Mendoza (Argentina)

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Mendoza é a capital e a maior cidade da província de Mendoza, na Argentina. Localiza-se no oeste do país, nas bordas da Cordilheira dos Andes, sendo um importante pólo de produção de vinho e azeite, além de ser dos mais importantes pontos turísticos da Argentina.

A base da cidade atual surgiu de um ordenamento realizado em 1863 pelo agrimensor francês Ballofet e que inclui a disposição estratégica de várias praças. A atividade econômica está fortemente vinculada à indústria de elaboração de vinhos, alimentos, e outras bebidas e, também, com o refinamento de petróleo. Além disso, o setor de turismo se destaca bastante.

População[editar | editar código-fonte]

Segundo o censo de 2010, a cidade tem 114.822 habitantes, o que representa uma baixa demografia em relação aos 121.620 habitantes do censo de 1991. Este estancamento é produto da inexistência de lugares que permitam o crescimento da população, ao que se soma uma tendência geral da população a abandonar o centro, o qual é ocupado por oficinas e comércios.

A Grande Mendoza, por sua vez, possui aproximadamente 900 mil pessoas e apresenta um crescimento populacional de 10%. A cidade de Mendoza é a quarta cidade da Argentina.

História[editar | editar código-fonte]

A cidade de Mendoza durante o período colonial.

O primeiro assentamento espanhol na região foi estabelecido em 2 de março de 1561, quando Pedro de Castillo, comissionado por García Hurtado de Mendoza, fundou a cidade que logo seria a capital da província. No ano seguinte, 1562, foi transferida, operação que esteve a cargo de Juan Jufré. Grande parte da edificação colonial foi destruída em 20 de março de 1861 após um intenso terremoto.

A cidade é uma das poucas que conservou relações amistosas com os povos de origem, que habitavam a região antes da fundação. Na segunda metade do século XIX, Charles Darwin visitou a região e em suas escritas e diários de viagem se podem encontrar referências dos aspectos culturais, geológicos e biológicos (flora e fauna) da cidade na época.

A região em que a cidade está situada é semi-desértica, sendo que a água só é encontrada nos oasis, onde os rios que descem dos cumes dos Andes derramam suas turbulentas correntes de água. Dentro das pricipais cidades foram construídos drenadores, encarregados de regar as árvores nas calçadas das ruas.

Clima[editar | editar código-fonte]

Climograma de Mendoza.

Mendoza possui um clima árido e continental, as temperaturas apresentam uma grande oscilação anual e as precipitações são escassas. O verão é quente e úmido, com temperatura média girando em torno de 25°C, e é a época mais chuvosa do ano. O inverno é frio e seco, com temperatura média abaixo dos 10°C, geadas noturnas ocasioais e escassas precipitações. A ocorrência de neve e chuva com neve não são raras e ocorrem, geralmente, uma ou duas vezes por ano, embora com pouca intensidade nas zonas mais baixas da cidade.

Aspectos urbanos[editar | editar código-fonte]

Plaza Sarmiento, um parque da cidade.

O centro da cidade possui uma excelente arborização, com muitas árvores, regadas por canais pequenos que funcionam junto a muitas ruas, proporcionando a irrigação necessária. A cidade se concentra ao redor da Plaza Independencia, com uma rua peatonal, Sarmiento. Outras ruas importantes, que atravessam de forma transversal a Sarmiento, são a 9 de julio e a Av. San Martín, que é a principal. Paralelas a Sarmiento correm as ruas Aristides Villanueva e Las Heras.

Existem muitos cybercafés e armazéns ao ar livre em Mendoza. Alguns lugares contam com tecnologia inalâmbrica (redes wifi ou sem fio). Em 2005 foi eleita a cidade mais digital da América Latina no VI Encontro Ibero-americano de Cidades Digitais, devido à quantidade de serviços por internet que se oferecem a seus cidadãos.

Transportes[editar | editar código-fonte]

O Serviço Público de Transporte Urbano, na Gran Mendoza (Grande Mendoza) é atendido principalmente por um meio de locomoção ágil, os ônibus bi-articulados (ou Trolebuses, em espanhol). São 55 unidades, o maior número de toda Argentina.

Existe uma linha exclusiva de carros elétricos (Tranvía, em espanhol, bonde em português do Brasil) para passeios turísticos com paradas estratégicas por toda a cidade.

Vinhos de Mendoza[1] [editar | editar código-fonte]

Mendoza recebe a alcunha de “adega da Argentina”, pois a região metropolitana mendoncina é destacadamente a principal joia da coroa, com 70% da produção vinícola da Argentina, e esta ocupa o honroso 5.º lugar no mundo. Contrastam gigantescas vitivinícolas com as melhores tecnologias do mundo, ao lado de pequenas cavas artesanais e familiares. As primeiras mudas de videiras, vieram do Chile através dos jesuítas, cruzando os Andes, porém só ganhou notoriedade com a chegada dos imigrantes italianos, espanhóis e franceses, no século XIX.

Suas vinícolas oferecem um dos melhores custo-benefício pois, comparativamente com outros renomados países produtores, em Mendoza a mão de obra e as terras são bem mais acessíveis. São cerca de 1.220 bodegas, que produzem 1 bilhão de litros por ano, onze vezes mais que toda a produção brasileira, com 91,9 milhões de litros em 2011. Mais de 100 vinícolas estão preparadas para receber visitantes.

Quais as características do terroir mendoncino? Altitude que varia entre 900 a 1.800 m, solo desértico, escassas chuvas, vento seco denominado Zonda, um benfazejo e inclemente sol (cerca de 300 dias de sol por ano), baixa umidade, constituem o terroir perfeito que afastam insetos, pragas e fungos. Some-se a isso a grande diferença de temperatura entre o dia e a noite. Dias quentes propiciam mais açúcar e noites frias favorecem a produção do tanino. Paradoxalmente, busca-se o equilíbrio entre o doce e o ácido. Os pés da videira são irrigados por gotejamento, através de mangueiras abastecidas pela água do degelo. Aguça a curiosidade quando se vislumbra os parreirais, em sua maioria, cobertos por redes de nylon, com o escopo de protegê-los das chuvas de granizo, tão comuns na região e que em 10 minutos podem comprometer significativamente a produção do ano em curso e do ano seguinte. É uma precaução necessária, sendo que as redes não são estendidas na horizontal e sim na forma piramidal, que devidamente dispostas fazem com que as pedras de gelo caiam no meio das fileiras dos pés de uva.

Trem e cremalheira[editar | editar código-fonte]

A cidade de Mendoza e Los Andes são parte importante do chamado Corredor Bioceânico. Desde 1910, parte de Los Andes, com direção a Mendoza, o Trem Transandino, obra dos ingleses Juan e Mateo Clark, que transportava passageiros e carga desde 5 de abril de 1910, data de sua inauguração. Desde o fim dos anos 70 deixou de transportar passageiros, e finalizou completamente suas operações. Em 2006, está em projeto a reinauguração deste histórico trem.

Dos trabalhadores deste trem, em Los Andes, Chile, nasceu o clube esportivo Trasandino, representante oficial de futebol da cidade.

A ferrovia, fora de serviço, funcionava com trem movido a carvão.

Cerro Aconcágua[editar | editar código-fonte]

Mendoza é a cidade que recebe a maioria dos montanhistas em busca de aventura na maior montanha das Américas. Com 6962 metros de altitude, o Aconcágua domina a paisagem da região e promove o turismo e movimenta o comércio da cidade.

Cidades-irmãs[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. "Mendoza: vinhos, história, turismo e curiosidades", artigo de Jacir Venturi. http://www.geometriaanalitica.com.br/artmain/art_007.html

Ver também[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Mendoza (Argentina)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]