Banco Comercial Português

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Millenium BCP)
Ir para: navegação, pesquisa
Banco Comercial Português
Banco Comercial Português S.A.
Tipo Empresa de capital aberto
Cotação Euronext Lisboa: BCP
Indústria Serviços financeiros
Gênero Sociedade Anónima
Fundação 1985
Sede Porto,  Portugal
Locais Portugal, Polónia, Moçambique, Angola
Empregados 18.660 (em 2013)
Produtos Banca
Banca de investimento
Private Banking
Seguros
Valor
de mercado
Baixa EUR 6,254 mil milhões (Jul/2014)[1]
Lucro Baixa EUR -740,5 milhões (2013)[2]
Faturamento Baixa EUR 1,769 mil milhões (2013)[3]
Página oficial www.millenniumbcp.pt/
Sede do BCP na Praça de D. João I, no Porto.

Banco Comercial Português, ou simplesmente BCP, é o maior banco privado português. Foi fundado em 1985, no seguimento da liberalização do mercado bancário Português, que se seguiu a um período de quase uma década de controlo estatal da banca em Portugal. É membro da Euronext 100 do STOXX 600, e do prestigiado Ethibel Vigeo Excelence.

BCP opera em Portugal sobre as marcas Millennium BCP, Banque BCP e ActivoBank. Recentemente lançou em Espanha com o Banc Sabadell o Activo Bank, e em França um banco de matriz semelhante o LusoBanque, através da sua unidade do Banque BCP (que ultimamente adquiriu o BPN France)

Além disto o Millennium destaca-se com operações internacionais de banca de investimento através do Millennium Investement Banking o único banco emissor de valores mobiliários em Portugal. Na área do Private Banking, o Millennium BCP é também pioneiro, com operações nos EUA (BCP Bank), Holanda (BCP Investment), Luxemburgo (Banque BCP), Suiça (Millennium Banque Privée) , Macau (Millennium Macau e Banco Comercial de Macau), e ilhas Caimão (BCP Finance Bank e Millennium Bank & Trust). Em Portugal é proprietário da maior rede de seguros de vida, património, saúde e pensões, através da Millennium Ageas (Holding proprietária da Ocidental Seguros, Ocidental Vida, Médis e PensõesGere. Em todos os países onde actua o Banco esforça-se por oferecer um serviço de qualidade superior, para que os seus clientes tenham opções de poupança e de investimento distintivas, nomeadamente através das várias sociadades lideres de mercado em gestão de activos e de fundos de investimento, é o caso em Portugal da Millennium Gestão de Activos, e do Luxemburgo da Millennium SICAV, ambas tambem presentes nos vários paises de operação do Banco. Para adicionar na área do Corporate Banking, o Banco presta um servio inovador através de plataformas tecnológicas e soluções personalizadas, através da LeaseFactor (Leasing) e da ComercialFactoring (Factoring). Também através da Millennium Trade Line, as empresas podem usufruir de Trade Finance e dos centros de negócios dedicados aos clientes empresariais do Banco. No acesso a cartões de crédito o Banco destaca-se como único operador e proprietário da licença (e acquiring) da rede American Express em Portugal, na Polónia, em Moçambique, e Macau.

O Millennium BCP está também presente no Brasil com especial enfoque nas empresas (Corporate Banking) e investimento (Investment Banking).

É proprietário de um banco, o Millennium Bank, que actua na Polónia. É proprietário do Banque BCP com o Groupe Caisse d'épargne francês. A Banque BCP está actualmente na França, na Bélgica e no Luxemburgo.

Para além do Millennium Bank, o BCP é também proprietário do maior banco moçambicano, o Millennium BIM, e proprietário do 52,7% do capital do Banco Millenium Angola.

Apesar da sua sede estar localizada no Porto, a maior parte das suas operações estão situadas em Oeiras, no parque tecnológico Taguspark.

Está posicionado no número 1253, pela Forbes, na lista das maiores empresas do mundo.

Para além das suas actividades bancárias, dá ocasionalmente o seu apoio a actividades culturais ou científicas, como a sua doação em 2009, ao Centro de Estudos Africanos, de um espólio considerável de livros sobre África.

Condenação do Banco, do seu Fundador e Antigo Presidente Jorge Jardim Gonçalves e de Ex-administradores[editar | editar código-fonte]

O caso das offshores do BCP resultou em dois processos de contra-ordenação, abertos em 2008 pela Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). O primeiro acusava o banco por ter prestado informação falsa ao mercado entre 2003 e 2007 - os delitos anteriores já estavam prescritos -, ao utilizar 31 sociedades off-shores para comprar acções próprias e esconder perdas, durante a gestão chefiada por Jardim Gonçalves. Este processo resultou nacondenação do Banco a pagar uma multa de 5 milhões de euros, com metade do valor executado a ser suspenso por dois anos. O banco interpôs recurso atrás de recurso até chegar ao Tribunal Constitucional, que rejeitou as suas pretensões e confirmou a multa em fevereiro de 2012.[4]

O segundo processo acusa individualmenteos ex-administradores e já teve confirmação da sentença da CMVM no Tribunal de Pequena Instância Criminal. Os condenados são Jardim Gonçalves, fundador e ex-presidente do banco; Filipe Pinhal, que também chegou a presidir ao BCP e recentemente lançou uma associação de reformados milionários indignados; António Rodrigues, antigo administrador financeiro; Paulo Teixeira Pinto, que também foi presidente do banco; Christopher de Beck, António Castro Henriques e Alípio Dias, três ex-administradores; Luís Gomes, antigo diretor do banco; Miguel Magalhães Duarte, o único dos nove que não foi condenado a inibição da atividade bancária. Filipe Pinhal foi multado em 800 mil euros e inibido por cinco anos da atividade bancária. António Rodrigues teve coima de 900 mil euros e cinco anos de inibição; Christopher de Beck tem de pagar 650 mil euros e inibição de quatro anos; António Castro Henriques, coima de 250 mil euros e inibição por dois anos; Alípio Dias, coima de 200 mil e inibição de um ano; Paulo Teixeira Pinto, coima de 200 mil e inibição de um ano; Luís Gomes, coima de 250 mil e inibição de três anos; Miguel Magalhães Duarte foi condenado a pagar 75 mil euros. Tal como o BCP no outro processo, todos devem recorrer da sentença. E todos eles, apesar de condenados pela CMVM e por um tribunal, continuam a receber reformas douradas pagas pelo banco.[4]

Num terceiro processo, o fundador e antigo presidente, Jorge Jardim Gonçalves, e dois ex-administradores do BCP, Filipe Pinhal (ex-presidente) e António Rodrigues, foram condenados a dois anos de prisão com pena suspensa mediante a entrega de compensações a instituições de caridade. No caso de Jardim Gonçalves, este terá de pagar 600 mil euros (menos 9,4 milhões de euros do que o valor pedido pelo Ministério Público) e, no de Filipe Pinhal e António Rodrigues, 300 mil euros cada (menos 2,7 milhões de euros). Os três ex-gestores ficam inibidos de actividade no sector financeiro por um período de quatro anos.[5]

Os juízes da 8.ª Vara Criminal de Lisboa consideraram, por dois votos contra um, que apenas são responsáveis por crime de manipulação de mercado com offshores controladas pelo BCP após 2002. De resto, acolheram a sua versão de que até aí não sabiam de nada e desresponsabilizaram-nos pela constituição e financiamento dessas offshores em anos anteriores (desde 1999) e até do crime de falsificação das contas do BCP, antes e depois de 2002. Um quarto ex-administrador, Christopher de Beck, foi mesmo absolvido. A juíza presidente Anabela Mendes Morais, porém, votou contra, tendo feito uma declaração em que defende que todos os arguidos deveriam ter sido condenados, incluindo pelos factos anteriores a 2002 e pelo crime de falsificação de documento. Explica que crê “convictamente” que os arguidos autorizaram e sabiam de tudo desde o início, e que a versão dos gestores “é absolutamente incongruente e inverosímil”, não merecendo “nenhuma credibilidade”. “É, a meu ver, de uma ingenuidade que me não veste, aceitar a versão dos arguidos de que autorizaram as concessões de crédito nestes montantes de centenas de milhões de euros, sem jamais perguntar e saber a quem (...)”, salienta a juíza Helena Susano no voto de vencida, frisando que “em nenhum banco isso existe”. “Ou seja, na versão dos arguidos, os administradores e quadros intermédios de escalão superior concederam empréstimos às offshores para aquisição de acções BCP, em montante que atingiu quase os 5% do capital do banco, e não sabiam a identificação de a quem o concediam, porque todos confiavam no funcionário hierarquicamente mais abaixo” - acrescenta a magistrada, ironizando de seguida: “É caso para dizer que, nesta matéria primordial como é a dos financiamentos (...), a única qualidade profissional que se exige aos quadros superiores e administradores é a da enorme capacidade de confiar no trabalho dos seus subordinados!”.[6]

O Conselho Superior de Magistratura decidiu abrir um inquérito ao processo de prescrição de nove contra-ordenações imputadas pelo Banco de Portugal a Jardim Gonçalves.[7]

 

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]