Mikasa (navio)
Mikasa (三笠?) é um couraçado da Marinha Imperial Japonesa, lançado à água na Grã-Bretanha em 1900. Ele foi o navio-almirante do Almirante Togo durante a Batalha do Mar Amarelo em 10 de Agosto de 1904 e na Batalha de Tsushima a 27 de Maio de 1905, durante a Guerra Russo-Japonesa. O Navio encontra-se preservado como Navio-museu em Yokosuka. O Mikasa é, no mundo, o único couraçado pré-Dreadnougth existente.
O seu nome provém do monte Mikasa em Nara no Japão
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Encomenda [editar]
A seguir à primeira Guerra sino-japonesa em 1894-1895, e como consequência do retorno da península de Liaodong à China resultado de pressões por parte do Império Russo, o Japão começou a reforçar-se militarmente de modo a precaver confrontações futuras. No caso da sua Marinha, foi promulgado um programa de construção naval a 10 anos, que incluía, como linha de acção a construção de 6 couraçados e 6 cruzadores protegidos
O último destes couraçados, foi o Mikasa, encomendado ao estaleiro Vickers em Barrow in Furness, Inglaterra no final de 1898 para entrega em 1902 a um custo de £880 000 (8 800 000 ienes)
Nesse mesmo ano de 1902, o Japão também garantiu apoio diplomático e estratégico da Grã-Bretanha (A maior potência naval na altura) através da assinatura de um tratado de aliança. À Grã-Bretanha, tal como ao Japão, interessava conter o expansionismo russo no Extremo-oriente
Projecto [editar]
Na sua entrega, o Mikasa era o “estado da arte” da era pré-Dreadnougth, mas não representava o zénite do poder de fogo e protecção.
O seu desenho foi adaptado da Classe Majestic da Marinha Real Britânica, aumentando o seu deslocamento (15 140 toneladas contra 14 900 do Majestic), velocidade (18 nós contra 17), ligeiro aumento de poder de fogo (mais duas peças de 6‘’) e melhor blindagem (Blindagem Krupp contra blindagem Harvey). No entanto, o Mikasa era já inferior aos Couraçados da Classe Canopus comissionados em 1899 e aos da Classe Formidable comissionados em Setembro de 1901
Carreira [editar]
Guerra Russo-Japonesa de 1904-1905 [editar]
Graças ao seu desenho, no qual as armas principais agrupadas em torres numa posição central, permitiu ao resto do navio ser uniformemente protegido com as chapas blindadas Krupp, o Mikasa foi capaz de resistir um grande número de impactos directos, 20 na Batalha do Mar Amarelo em Agosto de 1904 e cerca de 30 na Batalha de Tsushima com danos mínimos. O poder de fogo, o longo alcance dos canhões, os artilheiros altamente treinados ajudados pelos mais avançados telemetros1 da altura, provaram ser letais para a armada imperial Russa.
Na batalha de Tsushima o Mikasa liderou a frota combinada japonesa numa das batalhas navais mais decisivas da história moderna. A esquadra russa foi quase totalmente aniquilada: De 38 navios, 21 foram afundados, 7 capturados e 6 desarmados. 4 545 marinheiros e oficiais russos foram mortos e 6 106 feitos prisioneiros. A Marinha Japonesa perdeu 116 homens e 3 torpedeiros
O feito da Marinha Imperial Japonesa foi observado e analisado pelas potências ocidentais, e teve um papel importante na definição da nova geração de couraçados (O Dreadnougth, pois o conflito confirmou a eficácia dos canhões de elevado calibre e a importância do grande alcance dos mesmos2
Afundamento e reconstrução [editar]
Pouco após a assinatura do tratado de paz com a [[Rússia], a 11 de Setembro de 1905,quando fundeado no porto de Sasebo, o Mikasa afundou-se após um incêndio, seguido de uma explosão no paiol das munições, que lhe arrancou uma secção do casco, matando 339 homens e ferindo cerca de 300 outros. O navio afundou 11 m, assentando no fundo do porto. A sua recuperação foi difícil, sendo apenas conseguida em 8 de Agosto de 1906. As reparações foram realizadas no Arsenal naval de Maizuru.
Após dois anos de reparações, reparações essas que incidiram também na substituição das peças de 305 mm x 40 calibres que se encontravam com problemas de corrosão, por novos canhões, mais eficazes de 305 mm x 45 calibres, o Mikasa reentrou ao serviço em 1908.
Fim de carreira activa [editar]
Com a entrada ao serviço do HMS Dreadnougth e a corrido ao armamento que se lhe seguiu, o Mikasa tornou-se obsoleto sendo desclassificado para couraçado de 2ª classe e mais tarde para 3ª classe. A 1 de Setembro de 1921, recebeu a classificação de navio de defesa costeira de 1ª classe
A 16 de Stembro de 1921, o Mikasa encalhou, no canal de Askold, durante a intervenção que o Exército Japonês fez na Sibéria, durante a Guerra Civil Russa, que se seguiu à revolução de Outubro. Ele foi socorrido pelo couraçado Fuji, pelo cruzadores Kasuga e Yodo e reparado em Vladivostok, que se encontrava sob ocupação japonesa. Após o seu retorno a Maizuru, a sua utilização no activo terminou, sendo colocado na frota de reserva. Hoje em dia é um monumento histórico no porto militar de Yokosuka.
Referências [editar]
Revista Historia y vida, nº466 (Janeiro 2007)
Ligações externas [editar]
- (em japonês) e (em inglês) Página sobre o museu sobre o navio
Referências
- ↑ Thorpe, David (2007). Scottish Links with Japan (em en). Scottish Enterprise.
- ↑ John Arthur, Roberts. The battleship Dreadnought: Anatomy of the ship (em en). 1ª ed. Londres: Conway Maritime Press, 2002. 1 vol. ISBN 9780851778952