Miguelista

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Miguelista é o nome dado na historiografia portuguesa aos apoiantes do chamado Miguelismo, dos que lutaram pela legitimidade permanente do rei D. Miguel I de Portugal no trono de Portugal, que vieram depois a fundar o Partido Legitimista e o Partido Realista que nele se integrou.

Igualmente, por sua vez, designaram-se partidários do conservadorismo ou do absolutismo como forma de governo em oposição ao liberalismo constitucional que os liberais, neste contexto chamados de "malhados"[1] [2] , pretendiam instaurar no Reino de Portugal.

Como forma de combater a maçonaria, a principal conspiradora e ponto de reunião contra os seus ideais, fundaram igualmente uma organização secreta com a designação Ordem de São Miguel-A-Ala, mas, que pouco depois foi encerrada ao ser desautorizada por vontade do papado.

Muito do seu pensamento, já a meados do século XX, em Portugal, foi proposto pelo movimento Integralismo Lusitano e pela Causa Monárquica.

Nota[editar | editar código-fonte]

No Portal de História, Manuel Amaral, refere muito bem que: os princípios de actuação do partido «realista» - absolutista -, que existia desde 1822 e que só se tornou «legitimista» a partir de 1826, já existiam em torno das posições políticas da Rainha D. Carlota Joaquina, e não em torno da legitimidade de D. Miguel. É que a rainha não tinha jurado a Constituição portuguesa de 1821, dando cobertura à posição do seu irmão, o rei de Espanha Fernando VII, que tinha abjurado a Constituição espanhola de 1812 e reintroduzido o poder absoluto em Espanha. A rainha recusava-se a seguir a política do rei D. João VI, seu marido, exactamente como o tinha vindo a fazer desde 1805. Nesse ano, com o apoio de uma parte da grande aristocracia portuguesa, que a historiografia tem conotado como liberal, parece ter tentado destituir o marido da regência, sem resultado. Em 1823, e depois novamente em 1824, tentará realizar, por intermédio do filho mais novo (D. Miguel), o mesmo, com a mesma grande aristocracia agora conotada de absolutista.

A questão da separação do Brasil de Portugal, aceite pelo rei de Portugal, já o não podia ser, de novo, para D. Carlota Joaquina e para a Dinastia Bourbon de Espanha, já que isso era legitimar a separação das colónias americanas da coroa espanhola; assim como a outorga de uma Carta Constitucional em Portugal iria criar pressão sobre Fernando VII para o fazer em Espanha.

Por isso, a «legitimidade» era o último aspecto desta luta política, e de facto o menos importante, que se jogava em Portugal desde o princípio do século XIX. Mas era essencial para a aceitação dos «legitimistas» e porque apelava aos princípios da «Santa Aliança», e ao apoio da Rússia e do Império Austríaco contra o liberalismo, que estes países tentavam destruir desde 1823[3] .

Referências

  1. Henriques Fernandes Rodrigues, Liberalismo e a repressão Miguelista no Vale do Lima, p. 113
  2. Eram assim chamados por o rei D. Miguel ter sofrido um grande acidente em que os cavalos, que conduziam o seu carro, tinham essa pelagem.
  3. Do Diário de António Ribeiro Saraiva, Portal História, Manuel Amaral, 2000-2010, cartas e artigos em jornaisAntónio Ribeiro Saraiva Um miguelista interessante, por MTM
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