Memorial (associação)

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Memorial (em russo: Мемориал), Sociedade Memorial ou Associação Memorial, é uma ONG russa de defesa dos direitos humanos, com origem no período da Perestroika, quando organizou uma assistência aos prisioneiros políticos vítimas do regime soviético.

Missão e atividades[editar | editar código-fonte]

O nome completo da Memorial é 'MEMORIAL Historical, Educational, Human Rights And Charitable Society. De acordo com sua carta, o Memorial tem como objetivo:

  • Para promover a sociedade civil e democracia, baseada no Estado de direito e, portanto, para evitar um retorno ao totalitarismo.
  • Para auxiliar a formação da consciência pública com base nos valores da democracia e da lei, para se livrar de padrões totalitários e estabelecer firmemente os direitos humanos na prática política e na vida pública
  • Para promover a revelação da verdade sobre o passado histórico e perpetuar a memória das vítimas da repressão política exercida pelos regimes totalitários.[1]

Isso é feito, em particular, mantendo um banco de dados eletrônico das vítimas do terror político na URSS. [2]

Memorial organiza a assistência, tanto jurídica como financeira para as vítimas do Gulag. Ele também realiza pesquisas sobre a história da repressão política e divulga os resultados em livros, artigos, exposições, museus e sites de suas organizações membros.

História[editar | editar código-fonte]

Foi criada pelo dissidente Andrei Sakharov em 1988, ele escreveu para diversos ativistas civis e políticos colocando a idéia de criar um memorial às vítimas da repressão de Joseph Stalin. A ideia sugerida foi a criação de um monumento, um museu, um arquivo e uma biblioteca. Isso levou a um movimento informal dentro da União Sovietica, que ampliou os objetivos originais. Ele organizou uma petição para a XIX ª Conferência do PCUS, a petição resultou na conferência decretando a criação do monumento às vítimas da repressões.[3] [4] [5]

Veio para a ribalta de novo com o assassinato na Chechénia da investigadora Natalia Estemirova, em 15 de julho de 2009, que tinha sido ameaçada de morte pelo presidente checheno Ramzan Kadyrov. A Memorial é hoje perseguida por este, em tribunais russos, para « obter indemnizações relativas aos prejuízos na sua reputação » conforme relata Oleg Orlov, antigo presidente da sociedade Memorial.

Arquivos[editar | editar código-fonte]

Memorial também ajuda as pessoas a encontrar documentos, sepulturas, etc, de parentes politicamente perseguidos. Em 2005, Memorial tinha uma base de dados de mais de 1,3 milhões de nomes de tais pessoas.[6] Os arquivos foram usados pelo historiador britânico Orlando Figes, em 2008, quando ele estava pesquisando para seu livro The Whisperers: Private Lives in Stalin's Russia.[7]

Virtual Gulag[editar | editar código-fonte]

Um dos principais projetos do Memorial no momento é a criação do Museu Virtual do Gulag, que reunirá pesquisa e arquivos de toda a ex- União Soviética para comemorar e registrar a existência do Gulag e o sofrimento de suas vítimas.[8]

Prêmios[editar | editar código-fonte]

Em 2004, o Memorial foi um dos quatro ganhadores do Right Livelihood Award, por seu trabalho de documentar violações dos direitos humanos na Rússia e outros antigos estados da União Soviética.[9] Citando o júri RLA: "... para mostrar, sob condições muito difíceis, e com grande coragem pessoal, que a história deve ser registrada e compreendida, e os direitos humanos respeitados em todos os lugares." No mesmo ano, a agência de refugiados da ONU (UNHCR) proclamou Memorial o vencedor do anual Nansen Refugee Award por sua ampla gama de serviços em nome dos migrantes forçados e das pessoas deslocadas internamente na Federação Russa, bem como os refugiados da África, Ásia e no Oriente Médio.[10]

Em 2008, o Memorial ganhou o Prêmio Hermann Kesten. Em 2009, o Memorial ganhou o Prémio Sakharov, em memória do assassinato da Memorial ativista Natalia Estemirova.[11] Ao anunciar o prêmio, o presidente do Parlamento Europeu, Jerzy Buzek, disse que a assembléia esperava "contribuir para acabar com o círculo do medo e da violência circundante defensores dos direitos humanos na Federação Russa".[11]

A organização recebeu o Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento em 2009.

Ativistas[editar | editar código-fonte]

Alguns dos ativistas da sociedade Memorial são

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências