Memória eidética

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Kim Peek, personagem que inspirou Rain man.

Memória eidética, popularmente conhecida como Memória fotográfica, é a capacidade de se lembrar de coisas ouvidas e vistas, com um nível de detalhe quase perfeito[1] . Eidética vêm do grego εἶδος ('eidos'), significa 'visto', e atualmente é usado para descrever algo marcado por ou envolvendo memórias extraordinariamente precisas e vívidas, especialmente as visuais. [2]

Em filosofia[editar | editar código-fonte]

Em filosofia, se refere à essência do conhecimento intuitivo eidética (eidos, em grego). As diferentes possibilidades de conhecimento do fenômeno (aparência) e o númeno (coisa em si) é uma discussão que vem, pelo menos, de Immanuel Kant. Podemos acrescentar que a distinção entre o conhecimento da coisa em si e o conhecimento de nossa percepção das coisas é a questão fundamental da alegoria "da Caverna" de Platão, filósofo grego clássico. Para resolver a actual fenomenologia de Husserl, o conceito eidético é central.

Testes científicos[editar | editar código-fonte]

Estereograma de pontos.

Em 1970, um cientista de Harvard chamado Charles Stromeyer III publicou um artigo histórico na Nature sobre uma estudante de Harvard chamada Elizabeth, que poderia realizar uma façanha surpreendente. Stromeyer mostrou a Elizabeth um padrão de 10.000 pontos aleatórios com seu olho esquerdo coberto, e um dia depois, ele mostrou outro padrão de mais 10.000 pontos com seu olho direito coberto. Fusionando os 20.000 pontos Elizabeth identificou a figura 3D formada pelo estereograma e se tornou a primeira e única prova de que a memória fotográfica é possível. Anos depois o cientista casou-se com ela, após isso, ela nunca mais repetiu esse experimento em público.[3]

Em 1979, um pesquisador chamado John Merritt publicou os resultados de um teste de memória fotográfica que ele havia colocado em revistas e jornais de todo o país. Merritt esperava encontrar alguém com habilidades semelhantes às de Elizabeth, e ele infere que cerca de 1 milhão de pessoas tentaram o teste. Desse número, 30 escreveram-lhe com a resposta certa. Ele visitou 15 deles em suas casas. No entanto, com o cientista olhando por cima de seus ombros, nenhum deles conseguiu repetir o truque de Elizabeth.[3]

Devido a ausência de outros testes com Elizabeth, do único pesquisador a ter testemunhado esse experimento ter se casado com ela e de nenhum outro caso semelhante ter sido encontrado muitos cientistas questionam a existência de memória realmente fotográfica, sendo apenas uma memória excepcionalmente boa para uma quantidade restrita de fatos de seu interesse e grande dedicação para memorizar os detalhes usando inúmeras técnicas mnemônicas como o Palácio da memória (method of loci). [3]

Vários ganhadores do Campeonato Mundial de Memória venceram graças a suas técnicas de memorização, dedicação e memória excepcionalmente boa mesmo sem possuir memória fotográfica.[4]

Casos de memórias notáveis[editar | editar código-fonte]

Nikola Tesla possuía uma memória impressionante para física e matemática, que se assemelhava a uma memória fotográfica.

Kim Peek, o savant de 53 anos de idade, que foi a base para o personagem de Dustin Hoffman em "Rain Man", diz ter memorizado cada página dos 9000 livros que já leu além de ler em média 8 a 12 segundos por página (com cada olho lendo uma página diferente de forma independente), mas essa reivindicação não foi testada com rigor científico. Outro savant, Stephen Wiltshire, tem sido chamado de "câmera humana" por sua habilidade para criar desenhos de uma cena, depois de olhar para ela durante apenas alguns segundos. Mas mesmo ele toma algumas liberdades ao repetir a cena.[3]

Um pintor nos Estados Unidos que pinta quadros, com incrível precisão, de casas, quartos, ruas e paisagens que ele viu somente nos primeiros anos de sua infância numa aldeia da Itália. Não é claro se este homem tem uma capacidade de memória eidética, uma compulsão em lembrar de detalhes de sua infância ou uma epilepsia do lobo temporal que às vezes dá a ele a sua capacidade surpreendente de capturar cenas de seus primeiros anos. Porém ele não consegue repetir esse feito a sua própria vontade.[5]

Andriy Slyusarchuk ficou famoso ao memorizar o número Pi até o milionésimo dígito e também qual número da página e linha em que uma combinação de números estava impressa. [6]

O guru indiano Swami Vivekananda supostamente foi capaz de ler volumes de dez enciclopédias diferentes em apenas alguns dias e recordar o conteúdo de todas elas.[6]

Mozart, Hans von Bulow e Rachmaninoff. Este possuiam memória auditiva extraordinária para músicas que podem ser devido ao treinamento intenso, dedicação e foco somados a um grande talento e que são restritos a música. [6]

Stephen Wiltshire, foi capaz de desenhar a silhueta de uma cidade inteira após um passeio de helicóptero.[7]

Daniel Tammet foi capaz de lembrar os primeiros 22.514 dígitos de pi e é proficiente em 11 línguas.

Carl Friedrich Gauss matemático alemão, conhecido como o "Príncipe da Matemática", também é conhecido por ser portador de uma memória excepcional, associada à sua genialidade em matemática, permitiu-lhe a concepção de diversas descobertas no campo da matemática, da astronomia e da física, que lhe renderam o reconhecimento como um dos maiores gênios de sua época.

Personagens fictícios[editar | editar código-fonte]

Em The Big Bang Theory, Sheldon Cooper tem uma memória excepcional para todas as áreas do conhecimento.

Ao contrário dos casos reais, os personagens fictícios costumam possuir memória fotográfica para qualquer fato de seu interesse em inúmeras áreas da ciência simultaneamente sem precisar dedicar décadas de estudo a cada uma delas. Alguns exemplos de memória fotográfica são:

Ver também[editar | editar código-fonte]

Lista de personagens com memória eidética da wikipédia em inglês

Referências

  1. Lucia Reily. Armazém de imagens: ensaio sobre a produção artística de pessoas com deficiência. [S.l.]: Papirus Editora. 110 p. 9788530806279
  2. http://www.merriam-webster.com/dictionary/eidetic
  3. a b c d http://www.slate.com/id/2140685
  4. John O'Keefe & Lynn Nadel, The Hippocampus as a Cognitive Map, Oxford University Press, 1978, p389-390
  5. OLIVER SACHS. Uma antropóloga em Marte: Sete casos paradoxais. Capítulo: A Paisagem dos Seus Sonhos. Londres, 199S: Editora Picador.
  6. a b c http://hubpages.com/hub/Eidetic-Memory-Is-It-Real
  7. David Martin. Savants: Charting "islands of genius", CNN broadcast September 14, 2006.