

Homenagens[editar | editar código-fonte]

A escola de samba Acadêmicos do Grande Rio, pertencente ao grupo especial das escolas de samba do Rio de Janeiro, prestou uma homenagem à Maysa no carnaval de 2014, desenvolvendo o enredo "Verdes olhos sobre o mar, no caminho: Maricá", no que seria "a visão de Maricá pelo olhar de Maysa".[19]

Discografia[editar | editar código-fonte]

Álbuns de estúdio

Álbuns ao vivo

Televisão[editar | editar código-fonte]

Teatro[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. [1].
  2. [2].
  3. Coleção Folha Bossa Nova.
  4. Maysa. Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.
  5. Zuza Homem de Mello. Enciclopédia da Música Brasileira. São Paulo: Publifolha, 2000.
  6. Maysa: Só numa Multidão de Amores. [S.l.: s.n.]. ISBN 978-85-250-4303-0
  7. Entrevista de Larissa Maciel à RBS.
  8. *VÁRIOS. Grande Enciclopédia Larousse Cultural. Santana do Parnaíba: Plural, 1998, p. 3881. ISBN 85-13-00770-6. A enciclopédia Larousse dá o nascimento de Maysa como no Espírito Santo
  9. 50 Anos De Bossa Nova: Maysa (Vol.16).
  10. [3].
  11. [4].
  12. Biografia de Maysa vasculha diários íntimos 30 anos após sua morte. Folha Online.
  13. a b [5].
  14. [6].
  15. [7].
  16. [8].
  17. [9].
  18. [10].
  19. Alba Valéria Mendonça (02 de março de 2014). Grande Rio leva história de Maricá para avenida sob olhar de Maysa. G1. Página visitada em 08 de março de 2014.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]