Metrô de Salvador

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Metrô de Salvador
Sistema Metroviário de Salvador e Lauro de Freitas
CCR Metrô Bahia.png
Salvador Metro.png
Informações
Proprietário Companhia de Transportes do Estado da Bahia
Local Salvador e Lauro de Freitas, BA
 Brasil
Tipo de transporte Ferroviário (metropolitano)
Número de linhas 1 (atualmente)
2 (previsão quando da conclusão)
Número de estações 5 (atualmente)
22 (previsão quando da conclusão)
Website www.ccrmetrobahia.com.br
www.metro.ba.gov.br/
Funcionamento
Início de funcionamento 11 de junho de 2014 (3 meses)[nota 1]
Operadora(s) CCR Metrô Bahia[1]
Número de veículos 6
Dados técnicos
Extensão do sistema 7,3 km (atualmente)
41,8 km (previsão quando da conclusão)[2]
Bitola 1,435 m
Velocidade média 40 km/h
Velocidade máxima 80 km/h
Traçado da rede futura completa

Traçado mapa metrô salvador.png

O Metrô de Salvador, oficialmente Sistema Metroviário de Salvador e Lauro de Freitas (SMSL),[3] é o sistema metroviário das cidades de Salvador e Lauro de Freitas, no estado da Bahia, e operado pela CCR Metrô Bahia.[1] Atualmente, restrito à capital baiana, o sistema funciona em operação assistida com o trecho ativo entre Retiro e Lapa, da linha 1, num total de 7,3 quilômetros e cinco estações. Ainda este ano, a operação comercial tem início em setembro.[4] [5] [6]

Em comparação mundial de 195 sistemas, o SMSL possui atualmente a 175ª maior rede metroviária em quilômetros, a frente de sistemas de cidades como Gênova, Valência, Detroit e Haifa;[7] e é o menor dentre os nove em operação no país. O sistema baiano é ainda o terceiro mais novo no mundo, após ele foram inaugurados em julho de 2014 o de Málaga, no Reino da Espanha, e de Wuxi, na República Popular da China.[8]

A construção do SMSL se processa numa expansão dividida em seis etapas que integrará o centro da cidade até Pirajá (mais tarde, até o bairro de Águas Claras, nas proximidades de Cajazeiras), e até o município vizinho de Lauro de Freitas através da Linha 1 e Linha 2 respectivamente, somando 41,8 quilômetros de extensão (17,6 da Linha 1 e 24,2 da Linha 2) e 22 estações.[2] [9] [10] [11] Como parte dos esforços de implantar transporte integrado na Grande Salvador, é pretendida a articulação do metrô com o Trem do Subúrbio, que funciona atualmente com 13,5 quilômetros de extensão e 10 estações e deve ser transformado em veículo leve sobre trilhos (VLT), e com vias transversais alimentadoras a serem implantadas e percorridas por sistema de trânsito rápido de ônibus (BRT), sem falar com os ônibus convencionais, já exigida no edital da licitação metroviária de 2013.[12] [13] [14] [15] [16] [17] [18]

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Logomarca inicial do metrô.

Embora já existissem linhas ferroviárias na cidade desde a inauguração de 28 de junho de 1860,[19] a idealização de um metropolitano aconteceu em 1985, na gestão do prefeito Mário Kertész.[15] Entretanto, a primeira companhia de trem metropolitano na cidade, a Companhia de Transportes de Salvador, foi criada em 2000 pela Prefeitura de Salvador com o objetivo de administrar o Trem do Subúrbio (assumido em 2005) e gerir o metrô de Salvador.[20]

Primeira licitação e os atrasos[editar | editar código-fonte]

Os primeiros trabalhos para a licitação do metrô foram iniciados em 1997, com apoio financeiro dos governos estadual, municipal e federal, mas sua construção de fato só foi iniciada em abril de 2000 a fim de uma linha única da Lapa a Pau da Lima.[21] Um ano antes, o então prefeito de Salvador Antônio Imbassahy abriu concorrência pública para a construção do equipamento. Ela foi vencida pelo consórcio Metrô de Salvador S.A. (Metrosal),[22] formado pelas empresas Andrade Gutierrez, Camargo Correa e Siemens. A abertura deste primeiro trecho foi programado inicialmente para meados de 2003, mas depois de muitas paralisações nas obras a data foi prorrogada para dezembro de 2008, um dos vários prazos previstos e não concretizados.[21]

Vista aérea da Rótula do Abacaxi e o teto azul da Estação Acesso Norte, onde vão se encontrar as duas linhas do modal.

Antes da construção da via expressa portuária,[23] o projeto metroviário da Prefeitura contemplava duas linhas metroviárias com integração aos trens urbanos, compartilhando a Estação Ferroviária da Calçada. As obras seriam realizadas em quatro etapas. A primeira seria o trecho entre Lapa e Pirajá, na linha 1. A segunda concluiria a linha 1, com as estações de Pau da Lima e de Cajazeiras, e iniciaria a linha 2 na Calçada, passando pelas estações Água de Meninos, Dois Leões, Acesso Norte (integração com a linha 1, que na atualidade se mantém, formando uma operação em X[11] ) e Rodoviária. A terceira etapa estenderia a linha 2 da Rodoviária a mais uma estação, Imbuí. Por fim, a última etapa prolonga a linha 2 com as estações do CAB e de Mussurunga.[24] [25] Ainda mantendo a integração direta entre os dois sistemas ferroviários urbanos soteropolitanos, o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) estabelecido pela lei nº 7400 de 2008 pensou os corredores de transporte na cidade com algumas diferenças. Acerca do metrô, foi planejada as mesmas duas linhas, só que com a troca da estação CAB pelas estações Pinto de Aguiar e Flamboyants na linha 2, o direcionamento do início dessa linha não mais para o norte, mas para o sul acrescentando a estação dos Fuzileiros após a Dois Leões conectada com o trem transformado em sistema de veículo leve sobre trilhos e prolongado em ambas extremidades, e apontamento de rotas para expansão do sistema metroviário ao sul da cidade e à vizinhança metropolitana.[26]

A frota foi adquirida pelo governo estadual em meio aos atrasos da obra. O pátio de manobras, local que poderia abrigar os trens, não estava concluído. Da frota de seis trens (comboios) e 24 vagões, metade chegou à capital em novembro de 2008 e a outra em janeiro de 2009 pelo Porto de Salvador.[27] Por isso, os trens foram levados para galpões do Porto Seco Pirajá (Estação Aduaneira do Interior - Eadi/Salvador) alugados pela Prefeitura sob o custo de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) por mês. Foram quase dois anos lá guardados e, sem serem usados, começaram a apresentar sinais de degaste do tempo.[28] [29] Somente em agosto de 2010, os comboios foram transferidos para os trilhos metroviários. À época, foram previstos testes das composições em movimento depois de seis meses de manutenção, para que no primeiro semestre de 2011, o metrô fosse entregue à população.[30]

Pista de caminhada sob a linha 1, no canteiro central da Avenida Bonocô.

Em 2011, o metrô passou a gerar mais polêmicas em torno de seu atraso.[31] [32] [33] Em 20 de julho houve protestos no bairro popular de Cajazeiras, cobrando uma solução da Prefeitura para o prazo planejado.[34] [35]

No dia 11 de agosto, vários cidadãos "comemoraram" o aniversário de 12 anos de atraso do projeto do metrô de Salvador com bolo típico de festa de aniversário, em forma de ironia no canteiro central da Avenida Bonocô. Tal protesto começou através da rede social Facebook e mostrou a indignação do povo soteropolitano com tamanha demora e os custos elevados nos 12 anos desde que fora lançado o projeto da construção.[36] [37] [38] [39] [40] [41] Neste mesmo dia, o governo estadual homologou a construção da Linha 2 do metrô, ligando a Estação Acesso Norte ao Município de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana, trecho de 22 quilômetros após deliberação do Grupo de Trabalho Executivo, que analisou o Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) da Mobilidade Urbana de Salvador e Lauro de Freitas.[42]

Também em 2011, foi anunciada a gratuidade do metrô em sua fase inicial (de testes) para a adaptação da população ao novo sistema de mobilidade urbana (trecho que vai da Estação Lapa até a Estação Retiro em junho de 2014, sendo a operação comercial em setembro do mesmo ano).[14] [43] [44] Ao fim do ano, os testes finais eram prometidos para dezembro e para o início de 2012, o funcionamento inicialmente gratuito (regime de tarifa assistida) a ser custeado pela União.[45]

Investigações sobre o consórcio Metrosal[editar | editar código-fonte]

O Tribunal de Contas da União (TCU), pela demora na conclusão das obras e crescente aumento dos gastos públicos, iniciou investigação sobre a construção do sistema metroviário executado pelo Consórcio Metrosal. Este construiu pouco mais de seis quilômetros com o gasto total de 1 bilhão de reais. Por isso, o consórcio é acusado de superfaturamento e de entregar a obra pela metade e com falhas na estrutura, como infiltrações.[13]

Visão aérea da Estação Brotas (teto amarelo), construída pelo Consórcio Metrosal, na Linha 1, na Avenida Bonocô.

Segundo o Tribunal de Contas da União, há indícios de superfaturamento de mais de 160 milhões de reais desde o início da obra, valor que, corrigido, chegaria a 400 milhões de reais 13 anos depois de iniciado.[13] [46] [47] O Metrosal negou superfaturamento e diz que não houve irregularidades na licitação.[13] [47] O consórcio afirmou também que o projeto básico apresenta todos os itens da obra.[13] [47]

Outra investigação parte pelo Ministério Público Federal (MPF) sobre uma suposta desistência do real vencedor da licitação do metrô, feita em 1999. O então ganhador seria o consórcio Cigla, formado pelas empresas Soares da Costa e Impregilo, e não o Metrosal. O Cigla teria desistido do certame após integrantes do consórcio Metrosal terem oferecidos valores milionários para a desistência da execução das obras do sistema metroviário.[48] [49] Além de que o Metrosal também teria feito – antes mesmo da disputa na licitação – um acordo de consórcio oculto com as empresas Queiroz Galvão, Alstom, OAS, Constran e Odebrecht para que, independente de quem ganhasse a licitação, houvesse participação de todas na execução das obras e de sua remuneração.[48] [49] Assim, com a classificação das propostas, o consórcio Metrosal, composto pela Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Siemens, ficou em segundo lugar no processo de licitação, sendo que as demais empreiteiras "ocultamente consorciadas" obtiveram o 4º e 5º lugares.

Transferência para o governo estadual e nova licitação[editar | editar código-fonte]

Cerimônia de assinatura do convênio entre a Prefeitura de Salvador, o Governo do Estado e a Prefeitura de Lauro de Freitas para implantação da segunda linha metroviária, em 2012

Após negociações entre os governos municipal e estadual para dar prosseguimento às obras, foi acertado o acordo de transferência da responsabilidade do transporte ferroviário metropolitano da Grande Salvador para o Governo do Estado. A então Companhia de Transportes de Salvador (CTS), empresa pública municipal responsável pelo metrô e o trem, foi transferida em abril de 2013 para o controle estadual. Além de agilizar, a intenção é também integrar os sistemas de mobilidade (trem, metrô e ônibus) para promover o transporte multimodal.[50] [51] O acordo fechado também abordou o valor da passagem, que ficou decidido em 3,10 reais, e, para a integração com ônibus, 3,90 reais - valores conforme as tarifas vigentes dos ônibus municipais soteropolitanos.[50] [51] [52]

No dia 24 de abril de 2013, foi lançado o edital do sistema metroviário que esteve aberto para propostas até 19 de agosto (inicialmente o prazo era 15 de julho)[53] com o anúncio do vencedor da licitação na Bovespa primeiramente previsto para 30 de julho. A licitação indicou a parceria público-privada com o modelo de concessão patrocinada para vigorar por 30 anos, sendo três anos para construção e o resto para a operação, a e o critério do menor preço oferecido. O edital determina aproximadamente 42 quilômetros de metrô e 20 estações (sem contar o prolongamento em direção a Cajazeiras), incluindo 11 terminais intermodais destinadas à integração e alimentação do transporte metroviário.[54]

Realizada em 19 de agosto, quando era estudado por ao menos quatro consórcios[55] , entretanto, a entrega das propostas foi feita por apenas uma empresa: a Companhia de Participações em Concessões (CPC), do Grupo CCR, cuja proposta trazia deságio de 5,05% sobre o preço máximo estabelecido.[10] Sendo assim, a empresa foi declarada vencedora da licitação para a conclusão das obras (finalização dos seis quilômetros restantes mais a extensão desse para outros cinco quilômetros da Linha 1 e implementação da Linha 2, fora os investimentos em equipamentos, sistemas e material rodante, adequação, reforma, manutenção e operação dos terminais de integração de passageiros e das estações do metrô).[56] [57] [58] Além disso, o contrato de concessão do sistema de metrô de Salvador previa que a empresa arcasse com os custos de reparos pelo tempo em que os trens e o trecho inicial de seis quilômetros permaneceu parado.[59]

O edital estabeleceu o custo total para o término das obras foi contabilizado na ordem de 3,9 bilhões de reais, oriundos do governo federal (por meio do Programa de Aceleração de Crescimento 2), estadual e da concessionária que venceu a licitação.[13] [14] [15] Em outubro, a Companhia de Transportes de Salvador foi renomeada para Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB).[60] Também foram estabelecidos prazos e etapas para o andamento das obras a serem contados a partir da assinatura, com a expectativa de que o metrô fique pronto completamente até o início de 2017.[61] A assinatura do contrato em 15 de outubro de 2013 fixou as datas dos prazos no edital de cada uma das seis etapas:[11] [16] [21] [43] [54] [61]

Trecho Determinação do edital Esquema das etapas
Linha 1 Lapa ↔ Acesso Norte Já construído, a entrar em operação assistida (teste) até junho de 2014 e operação comercial (completa) até setembro de 2014.
Linhas do Metrô com futuras extensões; cada etapa numa coloração distinta.
Pirajá ↔ Águas Claras/Cajazeiras Apresentação de projeto de extensão até abril de 2014 (180 dias). Sillitoe-blue.svg
Sillitoe-blue.svg
Acesso Norte ↔ Retiro Construção e operação até julho de 2014.
Retiro ↔ Pirajá Construção e operação até janeiro de 2015.
Linha 2 Bonocô ↔ Detran Construção e operação até outubro de 2015.
Detran ↔ Pituaçu Construção e operação entre abril de 2016.
Pituaçu ↔ Mussurunga Construção e operação entre outubro de 2016.
Mussurunga ↔ Aeroporto Construção e operação entre abril de 2017.
Aeroporto ↔ Lauro de Feitas Apresentação de projeto de extensão em até 120 dias, após ocorrer a média de 6 000 passageiros/hora-pico em um semestre. Sillitoe-red.svg
Sillitoe-red.svg

Gestão da CCR Metrô Bahia[editar | editar código-fonte]

A CCR Metrô Bahia assumiu a gestão do sistema logo após a assinatura do contrato, em 15 de outubro de 2013. Meses depois houve uma controvérsia sobre a contratação de funcionários. Em janeiro de 2014, o processo de seleção para operadores dos comboios foi alvo de nota de repúdio da seção baiana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aos critérios que estariam excluindo a possibilidade de contratação de mulheres. A concessionária, porém, negou a distinção de gênero para a admissão de funcionários, apontando o erro que constava no sítio eletrônico da Prefeitura de Salvador.[62] [63] As vagas abertas foram abertas a 38 profissionais, inclusive os operadores de trem. Embora tenha sido oferecido o curso de Eletricista de Manutenção Ferroviária em 2013 pelo Instituto Federal da Bahia (IFBA), houve somente 32 candidaturas.[64] [65]

Ainda em janeiro, foram iniciados os testes na rede elétrica de alta tensão para avaliação das condições e correção de possíveis defeitos.[1] [66] Em entrevista em março, o presidente da CCR Metrô Bahia, Harald Zwetkoff, afirmou que todos os seis trens que existem (comprados entre 2008 e 2009, mas que estavam parados) foram totalmente desmontados. Foram tiradas todas as rodas, rolamentos, motores. Depois, foi feito todo o trabalho de remontagem dos trens, de testes dos sistemas de freio de comunicação e de ar-condicionado.[67]

Em preparação à operação, a CCR contratou a empresa francesa Egis para auxiliar o gerenciamento de sistemas e de integração, bem como a gestão da interface entre os subsistemas e de engenharia civil.[68] [69] [70] Para o fornecimento de sinalização, foi contratada a Thales Group que fornece o sistema SelTrac Communications-based train control (CBTC) (controle de trens baseado na comunicação, em tradução livre), cuja tecnologia permite uma operação completamente automatizada e sem a necessidade de um condutor, além de otimizar a capacidade e o tempo de viagem.[71] [72]

Conforme o edital, as estações de ônibus urbano de Salvador foram passadas pela Prefeitura soteropolitana à administração da CCR em abril. Esta é responsável pela reforma/recuperação desses equipamentos e pela conexão do SMSL ao Sistema de Transporte Coletivo por Ônibus de Salvador (STCO). Os terminais são a Rodoviária Urbana (anexa ao terminal intermunicipal), Iguatemi, Acesso Norte, Mussurunga e Pirajá. Com exceção da Acesso Norte, todas as outras estações de transbordo estão em funcionamento.[73] [74] [21]

Em maio, uma frente de trabalho das obras do metrô foi embargada pela Superintendência Regional de Trabalho e Emprego (SRTE). O motivo seria por causa de falhas na segurança do canteiro de obras. A CCR disse que a frente de trabalho foi interrompida por falta de um documento técnico sobre um equipamento de segurança. A CCR ainda afirmou que entregou o documento, e que tudo estaria normal desde então.[75] A SRTE contestou a versão da CCR. "Uma parte dos problemas foi corrigida e liberada na última semana, o que repercutiu no retorno de cerca de 150 trabalhadores à função. Entretanto uma área permaneceu embargada até o fim da manhã desta sexta [do dia 23], quando foi liberada após vistoria".[75] Ainda no mesmo mês, um operário morreu após sofrer um acidente nas obras. De acordo com a Central de Polícia, a vitima era coreana e teria morrido eletrocutada. O funcionário era um técnico especializado da empresa. Um outro operário que registrou o momento do acidente foi encaminhado para a 11ª Delegacia, no bairro de Tancredo Neves, para prestar depoimento. A assessoria da CCR, confirmou a morte do operário e disse que iria investigar as causas do acidente. Em nota divulgada na imprensa, a concessionária informou que o operário recebeu auxílio imediato por parte de socorristas da equipe antes da chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu.[76] Os operários da obra chegaram a parar o trabalho, a fim de esclarecimentos pela morte.[77]

Em 10 de junho, um dia antes do início da operação do sistema, a obra ainda não possuía licença do órgão municipal Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo (Sucom) para funcionar. Algumas estações da Linha 1 (Lapa, Campo da Pólvora, Brotas e Acesso Norte) não possuíam o termo de conclusão de obra chamado de 'Habite-se', alvará concedido pela autarquia, mas o projeto já tinha sido aprovado pela prefeitura porém a vistoria não foi feita por não ter sido solicitada pela concessionária CCR Metrô Bahia. Depois, a Sucom afirmou que "essas pendências não impediam o início da operação assistida e sua inauguração, mas assegurou que a CCR solicitasse todas as medidas necessárias para a conclusão definitiva dos processos de licenciamento, assegurando, assim, o funcionamento pleno do equipamento, com a outorga de todas as autorizações emitidas".[78] [79]

Trem na plataforma do sentido Lapa na Estação Brotas.

Antecedente à fase comercial, a operação assistida é o funcionamento gratuito em horários variados restritos e com número reduzido de passageiros a fim de testar as condições do serviço. Ela foi primeiramente marcada para 13 de junho de 2014, uma sexta-feira de jogo do grupo B da Copa do Mundo de 2014 na cidade (entre Espanha e Holandesa). Mais tarde, a data foi adiantada para o dia 11 de junho.[61] [80] [81] O metrô fez o primeiro percurso aberto ao público às 13h20min do dia 11, uma quarta-feira, depois de receber autoridades em sua viagem inaugural, que contou a presença da presidente Dilma Rousseff, no entanto, o acesso ao metrô teve um atraso de mais de uma hora, já que o funcionamento estava previsto a partir das 12h. Antes da abertura, uma fila se formava na Estação Lapa, o início das atividades no terminal.[82] [83] Já no dia 13, os torcedores puderam acessar o metrô.[84]

No primeiro mês de funcionamento do metrô, o transporte atendeu a 145 mil passageiros, correspondendo a cerca de 4,8 mil pessoas diariamente.[85] Nos dois meses de funcionamento, o metrô já atendia uma média diária de 11 mil passageiros.[86]

Para supervisionar e avaliar as atividades da concessionária, em julho de 2014, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano da Bahia (SEDUR) contratou a Trensurb para prestação de serviços de consultoria especializada em mobilidade urbana para o desenvolvimento e racionalização dos sistemas do metrô de Salvador. Dentre as funções contratadas, estão: analisar processos já implantados referentes a edificações, obras de arte viárias, via permanente, sistemas de energia e controle operacional; acompanhar os serviços sendo executados pelo consórcio responsável pelas obras e pela operação da Linha 1; avaliar a certificação da implantação – feita por outra empresa certificadora contratada – antes da entrega dos serviços e obras ao estado da Bahia e depois da permissão à operação; e realizar acompanhamento técnico da implantação da Linha 2. Nos termos ainda está previsto o desenvolvimento de um módulo de capacitação de profissionais que irão trabalhar no sistema metroviário baiano.[87] [88]

Em agosto, ocorreu outra morte no canteiro de obras do metrô, após um operário cair de um poste, segundo a CCR, enquanto era feita transferência da rede elétrica de um lado para o outro do terreno. Como consequência, no dia posterior à morte, os operários da construção do metrô aprovaram a greve em todos as frentes de obras por tempo indeterminado. Os trabalhadores entraram com denúncia no Ministério Público do Trabalho, cobram melhores condições de segurança e saúde e questões salariais, como o pagamento da participação nos lucros pelas empresas subcontratadas (as chamadas terceirizadas). A assessoria da CCR, por meio de nota, confirmou seu acompanhamento das negociações, às quais afirmou estar aberto o Consórcio Mobilidade Bahia, responsável pelas obras.[89] Dias depois, os operários encerraram a greve.[90] No mesmo mês, a CCR confirmou a ampliação do metrô em dias de jogos na Arena Fonte Nova e em eventos ou shows, já que o equipamento ainda estava em operação assistida com horário reduzido.[91] Em 25 de agosto, a quinta estação foi inaugurada, a Estação Retiro, e foi confirmada a mudança da conexão entre as linhas, da Bonocô para a Acesso Norte, como constava originalmente em projeto do PMI.[92]

Características do sistema[editar | editar código-fonte]

Metrô de Salvador
Legenda:
 em constr. / em func.
Linha 1 
Unknown route-map component "exBHFq" Station on transverse track
 
Linha 2 
Unknown route-map component "uexBHFq" Unknown route-map component "uBHFq"
 
Diagrama:  
Unknown route-map component "d"
Unknown route-map component "exSTRrg" + Unknown route-map component "exlBHFl"
Unknown route-map component "exSTRlg" + Unknown route-map component "exlBHFr"
 Bairro da Paz
Mussurunga 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "exBHF" Unknown route-map component "exBHF"
 Tamburugy
Aeroporto 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "exBHF" Unknown route-map component "exBHF"
 Flamboyant
Lauro de Freitas 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "exKBHFe" Unknown route-map component "exBHF"
 Pituaçu
Águas Claras 
Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "uexKBHFa" Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "exBHF"
 CAB
Brasilgás 
Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "uexBHF" Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "exBHF"
 Imbuí
Pirajá 
Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "uexBHF" Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "exBHF"
 Pernambués
Bom Juá 
Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "uexBHF" Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "exBHF"
 Rodoviária
Retiro 
Unknown route-map component "c" Urban head station, unused through track Unknown route-map component "excSTRc2" Unknown route-map component "exBHF3"
 Detran
Acesso Norte 
Unknown route-map component "d"
Unknown route-map component "udSTR" + Unknown route-map component "umelvBHF"
Unknown route-map component "exdENDEe+1" Unknown route-map component "exSTRc4"
 
Bonocô 
Unknown route-map component "ueBHF"
 
Brotas 
Urban station on track
 
Campo da Pólvora 
Urban station on track
 
Lapa 
Urban End station
 
Fontes:

O trecho Lapa ↔ Pirajá, da Linha 1, conta com oito estações e uma extensão total de 12,2 quilômetros, dos quais 1,6 quilômetro é subterrâneo, 4 quilômetros em elevados e 6,6 quilômetros em superfície.[21]

Os trilhos construídos pelo Metrosal são do tipo tradicional de lastro de brita. Já os trilhos a serem construídos pela Metrô Bahia terão a tecnologia low vibration track (LVT), ou seja, laje de concreto e material absorvente para diminuição vibração e do barulho consequente emitido pelos comboios ao passar pela brita.[61] [93]

Tabela do sistema[editar | editar código-fonte]

Ambas as linhas estão divididas em tramos. A linha 1 possui o tramo 1, da Lapa ao Acesso Norte, o tramo 2, do Acesso Norte a Pirajá, e a expansão pelo tramo 3, de Pirajá a Cajazeiras/Águas Claras. A linha dois possui o tramo 1, do Acesso Norte ao Aeroporto, e a expansão pelo tramo 2, do Aeroporto até Lauro de Freitas.[11] [21]

Linha Terminais Extensão Inauguração Comprimento (km) Estações Duração das viagens (min) Funcionamento
1 Lapa ↔ Pirajá Pirajá ↔ Águas Claras/Cajazeiras* 11 de junho de 2014 12,2 (17,6) 8** (10) 16 (Lapa ↔ Retiro) No terceiro momento da operação assistida, é das 8h às 17h.[4]
Das 5h às 0h, durante a operação comercial.[93] [94]
2 Acesso Norte ↔ Aeroporto Aeroporto ↔ Lauro de Freitas* 2015 21,2 (24,2) 12 (13) 97[necessário verificar]
* Trecho a ser estudado ** Dessas oito, cinco estações já foram construídas

Frota[editar | editar código-fonte]

Foram fabricados seis trens, cada um com quatro vagões[80] da Hyundai Rotem e fornecidos pela Mitsui, totalizando 24 vagões, ao custo de mais de 100 milhões de dólares dos Estados Unidos.[10] [28] Metade da frota chegou em novembro de 2008 e a outra em janeiro de 2009 e ficaram guardados em galpões, uma vez que o pátio de manobras não tinha sido concluído ainda, sob o custo mensal de 80 mil reais.[28] Em fevereiro de 2014, a CCR comunicou a compra de mais 49 novos trens, que serão produzidos pelo consórcio Hyundai Rotem-Iesa. Ao todo, o sistema de metrô de Salvador terá 55 trens unidades elétricos (TUE), totalizando 220 carros.[95]

Os veículos deste sistema trafegam a uma velocidade média de 40 quilômetros por hora e a velocidade máxima é de 80 quilômetros por hora. A bitola é de 1435 milímetros (bitola internacional) e a alimentação dos trens é feita por catenárias aéreas utilizando uma tensão contínua de 3000 volts. Os intervalos das linhas 1 e 2 é de no máximo seis minutos nos horários de pico e 10 minutos nos horários de vale, após completar a frota estabelecida no contrato de concessão.[94] Cada composição conta com quatro vagões (cada vagão com capacidade para transportar mil passageiros, sendo 200 passageiros sentados e 800 em pé), ar-condicionado e sistema de som para comunicação direta, que oferece conteúdo de mídia, notícia e informações aos usuários.[80] [96]

Modelo/Série Potência (kW) Bitola (m) Fabricante Origem Ano de fabricação Adquirente inicial Frota ativa Frota inativa Frota total carros Linhas de operação
ND ND 1435 mm Rotem Coreia do Sul 2008 Metrô de Salvador 6 0 24 Linha 1
TOTAL 6 0 24

Intermodalidade[editar | editar código-fonte]

Vista aérea da estação Rodoviária Urbana, localizada junto ao Terminal Rodoviário de Salvador e a ser transformada no terminal Rodoviária Norte.[21]

A intermodalidade entre os meio de transporte é determinada pelo edital de concessão, especialmente, em relação aos ônibus urbano. Foram definidos 9 "terminais de integração de passageiros" com a integração física e tarifária ao sistema de ônibus. São eles: Acesso Norte, Mussurunga, Pirajá, Rodoviária Urbana/Norte já construídos;[73] [74] e Aeroporto, Bonocô, Pituaçu, Retiro, Rodoviária Sul a serem construídos pela concessionária; além de Águas Claras e Lauro de Freitas, que dependem da efetivação dos tramos de expansão.[21] Por ser objeto de outra licitação,[51] a Estação da Lapa, pertencente ao Município, não foi mencionada. Já a Estação Iguatemi dará lugar à estação do metrô Rodoviária.[21]

Ainda no transporte rodoviário, ônibus farão a ligação direta entre a Estação Aeroporto ao Aeroporto Internacional de Salvador. E a interligação com o sistema cicloviário metropolitano também é determinado pelo poder concedente, a partir da instalação de bicicletários em todas as estações metroviárias, acompanhando diretrizes do projeto Cidade Bicicleta.[21]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. O sistema foi inaugurado em 11 de junho de 2014 a partir da linha 1 na chamada "operação assistida", com entrada gratuita e horário reduzido. Em 15 de setembro de 2014 se daria a operação comercial quando a tarifa seria cobrada, mas foi adiado para 31 de outubro por conta da não implantação das linhas alimentadoras, que seriam de responsabilidade da prefeitura, conforme contrato assinado em 2013.<Metrô vai passar a cobrar tarifa a partir de 31 de outubro>

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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