Michael von Faulhaber

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Cardeal Faulhaber, 1931

Michael von Faulhaber (Heidenfeld, 5 de março de 1869Munique, 12 de junho de 1952) foi por 35 anos Arcebispo da Diocese de Munique e Frisinga, Alemanha.

Vida[editar | editar código-fonte]

Faulhaber era sacerdote em Würzburg de 1892 até 1910 quando foi indicado Bispo de Speyer, onde serviu por seis anos. Antes de 1911 foi professor da disciplina "Antigo Testamento" na Universidade de Estrasburgo. Na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) participou na função de um Bispo do Exército (em alemão: Militärbischof) da Capelania militar.

Foi eleito Arcebispo de Munique e Frisinga em 26 de maio de 1917 e permaneceu à frente desta arquidiocese até o seu falecimento.

Em 7 de março de 1921 recebeu o título de Cardeal pelo Papa Bento XV. Faulhaber tomou uma posição crítica ao nacionalismo crescente na Alemanha, mas em vista da Reichskonkordat (Concordata do Reich), concluída em 20 de julho de 1933 entre a Santa Sé e o Terceiro Reich, ele elogiou o esforço num telegrama enviado ao Adolf Hitler e visitou o ditador alemão e Rudolf Heß em 1936 na casa de montanha de Hitler, em Obersalzberg, perto de Berchtesgaden.

Em 1934 publicou Judenum, Christentum, Germanentum, obra em que defende os princípios da tolerância racial e humanidade e conclamava o povo da Alemanha a respeitar a religião judaica. Na Noite de Cristal, 9 - 10 de novembro de 1938, prestou auxilio ao rabino chefe da Munique no salvamento dos objetos religiosos da sua sinagoga antes que ela fosse destruída pelos nazistas.

A pedido de Papa Pio XI redigiu em 1937 o esboço do documento que serviu de base para a Carta Encíclica Mit brennender Sorge (em português): Com profunda ansiedade que condenou o nazismo. Pelos seus opositores nazistas foi apelidado de Juden-Kardinal (cardeal judeu) por ter criticado o crescente anti-semitismo e a expulsão arbitrária da Alemanha de judeus poloneses.[1] Em 1939 Faulhaber participou da Conclave para a eleição do Papa Pio XII.

Faulhaber foi um dos mentores da migração de 3000 cristãos não-arianos (judeus] convertidos) da Alemanha para o Brasil no Governo Vargas.[carece de fontes?]

Em 1940 Michael von Faulhaber apresentou um protesto junto ao Ministro da Justiça contra o programa nazista Aktion T4 cujo objetivo era a eliminação e o assassinato de deficientes físicos e de doentes mentais, considerados pelos Nazistas como sendo "indignos de viver", porque "improdutivos" do ponto de vista econômico. Faulhaber, na ocasião, escreveu: "Considerei meu dever falar externamente sobre esta questão ético-legal e apolítica, porque um bispo católico não pode ficar silencioso quando a conservação das bases morais de toda a ordem pública está em jogo."

Ordenou presbítero Joseph Ratzinger - futuro Papa Bento XVI - na Catedral de Frisinga, no dia de São Pedro e São Paulo, em 1951.

Faulhaber Memorial, na Catedral de Munique

Citações[editar | editar código-fonte]

No documento da Santa Sé, tornado público pela Pontifícia Comissão para as Relações Religiosas com o Judaísmo, "Nós recordamos: uma reflexão sobre o Shoah", de 16 de Março de 1998 Faulhaber é citado nos seguintes termos:

A Igreja na Alemanha respondeu condenando o racismo. Essa condenação apareceu pela primeira vez na pregação de alguns membros do clero, no ensinamento público dos Bispos católicos e nos escritos de jornalistas católicos. Já em Fevereiro e Março de 1931, o Cardeal Bertram de WrocLaw, o Cardeal Faulhaber e os Bispos da Baviera, os Bispos da Província de Colónia e os da Província de Friburgo publicaram Cartas pastorais que condenavam o nacional-socialismo, com a sua idolatria da raça e do Estado [2] . No mesmo ano em que o nacional-socialismo chegou ao poder, em 1933, os famosos sermões do Advento do Cardeal Faulhaber, aos quais assistiram não só católicos, mas também protestantes e judeus, tiveram expressões de claro repúdio da propaganda nazista anti-semítica [3] . A seguir à Kristallnacht, Bernhard Lichtenberg, prepósito da Catedral de Berlim, elevou orações públicas pelos judeus. Ele morreu depois em Dachau e foi declarado Beato.

O Papa Bento XVI, lembrando-se dos seus tempos de seminário em 1945, disse de Faulhaber[4] : A grande figura do idoso cardeal Faulhaber impressionava-me profundamente. Nós sentíamos mesmo o peso do doloroso sofrimento que ele tinha suportado no tempo do nazismo e que agora o envolvia em uma invisível dignidade. Nele não procurávamos um "bispo a quem abraçar"; emocionava-me, antes, a imponente grandeza de sua tarefa, com a qual ele se tinha identificado totalmente.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Ludwig Volk (Ed.): Akten Kardinal Michael von Faulhabers. (Documentos do Cardeal Michael von Faulhabers), 3 volumes:
  • Peter Pfister, Susanne Kornacker, Volker Laube (Ed.): Kardinal Michael von Faulhaber 1869-1952. Exposição do arquivo da Diocese de Munique e Frisinga, do arquivo do Estado de Baviera e do arquivo da cidade de Munique. "Generaldirektion der Staatlichen Archive Bayerns", Munique, 2002, ISBN 3-921635-67-5

Referências

  1. «seit 1923 von seinen Gegnern als „Juden-Kardinal“ beschimpfen lassen, nachdem er in der Allerseelenpredigt wachsenden Antisemitismus und die willkürliche Ausweisung polnischer Juden kritisiert hatte.» [1] Wiki:it, visitada em 20.nov.2007.
  2. Cf. B. STATIEWSKI (Ed.), Akten deutscher Bischöfe über die Lage der Kirche, 1933-1945, vol. I, 1933-1934 (Mainz 1968), Apêndice.
  3. Cf. L. VOLK, Der Bayerische Episkopat und der Nationalsozialismus, 1930-1934 (Mainz 1966), pp. 170-174.
  4. RATZINGER, Joseph. Lembranças da minha vida (Autobiografia parcial 1927-1977), tradução de Frederico Stein - São Paulo: Paulinas, 2006, pp. 52. ISBN 85-356-1683-7.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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