Mein Kampf

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Mein Kampf
Autor (es) Adolf Hitler
Idioma alemão
País  Alemanha
Género autobiografia
teoria política
Editora Eher Verlag
Lançamento 18 de Julho de 1925 (89 anos)
Páginas 720
ISBN 0-395-92503-7
Cronologia
Último
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Zweites Buch
(não publicado)
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Mein Kampf é o título do livro de dois volumes de autoria de Adolf Hitler, no qual ele expressou suas ideias antissemitas, racialistas e nacional-socialistas então adotadas pelo partido nazista. O primeiro volume foi escrito na prisão e editado em 1925, o segundo foi escrito por Hitler fora da prisão e editado em 1926. Mein Kampf tornou-se um guia ideológico e de ação para os nazistas, e ainda hoje influencia os neonazistas, sendo chamado por alguns de "Bíblia Nazista".[1]

É importante ressaltar que as ideias propostas em Mein Kampf não surgiram com Hitler, mas são oriundas de teorias e argumentos então correntes na Europa. Na Alemanha nazista, era uma exigência não oficial possuir o livro. Era comum presentear o livro a crianças recém-nascidas, ou como presente de casamento. Todos os estudantes o recebiam na sua formatura.[2]

Título[editar | editar código-fonte]

É importante notar a flexibilidade conotativa e contextual da língua alemã da palavra "Kampf", que traz diversas possibilidades de traduções do título para o português. A palavra também pode ser traduzida como "luta", "combate", ou até mesmo como "guerra"' o que é evidenciado por vários exemplos como os nomes alemães de diversos tanques ("Panzerkampfwagen", traduzido como "Veículo de guerra blindado") ou por números de bombardeiros ("Sturzkampfflugzeug", traduzido como "Avião bombardeiro de guerra"). A grande maioria dos linguistas, entretanto, ainda julgam "Minha Luta" a tradução correta.

História[editar | editar código-fonte]

Hitler começou a ditar o livro para Emil Maurice enquanto estava preso em Landsberg, e depois de Julho de 1924 passou a ditar para Rudolf Heß, que posteriormente, com a ajuda de especialistas, aos poucos editou o livro. Por sua peculiar natureza verbal, a obra original mostrou-se repetitiva e de difícil leitura, por isso precisou ser editada e reeditada antes de chegar à editora. Ele foi dedicado a Dietrich Eckart, membro da Sociedade Thule.

O título original da obra era "Viereinhalb Jahre [des Kampfes] gegen Lüge, Dummheit und Feigheit" ("Quatro anos e meio de luta contra mentiras, estupidez e covardia"), porém Max Amann, o encarregado das publicações nazistas, decidiu que o título era muito complicado e achou melhor abreviá-lo para Mein Kampf - Minha Luta. Amann ficou desapontado com o conteúdo da obra, pois esperava uma história pessoal de Hitler detalhada e com ênfase no Putsch da Cervejaria, que acreditava se tornaria uma ótima leitura; Hitler, porém, não entrou em detalhes sobre sua vida pessoal e não escreveu nada sobre o Putsch.[2]

O primeiro volume, intitulado Eine Abrechnung, é essencialmente autobiográfico e foi publicado em 18 de julho de 1925; já o segundo volume, Die Nationalsozialistische Bewegung (O movimento nacional-socialista), é mais preocupado em expressar a doutrina nazista e foi publicado em 1926.

Conteúdo[editar | editar código-fonte]

Antissemitismo
Judenstern

Antissemitismo e Antijudaísmo
História  · Linha do tempo  · Bibliografia

Manifestações de antissemitismo
Movimentos de antiglobalização  · Árabes  · Cristianismo  · Islamismo  · Nation of Islam e antissemitismo  · Novo antissemitismo  · Antissemitismo racial  · Antissemitismo religioso  · Antissemitismo secundário  · antissemitismonas universidades  · Antissemitismo ao redor do mundo

Alegações
Deicídio · Libelos de sangue · Assassinatos rituais
Envenenamento de poços · Dessacramento de hóstias
Lobby judaico · Bolchevismo judaico · Imposto kosher
Caso Dreyfus
Governo de Ocupação Sionista
Negação do Holocausto

Publicações antissemitas
Sobre os judeus e suas mentiras Os Protocolos dos Sábios de Sião
O Judeu Internacional
Mein Kampf
A Cultura da Crítica

Perseguições
Expulsões · Guetos · Pogroms
Chapéu judeu · Judensau
Estrela amarela · Inquisição Espanhola
Segregação · Holocausto
Nazismo · Neonazismo

Oposição ao antissemitismo
Anti-Defamation League
Community Security Trust
Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia  · Instituto Stephen Roth
Wiener Library · SPLC · SWC
UCSJ · SKMA · Yad Vashem

Categorias
Antissemitismo · História judaica

As principais ideias do livro são aquelas que mais tarde foram aplicadas durante a Alemanha nazista e a Segunda Guerra Mundial. Hitler desejava transformar a Alemanha num novo tipo de Estado, que se alicerçasse com o conceito de raças humanas e incluísse todos os alemães que viviam fora da Alemanha, estabelecendo também o Führerprinzip - conceito do líder -, em que Hitler dita que ele deveria deter grandes poderes, estabelecendo uma ideologia universal (Weltanschauung).

O livro é dominado pelo antissemitismo. Hitler diz, por exemplo, que a língua internacional Esperanto faz parte da conspiração dos judeus, e faz comentários a favor da antiga ideia nacionalista Alemã do "Drang nach Osten": a necessidade de ganhar o Lebensraum (espaço vital) para o leste, especialmente na Rússia.

Outro aspecto importante é o posicionamento político claramente anticomunista, e uma preocupação evidente com a expansão da ideologia marxista, tida pelo autor como "uma ideia tão judaica quanto o próprio capitalismo". Hitler usou como tese principal o "Perigo Judeu", que fala sobre a conspiração dos Judeus para ganhar a liderança na Alemanha. No entanto, o livro também é autobiográfico: dá detalhes da infância de Hitler e o processo pelo qual ele se transformou em um nacionalista, depois num antissemita, e finalmente num militarista, tendo sido marcado pela sua juventude em Viena, Áustria.

Popularidade[editar | editar código-fonte]

A apreensão dos extratos de conta dos direitos autorais da Eher Verlag - a editora nazista - feitas pelos Aliados em 1945, revelou que em 1925, ano de seu lançamento, Mein Kampf (custando 12 marcos cada volume) vendeu 9 473 exemplares, a partir de então as vendas caíram gradativamente para 6 913 em 1926, para 5 607 em 1927 e somente 3 015 em 1928. Com as vitórias nas eleições pelos nazistas, a partir de 1929 as vendas cresceram, alcançando 7 669 naquele ano, e saltando para 54 086 em 1930, ano em que surgiu uma edição popular de oito marcos. Em 1931, 50 808 exemplares foram vendidos, e 90 351 em 1932. Em 1933 quando Hitler se tornou chanceler, as vendas saltaram para um milhão de exemplares. Em 1940, seis milhões de exemplares do Mein Kampf foram vendidos.[3] O Partido nazista afirmou que o livro antes disso já era um grande vendedor. Hitler possuía rendimento de 10% dos direitos autorais sobre o livro (sua principal fonte de renda a partir de 1925), 15% a partir de 1933, quando o rendimento da venda do livro superou um milhão de marcos.[2]

Direitos autorais[editar | editar código-fonte]

Os direitos do livro, que pertenciam a Adolf Hitler, foram entregues ao Estado da Baviera, por ordem do mesmo. O Estado da Baviera recusa-se a republicar e permitir republicações do livro, por isso o mesmo não se encontra mais à venda, porém tais direitos cairão em domínio público no dia 31 de Dezembro de 2015, quando poderá ser editado e traduzido por outras editoras.

Índices[editar | editar código-fonte]

O arranjo dos capítulos é como segue:

  • Introdução
  • Volume I: Uma conta
    • Capítulo 1: Na casa paterna
    • Capítulo 2: Anos de aprendizado e de sofrimento em Viena
    • Capítulo 3: Reflexões gerais sobre a política da época de minha estadia em Viena
    • Capítulo 4: Munique
    • Capítulo 5: A Guerra Mundial
    • Capítulo 6: A propaganda da guerra
    • Capítulo 7: A revolução
    • Capítulo 8: O começo de minha atividade política
    • Capítulo 9: O Partido Trabalhista Alemão
    • Capítulo 10: Causas primárias do colapso
    • Capítulo 11: Povo e Raça
    • Capítulo 12: O primeiro período de desenvolvimento do Partido Nacional Socialista
  • Volume II: O movimento nacional-socialista
    • Capítulo 1: Doutrina e partido
    • Capítulo 2: O Estado
    • Capítulo 3: Cidadãos e súditos do Estado
    • Capítulo 4: Personalidade e concepção do Estado Nacional
    • Capítulo 5: Concepção do mundo e organização
    • Capítulo 6: A luta nos primeiros tempos - A importância da oratória
    • Capítulo 7: A luta com a frente vermelha
    • Capítulo 8: O forte é mais forte sozinho
    • Capítulo 9: Idéias fundamentais sobre o fim e a organização dos trabalhadores socialistas
    • Capítulo 10: A máscara do federalismo
    • Capítulo 11: Propaganda e organização
    • Capítulo 12: A questão sindical
    • Capítulo 13: Política de aliança da Alemanha após a Guerra
    • Capítulo 14: Orientação para leste ou política de leste
    • Capítulo 15: O direito de defesa
  • Conclusão
  • Índice

Traduções em português[editar | editar código-fonte]

  • 1934 - Ed. Livraria do Globo Pôrto Alegre (Brasil)
  • 1962 - Ed. Mestre Jou (Brasil)
  • 1976 - Ed. Afrodite (Portugal - baseada na brasileira de 1934)
  • 1983 - Ed. Moraes (Brasil)
  • 1987 - Ed. Pensamento (Brasil - baseada na de 1934)
  • 1990 - Ed. Revisão (2 tomos) (Brasil)
  • 1998 - Ed. Hugin (Portugal)
  • 2001 - Ed. Centauro (Brasil)

Referências

  1. "Mein Kampf" será publicado pela primeira vez desde a guerra
  2. a b c Ascensão e queda do Terceiro Reich Triunfo e Consolidação 1933-1939. Volume I. William L. Shirer. Tradução de Pedro Pomar. Agir Editora Ltda., 2008. Pág.: 320-321. ISBN 978-85-220-0913-8
  3. Adolf Hitler: Tax-payer (Adolf Hitler: contribuinte) publicado no The Americal Historical Review, julho de 1955, Oron James Hale.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]