Miliarésio

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Exemplo dos primeiros miliarésios cunhados por Leão III, o Isáurio (r. 717–741) para celebrar a coroação de seu filho, Constantino V Coprônimo (r. 741–775), como co-imperador. Note a falta de qualquer imagem, exceto a cruz.

Miliarésio (em grego: μιλιαρήσιον; transl.: miliaresion; em latim: miliarensis) foi o nome usado para um número de moedas bizantinas de prata. Em seu sentido mais específico, refere-se a um tipo de moeda de prata cunhada nos séculos VIII-XI.

História[editar | editar código-fonte]

Originalmente, o nome foi dado para uma série de moedas de prata emitidas no século IV a taxa de 72 por libras e que equivaliam a 1000 nummos. A partir daí até o século VII, os bizantinos não usaram moedas de prata. No século VII, miliarésio foi o nome dado às moedas do tipo hexagrama, e de ca. 720 em diante um novo tipo, mais fino que o hexagrama, instituído pelo imperador bizantino Leão III, o Isáurio (r. 717–741).[1] Este último tipo, para o qual o termo miliarésio é geralmente preservado entre numismatas, aparentemente era 144 por libra, com um peso inicial de ca. 2.27 gramas, embora no período macedônico aumentou para 3.03 gramas (ou seja 108 moedas por libra).[2] No primeiro século de sua emissão, aparece sendo emitida somente como uma moeda cerimonial na ocasião da nomeação de um co-imperador, e por isso sempre apresenta os nomes dos dois imperadores bizantinos. Apenas do reinado de Teófilo (r. 829–842) foi emitida regularmente.[3]

As moedas foram inspiradas no contemporâneo dirrã de prata islâmico, e em comum com ele (e ao contrário da cunhagem de ouro e cobre do império, ou o hexagrama anterior) inicialmente não apresentava representações humanas, ostentando em vez disso nomes e títulos do imperador bizantino ou imperadores no reverso e uma cruz sobre um degrau no anverso. No século X, o imperador Alexandre (r. 912–913) introduziu um busto de Cristo no anverso, e Romano I Lecapeno (r. 920–944) adicionou um busto imperial no centro da cruz. Este processo culminou no século XI, quando imagens de imperadores, Cristo e a Virgem Maria começaram a aparecer.[4] No século XI, as frações 2/3 e 1/3 de miliarésio também começaram a ser emitidas, mas o colapso militar e financeiro dos anos 1070–1080 afetou sua qualidade.[5] Foi descontinuado após 1092, exceto como uma unidade de conta igual a 1/12 do nomisma. Sob os imperadores Comnenos, foi inicialmente substituído por uma moeda traqui de bilhão de baixo-grau, no valor de um quarto de miliarésio mas depois muito desvalorizado. O miliarésio foi essencialmente revivido na forma do basílico emitido de ca. 1300 em diante.[2] [6]

O nome também foi incorporado às línguas europeias ocidentais, onde milliarès é um termo usado para denotas os vários tipos de moedas de prata muçulmanas.[2]

Galeria[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Grierson 1999, p. 13
  2. a b c Kazhdan 1991, p. 1373
  3. Grierson 1999, p. 14
  4. Grierson 1999, p. 14–15
  5. Grierson 1999, p. 15, 44
  6. Grierson 1999, p. 15–16

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Grierson, Philip. Byzantine Coinage. Washington, Distrito de Colúmbia: Dumbarton Oaks, 1999. ISBN 978-0-88402-274-9.
  • Kazhdan, Alexander Petrovich. The Oxford Dictionary of Byzantium. Nova Iorque e Oxford: Oxford University Press, 1991. ISBN 0-19-504652-8.