Medula adrenal

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Medula da glândula suprarrenal
Gray1185.png
Medula legendada na zona inferior direita.
Latim Medulla glandulae suprarenalis
Gray assunto #277 1280
Sistema Endócrino
Vascularização A. suprarrenal superior,
A. supra-renal média,
A. suprarrenal inferior
Drenagem venosa Veia suprarrenal
Inervação Plexo celíaco, plexo renal
Drenagem linfática Gânglios lombares
Precursor Crista neural
MeSH Adrenal+Medulla
Zona medular da suprarrenal.

A medula da suprarrenal é a parte central da glândula adrenal, sendo rodeada pelo córtex adrenal.

Histologia[editar | editar código-fonte]

A medula da suprarrenal apresenta dois tipos celulares: as células cromafins e as células ganglionares. Quando corada em H+E, a medula da suprarrenal é composta por cordões de células com citoplasma ligeiramente basófilo e granular e com numerosos capilares, no estroma. Os canais venosos que drenam os sinosóides do córtex passam através da medula em direcção à veia medular central.

Células cromafins[editar | editar código-fonte]

As células cromafins são as mais abundantes e podem ser consideradas neurónios simpáticos pós-ganglionares, uma vez que são estimuladas pela acetilcolina libertada de neurónios simpáticos pré-ganglionares, em casos de stress agudo físico ou psicológico. Estas células produtoras de catecolaminas apresentam um núcleo grande, um complexo de Golgi bem desenvolvido e grânulos secretores de catecolaminas. Quando corados com sais de crômio, os grânulos scretores oxidam e apresentam uma coloração castanha, daí o seu nome, cromafins. A maioria das células produz adrenalina.[1]

Células ganglionares parassimpáticas[editar | editar código-fonte]

São escassas e têm as características típicas de células ganglionares autónomas. Possuem um grande núcleo com cromatina dispersa e nucléolo proeminente e um citoplasma basófilo extenso.[1]

Hormônios[editar | editar código-fonte]

Catecolaminas[editar | editar código-fonte]

As catecolaminas se referem aos hormônios adrenalina e noradrenalina. Quando a medula adrenal é estimulada pelo sistema nervoso simpático, aproximadamente 80% da secreção é adrenalina e 20% noradrenalina, estes percentuais variam de acordo com diferentes condições psicológicas;

Os efeitos combinados incluem:

A diminuição dos níveis de catecolaminas com o treinamento justifica, em parte, a bradicardia.

Bioquímica[editar | editar código-fonte]

As catecolaminas são compostos orgânicos com um catecol (benzeno e dois grupos laterais hidroxilo) e uma cadeia lateral amina. São produzidas pelas células cromafins, a partir dos aminoácidos tirosina e fenilalanina, e libertadas para a corrente sanguínea em situações de stress físico ou psicológico ou de estimulação simpática.

Síntese de Catecolaminas.

A Fenilalanina pode ser convertida a Tirosina pela enzima fenilalanina hidroxilase. O primeiro passo da biossíntese das catecolaminas é também o seu passo limitante e consiste nas sua hidroxilação a L-Dopa pela enzima Tirosina Hidroxilase. Esta enzima precisa de cobre como co-factor e é inibida pela AMPT (α-metil-p-tirosina). O L-Dopa é o precursor comum de todas as catecolaminas. A primeira catecolamina a ser sintetizada a partir deste precursor é a Dopamina. De seguida, a Dopamina pode ser convertida, pela Dopamina β-hidroxilase, a noradrenalina e esta é, por fim, convertida a adrenalina. Estas duas últimas são as catecolaminas produzidas pela Suprarrenal.

Em circulação, as catecolaminas têm uma meia-vida biológica de poucos minutos. Podem ser degradadas por metilação, pela COMT (catecol-O-metiltransferase), ou por desaminação, pela MAO (monoamina oxidase).

Patologia[editar | editar código-fonte]

Geralmente, as patologias da medula da suprarrenal estão associadas a tumores, que podem ser estimuladores ou inibidores da produção de catecolaminas.

Uma das principais patologias desta zona da glândula é o feocromocitoma, tumores que estimulam, de forma descontrolada, a produção de catecolaminas, podendo ser benignos ou malignos.

Referências

  1. a b Young, Barbara, James S. Lowe, Alan Stevens, and John W. Heath. "Endocrine System." Wheater's Functional Histology. 5th ed. New Delhi: Elsevier, 2006. 341. Print.