Meliponini

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Como ler uma caixa taxonómicaMeliponini
Abelha Jatai

Abelha Jatai
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Ordem: Hymenoptera
Subordem: Apocrita
Superfamília: Apoidea
Família: Apidae
Tribo: Meliponini
Géneros
Ver Texto

Meliponini é uma tribo de abelhas da família Apidae, mesmo grupo que inclui também as abelhas melíferas mais conhecidas do gênero Apis, as abelhas das orquídeas da tribo Euglossini, as abelhas carpinteiras da sub-família Xylocopinae e as mamangabas da tribo Bombini. As meliponinis são conhecidas popularmente como abelhas sem ferrão, o que não é uma denominação totalmente adequada uma vez que elas na verdade possuem ferrão, embora ele seja atrofiado e não possa ser utilizado como arma defensiva. As estimativas dão conta de que existam entre 500 e 800 espécies nesta tribo espalhadas pelas zonas tropicais e sub-tropicais do planeta, em particular na Austrália e zona circundante, na África e principalmente na América Latina. A maioria não produz ou produz muito pouco mel, embora algumas espécies do grupo o façam em abundância e alcancem até mesmo uma produtividade por abelha maior que a das abelhas do gênero Apis. O grupo tem também grande importância na polinização da flora dos seus ecossistemas. Na África e na América do Sul algumas espécies são valorizadas na medicina tradicional devido às qualidades antissépticas do seu mel, que possui uma concentração bem maior de substâncias inibidoras do desenvolvimento de microrganismos do que ocorre nas abelhas europeias e africanas do gênero Apis.

Como o nome vulgar indica, as abelhas meliponíneas são incapazes de ferroar, mas muitas delas defendem as colmeias agressivamente através de mordidas com suas mandíbulas, tentando penetrar no nariz e nos ouvidos, emaranhando-se nos cabelos ou depositando própolis sobre seus agressores. Algumas espécies, nomeadamente as do gênero Oxytrigona como a tataíra, segregam substâncias ácidas nas mandíbulas que produzem mordidelas dolorosas. Outras espécies, contudo, são muito mansas e incapazes de se proteger de agressões por parte de animais maiores ou de seres humanos, o que em muitos lugares tem contribuído para o seu desaparecimento na natureza.

As abelhas deste grupo produtoras de mel pertencem geralmente aos gêneros Trigona, Scaptotrigona,Tetragonisca, Melipona e Austroplebia, embora existam outros gêneros contendo espécies que produzem algum mel aproveitável. Elas são cultivadas na meliponicultura da mesma forma que as abelhas com ferrão do gênero Apis são cultivadas na apicultura.

Comportamento[editar | editar código-fonte]

Assim como as abelhas com ferrão do gênero Apis, as abelhas sem ferrão são altamente sociais e formam colônias cujo número de indivíduos pode variar entre apenas umas poucas centenas até várias dezenas de milhares. Em geral elas nidificam em ocos encontrados nos troncos de árvores, mas podem também utilizar cavidades naturais em barrancos e no solo, espaços vazios em muros e paredes de casas e mesmo ninhos abandonados de formigas e cupins. Muitas espécies podem também ser adaptadas a colmeias artificiais de vários tipos. O ninho é organizado de forma muito diferente do que ocorre nas abelhas do gênero Apis, pois ao invés de favos horizontais agrupados em lamelas verticais as Mepilonini os constroem na posição vertical, formando discos horizontais ou estruturas helicoidais. O material de construção destes favos é uma mistura da cera produzida pelas próprias abelhas com resinas vegetais recolhidas de diversas plantas, e recebe o nome de cerume ou cerúmen. Algumas espécies menores do grupo não constroem favos, que são substituídos por pequenas esferas agrupadas formando cachos.

Os discos de favos tem tamanho muito variável de acordo com a espécie, e vão se sobrepondo uns aos outros separados por colunas constituídas do mesmo material, até formar uma pilha com diversos andares. Em muitas espécies este conjunto de favos é envolvido por uma estrutura quase totalmente fechada composta por camadas de lamelas ou placas de cerume, que serve para proteger e facilitar o controle de temperatura do ninho e recebe o nome de invólucro. Em cada favo as abelhas operárias depositam uma mistura de pólen e mel que servirá de alimento para a larva, oriunda de um ovo depositado pela rainha, e o favo é depois lacrado permanentemente até que a nova abelha esteja formada e possa eclodir. Depois disso as abelhas desmontam o favo e reaproveitam o material em novas construções.

Ao contrário do que ocorre nas abelhas do gênero Apis, o mel e o pólen estocados pela colônia não são armazenados nos favos, que servem apenas para o crescimento das crias. Ao invés disso eles são estocados em potes especiais construídos pelas abelhas também com cerume, que tem forma oval ou mais raramente cilíndrida e podem, dependendo da espécie, chegar ao tamanho de um ovo de galinha. Estes potes em geral são construídos ao redor do invólucro ou mesmo em cavidades adjacentes àquela onde está localizado o ninho. A vedação das frestas e o preenchimento de volumes não aproveitados da cavidade utilizada pela colônia para a nidificação ou o estoque de alimentos é feita com uma mistura de cerume, argila e em alguns casos até mesmo esterco de animais, chamada geoprópolis. Diferentes espécies de abelhas sem ferrão utilizam quantidades distintas de geoprópolis em suas colméias. As abelhas da espécie mandaçaia por exemplo o empregam em grande quantidade, ao passo que as da espécie jataí quase não o utilizam.

A colônia de abelhas sem ferrão é composta por diversas castas, que incluem uma rainha (ou mais de uma em algumas espécies), abelhas operárias, zangões e princesas, que são as rainhas ainda não fecundadas. Ao contrário das abelhas com ferrão, as operárias da tribo Meliponini podem também colocar ovos férteis, dos quais em geral nascem apenas zangões. Contudo, já foi observado em mais de uma espécie a ocorrência de fecundação de operárias pelos zangões, e nestes casos as operárias passam a ser capazes de colocar ovos fecundados produzindo outras fêmeas. Diferentemente do que ocorre no gênero Apis, nas abelhas do gênero Melipona a determinação da casta das fêmeas obedece a fatores genéticos e não a alimentação especial das larvas selecionadas para serem rainhas. Este grupo, portanto, não produz a geleia real. Já nas espécies da tribo Trigonini geralmente é a quantidade de alimento ingerido pelas larvas que determina a evolução destas como rainhas, e por isso as operárias constroem favos maiores para acomodar as larvas quando é época de multiplicação da colônia ou se uma nova rainha se tornar necessária. Tais favos de grande tamanho são chamados "células reais".

Produção de mel[editar | editar código-fonte]

Embora o tamanho das colônias da maioria dessas abelhas seja muito menor que o das abelhas europeias e africanas do gênero Apis, em certas espécies a produtividade de mel por abelha pode ser bastante elevada, com colônias contendo menos de mil insetos sendo capazes de produzir até 3 ou 4 litros de mel por ano. Provavelmente a campeã mundial em produtividade, a manduri (Melipona Marginata) vive em enxames com apenas cerca de 300 indivíduos, mas mesmo assim pode produzir até 3 litros de mel por ano nas condições adequadas. Ela é uma das menores entre todas as abelhas do gênero Melipona, com comprimento de 6 a 7 mm, e está sendo usada em alguns países como o Japão e a Alemanha como polinizadoras em estufas. Mas, apesar de não tenderem a atacar se não forem molestadas, quando sentem que seu ninho está sob ameaça sua reação é violenta e estas pequenas abelhas mordem tão fortemente que podem machucar a pele das pessoas.

Espécies do gênero Scaptotrigona formam grandes colônias com até 20.000 indivíduos e podem produzir 8-12 litros de mel por ano, mas são um tanto agressivas e, portanto, não muito populares entre os meliponicultores. No Brasil, alguns criadores maiores têm mais de 3.000 colmeias de espécies mais dóceis mas ainda altamente produtivas no gênero Melipona, como a tiúba (M. Compressipes), uruçu verdadeira (M. Scutellaris) e jandaíra (M. Subnitida), cada um com até 3.000 ou mais abelhas, e podem produzir mais de 1,5 toneladas de mel por ano (em grandes explorações de abelhas a disponibilidade de flores limita a produção de mel por colônia). Muitas outras espécies também são criadas em escala menor, como a mandaçaia (M. Quadrifaciata), a guaraipo (M. Bicolor) ou a jataí (Tetragonisca angustula). Na América central as espécies M. Beecheii e M. Yucatanica eram criadas pelos maias há milhares de anos, de forma semi ritualística, e os seus descendentes ainda praticam a criação embora esta atividade esteja desaparecendo com a introdução da criação das abelhas do gênero Apis. Também na África está se iniciando a criação de abelhas sem ferrão com espécies como a Meliponula Bocandei. Na Austrália e região do indo-pacífico também está se difundindo a criação de abelhas sem ferrão de espécies nativas como a Tetragonula carbonaria australiana e a Tetragonula Laeviceps das Filipinas. Estas espécies orientais, contudo, produzem apenas quantidades marginais de mel, e sua criação visa mais a sua capacidade de polinização ou simplesmente a proteção das espécies contra a extinção.

Sendo considerado mais palatável por não ser excessivamente doce, e tendo também propriedades medicinais mais pronunciadas do que o mel das abelhas do gênero Apis, o mel de abelhas sem ferrão retorna valores muito elevados em o mercado, até cinco ou dez vezes maior do que o mel comum produzido pelas abelhas européias ou africanizadas. Isso faz com que a produção seja muito interessante comercialmente apesar de ser necessário um número muito maior de colmeias para que se possa produzir quantidades equivalentes de mel.

O mel de abelhas sem ferrão tem geralmente uma cor mais clara e um maior teor de água (de 25 % até 35%) em comparação com o mel de gênero Apis, cujo mel é constituído por 20% ou menos de água. Isto contribui para que o seu sabor menos enjoativo, mas também faz com que estrague mais facilmente. Assim, para a comercialização deste mel ele precisa ser processado através de dissecação, pasteurização ou maturação. Em seu estado natural ele deve ser mantido sob refrigeração.

Géneros[editar | editar código-fonte]

Austroplebeia
Cephalotrigona
Cleptotrigona
Dactylurina
Frieseomelita
Hypotrigona
Lestrimelitta
Liotrigona
Lisotrigona
Melipona
Meliponula
Meliwillea
Nannotrigona
Nogueirapis
Oxytrigona
Paratrigona
Pariotrigona
Partamona
Plebeia
Plebeina
Scaptotrigona
Trichotrigona
Trigona
Trigonisca

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


Ícone de esboço Este artigo sobre abelhas é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.