Menstruação

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Menstruação é a causa fisiológica do período fértil da mulher, que se dá caso não haja a fecundação do ovócito, permitindo a eliminação periódica, através da vagina, do endométrio uterino (ou mucosa uterina). Geralmente ocorre 14 dias após a ovulação.

O folículo ovariano em desenvolvimento, comandado pela glândula hipófise, produz os hormônios ovarianos estrogênio e progesterona, que promovem o desenvolvimento endometrial próprio para gestação. Porém, o ovócito não sendo fecundado, ocorre a involução do corpo lúteo, e, consequentemente, queda brusca dos hormônios ovarianos produzidos por ele. Esta queda da concentração hormonal causa a degeneração e necrose do tecido endometrial, que era estimulado pela ação destes hormônios. O ovócito não fecundado se degenera, e sai com muco uterino (ou endométrio), sangue e hormônios.

Em condições normais, e não havendo nada que impeça os ciclos femininos, este fenômeno ocorre, em média, de 28 em 28 dias, e tem uma duração de 3 a 6 dias. A perda de sangue gira em torno de 50 ml (com variação de 20 a 50 ml).

A menarca (primeira menstruação) não tem uma idade certa para aparecer. Depende muito de mulher para mulher. Aparecer a menarca entre os 9 anos e 18 anos é normal (a partir dos 18 anos pode ser indício de doença).

Ovogênese[editar | editar código-fonte]

A ovogênese está ligada, como qualquer outro fenómeno metabólico, ao acionamento de hormônios ou hormonas, mediante o comando do complexo hipotálamo-hipófise. Se a mulher for perturbada emocionalmente, poderia ter prejuízo em sua fertilidade. Podemos citar as seguinte fases do processo:[1]

Multiplicação[editar | editar código-fonte]

Ocorre no começo da ovogênese, que se dá ainda durante a vida intra-uterina, por mitose, (processo pelo qual uma célula da origem a outras com o mesmo material genético) as células germinativas multiplicam-se, formando outras idênticas, chamadas ovogônias ou oogónias.[1]

Maturação[editar | editar código-fonte]

O que se pretende nesta fase é que por meiose se dê origem a uma célula haplóide contendo praticamente todo o citoplasma criado durante a fase de crescimento. Esta fase é interrompida no seu início por volta do nascimento da bebê, durante a prófase I, no diplóteno, sendo a tal interrupção chamada de dictióteno, e volta a ser retomada de uma forma cíclica a partir da puberdade até à menopausa.[1]

No entanto a meiose (e em consequência a maturação) só será concluída se o oócito II em metafase II for fecundado por um espermatozóide, no final da qual vai ocorrer uma citocinese desigual pois vai ser originada uma célula grande, o Óvulo (gâmeta) e uma muito menor, o 2º glóbulo polar (ou 2º corpúsculo polar) que vai degenerar.[1] .

Ciclo juvenal, ciclo menstrual ou ciclo éstrico[editar | editar código-fonte]

O ciclo menstrual inicia-se no primeiro dia da menstruação, na sua primeira fase ocorre uma produção exclusiva de estrogênio pelo ovário e, logo após a ovulação, tem início a fase de produção de progesterona, conhecida também como fase lútea. Esta fase do ciclo é fixa e a ovulação ocorre cerca de 14 dias antes do início da próxima menstruação.[2]

O tempo de sobrevida do óvulo dentro das trompas, após a ovulação, não é bem definido, mas parece estar entre 12 e 24 horas. Já os espermatozóides parecem ter uma sobrevida maior, variando de 24 até 96 horas. Por isso os dias férteis começam antes mesmo da ovulação.[3]

Ciclo ovárico[editar | editar código-fonte]

Até à puberdade existem no ovário estruturas constituídas pelo Ovócito I imaturo envolvido por células foliculares a que se dá o nome de folículos primordiais. Alguns destes folículos e de uma forma cíclica a partir da puberdade até à menopausa vão reiniciar o seu desenvolvimento. Cada ciclo ovárico vai ter as seguintes fases:

Fase folicular – Alguns dos Folículos Primordiais reiniciam o seu desenvolvimento, mas normalmente apenas um o completa, degenerando os restantes. O folículo em desenvolvimento sofre várias transformações: O Oócito I que se encontra em Profase I vai completar o crescimento, ao mesmo tempo as células foliculares multiplicam-se e originam a Zona Granulosa, estas células são produtoras de hormonas (estrogénios) para além de nutrirem o Oócito I. Em torno do Oócito I forma-se um revestimento glicoproteico a que se dá o nome de Zona Pelúcida. Com a evolução dos folículos forma-se uma cavidade cheia de líquido entre as células foliculares. Tendo terminado o crescimento o Oócito I em Profase I completa a divisão I da Meiose após a Citocinese desigual forma-se o Oócito II e o 1º Glóbulo Polar. O Oócito II ainda inicia a Divisão II da Meiose mas fica bloqueado na Metafase II. Por esta altura o folículo completou o desenvolvimento e denomina-se Folículo Maduro ou Folículo de Graaf. Todo este processo demora em média 14 dias.

Ovulação – O oócito II em metáfase II rodeado pela zona pelúcida e por algumas células foliculares é libertado da cavidade folicular para fora do ovário, sendo recolhido pelo pavilhão da trompa de Falópio.

Fase luteínica – Após a ovulação, cicatriza a parede do ovário e ocorre o pregueamento da parede do folículo. As células foliculares aumentam então de volume e secretam um pigmento amarelo, a luteína que lhes dá uma cor amarela, formando-se deste modo o Corpo Amarelo ou Corpo Lúteo. Caso não ocorra fecundação essa estrutura se degenera em, aproximadamente, 14 dias.

Ciclo uterino[editar | editar código-fonte]

O endométrio, sendo a estrutura onde o embrião se deve fixar a fim de completar o seu desenvolvimento, é então uma estrutura que sofre importantes modificações. Ocorre então:[4]

Fase menstrual (Início da fase folicular do ciclo ovárico) – em que ocorre a descamação da maior parte do Endométrio, que como é um tecido muito vascularizado, vai apresentar algumas hemorragias por rompimento destes vasos sanguíneos. Sendo os fragmentos do Endométrio e algum sangue eliminados através da vagina para o exterior, originando o Fluxo Menstrual (chamado muitas vezes erroneamente de sangue).

Fase proliferativa – terminada a eliminação do tecido velho, as células do Endométrio que restaram voltam a multiplicar-se promovendo a sua regeneração. Neste tecido em formação formam-se glândulas tubulares e restabelece-se a rede de vasos sanguíneos.

Fase secretora – a espessura do Endométrio atinge um aumento tal que as suas glândulas vão terminar o desenvolvimento, tornando-se mais sinuosas e ramificadas, começando a segregar glicogénio e muco. Ficando o útero preparado para uma possível Nidação, caso tal não aconteça, reinicia-se o ciclo.

Regulação hormonal na mulher[editar | editar código-fonte]

A GnRH produzida pelo Hipotálamo vai estimular a produção de FSH e algum LH pela Hipófise. Estas hormonas que têm como órgão alvo os ovários, vão estimular neste a Fase Folicular e por consequência a produção de estrogénios (produzidos pelas células foliculares e pela teca interna e mais tarde pelo corpo amarelo, o seu principal órgão alvo é o útero). Estes Estrogénios vão actuar no útero estimulando a Fase Proliferativa em que vai ocorrer o espessamento do Endométrio juntamente com o desenvolvimento das glândulas tubulares e vasos sanguíneos.

Durante a Fase Folicular, a concentração de estrogénios vai ser mantida mais ou menos constante graças a um processo de Retroacção Negativa ou Feed-Back Negativo. Neste processo, o aumento de estrogénios inibe a produção de GnRH e por sua vez de FSH. Baixando a concentração desta hormona, diminui a produção de Estrogénios, que por sua vez ao baixar a sua concentração no sangue vai estimular a produção de GnRH que estimula a produção de FSH, levando de novo ao aumento da produção de Estrogénios, e assim sucessivamente. Até que por volta do final da fase folicular um aumento brusco dos Estrogénios vai provocar uma Retroacção Positiva ou Feed-Back Positivo, a tal ponto que vai estimular ainda mais o Hipotálamo a produzir GnRH que por consequência estimula mais a produção de FSH e muito especialmente de LH que vão desencadear no ovário a ovulação (+/- 14º dia do ciclo). A grande concentração de LH estimula a passagem do folículo a corpo amarelo (Fase Luteínica) e para além da produção de Estrogénios passa também a produzir-se Progesterona (produzida pelo corpo amarelo tem também como seu principal órgão alvo o útero). Esta hormona para além de continuar a estimular o espessamento do Endométrio vai estimular a secreção das glândulas do Endométrio, Fase Secretora.

O aumento da concentração de Progesterona e Estrogénios vai inibir a produção de GnRH pelo Hipotálamo (feed-back negativo) que vai inibir a produção de FSH e LH; deixando esta última hormona de ser produzida, o corpo amarelo regride começando a degenerar e inibe-se a produção de Estrogénios e Progesterona. Sem estas hormonas, o Endométrio deixa de ser estimulado e por consequência diminui o fornecimento de nutrientes às suas células por contracção dos seus vasos sanguíneos. As células do Endométrio morrem o que leva à destruição parcial do Endométrio, Fase Menstrual.

Caso ocorra fecundação e por sua vez gravidez, o ciclo menstrual é interrompido, pois células do embrião produzem um hormônio (HCG) que impede que o corpo amarelo se degenere e o Endométrio por consequência é mantido.

Há que ter em conta que tal como no homem o Hipotálamo não é só regulado por via hormonal mas também o é a nível nervoso, de tal modo que qualquer alteração a esse nível pode alterar por consequência também o ciclo menstrual.

Gravidez psicológica ou Pseudociese[editar | editar código-fonte]

Como o ciclo menstrual está intimamente ligado ao hipotálamo (o centro das emoções) um abalo psicológico ou alteração psiquiátrica poderia desencadear um desequilíbrio do ciclo menstrual, levando ao atraso menstrual. Iniciando uma falsa gravidez com todos os sintomas de enjôos, dor nas mamas e aumento do abdome. O tratamento indicado é psicoterapia e, se necessário, intervenção psiquiátrica.[5]

Menstruação e Cultura[editar | editar código-fonte]

Em diversas culturas tribais a origem da menstruação é explicada por mitos e lendas. Essas explicações culturais para esse fenômeno fisiológico são expressas em diversos comportamentos individuais e grupais, que incluem: atividades de caça e pesca de animais e peixes específicos, tabus alimentares, restrições de prática sexual e proibições de participação em atividades domésticas e religiosas.

O grupo indígena Karajá que habita a bacia do Rio Araguaia possui uma lenda bastante curiosa que associa o ciclo menstrual à piranha vermelha. Segundo a lenda Karajá, a menstruação ocorre quando esse peixe agressivo se agita no útero da mulher. Em Bangladesh as mulheres são consideradas impuras durante este período.[6]

Referências

  1. a b c d Só Biologia. Ovogênese. Página visitada em 12 de janeiro de 2012.
  2. BabyCenter. Primeiro dia da menstruação. Página visitada em 12 de janeiro de 2012.
  3. MedInforme. Dúvida sempre: qual o dia da ovulação?. Página visitada em 12 de janeiro de 2012.
  4. Infopédia. Ciclo Uterino. Página visitada em 12 de janeiro de 2012.
  5. Mundo educação. Gravidez psicológica. Página visitada em 12 de janeiro de 2012.
  6. Tilz. Questões sobre menstruação em Bangladesh. Página visitada em 12 de janeiro de 2012.

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]