Micareta

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Carnatal em Natal, Rio Grande do Norte, a maior micareta do Brasil.

Uma micareta é o nome que no Brasil é denominado o "carnaval fora de época". O nome micareta deriva-se de uma festa francesa, Mi-carême, e desde os anos noventa vem se espalhando por várias capitais e cidades brasileiras. Países como Canadá, Portugal e Espanha já realizaram sua micareta"

A maior micareta do Brasil é o Carnatal realizado em Natal, no estado do Rio Grande do Norte, chegando a atrair quase um milhão de pessoas. O maior evento de axé em local fechado é o Axé Brasil realizado em Belo Horizonte, Minas Gerais. Já a maior micareta indoor - circuito fechado - é o Fortal, realizado na cidade de Fortaleza, Ceará. A maior micareta do estado de São Paulo, é o Carnabeirão realizado na cidade de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, o evento atrai em média público de 100 mil pessoas todos os anos. A maior Micareta da Região Centro Oeste do Brasil se encontra em Goiânia com o Micarê Goiânia que antigamente era nomeado de Carnagoiânia. o Micare Goiânia atrai mais de 300 mil pessoas nos tres dias do evento. E a maior Micareta da Região Sul do Brasil é o Folianópolis, que acontece todos os anos na cidade de Florianópolis-SC.

Índice

[editar] História

Micarême era uma festa que acontecia na França, desde o século XV, em meio ao período de quarenta dias de penitência da Igreja Católica. De origem francesa, a palavra significa literalmente "meio da quaresma". No Brasil, a introdução da Micarême como festa urbana, ocorreu primeiramente na cidade de Feira de Santana, Bahia.

Micareta de Jacobina, Bahia em 1935.

Somente a partir de 1935, através de um plebiscito feito pelo Jornal A Tarde, houve a mudança do nome para "micareta" que acabou significando, tanto na Bahia, como no Brasil, uma espécie de "segundo carnaval", que acontecia depois da Páscoa. Jacobina também abandonou o vocábulo anterior, adotando o mesmo do resultado do plebiscito realizado na capital pelo "A Tarde".

O jornal jacobinense "O Lidador", já na edição de 7 de abril de 1935, publicava as novidades da capital, acerca da mudança de nome, evocando a todos para participarem do evento: "Despertai, foliões, para o delírio que impolga. Erguei-vos, jacobinenses, em êxtase de alegria e vinde com as "Sertanejas Alegres" festejar o "Bicarnaval", "Micareta", "Refolia", ou "Mi-careme" que a 28 do corrente reinará sob louco enthusiasmo, espancando tristezas e dissidências. A cousa vai ser da outra vida e não haverá quem resista a tentação."

Silva (1986) afirma que a data da primeira Micareta foi em 1933, porque este foi o ano de fundação do periódico O Lidador, onde estão registradas as primeiras informações da festa em Jacobina. Para Lemos (1995), "a micareta parece ter-se originada em Jacobina, em 1912, por iniciativa de Porcino Maffei aqui residente, organizando o bloco "As Copas". Tudo indica que ela se originou em Jacobina, quando Salvador e Feira de Santana ainda não tinham as folias da Micareme".

"A afirmação de que a primeira micareta do interior da Bahia teria sido em Feira de Santana é uma possibilidade complicada. Conforme pesquisa no periódico feirense "Folha do Norte" não encontramos qualquer referência aos folguedos da micarême […]. Sua primeira grande festa fora de época, ou seja, sua primeira micareta ocorreu somente em 1937. Antes a cidade realizada apenas o carnaval, igualmente à Salvador". (SANTOS, 2001). A primeira micareta fora do estado da Bahia foi a Micarande, que aconteceu em Campina Grande no dia 21 de abril de 1989.

[editar] Economia

Claudia Leitte canta em várias micaretas do Brasil.

Um dos principais motivos da realização das micaretas é econômico: no período momesco os cachês artísticos e aluguel dos trios elétricos atinge valores muito altos, além de competir com as maiores e tradicionais festas: Salvador, Rio de Janeiro, Recife e São Paulo, por exemplo. Com a comemoração em outra época não apenas há uma economia na contratação dos artistas e equipamentos, ou a falta de público que prefira os grandes centros - como ainda os artistas e donos de trios também encontram ocupação por todo o ano (algo que não ocorria, até o advento do axé, na década de 1980).

[editar] Referências

[editar] Referências gerais

  • LEMOS, Doracy Araújo. Jacobina, sua história e sua gente/memórias: Doracy Araújo Lemos, Jacobina. D. A. Lemos, 1995.
  • SANTOS, Vanicléia Silva. Sons, danças e ritmos: A Micareta em Jacobina-Ba (1920-1950), Dissertação de Mestrado em História. Pontifícia Universidade Católica, São Paulo, 2002
  • SILVA, Alcira Pereira Carvalho. Jacobina Sim. UFBA, 1986.
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