Mar Mediterrâneo

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Imagem de satélite do mar Mediterrâneo, foto da NASA (2007).
Os Mares Internos do Mar mediterrâneo

O mar Mediterrâneo é um mar do Atlântico oriental, compreendido entre a Europa meridional, a Ásia ocidental e a África setentrional com aproximadamente 2,5 milhões de km² [1] . É o maior mar interior continental do mundo. As águas do mar Mediterrâneo banham as três penínsulas do sul da Europa, Ibérica (apenas a Sul e Sudeste de Espanha [2] ), Itálica e a dos península Balcânica[3] ). Suas águas desaguam no oceano Atlântico através do estreito de Gibraltar, e no mar Vermelho (no canal de Suez). As águas do mar Negro também desaguam no Mediterrâneo (pelos estreitos do Bósforo e dos Dardanelos). As águas do Mediterrâneo geralmente são quentes devido ao calor vindo do deserto do Saara, fazendo com que o clima das zonas próximas seja mais temperado (clima mediterrânico) [4] .

Origem do nome[editar | editar código-fonte]

O termo Mediterrâneo deriva da palavra latina Mediterraneus, que significa entre as terras. O mar Mediterrâneo através da história da humanidade tem sido conhecido por nomes diferentes. O antigos romanos o chamavam, de Mare Nostrum, que significa nosso mar (e de fato os romanos conquistaram todas as regiões, com vista para o Mar Mediterrâneo). Pelos árabes era chamado de al-Bahr al-al-Abyad Mutawassiṭ (árabe البحر الأبيض المتوسط) ou seja, "Mar Branco do Meio", o que inspirou o termo turco Akdeniz que significa Mar Branco.

História[editar | editar código-fonte]

Máxima extensão do Império Romano, em 117 d.C.. O Império desenvolveu-se em volta do mar Mediterrâneo, que os romanos chamavam Mare Nostrum.

Desde a Antiguidade, o mar Mediterrâneo foi uma zona privilegiada de contatos culturais, intensas relações comerciais e de constantes confrontos políticos. Às margens do Mediterrâneo floresceram, desenvolveram-se e desapareceram importantes civilizações, alguns dos povos que habitaram as costas do Mar Mediterrâneo: egípcios, cananeus, fenícios [5] , hititas, gregos [3] , cartagineses, romanos, macedónios, berberes, genoveses e venezianos.

Um dos fatos marcantes da história da região aconteceu em 1453 quando os otomanos tomaram a cidade de Constantinopla (atual cidade turca de Istambul) e fecharam o Mediterrâneo oriental à penetração europeia [6] . Esta teria sido uma das razões que teria impelido os portugueses a se aventurarem pelo Atlântico em busca do caminho das Índias.

Na segunda metade do século XVIII, a Inglaterra e a França foram ampliando suas influências sobre a região, aproveitando a decadência gradual do Império Otomano e, ao mesmo tempo, tentando impedir a expansão da Rússia. A Inglaterra que foi afirmando-se cada vez mais como grande potência marítima, estabeleceu-se em alguns pontos estratégicos (Gibraltar e ilhas de Malta e Chipre), que se transformariam em importantes bases navais.

Em 1869, com a abertura do canal de Suez, obra construída por um consórcio franco-britânico, o Mediterrâneo Oriental passou a integrar as grandes rotas do comércio internacional, passando a ter um papel relevante nas relações políticas e comerciais das potências da Europa [7] .

Com o fim da Primeira Guerra Mundial (1914/18), consolidou-se a supremacia britânica, num momento em que o Mediterrâneo se transformava numa artéria vital para a Europa em função de estabelecer uma ligação mais rápida e econômica entre as áreas consumidoras e produtoras de petróleo, estas últimas situadas no Oriente Médio.

Algumas décadas depois, ao findar-se a Segunda Guerra Mundial em 1945, o Mediterrâneo, assim como quase todas as áreas do mundo, encaixou-se imediatamente nos esquemas do jogo de influências e alianças engendrados pela Guerra Fria. Com a criação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), os Estados Unidos substituíram gradativamente os britânicos como potência dominante do Mediterrâneo.

Os processo conflituosos de independência de uma série de colônias europeias situadas especialmente no norte da África, a pressão exercida pela crescente expansão da Marinha Soviética, os vários conflitos entre países árabes e Israel e as tradicionais rivalidades entre países da região, transformaram o Mediterrâneo numa área de frequentes tensões geopolíticas.

O fim da Guerra Fria, se de um lado eliminou ou amenizou algumas velhas tensões, por outro ensejou o surgimento de inúmeros novos desafios para os países da região.

São dezoito os países que possuem terras banhadas pelo Mediterrâneo. Eles apresentam grandes diferenças no que se refere ao tamanho, à evolução histórico-cultural e ao nível de desenvolvimento.

Praticamente todos os países que circundam o Mediterrâneo Oriental apresentam, ou apresentaram num passado recente, tensões e conflitos internos ou problemas no relacionamento com nações vizinhas.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Limites[editar | editar código-fonte]

Países limites do Mar Mediterrâneo
As duas maiores ilhas do Mediterrâneo, Sicilia e Sardenha.
Ondas do mar Mediterrâneo na França
Europa Point é o ponto mais meridional do território ultramarino britânico localizado em Gibraltar.
Vista panorâmica de Dubrovnik, Croacia.
Costa de Żurrieq, Malta.
Costa norte de Israel.
Costa da região de Beirute, Líbano.

Países banhados pelo Mediterrâneo:

Embora não sejam banhados pelo Mar Mediterrâneo, a Sérvia e Portugal na Europa, e a Jordânia na Ásia, são, por vezes, considerados países mediterrânicos devido à proximidade geográfica e clima mediterrânico.

Principais cidades costeiras do Mediterrâneo:

Acidentes geográficos[editar | editar código-fonte]

Principais ilhas do Mediterrâneo:

País Ilha Area em km² População
 Itália Sicília Sicília 25 460 5 048 995
 Itália Sardenha Sardenha 24 090 1 672 804
 Chipre Chipre 9 251 1 088 503
 França Flag of Corsica.svg Córsega 8 680 299 209
 Grécia Creta 8 336 623 666
 Grécia Eubeia 3 684 218 032
 Espanha Baleares Maiorca 3 640 869 067
 Grécia Lesbos 1 632 90 643
 Grécia Rodes 1 400 117 007
 Grécia Quios 842 51 936
 Espanha Baleares Minorca 701 80 000
 Espanha Ibiza flag.svg Ibiza 575 80 000
 Malta Malta 246 388 232
 Itália Toscana Elba 224 30 000

Principais rios que desaguam no Mar Mediterrâneo:

País Rio
 Espanha Ebro (em catalão Ebre)
 França Ródano (em francês Rhône)
 Itália (em italiano Po)
 Egito Nilo (em árabe النيل an-nīl)

Climatologia[editar | editar código-fonte]

O clima da região Mediterrânica é caracterizado por verões quentes e secos e invernos amenos, com chuva. A temperatura do mar acompanha as mudanças climáticas da região.

Temperatura do mar (°C)
cidade Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Marselha [1] 13 12 11 13 16 18 21 22 21 18 16 14
Barcelona [2] 13 13 12 14 17 20 23 25 23 20 17 15
Valência [3] 14 13 14 15 17 21 24 26 24 21 18 15
Nápoles [4] 15 14 14 15 18 22 25 27 25 22 19 16
Málaga [5] 16 15 15 16 17 20 22 23 22 20 18 16
Gibraltar [6] 16 15 16 16 17 20 22 22 22 20 18 17
Atenas [7] 16 15 15 16 18 21 24 24 24 21 19 18
Heraclião [8] 16 15 15 16 19 22 24 25 24 22 20 18
Malta [9] 16 16 15 16 18 21 24 26 25 23 21 18
Lárnaca [10] 18 17 17 18 20 24 26 27 27 25 22 19
Limassol [11] 18 17 17 18 20 24 26 27 27 25 22 19
Antália [12] 17 17 17 18 21 24 27 28 27 25 22 19
Alexandria [13] 18 17 17 18 20 23 25 26 26 25 22 20
Tel Aviv [14] 18 17 17 18 21 24 26 28 27 26 23 20

Biologia[editar | editar código-fonte]

Espécies emblemáticas [28] :

Maiores ameaças à biodiversidade:

  • Pressão urbanística nas zonas costeiras
  • Intensificação da agricultura nas planícies, abandono das terras altas
  • Desertificação em algumas áreas
  • Espécies exóticas invasoras

Cultura[editar | editar código-fonte]

Turismo[editar | editar código-fonte]

O Mediterrâneo é a região turística mais visitada em todo o mundo, são atrativos o patrimônio histórico, cultural, natural e paisagístico; o mar e clima; proximidade cultural e física do Mercado Europeu; visita as regiões históricas. Em 1996 atividade gerou mais de 5 milhões de empregos na região [29] .

Gastronomia[editar | editar código-fonte]

Alguns elementos da culinária mediterrânica [30] :

Referências

  1. Eduardo de Freitas. Mar Mediterrâneo Equipe Brasil Escola. Página visitada em 15 de fevereiro de 2012.
  2. a b Central Intelligence Agency (CIA). Spain (Geography) (em inglês) The World Factbook. Página visitada em 15 de fevereiro de 2012.
  3. a b c Central Intelligence Agency (CIA). Greece (Geography) (em inglês) The World Factbook. Página visitada em 16 de fevereiro de 2012.
  4. Michael Ritter (10 de janeiro de 2009). Mediterranean or Dry Summer Subtropical Climate (em inglês). Página visitada em 21 de fevereiro de 2012.
  5. História do Mundo. Civilização Fenícia - História dos Fenícios. Página visitada em 15 de fevereiro de 2012.
  6. Natalia Yudenitsch (1 de novembro de 2005). Constantinopla: a queda da última estrela do Império Bizantino Aventuras na História. Página visitada em 21 de fevereiro de 2012.
  7. Khan el Khalili. Canal de Suez. Página visitada em 21 de fevereiro de 2012.
  8. Central Intelligence Agency (CIA). Gilbraltar (Geography) (em inglês) The World Factbook. Página visitada em 15 de fevereiro de 2012.
  9. Central Intelligence Agency (CIA). France (Geography) (em inglês) The World Factbook. Página visitada em 16 de fevereiro de 2012.
  10. Central Intelligence Agency (CIA). Monaco (Geography) (em inglês) The World Factbook. Página visitada em 16 de fevereiro de 2012.
  11. Central Intelligence Agency (CIA). Italy (Geography) (em inglês) The World Factbook. Página visitada em 16 de fevereiro de 2012.
  12. Central Intelligence Agency (CIA). Malta (Geography) (em inglês) The World Factbook. Página visitada em 16 de fevereiro de 2012.
  13. Central Intelligence Agency (CIA). Slovenia (Geography) (em inglês) The World Factbook. Página visitada em 16 de fevereiro de 2012.
  14. Central Intelligence Agency (CIA). Croatia (Geography) (em inglês) The World Factbook. Página visitada em 16 de fevereiro de 2012.
  15. Central Intelligence Agency (CIA). Bosnia and Herzegovina (Geography) (em inglês) The World Factbook. Página visitada em 16 de fevereiro de 2012.
  16. Central Intelligence Agency (CIA). Montenegro (Geography) (em inglês) The World Factbook. Página visitada em 16 de fevereiro de 2012.
  17. Central Intelligence Agency (CIA). Albania (Geography) (em inglês) The World Factbook. Página visitada em 16 de fevereiro de 2012.
  18. Central Intelligence Agency (CIA). Cyprus (Geography) (em inglês) The World Factbook. Página visitada em 16 de fevereiro de 2012.
  19. Central Intelligence Agency (CIA). Turkey (Geography) (em inglês) The World Factbook. Página visitada em 16 de fevereiro de 2012.
  20. Central Intelligence Agency (CIA). Syria (Geography) (em inglês) The World Factbook. Página visitada em 21 de fevereiro de 2012.
  21. Central Intelligence Agency (CIA). Lebanon (Geography) (em inglês) The World Factbook. Página visitada em 21 de fevereiro de 2012.
  22. Central Intelligence Agency (CIA). Israel (Geography) (em inglês) The World Factbook. Página visitada em 21 de fevereiro de 2012.
  23. Central Intelligence Agency (CIA). Egypt (Geography) (em inglês) The World Factbook. Página visitada em 21 de fevereiro de 2012.
  24. Central Intelligence Agency (CIA). Lybia (Geography) (em inglês) The World Factbook. Página visitada em 21 de fevereiro de 2012.
  25. Central Intelligence Agency (CIA). Tunisia (Geography) (em inglês) The World Factbook. Página visitada em 21 de fevereiro de 2012.
  26. Central Intelligence Agency (CIA). Algeria (Geography) (em inglês) The World Factbook. Página visitada em 21 de fevereiro de 2012.
  27. Central Intelligence Agency (CIA). Morocco (Geography) (em inglês) The World Factbook. Página visitada em 21 de fevereiro de 2012.
  28. Commission Internationale pour l'Exploration Scientifique de la Mer Mediterranee. CIESM Atlas of Exotic Species in the Mediterranean (em inglês). Página visitada em 21 de fevereiro de 2012.
  29. Cristina Teixeira, Renata Romão, Ricardo Vieira e Hugo Rosa (2006/2007). O Turismo no Mediterrâneo Escola Superior de Tecnologia e Gestão Instituto Politécnico de Beja. Página visitada em 21 de fevereiro de 2012.
  30. Anderson Luiz da Silva (2 de dezembro de 2009). Cozinha Mediterranea. Página visitada em 16 de fevereiro de 2012.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Angelo Mojetta, Mar Mediterraneo, White Star, 2005. ISBN 88-5400-247-X.
  • Egidio Trainito, Atlante di flora & fauna del Mediterraneo: guida all'ambiente sommerso, Il Castello, 2005. ISBN 88-8039-395-2.
  • Wagner, Horst-Günter, Mittelmeerraum, Geografia, Historia, Economia, Darmstadt 2011, 230 pp. [ISBN 978-3-534-23179-9].

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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