Milagres (Bahia)

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Município de Milagres
Terminal rodoviário do município

Terminal rodoviário do município
Bandeira desconhecida
Bandeira desconhecida Brasão
Hino
Fundação 22/12/1961
Gentílico milagrense
Prefeito(a) Raimundo de Souza Silva (Galego) (PSD)
(2013–2016)
Localização
Localização de Milagres
Localização de Milagres na Bahia
Milagres está localizado em: Brasil
Milagres
Localização de Milagres no Brasil
12° 52' 12" S 39° 51' 32" O12° 52' 12" S 39° 51' 32" O
Unidade federativa  Bahia
Mesorregião Centro-Sul Baiano IBGE/2008 [1]
Microrregião Jequié IBGE/2008 [1]
Municípios limítrofes Itatim, Santa Teresinha, Elísio Medrado, Amargosa, Brejões, Nova Itarana, e Iaçu
Distância até a capital 230 km
Características geográficas
Área 307,779 km² [2]
População 10 306 hab. IBGE/2010[3]
Densidade 33,49 hab./km²
Altitude 419 m
Clima semi-árido
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,622 médio PNUD/2010 [4]
PIB R$ 51,744 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 5,020 79 IBGE/2008[5]
Página oficial

Milagres é um município brasileiro do estado da Bahia. Localiza-se a uma latitude 12º52'12" sul e a uma longitude 39º51'32" oeste, estando a uma altitude de 419 metros. Sua população estimada em 2010 era de 10.306 habitantes. Possui uma área de 284.380;km².

História[editar | editar código-fonte]

Antiga aldeia dos índios Baetinga e Kariris, as terras do município de Amargosa começaram a ser povoadas graças ao seu solo fértil que atraiu os colonizadores vindos de Nazaré e Santo Antonio de Jesus (cidades do Recôncavo Baiano), que se estabeleceram às margens do rio Ribeirão. Recebeu inicialmente o nome de arraial de Nossa Senhora do Bom Conselho de Amargosa e pertencia ao município de Tapera, sendo, então, Milagres e Tartaruga seus distritos. Graças ao desenvolvimento do estado da Bahia surgiu a consequente necessidade de escoar os produtos oriundos da indústria e pecuária do Recôncavo Baiano.

Suas primeiras casas foram construídas no ano de 1847, depois da expulsão dos índios remanescentes da região. Sua origem deu-se, segundo a lenda, com a aparição de uma jovem vestida de branco que vislumbrava-se no Morro da Lapa. Na base deste morro verte uma água que, segundo historiadores, curava as doenças dos que nela se banhavam e tinham fé. Esta notícia foi se espalhando pela região e atraindo muita gente em busca do milagre da cura, o que levou a pequena população a construir uma pequena casa de palha onde acontecia as primeiras concentrações de fé. Chegando nessas plagas no ano de 1840, o Frei Luiz ergueu um cruzeiro e depois uma casinha feita de palha de ouricuri, onde, em 30 de novembro daquele ano, celebrou a primeira missa, daí iniciou as romarias que permanece até hoje. Por volta do ano 1850, no lugar que existia a pequena casa de palha, foi edificada a Igreja Matriz terminada no ano de 1869. A partir daí, o povo começou visitar esse lugar com mais frequência para participar dos festejos e das missas ali celebradas, o que contribuiu para a construção das primeiras casas ao redor da Igreja Matriz.

No ano de 1953, uma lei estadual tornou Milagres um distrito de Amargosa com o nome de Distrito de Nossa Senhora dos Milagres; nesse mesmo ano surgiu a construção da BR-116, popularizada como "Rio-Bahia", que atravessa o município. A partir daí, o distrito deu um grande impulso para o desenvolvimento, construindo-se então, pensões, dormitórios, postos de combustíveis, oficinas mecânicas, casas de peças, borracharias, bares, restaurantes, hotéis, e muitas casas residenciais e comerciias. Quando às margens da estrada foi instalado um Distrito do DNER (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem), seus trabalhadores acomodaram-se próximo ao entroncamento com a BA-046 e, aos poucos, alguns foram fixando residência. O distrito foi elevado à condição de cidade através da Lei 1589 de 22 de dezembro de 1961, apresentada pela Assembleia Legislativa da Bahia e assinada pelo então governador Juracy Magalhães, ficando o novo município gerido pelo município de Amargosa até a criação e promulgação das leis do novo município.

Economia[editar | editar código-fonte]

Tem no comércio e serviços a sua maior fonte de rendas, haja vista as condições pouco favoráveis para a agricultura e pecuária. Milagres sempre abrigou os viajantes que transportavam produtos do recôncavo baiano para os diversos destinos. No entorno dessas hospedarias comercializava-se de tudo, eram os chamados baganeiros, que vendiam alimentos, frutas, artesanatos, animais silvestres, etc. Formou-se aí, então, um ponto de trocas de produtos diversos. Com a chegada da estrada BR-116 a partir das décadas de 50 e 60 esse comércio se intensificou ainda mais, atingindo então as cidades mais próximas como Feira de Santana, Jequié, Iaçu e Amargosa, que passaram a formar os maiores centros fornecedores.

Embora a cidade esteja situada as margens da BR-116, a economia ainda não alavancou de forma a estar entre as grandes da região. É baseada principalmente no funcionalismo público (Prefeitura Municipal) e comércio varejista, com destaque para supermercados, bares e lojas de materiais de construção, postos de combustíveis, pousadas, hotel, artesanatos, pequenos comércios informais e o apoio rodoviário ajudam a compor a parte econômica do município.

O ápice econômico acontece entre fevereiro e maio, época das romarias (grande movimento de turismo religioso) e Festa dos Vaqueiros (aluguéis de casas). Na zona rural, a economia é mais diversificada no distrito da Gameleira. Destacam-se as olarias (fabricação de tijolos e telhas de argila) e o consequente transporte destes produtos para os municípios circunvizinhos. Porém, esta fonte de renda traz sérios problemas para o bioma em função do elevado nível de desmatamento e degradação do solo para a fabricação destes materiais. Como não existe um manejo sustentável, o meio ambiente sofre com as degradações.

Nos demais distritos, predomina a agricultura de subsistência, a pecuária (criação de bovinos, ovinos, caprinos e suínos) e, em maior escala, a criação de frangos. A pesca da tilápia e da traíra, peixes tradicionais da região também constituem a economia rural. Também se destaca o cultivo de melancia, milho e abóbora (embora o longo período de estiagem permita este cultivo apenas uma vez por ano), manga, mamão e batata-doce. Além destes, outros produtos nativos também se destacam: umbu, cajá, castanha, caju, jabuticaba, sisal, seriguela, mamona, fumo e coco-de-ouricuri.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Localiza-se a uma latitude 39º51'32" sul e a uma longitude 12º52'12" oeste, estando a uma altitude de 419 metros. Sua população recenseada pelo IBGE em 2010 era de 10.306 habitantes. Possui uma área de 284,380 km².

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Os recursos hídricos da cidade pertencem à bacia hidrográfica do Paraguaçu. Podemos destacar entre estes recursos hídricos: Riacho do Ribeirão, Riacho do Bom Jardim, Riacho Salgado, Riacho das Maravilhas, Riacho das Andorinhas e Riacho Grande, todos perenes. Lagoas, açudes, represas, poços artesianos e cisternas completam o cenário. Todos esses mananciais são temporários em virtude da grande evaporação nesses solos e o baixo volume pluviométrico, ocasionando longos períodos de estiagem. Apenas a sede possui água encanada vinda do rio Paraguaçu.

Rodovias[editar | editar código-fonte]

Situa-se às margens da BR-116 e é entrecortada pela BA-046 que a liga com Amargosa e Iaçu.

Turismo[editar | editar código-fonte]

Festas populares[editar | editar código-fonte]

  • Festa da Padroeira: A festa religiosa de Nossa Senhora dos Milagres, que tem seu ponto alto no dia 2 de fevereiro, atrai milhares de fiéis e foliões todos os anos, em uma mistura de sagrado e profano. A Festa começa com a chegada de romeiros no dia 30 de janeiro estendendo-se até a ultima semana do mês de abril, quando acontece a missa e procissão dos Vaqueiros, quermesses e bailes, embora o dia consagrado à Nossa Senhora dos Milagres seja o 2 de fevereiro, quando concentra maior numero de visitantes na cidade. Na década de 60, contavam-se cerca de 2.000 caminhões (pau de arara) de romeiros vindos dos mais diversos locais, e durante todo o ano aos finais de semana sempre apareciam caravanas de romeiros a pagar suas promessas. Contam ainda os moradores antigos que, em tempos de pastoreio de gado, um vaqueiro teria sido salvo, quando correndo com uma rés sobre o morro da lapa o boi em sua corrida desenfreada escorregou morro a baixo, vendo o vaqueiro que o cavalo seguia a mesmo fim gritou "Valei-me Nossa Senhora!". Milagrosamente o cavalo foi direcionado para um novo rumo seguro.
  • Festa dos Vaqueiros: Realizada sempre no ultimo domingo do mês de abril. A primeira missa realizada em homenagem aos vaqueiros foi celebrada pelo padre Pedreira em 1949, a partir de 1992, além da missa e procissão dedicada aos, ocorre também uma grande festa em praça pública, atraindo o povo, vaqueiros da região e milhares de pessoas que visita a cidade todos os anos.
  • Romaria das Mães: Acontece paralelamente ao dia das mães e embora não seja tão badalada, também atrai muitos fiéis e turistas à cidade
  • Domingo de Ramos: É realizada no domingo que antecede a Semana Santa, e possui como caracterização a bênção dos ramos levados pelos fiéis na Praça da Matriz, em frente à Igreja.
  • Festa das Comunidades: É o encerramento do período da romaria e é caracterizada pelo encontro das paróquias circunvizinhas.
  • Festas Juninas: Festa popular conhecida principalmente pelas atrações locais e grande participação de visitantes.
  • São Cristovão: Realizada no mês de julho dia 25 com procissões, missas e carreatas em homenagem aos motoristas.
  • 7 de Setembro: Festa cívica com desfiles de alunos das escolas e autoridades locais.
  • Festa Anos 60: Década marcada pelo futurismo, homem pisando na Lua, presidente norte-americano John Fitzgerald Kennedy sendo assassinado, Jovem Guarda da Rede Record em ascensão, surge em Milagres o conjunto musical The Fox (Yves, Livino, Lôle, Ed e Helio "Saraiva"), depois passando a chamar-se Os Milionários e o sucesso alcança os salões de bailes da região. Desde 1995, essa festa vem sendo lembrada e realizada com grande participação popular.

Pontos de visitação[editar | editar código-fonte]

Política[editar | editar código-fonte]

Lista de prefeitos[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Visitado em 5 dez. 2010.
  3. Censo Populacional 2010 Censo Populacional 2010 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Visitado em 11 de dezembro de 2010.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2010). Visitado em 13 de agosto de 2013.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Visitado em 11 dez. 2010.
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