Mestre-sala

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O cargo de Mestre-sala ou Mestre de sala designa uma função aristocrática que existiu no Reino de Portugal e nos restantes reinos europeus, vinculada à supervisão de cerimónias da monarquia. O oficial na Casa real que dirigia o cerimonial nas recepções do Paço Real e noutros actos solenes[1] . Corresponderia hoje ao lugar protocolar de Chefe do Protocolo, um mestre-de-cerimónias[2] ao serviço da Casa da Presidência da República mais o do Corpo diplomático do país correspondente.

Histórico[editar | editar código-fonte]

Recuando no tempo, percebemos que podemos encontrar a sua actividade no senescal e que eram vários os reis que designavam um nobre, da sua máxima e especial confiança, que geralmente continuava nas gerações seguintes, para ocupar permanentemente e vitaliciamente essa função que tinha como principal o de organizar os encontros reais mais importantes assim como o de conduzir e manter a disciplina em todas as cerimónias importantes do reino.

Descreve António de Oliveira Freire, em 1755, "Mestresala conduz nos coches delRey os Embaixadores, e dá ordem às ceremonias, e cortezias, que devem observar". E acrescenta "Assiste em pé no meio da sala das audiencias, quando ElRey a dá, repreende e castiga os meninos Fidalgos quando acha que o merecem, detem outras muitas preeminencias na Casa Real".[3] Entre elas refere Bautista de Castro que, nas grandes festas, o mestre-sala entrava à frente dos criados que vinham servir "as iguarias".[4]

Em Portugal a família Almada, obteve-o durante seis gerações, de pai para filho, a começar com Lourenço de Almada no final do séc. XVII até acabar no 3.º conde de Almada no séc. XIX. Mas, mesmo nessa época esse cargo e título, como oficial no reino de Portugal, continuou a subsistir e muito antes já ele existia. Dos quais Egas Coelho e Diogo Álvares Pais que foram mestre sala de D. João I[5] e Luís Álvares, senhor da terra de Teixeira no concelho do Porto, no tempo de El-Rei D. Afonso V de Portugal, é apenas um exemplo.[6]

Lista de Mestres de Sala de Portugal[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. mestre-sala", Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, 2008-2013, (consultado em 13-01-2014).
  2. mestre-sala, infopedia.pt
  3. Antonio de Oliveira Freire, Descripçam corografica do reyno de Portugal: que contém huma exacta relaçam de suas provincias ..., Officina da Bernardo Antonio de Oliveira, 1755, p. 85
  4. João Bautista de Castro, Mappa de Portugal Antigo e Moderno, Officina Patriarcal Francisco Luiz Ameno, 1762, tomo I parte I e II
  5. "Brasões da Sala de Sintra", Anselmo Braancamp Freire, Livro terceiro, Coimbra, 1921, pág.s 79 e 197
  6. Humberto Baquero Moreno, A Batalha de Alfarrobeira: antecedentes e significado histórico, Volume 2, UC Biblioteca Geral, Coimbra, 1979, p.524
  7. A Anrrique de Melo, fidalgo da casa real e mestre sala do príncipe, tença anual de 10 moios de trigo, a partir do primeiro dia de junho de 1517, Chancelaria de D. Manuel I, liv. 10, fl. 77v, ANTT
  8. O Cerimonial na Construção do Estado Moderno, Portugal no concerto europeu (1640-1704), João Camilo Costa, Mestrado em História, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Departamento de História, 2013,, pág. 55, fonte: D. António Caetano de Sousa, .., vol. VII, p. 82.
  9. Alarcão (D. João Soares de), Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico, Volume I, pág. 118, Edição em papel dde 1904-1915 João Romano Torres - Editor, Edição electrónica de 2000-2012 Manuel Amaral
  10. Alarcão e Melo (D. João Soares), Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico, Volume I, pág. 118, Edição em papel de 1904-1915 João Romano Torres - Editor , Edição electrónica de 2000-2012 Manuel Amaral
  11. [(D) Marcos de Noronha, Registo Geral de Mercês, Mercês de D. Pedro II, liv. 2, f.100
  12. António de Saldanha Oliveira Zuzarte Figueira e Sousa, Registo Geral de Mercês de D. Luís I, liv. 1, f. 244v, ANTT

Ver também[editar | editar código-fonte]