Civilização minoica

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A civilização minoica surgiu durante a Idade do Bronze Grega em Creta e floresceu de aproximadamente do século XXX ao XV a.C.[1] Foi redescoberta no começo do século XX durante as expedições arqueológicas do britânico Arthur Evans. O historiador Will Durant refere-se a civilização como "o primeiro elo da cadeia europeia".[2] Os primeiros habitantes de Creta datam de tão cedo quanto 128 000 a.C. durante o Paleolítico Médio.[3][4] No entanto, os primeiros sinais de práticas agrícolas não surgiram antes de 5 000 a.C., caracterizando então o começo da civilização.

Índice

[editar] Visão geral

O termo "minoico" foi cunhado por Arthur Evans e deriva do nome do rei mítico "Minos".[5] Minos foi associado no mito grego do labirinto, que Evans identificou como o sítio de Cnossos.[6] Por vezes argumenta-se que a placa egípcia chamada "Keftiu" (Káftiu kftiw) e as semíticas "Caftor" e "Kaptara" nos arquivos de Mari referem-se à ilha de Creta; "Por outro lado alguns fatos reconhecidos sobre Caphtor/Keftiu podem só com dificuldade serem associados com Creta", observa John Strange.[7] Na Odisseia, composta séculos depois da destruição da civilização minoica, Homero chama os nativos de Creta de eteocretenses ("Verdadeiros cretenses"); estes podem ter sido os descendentes dos minoicos.

Palácios minoicos (anaktora) são as mais bem acabadas construções conhecidas já escavadas na ilha. São construções monumentais servindo para propósitos administrativos como evidenciado por grandes arquivos de documentos desenterrados por arqueólogos. Cada um dos palácios escavados até o momento tem características únicas, mas eles também compartilham características que os distinguem de outras estruturas. Os palácios foram frequentemente construídos com vários andares, com escadas internas e externas, poços de luz, colunas maciças, depósitos de armazenamento e pátios, evidenciando uma arquitetura moderna e altamente elaborada.

Não se pode definir se o povo minoico foi indo-europeu; mas foram ainda relacionados com os habitantes pré-gregos da Grécia continental e da Anatólia Ocidental, os chamados pelasgos.[8] Contudo, a civilização minoica foi muito mais avançada e sofisticada que a contemporânea civilização heládica durante a Idade do Bronze. A escrita minoica (Linear A) não foi ainda decifrada, mas há indícios de que represente uma língua egeia, não relacionada com alguma língua indo-europeia. A partir do período neolítico, Creta situava-se entre os dois fluxos culturais que conduziam ao oeste: os fluxos culturais frente-asiático e norte africano. Aprentemente por muitos séculos a Creta minoica permaneceu livre de qualquer invasão e conseguiu desenvolver uma distinta civilização auto-sustentável que foi provavelmente a mais avançada no mediterrâneo durante a Idade do Bronze.[9][10]

[editar] Cronologia e história

Estátua de Arthur Evans.

Ao invés de associar datas do calendário absoluto para o período minoico, arqueólogos usam dois sistemas de cronologia relativa. O primeiro, criado por Evans e modificado depois por arqueólogos, baseia-se em estilos na produção cultural, os estilos de cerâmica. Ele divide o período minóico em três eras principais – Minoano Antigo (MA), Minoano Médio (MM) e Minoano Recente (MR). Estas eras são subdivididas, por exemplo, em Minoano Antigo I, II e III (MAII, MAII e MAIII). Outro sistema de datação, também cultural, proposto pelo arqueólogo grego Nicolaos Platon, é baseado no desenvolvimento dos complexos arquitetônicos conhecidos como palácios de Cnossos, Festos, Malia e Zakros, e divide o período minoico em pré-palaciano, proto-palaciano, neo-palaciano e pós-palaciano. A relação entre estes sistemas é dada na tabela abaixo com as datas do calendário aproximado extraídas de Warren e Hankey (1989).

A erupção do vulcão Santorini ocorreu durante uma fase madura do período Minoano Recente IA. A data do calendário da erupção vulcânica é extremamente controversa. A datação por radiocarbono indica uma data no final do século XVII a.C.;[11][12] essas datas por radiocarbono, no entanto, entram em conflito com as estimativas de arqueólogos que sincronizam a erupção com a cronologia convencional egípcia e obtem uma data de cerca de 1 530 a.C.-1 500 a.C.[13][14][15] A erupção é frequentemente identificada como um evento natural catastrófico para a cultura, levando possivelmente ao fim da civilização.

Cronologia de Arthur Evans e Nicolaos Platon
A. Evans N. Platon Cronologia tradicional Cronologia egípcia Cronologia heládica
Minoano Antigo Pré-palaciano
Minoano Antigo I 3100–2700 Dinastias I a IV Heládico Antigo
Minoano Antigo II 2700–2200 Dinastias V e VI
Minoano Antigo III 2200–2000 Dinastias VI a X
Minoano Médio  Dinastia XI
Minoano Médio IA 2000–1900 Heládico Médio
Minoano Médio IB Proto-palaciano 1900–1800
Minoano Médio II 1800–1700 Dinastia XII
Minoano Médio IIIA Neo-palaciano 1700–1600 Dinastias XIII a XVII
Minoano Médio IIIB 1600–1550
Minoano Recente Dinastia XVIII
Minoano Recente IA 1550–1520 Heládico Recente I
Minoano Recente IB 1520–1430  Heládico Recente II
Minoano Recente II Pós-palaciano  1430–1400 Dinastias XVIII a XX Heládico Recente IIB
Minoano Recente IIIA 1400–1330 Dinastia XXI Heládico Recente IIIA
Minoano Recente III B 1330–1200 Heládico Recente IIIB
Minoano Recente IIIC 1200–1100 heládico Recente IIIC
Sub-minoano

[editar] Mitologia

Segundo a mitologia, a ilha de Creta possui uma longa intimidade com a história cósmica, especialmente com Zeus.

[editar] Zeus

A mutilação de Urano por Saturno (Cronos).

Após Cronos ter castrado seu pai, o titã tornou-se o novo senhor dos céus e desposou sua irmã Reia.[16] Um oráculo de seu pai profetizou que um de seus filhos iria destroná-lo, então, Cronos, toda vez que sua esposa dava luz a um filho, o devorava, no entanto, Reia, triste com o destino de seus filhos, resolve não entregar seu último filho, Zeus.[16] Reia, então, envia seu filho para Creta,[17][18] onde é criado pela cabra Amalteia, e no lugar deste, entrega a Cronos uma pedra embrulhada.[16] Anos depois, a cabra revela a Zeus sua origem e o fim de seus irmãos, o que provoca ódio no deus, a ponto de este aliar-se com sua tia titânide Métis, de quem recebe uma poção que Cronos deveria tomar para vomitar seus parentes.[16] Cronos tomou a poção e com isso regurgitou seus filhos já crescidos que aliaram-se a Zeus contra Cronos. Este, a seu turno, aliou-se com outros titãs liderados por Atlas, o que deu início a titanomaquia ou Guerra dos Titãs. Para a derrocada dos titãs, Zeus libertou seus tios que haviam sido presos no Tártaro, os ciclopes e os hecatônquiros.[19] Como resultado, os titãs foram completamente aniquilados e todos, exceto Atlas que recebeu o castigo de sustentar a abóbada celeste, foram enviados para o Tártaro o que deixou o caminho livre para uma nova divisão celeste: Zeus tornou-se senhor dos céus e da terra, e seus irmãos Poseidon e Hades, tornaram-se senhores dos mares e do inferno, respectivamente.[19]

Saturno devorando seu filho.

[editar] Atlas

Atlas tornou-se conivente com a causa titã na guerra cósmica, pois os deuses haviam destruído seu reino, Atlântida, um próspero reino insular que corrompeu-se o que causou fúria entre os deuses que enviaram um dilúvio para a região que pereceu sob as águas.[16] Muitos identificam que a erupção do vulcão Santorini e as respectivas consequências para a civilização minoica poderiam ser a origem do famoso mito de Atlântida.[20][21]

[editar] Reis de Creta

[editar] Cres

Da união dos cuteres (deuses campestres que protegeram Zeus quando criança) e das irmãs hecatérides, surgiram os sátiros, as oréades e a tribo dos curetes, os primeiros cretenses. Essa tribo era formada por 100 jovens sendo que um deles, Cres, tornou-se rei de Creta. Cres reinou em Creta em 1 964 a.C. ou 1 887 a.C..[22] Segundo Jerônimo de Stridon, Cres era autóctone, e os curetes sequestraram e criaram Zeus.[22]

[editar] Téctamo

Queda dos Titãs.

Téctamo, o primeiro rei oficial cretense filho de Doro, havia chego na ilha com um grupo de eólicos e pelasgos e havia desposado a filha de Creteu que deu à luz seu filho e sucessor Astério.[23]

[editar] Astério

Astério, durante seu reinado, casou-se com a princesa Europa, filha de Agenor, rei da Fenícia, e irmã de Cadmo o fundador de Tebas, Fênix da Fenícia, Cílix da Cilícia e Tasos; havia sido raptada por Zeus em forma de touro e com ele havia tido três filhos: Radamanto, Sarpédon e Minos.[24] Astério acabou por adotar as crianças.[25][26][27]

[editar] Licasto

Licasto, segundo certas fontes, foi um rei de Creta, de forma que houvesse em Creta dois reis de nome Minos. Segundo Diodoro Sículo, os dois reis chamados Minos estavam separados por duas gerações. O primeiro Minos era filho de Zeus e Europa, e sucedeu ao marido da sua mãe, Astério, rei de Creta.[28] Minos se casou com Ithone, filha de Lyctius, e desta união nasceu Licasto, seu sucessor, sendo que Licasto casou-se com Idê, filha de Corybas e, desta união, nasceu o segundo Minos, o senhor dos mares.[28] Este segundo Minos casou-se com Pasífae, filha de Hélio e Cretê, e teve vários filhos, inclusive Deucalião, Catreu, Androgeu e Ariadne.[29]

[editar] Minos

«Ali está Minos», A divina comédia (Inferno, canto V, linha 4).

Após a morte de Astério, houve uma rivalidade entre os filhos de Europa, pois estes haviam apaixonado-se pelo mesmo homem, Mileto, filho de Apolo e Aria, filha de Cleochus.[27] Por Mileto preferir Sarpédon, Minos entrou em guerra aberta contra ambos o que causou a fuga destes para a Cária. Segundo outra versão, o motivo da briga foi Atymnius, filho de Zeus e Cassiepea.[27] Mileto fundou a cidade de Mileto e Sarpédon se aliou a Cílix, em guerra com os lícios,[27]. Outra versão afirma que Radamanto também foi exilado da ilha tendo ele ido para a Beócia, e seu irmão Sarpédon para a Anatólia onde conquistou os mílios e terminou como rei destes.[30][31][32][33] Radamanto quando morreu tornou-se um dos três juízes do inferno.[34]

Minos fez as leis dos cretenses, e se casou com Pasífae, filha de Hélio e Perseis, no entanto, segundo Asclepíades, Minos casou-se com Creta, filha de Astério.[27] Seus filhos foram Catreu, Deucalião, Glauco e Androgeu, e suas filhas foram Acalle, Xenodice, Ariadne e Fedra;[35] além destes, ele teve filhos com a ninfa Paria, Eurimedonte, Nephalion, Chryses e Philolaus, e com Dexithea ele teve o filho Euxanthius.[27]

Pasífae havia enfeitiçado Minos para que sempre que tenta-se traí-la, bestas sairiam do corpo de seu marido e matariam sua amante;[36] no entanto, Minos acabou por ter um caso com Prócris, filha de Erecteu e esposa de Céfalo, que antes já havia se prostituído para Pteleon, e havia fugiu para Creta quando foi descoberta.[36] Minos ofereceu a ela um cachorro veloz e um dardo que jamais errava o alvo e esta, em troca, ofereceu a ele uma raiz que permitiria que fossem para cama, no entanto, temendo Pasífae, Prócris regressou para Atenas.[36]

[editar] O Minotauro e o labirinto

Minos ansiava governar sobre Creta, no entanto, seu reinado era constantemente contestado o que fez que com este, durante um sacrifício a Poseidon, pedisse ao deus que um touro emergisse do mar para ser sacrificado em sua homenagem; o deus atendeu ao pedido, no entanto, Minos ao invés de sacrificar o touro, o colocou junto de seu rebanho e sacrificou outro touro no lugar.[37] Em represália ao ocorrido, Poseidon fez com que o touro se torna-se selvagem e que Pasífae se apaixona-se por ele.[38]

O minotauro.

Após ser banido de Atenas por assassinado,[39] Dédalo (famoso arquiteto e inventor ateniense), refugiou-se em Creta[40] e lá construiu um aparelho mecânico de madeira no formato de uma vaca para que Pasífae pudesse copular com o touro.[38] Da união do touro com Pasífae nasceu Astério, mais conhecido como Minotauro (criatura metade homem, metade touro), que foi encerrado no labirinto construído por Dédalo a mando de Minos.[38]

[editar] Androgeu e o tributo de Atenas

Androgeu havia vencido todas as provas dos jogos panatenaicos suscitando a inveja do rei Egeu, que acaba por mandar assassinarem o príncipe.[41] Minos então invade a Ática mas não logra tomar Atenas, o que faz com que este peça a seu pai Zeus que arquitetasse por ele sua vingança, e o deus, a despeito do pedido, provoca fome e peste em Atenas.[42] Com a derrota do rei Egeu, Minos impôs um tributo de sete rapazes e sete moças que deviam ser sacrificados ao Minotauro anualmente.[42]

[editar] Teseu e o minotauro

Teseu, filho de Egeu, decidiu voluntariamente ser um dos escolhidos para irem a Creta serem devorados pelo minotauro, sendo que prometeu a seu pai que iria matá-lo e se caso voltasse vitorioso, o navio, que habitualmente possui velas pretas, teria velas brancas.[41] Chegando em Creta, os jovens e donzelas são exibidos à Minos, e, durante a exibição, Ariadne avista Teseu e acaba por apaixonar-se por ele.[41] Com a promessa de que levaria Ariadne para Atenas, Teseu recebe dela um novelo de lã encantado (o fio de Ariadne) e uma espada que Teseu usou para matar a fera.[43] Em outra versão, o herói mata a criatura a socos,[44] e ainda segundo outra versão, foi com a espada de ouro de seu pai, que Teseu alcançou a vitória.[45]

Teseu esfaqueando o minotauro.

Para não perder-se durante o caminho, Ariadne segurou uma das pontas do novelo que se desenrolava a medida que Teseu adentrava no labirinto.[41] Uma versão alternativa diz que o novelo foi preso na porta do labirinto.[44] No meio do labirinto Teseu matou a fera, libertou os atenienses e retornou pelo mesmo caminho por onde havia adentrado.[45] Após o grandioso feito, Teseu foge para seu navio acompanhado de Ariadne e os atenienses, no entanto, não zarpa da ilha antes de fender o casco dos navios cretenses.[41]

Durante a viagem de regresso Teseu aportou na ilha de Naxos para coletar água.[45] Ariadne foi abandonada por Teseu na ilha, sendo que tal ocorrido foi marcado por uma variedade de explicações: uma tempestade desviou o barco de Teseu;[44] Minerva apareceu-lhe nos sonhos e ordenou que o fato fosse realizado;[43] Teseu já era casado;[45] Dioniso apaixonou-se por Ariadne, e acabou por enfeitiçar Teseu para esquecê-la;[45] Dioniso ordena a Teseu que este abandone a jovem na ilha.[44] Quando estavam próximos da costa de Atenas, Teseu tomado pela imensa alegria esqueceu-se de trocar as velas do barco para brancas, fazendo com que Egeu, em um momento de desespero, se lançasse ao mar que hoje tem seu nome para homenageá-lo.[43]

[editar] Dédalo e Ícaro
Dédalo e Ícaro.

Quando Minos descobriu que Dédalo tinha feito a vaca para Pasífae, este fugiu de Creta, com a ajuda da rainha.[46] Ícaro (filho de Dédalo) foge com seu pai, mas acaba por morrer em um acidente naval na ilha que passou a se chamar Icária.[47] Diodoro apresenta a versão alternativa de que Dédalo fugiu de Creta voando: com seu engenho inigualável, constrói para si e para seu filho dois pares de asas, ligadas com cera.[48] Ícaro, deslumbrado com a beleza do firmamento, sobe demasiado e o Sol derrete a cera de suas asas, precipitando-o nas águas do mar Egeu, enquanto Dédalo consegue chegar à Sicília.[49]

[editar] Morte de Minos

Dédalo passou um bom tempo trabalhando para o rei Cocálo, construindo várias maravilhas.[50] Minos, porém, quando soube que Dédalo tinha se refugiado na Sicília, resolveu fazer uma campanha contra a ilha.[51] Desembarcando com uma grande força na ilha, no local chamado a partir de então de Heracleia Minoa, Minos demandou de Cocálo que entregasse Dédalo para ele ser punido,[51] porém, o rei, trouxe Minos como convidado ao seu palácio, e assassinou-o durante o banho, fervendo-o em água quente.[52] Cocálo devolveu o corpo de Minos aos cretenses, dizendo que ele tinha se afogado no banho;[52] os cretenses o enterraram na Sicília,[53] no lugar onde mais tarde foi fundada a cidade de Acragas, e lá seus restos ficaram até que Terone, tirano de Acragas, devolveu seus ossos para os cretenses.[54]

Após sua morte, Minos tornou-se, assim como Radamanto e Éaco, um dos três juízes do inferno, sendo ele o juiz responsável pelo veredito final.[34]

[editar] Catreu

A morte de Hipólito

Catreu sucedeu a Minos como rei de Creta.[55] Catreu tinha três filhas, Aérope, Clímene e Apemosyne, e um filho, Altémenes. Catreu perguntou a um oráculo como ele iria morrer, e este respondeu que ele seria morto por um de seus filhos. Altémenes soube do oráculo, e mudou-se com Apemosyne para Rodes, onde assassinou sua irmã aos chutes quando ela disse que tinha perdido a virgindade para Hermes.[56] Aérope e Clímene foram entregues por Catreu a Náuplio para serem vendidas como escravas. Aérope se casou com Plístene, e deste casal nasceram Agamemnon e Menelau. Clímene se casou com Náuplio, com quem teve Oeax e Palamedes.[55] Quando Catreu ficou velho, querendo legar o reino a seu filho Altémenes, viajou para Rodes, onde, confundido com um pirata, foi morto por seu filho, que se matou em seguida.[55]

[editar] Deucalião

Deucalião sucedeu a ser irmão no trono de Creta, além de ter sido ele o senhor que liderou as tropas cretenses, juntamente com seu filho Idomeneu, para a Guerra de Troia. Ele teve dois filhos legítimos, Idomeneu e Crete, e um ilegítimo, Molus[57]. Foi durante seu governo que ocorreu o casamento entre sua irmã Fedra e Teseu.[43] O casamento visava um fortalecimento das relações entre Creta e Atenas.[44] Segundo Apolodoro, a ex-mulher de Teseu, Hipólita ou Antíope, irrompeu durante o casamento contra os convidados, ameaçando matar a todos, no entanto, rapidamente os convidados fecharam a parta na cara desta que foi posteriormente assassinada. Outra versão conta que Teseu matou-a durante um combate.[44]

Cavalo de Troia

O filho de Teseu, Hipólito, não possuía interesse em contrair matrimônio, ou, ao menos, manter relacionamento com mulheres, tendo apenas a caça e os passeios no bosque como suas ocupações.[44] Afrodite acabou por interessar-se pelo garoto, no entanto, este a repudiou o que provocou ódio na deusa que, para se vingar, fez com que sua madrasta se apaixona-se intensamente por ele, contudo, assim como fez com a deusa, Hipólito repudiou-a que para vingar-se dele, mentiu a Teseu afirmando que Hipólito tentou violentá-la.[44] Teseu, enfurecido, expulsou seu filho da cidade e pediu a Poseidon que o castiga-se e o deus, a despeito do pedido, fez com que um monstro terrível emergisse do mar enquanto Hipólito passeava de biga perto do mar o que fez com que os cavalos se assustassem o que provocou a destruição da biga e a morte do garoto.[44] Hipólito, no entanto, acabou por ser ressuscitado por Diana com a ajuda de Esculápio.[43] Fedra, ao perceber o que havia causado, suicidou-se por enforcamento.[44]

[editar] Idomeneu

Idomeneu foi um dos grandes heróis da Guerra de Troia. Foi um dos defensores primários quando a maioria dos outros heróis aqueus estava ferido, e até mesmo lutou brevemente com Heitor repelindo seu ataque.[58] Ele foi um dos aqueus que entrou no Cavalo de Troia. Idomeneu matou treze homens e pelo menos uma mulher amazona, Bremusa.[59][60]

No regresso da guerra, a frota por ele comandada foi surpreendida por uma violenta tempestade. Idomeneu prometeu ao deus do mar, Poseidon, em troca da salvação da sua vida, o sacrifício do primeiro ser humano que encontrasse em terra. Quis o acaso que fosse o seu filho. Idomeneu não cumpriu a promessa, o que provocou a ira dos deuses, que lançaram a peste sobre Creta. Segundo Pseudo-Apolodoro, Idomeneu não voltou a reinar sobre Creta ao voltar da guerra. Em decorrência da praga que assolava Creta, os cretenses enviaram-no para um exílio na Calábria, Itália.[61] Alternativamente, ele foi expulso de Creta por Leuco que conspirou com a esposa de Idomeneu, Meda, para se tornar rei.[62] Leuco, porém, matou Meda e sua filha Clisithyra, se tornou tirano de dez cidades de Creta, e expulsou Idomeneu quando este desembarcou na ilha.[63]

[editar] História

Afresco mostrando três mulheres que foram possivelmente rainhas.

A mais antiga evidência de habitantes em Creta são pré-cerâmicas do neolítico de restos de comunidades agrícolas datadas de aproximadamente 7 000 a.C.[64] Um estudo comparativo de haplogrupos de DNA de cretenses masculinos modernos mostrou que um grupo masculino fundador da Anatólia ou do Levante, é compartilhado com os gregos.[65]

Os primeiros habitantes da ilha viviam em grutas e, ao longo do tempo, começaram a erigir pequenas aldeias, assim como edifícios com pedra.[66] Na costa, havia cabanas de pescadores, enquanto a fértil planície de Messara foi usada para agricultura.[8] Cultivavam trigo e lentilhas, criavam bovinos e caprinos, e produziam armas com ossos, chifres, obsidiana, hematita, grés, calcário e serpentina, sendo que a presença de obsidiana prova a existência de contato comercial entre Creta e as Cíclades, pois, no mundo Egeu, a fonte de obsidiana é a ilha de Melos.[66]

[editar] Minoano Antigo

A introdução do cobre e o uso para ferramentas e armas, marca o fim do neolítico em Creta,[67] sendo que a Idade do Bronze na ilha começou em 2 700 a.C.[68] Da Idade do Bronze Inferior (3500 a 2 500 a.C.), a civilização minoica em Creta mostrou uma promessa de grandeza.[69] A tese de Arthur Evans de que a introdução de metais em Creta foi ocasionada por imigrantes do Egito não mais se sustenta,[70] na medida em que outras teorias argumentam em favor da instalação de colônias no Norte da África e na Ásia Menor, no entanto, os dados arqueológicos não suportam estas hipóteses, nem mesmo os dados antropológicos salientam a chegada de novas populações naquela época.[71] A teoria atual é a favor de que todo o mar Egeu estava sendo habitado por um povo chamado de pré-helênico ou egeano.[72]

Afresco do Toureador.

No período o Egito aparentemente não exercia grande influência na região, sendo que a Anatólia foi quem desempenhou um papel convincente no inicio da arte dos metais em Creta.[70] A disseminação do uso do bronze no mar Egeu está ligada a grandes movimentos populacionais na costa da Ásia Menor para Creta, Cíclades e sul da Grécia. Essas regiões estavam entrando em uma fase de desenvolvimento social e cultural, marcado principalmente pela expansão das relações comerciais com a Ásia Menor e Chipre. No entanto, a civilização neolítica continuou especialmente na primeira parte do período. Assim podemos ver, especialmente, as mudanças mais em termos de organização, melhoria das condições de vida e em termos de tecnologia.[71]

A partir deste momento, Creta viveu a transição de uma economia agrícola para adentrar noutras economias, o resultado do comércio marítimo com outras regiões do Egeu e Mediterrâneo Ocidental.[73] Com sua marinha, Creta ocupa um lugar de destaque no Egeu. A utilização de metais aumenta a transação com os países produtores: os cretenses procuravam cobre do Chipre, ouro do Egito,[74] prata e obsidiana das Cíclades.[75] Os portos estavam crescendo tornando-se grandes centros sob influência do aumento das atividades comerciais com a Ásia Menor, sendo que a parte oriental da ilha mostra a preponderância do período.[74] Centros na parte oriental (Vasiliki e Malia) começam a notabilizar-se e sua influência irradia-se ao longo da ilha dando origem a novos centros, entre eles Amnisos,[76] Cnossos e Festos; tais centros são ligados por um entrada erigida ao longo da ilha.[66] Parece que a partir do minoano antigo, aldeias e pequenas cidades tornaram-se abundantes e as fazendas isoladas são raras.[77] No entanto, é importante lembrar que algumas cavernas ainda continuaram a ser ocupadas durante este primeiro momento.[78]

No final do milênio III a.C., várias localidades na ilha desenvolveram-se em centros de comércio e trabalho manual, devido a introdução do torno na cerâmica e na metalurgia de bronze, a qual se acrescenta um aumento da população (densamente povoada), especialmente no centro-oeste.[73] Além disso, o estanho da Península Ibérica e Gália, assim como o comércio com a Sicília e Mar Adriático começaram a frear o comércio oriental. No âmbito da agricultura, é conhecido através das escavações que quase todas as espécies conhecidas de cereais e leguminosas são cultivados e todos os produtos agrícolas ainda hoje conhecidos como o vinho e uvas,[79] óleo e azeitonas, já ocorriam nessa época.[71] O uso da tração animal na agricultura é introduzida.[80]

Crianças boxeando em afresco de Akrotiri.

As habitações mais características do período são encontradas em Vasiliki e em Myrto de Jerapetra, no entanto, também foram identificadas suntuosas construções em outras partes da ilha como por exemplos as necrópoles de Archanes, Crysólaco, Malia, Palekastro e Zakros.[81] Tholos são encontrados principalmente no sul da ilha, especialmente na planície de Messara, onde 75 (sendo 95 ao todo) túmulos deste tipo foram detectados.[82]

[editar] Minoano Médio

Em torno de 2 000 a.C. foram construídos os primeiros palácios minoicos,[73][83] sendo estes a principal mudança do minoano médio.[84] Como resultado da fundação dos palácios, houve a concentração de poder em alguns centros, impulsionando tanto acontecimentos externos, como o desenvolvimento econômico e social. Os primeiros palácios são Cnossos, Festos e Malia e estão localizados nas planícies mais férteis da ilha, permitindo que seus proprietários acumulassem riquezas, especialmente agrícolas, como evidenciados pelos grandes armazéns para produtos agrícolas encontrados nos palácios.[83] Esse período de mudanças permitiu que as classes superiores continuamente praticassem atividades de liderança e ampliassem sua influência. É provável que a original hierarquia das elites locais foi substituída por uma estrutura monárquica do poder, onde os palácios eram controlados por reis – uma precondição para a criação de grandes palácios.[85][86] O sistema social era provavelmente teocrático, sendo o rei de cada palácio o chefe supremo oficial e religioso.[87]


Fontes escritas dos povos do Oriente indicam que o mar Egeu e a Ásia Menor passaram por uma reviravolta causando uma reação cretense.[88] Com o poder concentrado, os minoicos poderiam melhor lutar contra os perigos de fora.[89] A aparição dos palácios contrasta com o aparente declive das civilizações cicládica e heládica, e surpreende em uma ilha que não havia tido o desenvolvimento artístico das Cíclades, nem a organização econômica de certos lugares do Peloponeso, como Lerna.[90] A localização dos palácios corresponde a grandes cidades que existiram durante o pré-palaciano.[89] Cnossos controlava a região rica do centro-norte de Creta, Festos dominou a área de várzea em Messara, e Malia o centro-leste. Nos últimos anos os arqueólogos falam de territórios bem delimitados ou estados, um fenômeno novo na área grega.[91]

A realização de trabalhos importantes são indícios de que os minoicos tinham uma divisão bem sucedida do trabalho, e tinham uma grande quantidade deles. Um sistema burocrático e a necessidade de melhor controle de entrada e saída de mercadorias, além de uma possível economia baseada em um sistema escravista, formaram as bases sólidas para esta civilização.[83]

Um dos dois grifos que ladeiam o trono de Cnossos.

Com o tempo o poder dos centros orientais começa a eclipsar, sendo estes substituídos pelo ascendente poderio dos centros interioranos e ocidentais.[66] Isto ocorreu, principalmente, por distúrbios políticos na Ásia (invasão cassita na Babilônia, expansão hitita e invasão hicsa no Egito) que enfraqueceram o mercado oriental, motivando um maior contato com a Grécia continental e as Cíclades.[66] Durante o MMI os túmulos abobados param de ser erigidos na região de Messara.[92]

No final do período MMII (1750 - 1 700 a.C.), houve uma grande perturbação em Creta, provavelmente um terremoto,[93] ou possivelmente uma invasão da Anatólia.[94] A teoria do terremoto é sustentada pela descoberta do templo de Anemospilia pelo arqueólogo Sakelarakis, no qual foram encontrados os corpos de três pessoas (uma delas vítima de um sacrifício humano) que foram surpreendidas pelo desabamento do templo.[95] Outra teoria é que havia um conflito dentro de Creta, e Cnossos saiu vitorioso.[96] Os palácios de Cnossos, Festos, Malia e Zakros foram destruídos.[6] Mas, com o início do período neopalaciano, a população voltou a crescer,[97][98] os palácios foram reconstruídos em larga escala[99] (no entanto, menores que os anteriores[100]) e novos assentamentos foram construídos por toda a ilha, especialmente grandes propriedades rurais.[101]

Este período (séculos XVII e XVI a.C., MM III/neopalaciano) representa o apogeu da civilização minoica.[96][87] Os centros administrativos controlavam extensos territórios, fruto da melhoria e desenvolvimento das comunicações terrestres e marítimas, mediante a construção de estradas e portos, e de navios mercantes que navegavam com produções artísticas e agrícolas, que eram trocadas por matérias-primas.[87] Entre 1700 e 1 450 a.C., a monarquia de Cnossos deteve a supremacia da ilha.[86] Essa monarquia, apoiada, pela elite mercantil surgida em decorrência do intenso comércio, criou um imperio comercial marítimo, a talassocracia.[102][103] Heródoto e Tucídides afirmaram que os cretenses dominaram com sua marinha todo o mar Egeu, destruíram a pirataria, colonizaram a maior parte das Cíclades, e cobraram tributos e equipamentos dos habitantes das ilhas. A extensão da talassocracia minoica é atestada pela grande quantidade de cidades com nome Minoa encontradas nas ilhas do Egeu, na costa síria, no continente grego e na Sicília. As regiões integradas a talassocracia minoica eram administradas por prepostos. Tucídides menciona que o lendário rei Minos enviou seus filhos para governar as províncias exteriores.

Talassocracia minoica.

A influência da civilização minoica fora de Creta manifesta-se na presença de valiosos itens de artesanato. Cerâmicas típicas minoicas foram encontradas em Milos, Lerna, Egina e Koufonisia. É provável que a casa governante de Micenas estivesse conectada à rede de comércio minoica. Após cerca de 1 700 a.C., a cultura material do continente grego alcançou um novo nível, devido a influência minoica.[86] Importações de cerâmicas do Egito, Síria, Biblos e Ugarit demonstram ligações entre Creta e esses países.[104] Os hieróglifos egípcios serviram de modelo para a escrita pictográfica minoica, a partir da qual os famosos sistemas de escrita Linear A e B mais tarde desenvolveram-se.[8]

A erupção do vulcão Thera (atual Santorini) foi implacável para o rumo de Creta.[105][106] A erupção foi datada como tendo ocorrido entre 1639 e 1 616 a.C., por meio de datação por radiocarbono;[107] em 1 628 a.C. por dendrocronologia;[108] e entre 1530 - 1 500 a.C. pela arqueologia.[109] O leste da ilha foi alcançado por nuvens e chuva de cinzas que possivelmente alastraram gases nocivos que intoxicaram muitos seres vivos, além de terem causado mudanças climáticas e tsunamis, o que possivelmente fez com que Creta se tornasse polo de refugiados provenientes das Cíclades, o que minou, juntamente com os cataclismos naturais prévios, a estabilidade da ilha.[106] Além disso, a destruição do assentamento minoico em Thera (conhecido como Akrotiri) poderia ter impactado, mesmo que indiretamente, o comércio minoico com o norte.[110] Em torno de 1 550 a.C., um novo abalo sísmico consecutivo às catástrofes do Santorini, destruiu outra vez os palácios minoicos, no entanto, estes foram novamente reconstruídos e foram feitos ainda maiores do que os anteriores.[86][99]

[editar] Minoano Recente

Afresco do pescador em Akrotiri.

Em torno de 1 450 a.C., a civilização minoica experimentou uma reviravolta, devido a uma catástrofe natural, possivelmente um terremoto. Outra erupção do vulcão Thera tem sido associada a esta queda, mas a datação e implicações permanecem controversas. O minoano recente é marcado por grande riqueza material e da onipresença do estilo de cerâmica de Cnossos, no entanto, no minoano recente IIIB a importância de Cnossos como um centro regional, e sua "riqueza" material, parecem ter diminuído. Vários palácios importantes em locais como Malia, Talyssos, Festos, Hagia Triada bem como os alojamentos de Cnossos foram destruídos. O palácio de Cnossos parece ter permanecido em grande parte intacto. A primeira parte do período é marcada pela onipresença e riqueza do estilo de Cnossos, no entanto, a partir do MRIIIB sua influência parece ter diminuído. Durante o MRIIIB a ilha foi invadida pelos aqueus da civilização micênica.[99]

Os sítios dos palácios minoicos foram ocupados pelos micênicos em torno de 1 420 a.C.[111] (1 375 a.C. de acordo com outras fontes),[86] que adaptaram o sistema gráfico minoico Linear A para as necessidades de sua própria língua micênica, uma forma de grego, que foi escrita em Linear B. Os micênicos geralmente tendem a adaptar-se, e não a destruir, a cultura, religião e arte minoica,[112] e eles continuaram a operar o sistema econômico e burocrático dos minoicos.[86] No entanto, estudiosos como Tulard, argumentam que a ilha durante este período tornou-se, apenas, um apêndice do continente.[113]

Edificações micênicas (túmulos, aldeias, etc.) são encontradas em muitas localidades minoicas.[114] O oeste cretense prosperava graças à proximidade com o Peloponeso. O porto de Cnossos continuou mantendo relações comerciais com Chipre.[115] Possivelmente os minoicos e micênicos acabaram por fundir-se, no entanto, não são evidenciadas novas tendências artísticas na ilha.[113] Durante MRIIIA: Amen-hotep III em Kom el-Hatan tomou nota de k-f-t-w (Kaftor) como uma das "Terras secretas do norte da Ásia". São também mencionadas cidades cretenses tais como Ἀμνισός (Amnisos), Φαιστός (Festos), Κυδωνία (Cidônia) e Kνωσσός (Cnossos) e alguns topônimos reconstruídos como pertencentes as Cíclades e ao continente grego. Se os valores desses nomes egípcios são precisos, então este faraó não privilegia Cnossos de MRIII acima dos outros estados da região.

A Parisiense.

Após cerca de um século de recuperação parcial, mais cidades e palácios de Creta entraram em declínio no século XIII a.C. (HTIIIB/MRIIIB). Os últimos arquivos em Linear A são datados de MRIIIA (contemporâneo com HTIIIA). Cnossos permaneceu um centro administrativo até 1 200 a.C.; o último dos sítios minoicos[116] foi o sítio defensivo de Karfi, um sítio refúgio que exibe vestígios da civilização minoica quase na Idade do Ferro. Por volta de 1 100 a.C. os dórios atingem a ilha e causam destruição e morte.[66] Essa invasão trouxe, entre todas as mudanças, o início do uso do ferro, assim como o surgimento da prática de cremação dos mortos.[117]

[editar] Teorias acerca da destruição da civilização minoica

A erupção na ilha de Thera está entre as maiores erupções vulcânicas na história das civilizações, expelindo cerca de 60 km3 de lava e sendo classificada como nível 6 segundo o índice de explosividade vulcânica.[118][119][120] A erupção devastou o assentamento minoico em Akrotiri, que foi efetivamente enterrado sobre camadas de pedra-pome.[21] Além disso, foi sugerido que a erupção e seu efeito sobre a civilização minoica foi a origem do mito de Atlântida.[21][20]

Muitos estudiosos acreditam que a erupção afetou gravemente a civilização de Creta, embora a dimensão exata do impacto tenha sido debatida. As primeiras teorias propuseram que a queda de cinzas na metade oriental da ilha de Creta sufocou a vida das plantas, causando a fome da população local.[121] No entanto, após exames de campo mais aprofundados, esta teoria tem perdido credibilidade, como tem sido determinado que não mais do que cinco milímetros de cinzas caíram em qualquer lugar da ilha de Creta.[122] Estudos recentes indicam, com base em evidências arqueológicas encontradas na ilha de Creta, que um enorme tsunami, gerado pela erupção do Santorini, devastou as áreas costeiras da ilha e destruiu muitos assentamentos costeiros.[123][20][124][125][126][127] O arqueólogo grego Spyridon Marinatos acreditava que, em cerca de 1 500 a.C., todas as cidades costeiras minoicas foram destruídas, assim como a cidade de Amnisos.[128][129] O cenário de desastres projetados, além do tsunami na costa norte de Creta,[124] permitiram o reconhecimento de que a erupção do Santorini foi de no máximo metade do que Marinatos aplicou, sendo então sua teoria exagerada.[130]

Afresco dos macacos azuis em Akrotiri.

Significativos restos minoicos foram encontrados acima das camadas de cinzas do Thera, o que implica que a erupção do Thera não causou a queda imediata dos minoicos.[131] Como os minoicos foram uma potência marítima e dependiam de sua marinha para subsistirem, a erupção causou dificuldades econômicas significativas para os minoicos. Se estes efeitos foram suficientes para provocar a queda da civilização, ainda está sob intensa discussão. A conquista micênica dos minoicos ocorreu no final do período MRII. Os micênicos foram uma civilização militar. Usando sua marinha funcional e um exército bem equipado, eles eram capazes de uma invasão. Há evidências de armas micênicas, sendo encontradas em enterros da ilha de Creta. Isso demonstra a influência militar micênica.[132] Muitos arqueólogos especulam que a erupção induziu uma crise na civilização minoica, que permitiu aos micênicos os conquistarem facilmente.[124]

Sinclair Hood escreve que a destruição dos minoicos era mais provável devido a uma força invasora. Evidências arqueológicas levam ao fato de a destruição da ilha parece ter sido devido a dano por incêndios. Hood nota que o palácio de Cnossos parece ter experimentado menos danos do que outros locais ao longo da ilha de Creta. Além de Cnossos, em muitas vilas ao longo da ilha apenas os edifícios mais importantes de governantes foram destruídos, enquanto o resto das casas permaneceram intactas.[128] Porque as catástrofes naturais não escolhem seus alvos, é mais provável que a destruição foi produto de invasores, pois invasores teriam visto a utilidade de um centro como o palácio de Cnossos.[133] Detorakis supõe que a destruição minoica tenha sido alavancada por problemas econômicos. Com o grande aumento da demanda, a produção interna não foi suficiente para supri-la. Além disso, com o advento dos micênicos, as rotas antes tidas apenas como minoicas, começaram a ser disputadas. houve uma escassez de matérias-primas. Essa situação de sobrecarga causou desordens e desestabilização que levaram o abandono e destruição da maioria dos sítios.[128]

Tulard acredita que a destruição de muitos palácios seria a consequência de uma disputa contra Cnossos.[134] No entanto, em 1 400 a.C., Cnossos cede por razões não identificadas, o que levou a uma nova hipótese de terremoto.[134][135] Evans viu a questão como uma revolta da plebe contra uma monarquia com tendências militaristas.[135] Wace, por sua vez, sugere uma revolta dos cretenses contra os aqueus.[134] Ele cita a lenda de Teseu como suporte para a teoria de uma invasão aqueia do continente, sendo que o minotauro simboliza a destruição do poder minoano por seus ex-vassalos. Mas a decifração das tabuletas de argila de Cnossos mostram que o grego já era a língua oficial em Cnossos e, portanto, a dinastia, quando o palácio foi destruído, era aqueia.[135]

Vários autores têm observado evidências de excedência de capacidade de carga pela civilização minoica. Por exemplo, a recuperação arqueológica de Cnossos fornece uma prova clara de desmatamento desta parte da ilha de Creta próximo aos últimos estágios do desenvolvimento minoico.[136]

[editar] Geografia

Mapa da Creta minoica (para mapa detalhado ver:[2])

Creta, com 8287 km,[66] possui um litoral de 100 km e sua largura de norte a sul compreende entre 12 e 60 km.[137] Devido as suas dimensões unidas a sua diversidade geográfica, os ilhéus acreditavam, segundo Homero, "encontrar-se em um conjunto de países em meio as águas".[138]

Creta é uma ilha montanhosa com portos naturais. Composta por maciços montanhosos, planícies e vales pluviais, é dominada por três grandes maciços montanhosos: o Léfka Óri (as Montanhas Brancas) a oeste com 2452 m, o Monte Ida (Psiloriti) no centro com 2490 m, e as cadeias de Lacei a leste com 2147 m, sem contar com outras montanhas de menor altitude.[66] Situada em uma zona sísmica, ao longo de sua história sofreu terremotos e continua atualmente sobre sua ameaça.[139] Há sinais de danos por terremoto em muitos locais minoicos e sinais claros de elevações de terra e submersões de zonas costeiras devido a processos tectônicos ao longo das costas. As atividades geológicas e sísmicas criaram inúmeras grutas e cavidades ocupadas pelo homem para habitação e adoração.[140]

A ilha de Creta marca o limite sul da bacia do mar Egeu e sempre foi uma encruzilhada entre a Europa, Ásia e África.[141] Enquanto o mediterrâneo não é afetado pelo movimento das marés, muitas casas ou portos da costa leste hoje estão quase no nível do mar.[142] Considerando que o nível do mar era um metro mais baixo em Creta no tempo dos romanos, podemos supor que muitos sítios minoicos estão totalmente cobertos pelas águas.[141] Os portos minoicos eram localizados em promontórios que foram instalações portuárias, usados, dependendo da direção do vento. A ilha de Mochlos foi um promontório típico, com uma porta em cada lado do istmo, até que a ilha se transformou com o aumento da água.[143] Outra mudança na configuração da costa da ilha é o aumento gradual da costa oeste. Entre Paleochora e a cidade de Lyssos, a elevação é estimada em 8 metros. Uma antiga cidade grega, Phalasarna, possuía uma porta interna ligada por um canal. Este canal está agora bem acima do nível do mar.[143]

Hoje, cerca de dois terços da área total da ilha é composta por áreas rochosas e áridas, o que já seria o caso nos tempos minoicos. Se o desmatamento ocorreu muito cedo, durante o período minoico havia grandes florestas virgens de ciprestes na totalidade oeste do Monte Ida.[140][143] A ilha não possuía nenhum rio navegável. No entanto, parece que havia mais água durante a idade do bronze do que hoje, provavelmente, mais um resultado do desmatamento que causou mudanças climáticas.[144] Vinhas, oliveiras, legumes e cereais estão entre os produtos agrícolas irrigados por pequenos cursos d'água que emanam das montanhas.[66]

Ruínas de Festos.

Homero gravou uma tradição que Creta tinha 90 cidades.[145] A julgar pelos locais dos palácios da ilha foi provavelmente dividida em oito unidades políticas, durante o auge do período minoico. O norte é pensado ter sido governado a partir de Cnossos, a sul de Festos, a parte centro-ocidental de Malia, a ponta leste de Zakros e o oeste de Chania. Pequenos palácios foram fundados em outras localidades.

Alguns dos principais sítios arqueológicos minóicos são:

  • Palácios
    • Cnossos - o maior sítio arqueológico[146] da idade do bronze de Creta; foi comprado para escavações por Evans em 16 de março de 1900.
    • Festos – a segunda maior[146] construção palaciana da ilha, escavado pela escola italiana logo após Cnossos
    • Malia – escavado por franceses, um centro palaciano que oferece um olhar no desenvolvimento dos palácios do período proto-palaciano.
    • Zakros – um sítio palaciano escavados por arqueólogos gregos no leste da ilha. Também é referido como "Zacro" na literatura arqueológica.
    • Gálatas – o mais recentemente confirmado sítio palaciano.
  • Hagia Triada – um centro administrativo relacionado com Festos.
  • Gournia – um sítio cidade escavado na primeira quinzena do século XX pela escola americana.
  • Pirgos – um sítio do minoano inferior do sul da ilha.
  • Vasiliki – um sítio do minoano inferior do leste da ilha que dá o nome a um tipo distintivo de cerâmica.
  • Fournu Korfi – um sítio do sul da ilha.
  • Pseira – cidade com sítios rituais.
  • Monte Juktas – o maior dos santuários minoicos localizados em picos porque está associado com Cnossos.
  • Arkalochori – o sítio onde foi encontrado o famoso Machado Arkalochori.
  • Karfi – um sítio refúgio do período minoano recente, um dos últimos sítios minoicos.
  • Akrotiri – assentamento na ilha de Santorini (Thera), próximo do sítio da Erupção do Thera.
  • Zominthos – uma cidade montanhosa no sopé do Monte Ida.

[editar] Minoicos além de Creta

Imagem de uma cidade.

Os minoicos eram comerciantes, e seu contato cultura foi muito além da ilha de Creta – o Antigo Egito, Chipre, Canaã, além da costa do Levante e com a Anatólia. No final de 2009, o estilo minoico de afrescos e outros estilos de artefatos foram descobertos durante as escavações do palácio de Canaã em Tel Kadri,[147][148] levando os arqueólogos a concluir que a influência minoica foi a mais forte influência estrangeira sobre as cidades-estado cananitas.

Técnicas e estilos minoicos na cerâmica também proporcionaram modelos, de influência flutuante, para a Grécia heládica. Junto com exemplos familiares de Thera, "colônias" minoicas podem ser encontradas primeiro em Kastri (Citera), uma ilha sob influência minoica até a ocupação micênica no século XIII a.C.. O uso do termo "colônia" assim como "talassocracia", têm sido criticados nos últimos anos.[149] Os estratos minoicos substituíram os estratos continentais derivados do início da idade do bronze.[150] As Cíclades estavam na orbita cultural minoica, e, mais perto de Creta, as ilhas de Cárpatos, Saros e Kasos, também continham colônias minoicas, ou assentamentos de comerciantes minoicos, na idade do bronze médio; a maioria delas foi abandonada no MRI, contudo, a ilha Cárpatos foi recuperada até o final da idade do bronze.[151] Adolf Furtwängler supôs que Egina também fosse uma colônia, no entanto, atualmente, tal localidade foi repudiada.[152] Havia uma colônia minoica em Ialisos (Rodes).

A influência cultural minoica indica uma orbita que se estendeu não apenas ao longo das Cíclades (a chamada minoização), mas também em locais como Egito e Chipre. Pinturas do século XV a.C., em Tebas, descrevem um número de indivíduos que tem aparência minoica trazendo presentes. Inscrições gravam essas pessoas como vindo de Keftiu, ou "ilhas no meio do mar", e pode se referir aos comerciantes trazendo presentes ou funcionários de Creta.[153]

[editar] Linguagem e escrita

O conhecimento da língua falada e escrita dos minoicos é escasso, devido ao pequeno número de registros encontrados. Cerca de 3000[154] tabuletas de argila foram encontradas com vários escritos cretenses. Tabuletas de argila parecem ter sido usadas a partir de 3 000 a.C., ou antes. Dois copos de barro em Cnossos foram encontrados contendo restos de tinta; tinteiros similares aos tinteiros em forma de animal da Mesopotâmia também foram encontrados.[155]

Às vezes, a linguagem minoica é referida como eteocretense, mas esta apresenta confusão entre a língua escrita em linear A e a linguagem escrita em um alfabeto derivado do alfabeto eubeio após a Idade das Trevas. Enquanto a linguagem eteocretense acredita-se ser uma descendente do minoico, no entanto, não há material de origem em qualquer idioma para permitir conclusões a serem feitas.

[editar] Hieróglifos cretenses

Os minoicos foram os precursores da escrita no Mar Egeu.[156] Pouco antes da fundação dos palácios de Creta em 2 000 a.C., vemos aparecer em combinações de selos cretenses sinais que são, provavelmente, uma forma de escrita. Esta escrita é ideográfica de origem: é composta por ideogramas, ou seja, imagens de objetos ou conceitos que são reconhecíveis, mas, que no início, não continham nenhum valor fonético. Mais tarde, as imagens adquiriram um significado e marcaram sons fonéticos presentes nas palavras correspondentes.[157]

Signos desconhecidos no Disco de Festos.

Esta primeira escrita minoico é comumente chamada hieroglífica, termo emprestado dos caracteres egípcios por Evans,[156] já que os símbolos cretenses trazem semelhanças com símbolos hieróglifos do prédinástico e protodinástico.[158] Embora haja semelhanças entre os sinais egípcios e cretenses, parece que nunca existiu uma inter-relação direta.[157] No entanto, estes hieróglifos são frequentemente associados com os egípcios,[66] mas também mostram a relação com vários outros escritos da região da Mesopotâmia.[155]

A evolução da escrita desta iconografia possui duas fases de evolução: de selos com ideogramas no pré-palaciano e protopalaciano; de textos iconográficos protolineares que se desenvolveram em paralelo durante o período protopalaciano.[156]

Arthur Evans foi para Creta a fim de descobrir uma nova forma de escrita, e foi o primeiro a dar importância para os escritos da idade do bronze de Creta e Grécia continental. Após um ano de escavações em Cnossos, quase 1000 tabuinhas, completas ou fragmentárias, foram descobertas.[159] Em seu livro Scripta Minoa, Arthur Evans tentou unir os hieróglifos minoicos. Contou 135,[160] mas seu número total é maior, uma vez que não estão em seu catálogo. No entanto, ele conseguiu distinguir duas fases na evolução destes hieróglifos,[157] e descobriu que sua utilização foi generalizada em Creta.[161] A segunda é caracterizada pela incisão meticulosa e caligráfica dos sinais. Esta segunda fase coincide com o período da fase Kamares protopalaciana, que durou até cerca de 1 700 a.C. A escrita continuou a ser usada após essa data, em textos rituais.[157] Sobre este ponto, as teorias são de que a escrita hieroglífica, originalmente derivada de formas naturais, seria convertida em um talismã usado no final do minoano antigo.[162] Selos com inscrições hieroglíficas datados do minoano médio foram encontrados, e até mesmo alguns selos foram encontrados em edifícios de Cnossos destruídos em 1 450 a.C.[163] Versões simplificadas desses hieróglifos, adotando uma escrita linear também foram descobertos, assim como uma espécie de grafite nas paredes de Cnossos e Hagia Triada, a partir de 1 700 a.C. Talvez, como no Egito, uma escrita simples foi desenvolvida para o uso de papiro e tinta; mas, até o momento, as únicas inscrições feitas em tinta de Creta, foram feitos em copos de barro de Cnossos 1 600 a.C..[163]

Escrita linear hieroglífica.

Evans catalogou os hieróglifos em diferentes categorias. Alguns são tirados do reino animal (gato selvagem, cabeça de leão, criança, boi, pomba); alguns sinais representam partes do corpo humano (olhos, mãos, pés) ou mesmo a silhueta humana inteira. Outros sinais são vasos, ferramentas e outros objetos da vida cotidiana: arado, lira, faca, serra, barco. Há também o machado duplo, o trono, a flecha e a cruz.[164] Se ele não conseguiu decifrar a linguagem, os hieróglifos encontrados por Evans, no entanto, ajudaram a pintar um retrato da civilização minoica.[165] Para ele, os hieróglifos são indicações de uma comunidade mercantil, industrial e agrícola.[163] Ele analisa as ferramentas, algumas das quais são de acordo com ele, de origem egípcia, e são usadas por pedreiros, carpinteiros e decoradores de grandes palácios. Descobriu-se em um dos símbolos que a lira de oito cordas tinha atingido o mesmo estágio de desenvolvimento que se sabe ter havido no período clássico, quase mil anos antes de Terpandro. A recorrência do símbolo do navio sugere uma atividade comercial. O lingote ilustrado, de acordo com Evans, era um meio de pagamento.[163]

Evans tentou interpretar os sinais como representações do dignitário minoico. Assim, disse ele, o machado duplo seria o emblema do guardião do santuário do machado duplo, que é o palácio de Cnossos. Os olhos significa superintendente ou supervisor; a espátula para arquiteto; a porta para guardião, e assim por diante. Mas essa visão foi, então, considerada prematura, uma vez que ainda são incertas as naturezas dos objetos representados pelos hieróglifos. Mas, mesmo que soubéssemos exatamente o que os hieróglifos representam, parece arriscado atribuir um significado tão perto do objeto representado.[164] Algumas séries de hieróglifos que surgem regularmente nos selos foram atribuídos a nove nomes de deuses,[164] ou talvez o título de sacerdotes ou dignitários.[166][167]

A cópia mais importante das inscrições hieroglíficas de Creta é o disco de Festos, descoberto em 1903, em um depósito dos apartamentos nordeste do palácio. As duas superfícies do disco são cobertas por hieróglifos dispostos em uma espiral, e impressos no barro enquanto ele ainda estava molhado. Os sinais formam grupos, separados por linhas verticais, cada um desses grupos representando uma palavra. Podemos distinguir 45 diferentes tipos de sinais, alguns dos quais podem ser identificados como do período protopalaciano.[166] Algumas séries de hieróglifos retornam como refrões, sugerindo um hino religioso.

Evans possuía a hipótese de que o disco não era cretense, mas sim que ele foi importado do sudoeste asiático. No entanto, a descoberta na caverna Arcaloquori de inscrições de um machado duplo semelhante às do disco, e uma inscrição de um anel de ouro em Mavro Spilio com um arranjo em espiral leva a certeza de que o disco de Festos é de origem cretense.[166]

Após algumas modificações do sistema iconográfico, surgem novos sistemas de escrita, sendo primeiro o linear A, e então, o linear B.[156]

[editar] Linear A

Pithoi de Cnossos.

É a transformação e simplificação da escrita ideogramática que provêm da escrita do período neopalaciano: o linear A, como era chamado por Arthur Evans. Evans pensou pela primeira vez que foi transformada em escrita em 1 800 a.C., mas essa visão até agora foi excluída com a descoberta e símbolos de transição.[168] Os elementos iconográficos se sistematizaram tornando a escrita mais fluida. Mas a transição de uma escrita para a outra se tornou tão progressivo[169] que ambos os sistemas estavam em vigor em paralelo.[170]

Esta escrita é chamada de linear porque é composta de sinais, que apesar de derivados dos ideogramas, já não são reconhecíveis como representações de objetos, mas composta por formações abstratas.[170]

Os documentos descobertos até agora são inscrições em tabelas de argila e outros objetos de culto. Os textos em linear A do palácio Hagia Triada são as mais numerosas: 150 pequenos tabletes de argila são registrados onde são listados transações e armazenamento.[169] Textos similares foram encontrados em Cnossos, Malia, Festos, Talyssos, Palekastro, Archanes e Zakros.[170] O texto inclui títulos que indicam os prováveis locais e personagens. O sistema de numeração era diferente da escrita hieroglífica.[169]

Escrita linear A em fragmentos de cerâmica (Akrotiri).

Cerca de 100 símbolos foram amplamente utilizados em linear A. Destes, doze eram ideogramas, apresentados separadamente em listas antes dos números. O sistema linear A teve variações locais, no entanto, havia elementos comuns. Certo número de inscrições tinha um caráter mágico e religioso. Eles foram gravados ou escritos em utensílios de rituais, jarras, tabuinhas de oferendas, colheres de pedra, copos e xícaras de toda Creta. De fato, acredita-se que em 1 600 a.C. o linear A é usado em toda ilha.[165] Mas a maioria dos textos deste período foram escritos em cartazes de barro em forma de pastilhas retangulares.[169]

Embora seja certo que a língua destas tabuinhas é minoica, uma vez que ainda não foi decifrada, muitos reconhecem os elementos de uma língua semítica, luvita ou indo-europeia.[169] Pesquisadores, através da aplicação de valores fonéticos que são conhecidos que se aplicam a escrita linear B, foram capazes de produzir uma variedade de interpretações de textos escritos em linear A.[170] Um sistema de numeração decimal tem sido identificado:[170] linhas verticais para as unidades, pontos ou linhas horizontais para dezenas, pequenos círculos para as centenas e círculos com raio para os milhares. A direção da escrita foi da esquerda para a direita.[169] Inscrições curtas nesta escrita são encontrados em gessos em Cnossos e Hagia Triada, em inscrições de muitos selos e em pithoi de diversas origens. As inscrições nos pithoi incluem geralmente três ou quatro sinais e são, portanto, tetra silábicas ou trissilábicas e, possivelmente, significam o nome dos proprietários ou os fabricantes dos pithoi, sem excluir o nome dos deuses, o conteúdo ou nomes de lugares.[171]

Linear A incisa em vaso (Akrotiri).

A maior dificuldade para a leitura do linear A é o fato de muitos poucos textos terem sido preservados. E muitos dos documentos encontrados são apenas fragmentos, tornando difícil aplicar com alguma chance de sucesso o método utilizado para a decodificação do sistema linear B, com o qual tem semelhanças, mas também diferenças.[172] Sítios que possuem um grande número de tabuinhas são sítios que foram queimados em 1 450 a.C., fogo que cozinhou as tabuinhas de argila permitindo a sua conservação. Para outros locais, a descoberta de documentos em linear A é mais aleatória.

A expansão do comércio durante o segundo período palaciano minoico resultou na disseminação da escrita minoica nas ilhas e na Grécia continental. Há amostras conhecidas em Milos, Ceos, Citera, Naxos e Santorini.[173]

[editar] Linear B

Tabuinha encontrada em Micenas na "casa do vendedor de azeite", de c. 1 250 a.C. Em seu verso há a figura de um homem. (Museo Arqueológico Nacional de Atenas)

O linear B é composto por cerca de 200 sinais, divididos em sinais silábicos com valores fonéticos e ideogramas com valores semânticos. Esses ideogramas representam objetos ou mercadorias, mas não têm valor fonético e nunca são usados como sinais para escrever uma sentença. Muitos dos sinais são idênticos ou semelhantes aos sinais do linear A; porém, o linear A, por ainda ser indecifrado, não se pode ter certeza se sinais semelhantes tinham valor fonético similar.[174]

No período micênico, o linear A foi substituído pelo linear B, uma versão muito arcaica da língua grega; com a descoberta de tal informação foi possível a decifração da escrita.[66] Entre 1944 e 1950 a Dra. Alice Kober estudou a escrita linear B e afirmou que havia encontrado certa unidade gramatical além de ter sugerido que se fosse estudado a ordem das palavras, inflexões e terminações poderia se chegar a gramática escrita da língua embora não houvesse como saber a pronuncia das palavras.[66] Em 1950 Emmett L. Bennett publicou um artigo onde criava um sistema de classificação dos sinais e mostrou importantes diferenças entre as escritas lineares A e B, salientando que, embora os sinais fossem similares, as palavras eram possivelmente diferentes.[66]

Michael Ventris e John Chadwick, segundo os estudos anteriores, começaram um largo processo de análise, segundo o qual conseguiram decifrar a escrita linear B o que proporcionou a aparente descoberta da estrutura gramatical do idioma e relativa frequência e relações dos sinais fonéticos em que estava escrito; foi descoberto com tal estudo o nome de alguns dos mais importantes sítios minoicos.[66]

[editar] Linear C

Tabuinha cipro-minoica de Enkomi no Louvre.

O linear C, tido como silabário cipro-minoico (abreviação CM) é um indecifrado silabário escrito falado em Chipre entre 1550 – 1 050 a.C. O termo cipro-minoico foi empregado por Arthur Evans em 1909 com base na semelhança visual com o linear A, que é pensado o CM ter derivado. Aproximadamente 250 objetos tendo inscrições cipro-minoicas foram encontrados incluindo tabuletas de argila, suportes votivos, cilindros de barro e bolas de barro. Descobertas foram feitas em vários locais do Chipre, bem como nas antigas cidades de Ugarit e Lataquia, na costa síria.

As inscrições foram classificadas em quatro grupos intimamente relacionados por Emilia Masson: CM arcaico, CM1 (também conhecido como linear C), CM2 e CM3, embora alguns estudiosos discordem desta classificação.[175] Pouco se sabe como essa escrita originou-se, ou qual era a função da linguagem CM. No entanto, seu uso continuou na idade do ferro, formando uma ligação para o silabário cipriota, onde se lê grego e foi decifrado.

A mais antiga inscrição conhecida em CM é uma tábua de argila descoberta em 1955 no antigo sítio de Enkomi, perto da costa leste do Chipre. Foi datado de 1 500 a.C., e deu à luz três linhas de escrita.[176] Em selos de argila encontrados em Enkomi, foram detectados longos textos (mais de 100 caracteres). Provavelmente as bolas e selos de barro tinham relação com a manutenção dos registros econômicos do Chipre minoico, considerando o grande número de referências cruzadas entre os textos.[177]

A quantidade de fontes da escrita linear C não é grande o suficiente. Além disso, diferentes línguas podem ter sido representadas pelo subsistema cipro-minoico, e sem a descoberta de textos bilíngues ou muitos mais textos em cada subsistema, a decifração é extremamente improvável.[178] De acordo com Thomas G. Palaima "todos os sistemas antigos e atuais de decifração do cipro-minoico são improváveis".[175]

[editar] Arte minoica

[editar] Arquitetura

[editar] Período pré-palaciano

ruínas de Sybrita.

Durante o minoano antigo I cavernas ainda continuam a ser ocupadas.[179] Além disso o número de pequenas aldeias aumenta durante o período.[179]

O minoano antigo II é caracterizado por edifícios de grande porte com uma grande quantidade de acomodações.[179] Algumas das acomodações eram usadas para armazenamento de produtos agrícolas, na medida em que outras eram usadas como quartos e eram ligadas por corredores.[179] Os edifícios eram acompanhados com áreas abertas pavimentadas. No assentamento de Myrtos foi encontrado um muro de largura normal.[179]

As paredes dos edifícios são de argila com cascalho; houve evidência do uso de tijolos.[179] O teto e as paredes eram rebocados com cal, e houve presença de pintura vermelha nas paredes.[179] Nos edifícios de Vasiliki as paredes eram apoiadas em uma estrutura de madeira, enquanto o telhado era sustentado por vigas de madeira coberta de junco, cana e argila.[179] O edifício de Myrtos tinha um teto de ramos de oliveira cobertos com junco e cal. Seu piso era composto de rochas cobertas com uma camada de argila branca.[179]

Durante o minoano antigo III, em Cnossos, foi atribuído o chamado chamado hipogeu no extremo sul do posterior palácio, bem como uma grande parede, presumivelmente de um edifício monumental.[180]

Os primeiros palácios foram construídos no final do período Minoano Antigo no milênio III a.C. (Cnossos).[181] Enquanto foi formalmente acreditado que a fundação dos primeiros palácios era síncrono e datado do Minoano Médio em torno de 2 000 a.C. (data do primeiro palácio em Cnossos), os estudiosos agora acham que os palácios foram construídos durante um período mais longo em diferentes locais, em resposta à evolução local.[179] Os principais palácios mais velhos são Cnossos, Malia e Festos. Alguns dos elementos gravados em "palácios" do Minoano Médio têm precedentes nos estilos anteriores de construção do período Minoano Antigo.[182]

[editar] Túmulos
ruínas de Akrotiri, Thera.

Creta durante o minoano antigo foi influenciada em certo ponto pelas Cíclades, fato evidenciado pelo uso dos cistas para enterros em Creta.[183] No entanto, Creta desenvolveu ao longo do período diversas formas de enterrar seus mortos:

  • Cavernas: são característicos do neolítico final e são encontrados quase sempre de forma desordenada e com ossos de diferentes indivíduos misturados.[184] Muitas vezes os ossos foram queimados.[184]
  • Túmulos retangulares construídos: há duas grandes divisões conhecidas: a primeira consiste em uma série de longas e estreitas câmaras paralelas dentro de um único edifício retangular; a segunda consiste em grupos de "quartos" quadrados e retangulares em um único edifício.[185] Túmulos deste tipo foram usados para inumações múltiplas.[185] Os ossos e bens eram empilhados em uma área contra uma parede ou eram encravados em uma câmara especial.[185] Durante o minoano antigo III, enterros em larnakes (sarcófagos) e pithoi (vasos) foram depositados dentro deste tipo de tumba.[185] O aparecimento de larnakes individuais e de enterros em pithos mostra a preocupação pela individualização dos enterros.[185]
  • Tholos: os tholos minoicos são circulares, com um diâmetro entre quatro e treze centímetros.[186] As paredes são geralmente espessas e construídas com pedras não trabalhadas brutas, geralmente com pedras maiores no interior e pedras menores no núcleo; argila é usada como ligação das pedras.[186] Estes tholos são erguidos sobre a rocha, e são construídos ou sobre uma superfície plana ou contra uma saliência rochosa. As portas dos tholos são pequenas e são quase sempre fechadas por uma grande laje retangular do lado de fora.[186] Complexos de salas retangulares são frequentemente construídos contra a parede circular dos tholos em torno da entrada.[186] Centenas de inumações foram depositadas nos tholos.[186] Vestígios de fogo em uma série de túmulos sugerem fumigações periódicas.[186] Em alguns casos, uma camada de areia branca estéril separa um estrato de enterros do outro.[186] Ossários construídos nas proximidades são provas de que os ossos foram removidos periodicamente e depois foram novamente depositados.[186]
  • Larnax: os larnakes do minoano médio são elípticos e de elevação relativamente baixa.[187] Não possuem pernas e nunca são pintados.[187] Os larnakes foram inicialmente depositados em covas individuais cortadas em solo estéril ou rocha e também nos túmulos retangulares construídos.[187] No minoano médio os larnakes também são depositados nos tholos.[187]
  • Pithoi: os enterros em pithos surgiram nos mesmo locais que os enterros em larnakes.[188] Tornaram-se muito populares durante o minoano médio.[188]

[editar] Período protopalaciano

Festos - visão geral

É comum no padrão arquitetônico dos palácios do Minoico Médio que eles estejam alinhados com a topografia circundante. A estrutura palaciana do MM de Festos parece estar alinhada com o Monte Ida, enquanto Cnossos está alinhada com Juktas.[189] A arquitetura palaciana do primeiro período palaciano é identificada pelo seu estilo "quadrado dentro de um quadrado", enquanto mais tarde, o segundo período palaciano incorpora mais divisões internas e corredores.[190] Para a construção dos palácios foi utilizado calcário e gesso como matéria-prima e madeira para as colunas. Os blocos de pedra não foram unidos com cimento.

A ala ocidental do palácio de Festos (a ala protopalaciana) foi rodeada por uma série de grandes pátios pavimentados em três níveis diferentes que foram adentrados por meio de duas entradas principais, bem como através de pelo menos cinco entradas menores.[191] Em Festos, Cnossos e Malia foram encontrados poços circulares conhecidos como kouloura que serviram para armazenamento.[191][192] Cisternas, drenos e uma fonte foram erigidos em Zakros;[193] um labirinto foi descoberto neste sítio, semelhante aos de Festos e Cnossos.[194]

Os palácios eram construídos em torno de um pátio central.[195][196] Possuíam setores que agrupam armazéns para os excedentes agrícolas[195] e impostos recolhidos, santuários, escritórios administrativos e ateliês de ceramistas, gravadores de sigilos, bronzistas, etc. Alguns ambientes eram decorados com pinturas de pessoas, animais e plantas.[196] Além dos setores funcionais, havia nos palácios os bairros residenciais, salas para realização de banquetes, salas de recepção, quartos de hospedes e teatros.[195]

Ruínas do palácio de Malia.

Juntamente com as edificações palacianas identificadas, foi constatada a presença de novas técnicas de construção como o uso de cantarias cortadas e a perfuração de encaixes no topo dos blocos de cantarias para a realização de encaixes para a fixação de grandes vigas horizontais.[191] No entanto, estes avanços na construção arquitetônica, tornaram-se fidedignamente proeminentes a partir do uso de certas ferramentas como picaretas e enxós, assim como algumas características arquitetônicas como pedras de drenagem, lambris, batentes e bases de colunas cortadas, orthostates, etc.[191]

Os hipogeus do período anterior encontram-se fora das dependências dos palácios, geralmente em pátios públicos que separam o palácio da cidade circundante.[191] Estes edifícios semi-subterrâneos foram considerados como armazéns, no entanto, novas investigações levaram a conclusão de que tenham sido armazenadores de água ou, como pensava Evans, eliminadores de detritos.[191] Recentes escavações constataram a presença de fortificações defensivas em Creta.[191] A mais proeminente foi encontrada em Kouphota.[191] Possui duas torres em intervalos ao longo do exterior e um grande complexo com 37 quartos retangulares.[191] Em Kommos foi identificado um grande edifício organizado em torno de um grande pátio central retangular, que é delimitado ao norte e a sul por stoas fronteados por meia dúzia de colunas.[191]

Ruínas do palácio de Zakros.

Malia dispõe de um pátio central de 48 metros por 23 metros (com um incomum altar no centro[192]) que é cercado por armazéns, oficinas, salas cultuais e residenciais, e possivelmente um teatro.[191] O Salão hipóstilo possivelmente serviu como salão cerimonial ou para banquetes, enquanto os ritos palacianos ocorreram na sala conhecida como Loggia.[192] Os armazéns orientais continham áreas elevadas onde pithoi eram deixados e no chão, no centro dos armazéns, havia canais que terminavam em buracos que eram usados para recolher tudo que derramasse dos vasos.[192] Não há consenso quanto a função do edifício conhecido como Cripta hipóstila; Criptas pilares e uma bacia lustral foram identificados no sítio.[192] A oeste dos armazéns, quartos foram rebocados e equipados com bancos, sendo estes interpretados como salões do conselho.[191]

A oeste do palácio de Malia há um complexo composto por três casas, onde a do meio (conhecida como Quartier Mu) é a mais proeminente.[191] Ocupa uma área de 450 m2 e possui cerca de 30 quartos térreos, um santuário com uma lareira retangular fixa no centro, quatro depósitos com sistema de drenagem, uma sala pavimentada, uma bacia lustral afundada, um poço de luz, e duas escadas para andares superiores que não foram preservados.[191] Cantarias, colunas e base de colunas de pedra cortada e pavimentação são as características arquitetônicas presentes na estrutura e, além disso, a disposição de seus alojamentos e áreas de serviço evidencia certa estratificação social.[191] Do outro lado da rua, há três oficinas contemporâneas: uma de ferreiros; uma de ceramistas; e outra de cortadores de selos, sendo interpretado que estes trabalhadores eram empregados pelos moradores de Quartier Mu.[191]

[editar] Túmulos
Ruínas do palácio de Cnossos.
  • Larnax: os larnakes tornaram-se menores e mais profundos quando elípticos. Além disso, a forma retangular sem pernas aparece.[191] Os larnakes do período são pintados muito raramente.[191]
  • Pithos: os pithoi tornaram-se o tipo mais comum de sepultamento do período.[191] Os pithoi contendo corpos podiam ser depositados em covas simples, isolados ou em grupos, em cavernas, em tholos, em ossários retangulares, e em túmulos de câmara.[191]
  • Tholos: os enterros em tholos continuaram durante o período.[191] Um tholoi de Archanes é característico, pois possui um dromos, ou corredor de entrada, uma característica encontrada nos tholos micênicos.[191] Esta evidência fez pesquisadores aderirem a ideia de que os tholos micênicos originaram-se aos moldes dos tholos minoicos, no entanto, nada pode ser concluído.[191]
  • Túmulos com câmara: estas sepulturas têm como característica uma passagem horizontal com inclinação para baixo, o dromos, uma porta de entrada menor que o corredor, o stomion, que se abre geralmente para uma câmara aproximadamente retangular ou arredondada.[191]

[editar] Período neopalaciano e pós-palaciano

Ruínas de Hagia Triada.

As cidades minóicas eram compostas por palácios, sistemas de canalização de água e esgoto, ruas calçadas, lojas comerciais, etc.[103] As cidades minoicas foram conectadas com estradas pavimentadas. Dutos de pedra levavam águas de morros e das chuvas distribuindo-as por tubos de banheiros e privadas; águas e resíduos eram levados através de manilhas de barro.

Durante o período as cidades eram principalmente erigidas da seguinte forma: blocos de casas divididas por ruas pavimentadas;[197] assentamentos com um edifício central principal (às vezes um palácio menor) e uma cidade de edifícios pequenos no entorno;[197] cidades com um palácio no centro e grandes casas ou mansões no entorno;[197] cidades compostas por casas grandes separadas ou por grandes casas aglutinadas em espaços menores.[197]

Os camponeses habitavam vilarejos compostos por casas de tijolos e madeira, construídas sobre blocos de calcário. Vilas rurais isoladas foram evidenciadas[197] assim como mansões de grandes proprietários que fiscalizavam o campo. Ao longo do litoral, estaleiros fabricavam navios: barcos redondos movidos à remo para pesca e cabotagem, e grandes barcos a vela para o comércio.

Foram identificadas duas estruturas cilíndricas baixas e parte de uma terceira.[197] Foram classificadas como pertencendo ao Minoano Recente II, e, a região em questão, durante o período, era um bairro residencial densamente povoado. Também foram descobertos muitos megarons do Minoano Recente III.[197]

[editar] Túmulos

Vista das ruínas de Gournia.
  • Covas e cavernas: embora raros, continuaram a ser praticados.[197]
  • Sepulturas com câmara: é o tipo de sepultamento mais característico do período.[197] Os enterros podiam ocorrer no chão da câmara, em larnakes ou em pithoi.[197] Em Hagia Triada foi encontrado o famoso sarcófago minoico de Hagia Triada.[197]
  • Sepulturas em forma de posso: esse tipo de sepultamento é relativamente raro em Creta.[197] Os exemplares encontrados estão principalmente localizados em Cnossos e são formados por fossos retangulares de dois metros de profundidade.[197] São cobertos por lajes de pedra.[197]
  • Sepulturas em forma posso com nicho: são sepulturas com 4.35 metros de profundidade com um nicho cortado em uma das paredes do lado mais longo na parte inferior, geralmente com um metro de altura por dois de comprimento.[197] Estes nichos contêm um cercado fora das sepulturas que são adequados para uma dupla fileira de pedras.[197]
  • Tholos: durante o período final da Creta minoica, os tholos micênicos invadem a ilha, especialmente em sua parte oriental. Em Creta, estes tholos eram retangulares ou circulares com um telhado abobado.[197] Os tholos de Maleme são distintivos, pois possuem um telhado em forma de pirâmide.[197]
  • Cistas: são muito raros e quando evidenciados foram usados para o sepultamento de crianças.[197]
  • Larnakes: existem retangulares tipos de larnakes durante o período: caixões de madeira; larnakes elípticos; larnakes retangulares.[197]

[editar] Colunas

Sítio arqueológico de Fournou Korifi.

Uma das contribuições mais notáveis dos minoicos a arquitetura é sua coluna exclusiva, que foi maior no topo do que na base. As colunas foram feitas de madeira ao invés de pedra, e eram geralmente pintadas de vermelho. Elas foram montadas em uma base de pedra simples e foram cobertas com uma almofada, peça redonda como um capital.[198][199]

[editar] Labirinto do minotauro

A caverna de Skotino, 12 km de Cnossos, uma caverna destinada a submeter os jovens a provas iniciativas, foi reconhecida como o verdadeiro labirinto do minotauro.[200] Suas galerias subterrâneas descem até 55 metros de profundidade dispondo-se em 4 níveis.[200] Há ruptura de níveis e becos sem saída. Blocos calcários esculpidos representam cabeças monstruosas.[200] No fim do circuito há um altar de pedra.[200]

[editar] Afrescos

Todos os afrescos minoicos conhecidos são datados do período neopalacial.[201] São encontrados em Festos, Malia, Hagia Triada, Amnisos, Tilissos, e principalmente Cnossos, assim como em Akrotiri, Agia Irini e Phylakopi.[201]

Entre as representações artísticas estão procissões religiosas, animais marinhos (golfinhos, peixes, polvos), terrestres (leão, gato, macacos) e voadores (pássaros), flores e outras representações botânicas, cenas de pugilismo e outras modalidades de luta, taurocatapsia, seres mitológicos (grifos) e deuses, pessoas da sociedade, liteiras, etc.[201] Os rostos dos homens eram pintados com vermelho, enquanto o das mulheres era pintado de branco.[202]

Os minoicos extraiam as tinturas usadas nos afrescos e vasos pintados de diversos materiais: preto do carbono e manganês; branco de cal e argila branca; vermelho do ocre vermelho e hematita; rosa da mistura de ocre vermelho com argila branca; amarelo do ocre amarelo; azul de ferro natural, lápis-lazúli e azul egípcio; verde da mistura de ocre ou malaquita com azul egípcio; cinza de carbono com argila branca ou cal; marrom da mistura de ocre vermelho e azul egípcio ou riebeckite; e castanho da mistura de ocre amarelo com carbono.[202]

[editar] Cerâmica

[editar] Neolítico

A cerâmica do neolítico de Cnossos era tão avançada tanto em técnicas de fabricação e decoração (pontilhados e padrões incisos). Foi feita a mão, sem rodas de oleiros,[203] e foi cozida sobre fogueiras.[204] A forma mais comum é uma bacia simples e aberta.[203] Os vasos do neolítico antigo são grosseiros e não decorados; os do neolítico médio são polidos e decorados com motivos incisos, normalmente divisas, listras, ziguezagues e pontos, cheio de pasta branca, resultando em cozimento desigual. A argila utilizada pode variar de vermelho para preto e foi pintada, mas com algum polimento, feito para esfregar a superfície do vaso após o cozimento.[205]

[editar] período pré-palaciano

vasos em estilo Vassiliki.

Durante o pré-palaciano, a cerâmica é a principal área onde houve uma mudança tecnológica. Novos estilos de cerâmica aparecem no minoico I e em todos encontramos cerâmica de plástico imitando a forma de vários animais, aves, objetos, etc:

  • O estilo de Pirgos, com cerâmica preta ou esfumaçada, de cor cinza, com formas lineares e polida, estendendo-se a tradição neolítica.[206][207] As principais formas foram cálices,[78] grandes cones de vidro duplo, copos, cerâmica dupla ou tripla, cerâmicas esféricas suspensas com tampa, jarros pequenos de vidro cônico. Em vez de uma pintura, existem "motivos de polimento":[67] com esta técnica, esfregando partes da superfície com a ferramenta de polimento, obtêm-se vários motivos ornamentais, tais como bandas, semicírculos, ziguezagues, e outros. As formas e decorações da cerâmica sugerem que esta derivou de protótipos em madeira.[78]
  • O estilo incisivo é caracterizado pela cor escura da cerâmica. As principais formas da cerâmica são garrafas e pyxis baixos.[78]
  • Com o estilo de Agios Onouphrios, a cerâmica pintada aparece na cerâmica minoica antiga[207] decorada com novos padrões e formas. A pintura da cerâmica varia de vermelho passando pelo marrom ao preto, dependendo das condições de queima.[78] A decoração consistia em padrões verticais na base do vaso.[208] As principais formas eram jarros, copos, taças,[78] ânforas, vasos, pyxides e vasos compartimentados, simples ou complexos. Esta cerâmica é dividida em dois estilos. O Estilo I é caracterizado por vasos com fundo arredondado e decoração simples.[78] O Estilo II é caracterizado por vasos com fundo plano ou com pé com uso extensivo de padrão de hachura.[78]
  • O estilo de Lebena, ao contrário do anterior, possuía decoração em branco sobre uma superfície marrom ou castanha clara e padrões lineares. A parte inferior dos vasos é vermelha escura.[78] Os vasos possuem fundo arredondado.[78] Tem como formas principais as louças baixas, pratos e tigelas.[78]

Estes estilos são desenvolvidos e aprimorados durante o início do minoano antigo II.[207] Agora são novos estilos que dominam:

Minoische Keramik - Kannen.jpg
  • O estilo Koumasa, que foi uma evolução do estilo Agios Onouphrios, possuía formas mais complexas e mais excêntricas e motivos decorativos mais organizados em sistemas de linhas, verticais, triângulos invertidos, losangos, motivos em forma de borboletas, etc.
  • O Estilo Cerâmica Cinza Fina possui cor cinza e normalmente uma superfície polida.[78] As formas comuns são pyxides esféricos e cilíndricos.[78] A decoração é exclusivamente incisa e normalmente toma a forma de diagonais curtas, semicírculos aneis e pintas.[78] Há padrões geométricos (triângulos, semicírculos) sobre uma superfície polida.

Ao final do minoano antigo II, o estilo mais típico foi o de Vasiliki. As formas comuns são jarras de fundo chato, bules, pratos, tigelas e taças.[78] Jarros e bules muitas vezes têm aplicações de bolinhas ("olhos") em cada lado do bico.[78] Sua superfície foi coberta por uma espessa camada, em que o efeito oxidante irregular do fogo para cozer, fez manchas de diferentes formas.[209]

Durante o minoano antigo III e minoano médio I novos estilos surgiram. Entre eles, o estilo Lefkos, evoluído do estilo Vassiliki, é o mais proeminente. A superfície da cerâmica é negra e polida com motivos decorativos cor ocre/branco: linhas curvas, guirlandas, tentáculos de polvo, rosetas, espirais. As formas tradicionais são jarros, bules e copos. Aparece ao mesmo tempo o estilo Trachotos (áspero, acidentado), tendo uma superfície recordando algumas conchas.

A espiral, que se tornaria mais tarde o tema principal da decoração minoica é agora introduzida no repertório de motivos pintados.[209] Parece provável que os minoicos tenham entrado em contato com a decoração espiral devido a influência oriental, e principalmente das técnicas de joias orientais, onde o uso decorativo da forma espiral aparece em tempos muito antigos.[209] Foi então que se espalhou a roda do oleiro e o forno.[210] Durante o período também foi evidenciada a produção de vasos com forma de animais (vasos zoomórficos).[78]

[editar] protopalaciano

cerâmica do estilo Kamares.

O uso da roda de oleiro torna-se e surgem pequenos potes de barro mais puros com motivos mais complexos e dinâmicos.[211]

[editar] Estilo áspero

O início do período é dominado pelo estilo "áspero"[211] ou "escorregado"[211][212] Este estilo é caracterizado pela crescente decoração aplicada sobre a superfície do vaso quando barro ainda estava molhado, criando assim um efeito tridimensional.[213] Esta técnica é frequentemente combinada com uma pintura policromada.[212]

[editar] Estilo Kamares

O nome Kamares foi retirado de uma gruta situada no Monte Ida, perto da atual aldeia de mesmo nome, onde foram descobertos os primeiros exemplares deste estilo.[214] Estes vasos vêm de Festos, onde muitos vasos deste estilo foram descobertos durante escavações realizadas por Doro Levi.[214]

cerâmica em estilo marinho.

As principais características do estilo são seus temas policromados, vegetal ou animal, os temas decorativos complexos. A superfície da cerâmica é coberta por um verniz brilhante, escuro ou preto, que é suporte da decoração. Ela combina ocre branco e vários tons de vermelho, que podem variar do vermelho cereja ao indiano.[212] Mais raramente existe roxo, laranja, amarelo, marrom e azul. Os ornamentos são linhas curvas, onduladas, alternadas, intrincadas e flexíveis, criando um resultado policromado. Há baixos relevos de plantas e animais, pintados de várias cores. O número de motivos decorativos encontrados na cerâmica Kamares é considerável.[211]

As formas mais comuns da cerâmica Kamares são cortes em muitas variantes: sem alças, uma alça com estriados verticais, esférica, parede reta, em forma de quilha, com ondulado, etc. Outras formas frequentemente cozidas são copos, tigelas, bacias, xícaras e copos de frutas. Entre a cerâmica fechada, os mais populares são variantes de jarros, copos de barriga esférica, potes pequenos, rhytons, ânforas, copos, filtros, garrafas e cerâmica em forma de animal.[215]

[editar] neopalaciano

cerâmica em estilo marinho.

A cerâmica minoica atingiu um novo pico de desenvolvimento durante um período. Um rápido desenvolvimento de estilos de cerâmica é atestado. Os estilos do protopalaciano sobrevivem, no entanto perdem sua importância. O estilo Kamares desaparece, e a técnica continua a ser a de luz e sombra, com predominância de branco ou vermelho sobre fundo preto. Os motivos mais comuns são os espirais brancas, bandeiras e pontilhados, as vezes combinados com uma decoração em relevo. A forma dos vasos é alongada, os pithoi são decorados com cordas onduladas e medalhões em relevo ou impressos. Para além das formas de cerâmica adotadas no passado, novas formas são criadas, sendo a mais característica o jarro ou ânfora com coleira, uma abertura verdadeira e duas alças pequenas.[216]

[editar] Estilo plissado (ou carapaça de tartaruga)

Este é o primeiro estilo de cerâmica encontrado até o momento. A superfície da cerâmica é altamente polida e decorada com padrões ondulados, lembrando as dobras de uma carapaça de tartaruga.[217] As formas mais comuns são taças, ânforas, cerâmica de boca excêntrica, skyphos e jarros. Enquanto na pequena olaria a decoração ocupa a maior parte das paredes, ela aparece como listras horizontais na olaria maior.[218]

[editar] Estilo floral
cerâmica em estilo alternativo.

O tema floral já estava presente em períodos anteriores. No neopalacial, as formas mais comuns são hera, açafrão, ramo de oliveira, faixas de folhas, espirais de folhas, juncos, papiros e lírio.[219]

[editar] Estilo marinho

Os principais motivos são tritões, polvos, nautilus, lulas, estrelas do mar, algas, corais e esponjas.[201] Muitas vezes, um ou dois destes elementos são representados em tamanho grande, cercados por outros elementos menores. Pesquisadores identificaram subgrupos de cerâmica que atribuem a artistas particulares ou ateliês de ceramistas, tais como "mestre do estilo marinho", "pintor do polvo" e "oficina do polvo".[219]

[editar] Estilo abstrato ou geométrico

Este estilo usa elementos religiosos, formas geométricas, imitações de objetos de pedra e metal e outros motivos. Para alguns, a classificação da cerâmica não é fácil dada a abundância de muitos elementos que pertencem a outros estilos.

[editar] Estilo alternativo

O estilo alternativo é um estilo misto, uma vez que utiliza motivos decorativos de outros estilos. A decoração consiste em uma alternativa rigorosa de elementos isolados na parte inferior da cerâmica. Os temas são o coração, a anêmona do mar, ornamentos rochosos irregulares, escudos bilobados, machados duplos, o nó sagrado, a cabeça do boi e outros.[201] A mais popular forma da cerâmica é o copo hemisférico com borda exterior dobrada. O estilo espalhou-se pelo sul do mar Egeu, onde conheceu certo apogeu.[220]

[editar] pós-palaciano

vasos do período pós-palaciano.

O estilo do período possui grande influência heládica, ou seja, do continente. Este estilo apareceu em Cnossos, logo após a destruição do palácio. O estilo, em seguida, espalhou-se por toda a ilha.[221] Esta cerâmica possui três fases de desenvolvimento.[222]

Nas primeira e segunda fase, novas formas surgiram, algumas das quais são consideradas como de proveniência micênica, tais como a ânfora de boca falsa, crateras, os jarros-ânforas em forma de pêra, rhytons, cabaças esféricas, cílice e skyphos. Os motivos decorativos são estereótipos, abstratos, invariavelmente repetidos e desenhados nas extremidades. Os motivos mais comuns são o polvo, o pássaro, sigmóide, losangos, linhas onduladas ou quebradas, flores, arcos concêntricos, espirais. Há, por vezes, representações de cenas.

Na terceira fase, existem dois estilos de pintura em cerâmica: o estilo sóbrio e o estilo denso. O estilo sóbrio é caracterizado pelo uso limitado de elementos lineares, colocados em um fundo livre. Os vasos são pintados em um nível bastante rudimentar. O estilo denso usa composições com muitos projetos e motivos decorativos. Os motivos são pesados, compactos e associados com numerosas linhas finas e triângulos desenhados com muito rigor. Durante o período sub-minoico, a cerâmica perdeu parte de sua qualidade. Algumas amostras vieram de Karfi. No entanto a maioria não está bem cozida e a base torna-se facilmente flocos.[223]

[editar] Arte de pedra

Inicialmente Creta importou taças de pedra do Egito.[78] No entanto, foi durante o minoano antigo II que a indústria de vasos de pedra de Creta iniciou-se.[179] Entre as matérias-primas usadas para a produção de vasos está o mármore, serpentina, tufa calcária, xisto clorito, etc.[179] Os vasos possuem decoração incisa.[179]

Os minoicos utilizavam de presas de elefante e hipopótamo para a confecção de artigos de marfim. Eles também importaram artigos de marfim da Síria e do Egito.[224] Os minoicos produziram selos, contas, fusos de tear, contadores para jogos de tabuleiros, pentes e puxadores de espelhos, joias, vasos e estatuetas.[224]

Os minoicos utilizavam da faiança para a produção de vasos, objetos rituais, estatuetas, joias, sinetes, contas de pérolas, amuletos e placas decorativas, assim como para a decoração de outros objetos produzidos com outros materiais. Os primeiros trabalhos em faiança surgiram em Creta no final do minoano antigo.[225]

[editar] Glíptica

Selos do período pré-palaciano.

O uso de selos em Creta é provavelmente proveniente da Babilônia ou no Egito, para a sua conveniência em identificar e proteger documentos e também serviu como amuletos.[226] No entanto o uso de selos utilitários evoluiu para uma arte do tamanho de pedras. O selo, que representa essencialmente um sinal, levou o que pode ser considerado uma forma de escrita. Entre os bens encontrados em túmulos minoicos, muitas vezes são selos, o que mostra a ideia de identificação pessoal ligada aos selos.[227]

Os primeiros selos são bem anteriores aos primeiros palácios, datando de meados do milênio III a.C., durante a segunda fase do pré-palaciano. São feitos de material macio, como osso, ônix, marfim, serpentina ou esteatita importada da Síria ou do Egito, são grandes e quase todos foram encontrados em túmulos da planície de Messara. As formas usuais são anéis, selos-carimbos, selos-botões, cones, prismas, e mais raramente, cilindros. Às vezes, eles têm a forma de seres vivos, como macacos, leões, touros ou aves. A superfície plana pode ser incisada com linhas, cruzes, estrelas ou padrões em S ou em espiral, mas com ambas as representações de animais ou seres humanos. Os símbolos hieróglifos encontrados em selos do final do período pré-palaciano parecem provas de uma forma de escrita já conhecida.[228]

selos minoicos.

A arte da lapidação é desenvolvida no protopalaciano, e técnicas avançadas foram utilizadas para esculpir materiais mais duros e pedras semipreciosas, como a cornalina, ágata, jade, calcedônia, cristal de rocha ou hematita. Em rochas de dimensão muito pequena, os gravadores esculpiram formas minúsculas.[226] Formas características deste período são prismas, discos, selos-carimbos, em forma de pera com um pequeno manuseador. Os motivos incluem hieróglifos, desenhos compostos de linhas ou círculos, assim como desenhos figurativos. Selos encontrados em Festos mostram semelhanças com os padrões de cerâmica de Kamares. Existem grandes variedades de flores, animais, insetos e, ocasionalmente, figuras humanas, abrindo caminho para o estilo naturalista do período seguinte.[229]

Os selos experimentaram um grande boom no período neopalaciano. As formas mais comuns são amêndoas e lentes. Os temas são inspirados na natureza: peixes, crustáceos, pássaros, ramos, cavalos, touros, leões devorando touros, cabras.[230] Alguns selos mostram um caráter religioso, como a celebração de ritos, touradas e edifícios ou objetos sagrados, como vasos para libação. Outros selos retratam seres demoníacos como grifos, esfinges, o minotauro e a deusa egípcia Taweret. Em selos de Gournia aparecem as representações mais antigas de caros de guerra de duas rodas e puxados a cavalo, provavelmente importados do Egito.[231]

Diferentes selos provenientes de Cnossos, do período neo-palaciano (1 450 a.C.).

A arte de selos declinou no período pós-palaciano. Perderam seu poder de invenção e, em seguida, foram confinados à representações de desenhos tradicionais. Este declínio é gradual, e o início do período evidencia selos de pedras semipreciosas, assim como motivos do período anterior como leões atacando touros, cabras e cenas rituais. No entanto, os motivos característicos deste período são aves aquáticas e flores de papiro. As incisões são menos trabalhadas do que as dos períodos anteriores, os motivos tem menos vida, os membros são separados do corpo, a rigidez angular de atitudes é uma reminiscência de artes plásticas do mesmo período.[232]

[editar] Estátuas

Exemplo de deusas com os braços levantados.

As estátuas são criadas em Creta desde o período neolítico, de diversos materiais: argila, mármore, esteatita, alabastro, calcário, ardósia e conchas. As estátuas de argila eram mais naturais do que as de pedra. As estátuas foram, certamente, de uso religioso e foram em menor grau usadas como amuletos usados ao redor do pescoço. As estatuetas deste período têm como característica a deformidade corpórea: cabeças disformes, pescoços longos, corpos pequenos, etc. No neolítico, as estátuas são numerosas e, geralmente, representam figuras femininas cujas partes do corpo relativas à fertilidade são realçadas. Também são do neolítico alguns dos melhores exemplos de estátuas de argila da deusa-mãe encontradas na região de Ierápetra.[233]

As estátuas do período pré-palaciano são feitas de argila, pedra mole (mármore ou esteatita) bronze e marfim. As estátuas de pedra lembram as figurinhas das Cíclades, que são suas contemporâneas. Muitas estatuetas esculpidas e cerâmicas são feitos durante o período. Outras estatuetas imitam a forma de animais[78] ou aves, e nos santuários das montanhas, estatuetas de terracota representando formas humanas começaram a ser ofertadas.

estatuetas minoicas.

As miniaturas de terracota floresceram no minoano médio I e II. Foram produzidas estatuetas de terracota, esteatita, argila e marfim com forma humana ou de animais, fabricados em grandes quantidades e usados como ídolos nos santuários. As figuras masculinas, geralmente pintadas em vermelho, possuem punhais e um cinto típico. As figurinhas femininas vestem roupas minoicas muito bem trabalhadas e às vezes são pintadas em branco com decoração policrômica. Entre as estatuetas de animais, há ovelhas, bovinos e cabeças de boi. Outras esculturas em argila são reproduções de obras de santuários, altares, barcos, tronos, tamboretes.[234]

As estatuetas do pós-palaciano são unicamente de argila. Elas representam às vezes a deusa com os braços levantados, às vezes adorando, enquanto outras figuras são animais e objetos diversos.[235]

[editar] Metalurgia

« Anel de Minos », provavelmente de Cnossos, período neopalaciano tardio, Museu arqueológico de Heraklion.

Creta produziu cobre, no entanto, também precisou realizar importações do Chipre e da Ásia Menor. O cobre foi usado pela primeira vez apenas para a fabricação de pequenos punhais quase triangulares, contudo, mais tarde, foi misturado com zinco da Ásia Menor. O bronze obtido foi usado para fazer adagas mais alongadas, muitas vezes reforçadas com uma nervura central. Para a fabricação de punhais também foram utilizados, embora raramente, a prata importada das Cíclades ou Cilícia.[236]

Alfinetes, colares, pingentes, diademas, correntes e estatuetas de animais (rãs, macacos, touros, íbis, pássaros, etc.) foram produzidos com ouro importado das minas do Sinai, do Deserto Oriental Africano entre o Vale do Nilo e o Mar Vermelho e da Ásia Menor. As joias usadas por homens e mulheres não se limitavam mais aos simples grânulos de argila do neolítico, sendo agora compostas de pedras semipreciosas.[237]

Na segunda fase do período pré-palaciano, há uma melhoria considerável na metalurgia, incluindo bronze, prata e chumbo. Os punhais de bronze, e às vezes de prata, são mais longos e assumiram formas diferentes: tinham pregos para segurarem as alças.[238]

Na última parte do período pré-palaciano, as técnicas melhoraram ainda mais e novas formas foram inventadas. Facas de bronze tornaram-se mais longas e sólidas. As novas ferramentas de uso diário eram também feitas de bronze: machados duplos, facas para esculpir, serras, alicates. Ao mesmo tempo, as joias também experimentaram um boom. Coleções significativas de joias foram encontradas em túmulos de Mochlos, ao sul de Creta e em Archanes. Os minoicos já estavam familiarizados com a técnica de martelar, cortar e empurrar.[239] Objetos de metal precioso são classificados em várias categorias: tiaras, aneis, colares de pérolas, broches, pulseiras, brincos, pingentes e fíbulas. Contas de ouro e prata são combinadas para fazer joias com pérolas e outros materiais preciosos como o marfim, cerâmica e pedras preciosas em composição colorida. Estes objetos beneficiaram a utilização de novas técnicas mais avançadas, tais como a modelagem, as contas e a filigrana.[239]

Anel de ouro minoico.

Durante o período neopalaciano, numerosas figuras de bronze foram produzidas e depositadas em santuários. Nos palácios e casas foram encontrados alguns objetos de metal: utensílios domésticos (ânforas, hidras, bacias para lavar as mãos, tigelas, potes, panelas, etc.). O bronze também foi usado para a fabricação de armas. Metais preciosos, especialmente ouro, são usados para a fabricação de pequenas obras-primas e joias. No entanto, utensílios de prata, tais como joias, são raros.[240]

A produção metalúrgica se codifica a partir do período pós-palaciano. As formas são contornos angulosos e menos dinâmicos. A fabricação do período baseia-se essencialmente na fabricação de armas de bronze: punhais, espadas, facas e pontas de lanças; há semelhanças entre as armas minoicas e as contemporâneas armas micênicas. Utensílios como espelhos de bronze, lâminas de barbear e grampos de cabelo foram produzidos. Cerâmica de metal é rara. As joias deste período são de vidro, ouro ou pedra e são, essencialmente, aneis, pérolas e colares. Os aneis de ouro usados como selos, desde o início do período possuem cenas religiosas. [241]

[editar] Economia e comércio

Na transição para a idade do bronze, com o aumento populacional, as planícies dos entornos foram usadas para o cultivo de cereais (trigo, cevada, ervilhaca, grão de bico), leguminosas (alface, aipo, aspargos e cenoura) árvores frutíferas (oliveira, vinha e figueira), plantas têxteis (linho), plantas aromáticas (absinto, etc.) e plantas medicinais (asplênio, dictamno). Ciprestes eram cultivados para a extração de madeira.[230] A papoula era possivelmente usada como ópio. Os minoicos também tinham apreço por flores (rosas, tulipas, lírios, narcisos, etc) que eram os ornamentos de jardins e casas.

Vasos de armazenamento em Cnossos.

As tabuinhas de linear B indicam a importância da agricultura de pomares no processamento de colheitas para "produtos secundários".[242] O azeite na dieta cretense (ou mais amplamente na dieta mediterrânea) é comparável a manteiga na dieta do norte.[243] O processo de fermentação do vinho é provável que tenha sido praticado devido ao interesse da economia palaciana por causa do prestígio de tal bem como matéria-prima para o comércio, além de ser um bem culturalmente significativo para consumo.[244]

A criação de gado desempenhou importante papel para a economia cretense. Suínos, caprinos, ovinos, cães, bovinos (Bos brachyceros, Bos domesticus e Bos primigenius) asnos, e, a partir de 1 600 a.C., equinos (cavalos) possivelmente por intermédio do Egito e do Chipre. Os animais além de fornecerem a carne e laticínios, também eram usados para os transportes, vestuário, exportação, jogos e sacrifícios. Os minoicos também domesticaram abelhas.[245] O mel substituía o açúcar; a cera era a matéria-prima de velas.

Lebres, galinhas d’água, patos, cabras selvagens, javalis, lobos e cervos estão entre os animais caçados. Hoje não há tanta abundância animal para práticas de caça.[246] A variedade de peixes consumidos pelos minoicos era muito grande, sendo que os mares ainda forneciam o Murex brandaris, o marisco usado para a extração da púrpura. Há grande prevalência de moluscos comestíveis nos sítios.[247]

Cada família produzia sua farinha, seu azeite, e seu vinho, assim como fiava e tecia suas roupas. Com o aumento da demanda para exportação, os minoicos começaram a adquirir certa especialização. Com isso surgiram profissionais como o oleiro, o carpinteiro e o bronzista. Forjas, oficinas e fábricas eram alojadas em torno de praças utilizadas como mercados.

Lingote de cobre minoico.

A indústria madeireira fornecia a madeira para as construções e para os navios cretenses. A indústria extrativa fornecia a argila da cerâmica, o calcário, o gipso, o xisto e a esteatita. A metalurgia iniciou-se com o emprego do cobre, no entanto, com a descoberta do estanho, foi possível a produção de bronze.

Originalmente as ferramentas eram feitas de osso ou madeira e eram unidas com tidas de couro. Durante a idade do bronze, as ferramentas foram produzidas com bronze e foram presas a hastes de madeira. Os furos circulares possibilitavam que a ferramenta gira-se, então os minoicos desenvolveram furos ovais para inibir isto.[245]

Os palácios minoicos armazenavam além de objetos preciosos, o excedente agrícola e os produtos agrícolas (vinho, azeite).Os impostos pagos, os presentes e os produtos dos domínios reais alimentavam o tesouro que era utilizado para o pagamento de despesas administrativas, religiosas e monárquicas. A ilha recebia tributos, uma prática atestada por uma pintura mural.

A posição privilegiada da ilha fez com que os minoicos desenvolvessem um intenso comércio com os povos do entorno do mediterrâneo oriental, assim como com a Europa Ocidental. O comércio interno da ilha desenvolveu-se naturalmente. Creta possuía uma notável rede interna de estradas por onde mercadorias eram transportadas. A indústria e o comércio caracterizaram-se em cada cidade, por meio de uma atividade diferente.

Os minoicos exportavam azeite e vinho em grandes jarras, plantas medicinais, armas, joias, tecidos e objetos de cerâmica; importavam cobre do Chipre, estanho do Norte, prata da Ibéria, obsidiana das Cíclades, perfumes e marfim do Oriente, pérolas, vasos e objetos de marfim do Egito. Também importaram palmeiras e gatos do Egito.[248] Os minoicos realizavam transações comerciais para outros povos.

[editar] Conhecimentos

"Príncipe dos lírios", relevo em gesso situado no fim do Corredor das Procissões, restaurado por Gilliéron e tido por Arthur Evans como um rei-sacerdote, vestindo uma coroa com penas de pavão e um colar com lírios, conduzindo um animal desconhecido para o sacrifício.

Os minoicos tinham um sistema numérico decimal baseado no egípcio, no entanto, diferente do sistema egípcio, o sistema minoico chegada a alguns poucos milhares.[249] Os minoicos também haviam desenvolvido um sistema de porcentagem.[249] Os minoicos eram dotados de conhecimentos sobre astronomia (usada para a agricultura e navegação), geometria (construção de edifícios), mecânica, canalização, tecnologia de esgoto e recuperação de terras.[249]

Em decorrência das intensas trocas comerciais empreendidas pelos minoicos, estes desenvolveram um sistema de pesos e medidas.[249] Este sistema era utilizado pelos artesãos e comerciantes para determinar o valor dos bens.[249] Foram produzidos lingotes de cobre e discos de ouro e prata com peso determinado.

[editar] Sociedade

No topo da hierarquia estava o rei chamado Minos,[103] que possuía poder administrativo e legislativo.[250] Nobres e membros da família real formavam a corte e possivelmente possuíam poder consultivo.[250] A burocracia real dependia de funcionários especializados, os escribas. É possível que estes funcionários tenham usado além da argila, o papiro do Egito. Homens e mulheres exerciam a função de sacerdotes.[250] A existência de oficinas nos palácios indica a existência de artesãos profissionais que possivelmente gozaram de prestígios em decorrência de suas habilidades.[250] Haviam altos funcionários encarregados de recolher produtos agrícolas e outros impostos dos cidadãos.[250] A população ocupava-se com a agricultura, comércio e artesanato.[250] Possivelmente o palácio utilizava de empregados ou então escravos.[250]

As ocupações das mulheres cretenses variavam desde a participação em festas solenes e em cerimônias do culto até as ocupações mais modestas do lar. As mulheres desempenhavam diversos papeis como caçadoras, pugilistas, toureiras, sacerdotisas, etc.[103]

mulher com papiros.

Jogos (xadrez) e atividades esportivas (pugilismo, corridas, combates de gladiadores e touradas) eram suas diversões.[103] Os minoicos também apreciavam reuniões, teatros, danças e música. A dança cretense possuía caratê religioso. Descobertas arqueológicas apontam que os minoicos já conheciam a lira, a flauta e a trombeta.

[editar] Vestuário

Os tecidos minoicos eram feitos de fibras de linho e .[251] Os homens habitualmente não utilizavam roupa na parte superior do corpo. Utilizavam um tipo de tanga. O vestuário masculino era ornado com desenhos em espiral e com cores vivas. Quando não providos de longas madeixas, utilizavam turbantes, uma espécie de barrete ou então um chapéu chato e redondo. Seus calçados consistiam em alpercatas e altas botas. Possuíam o habito de retirarem os calçados quando estavam em ambientes fechados. As mulheres usavam corpetes justos e amplas saias em forma de sino com inúmeros babados. Também se vestiam com vestidos decotados, com o colo e os braços nus e os seios cobertos por peitorais de ouro ou prata. Calçavam sandálias bordadas, sapatos de salto e botinas. Seu penteado era provido de laços e cachos, e as mulheres traziam na cabeça tiaras de diademas.

[editar] Religião

Rhyton minoico.

Os minoicos parecem ter adotado principalmente divindades femininas ou deusas,[252],caracterizando uma religião matriarcal.[253] Embora exista algumas evidências de deuses masculinos, representações de deusas minoicas superam muito as representações de qualquer que pudesse ser considerada a de um deus minoico. Embora especule-se que essas imagens sejam de adoradoras e sacerdotisas oficiando em cerimônias religiosas, em oposição à Divindade em si, também parecem ser várias deusas incluindo uma Deusa Mãe da fertilidade, uma potnia ou senhora dos animais, protetora das cidades, da família, da colheita, do submundo, e mais. Alguns[254] argumentam que estes são todos aspectos de uma m remontam a uma mesma Deusa. Elas são muitas vezes representadas com serpente, pássaros, papoulas, e uma forma um tanto vaga de um animal na cabeça.

Os cretenses erigiam santuários em locais naturais (fontes, cavernas, elevações) ou nos palácios.[200] No entanto, é importante notar que os templos minoicos eram os centros para alguns cultos, mas templos como os gregos desenvolveram eram desconhecidos.[255] Certos tipos de artefatos são encontrados apenas nos palácios ou em locais especializados para cultos, fato que sugere conexão direta entre os dois.[256] Provavelmente a elite que construiu e ocupou os primeiros palácios em Creta mantiveram seu poder através de reivindicações de uma conexão especial com divindades que eram adorados em locais especiais de culto criados pela elite.[256]

Nos palácios, as salas reservadas aos cultos possuem altares de flancos arqueados, bacias lustrais (para purificação), mesas de três pés para oferendas, símbolos como os machados duplos e os chifres duplos, um vaso para libações (rhyton) em forma de cabeça de touro e afrescos que ilustram cerimônias religiosas.[200]

Uma principal celebração festiva foi exemplificada na famosa taurocatapsia, representada em geral nos afrescos de Cnossos [257] e inscrita em selos em miniatura.[258]

[editar] Símbolos culturais

Labrys, o machado da deusa Ártemis

Símbolos sagrados minoicos incluem o touro e os chifres de consagração, o labrys (machado de lâmina dupla, usado pela deusa Ártemis), a serpente, o disco solar, a pilastra e a árvore. Contudo, recentemente, uma interpretação completamente diferente desses símbolos, com foco na apicultura, como alternativa de significado religioso, tem sido sugerido.[259]

[editar] Inumações

O saltador de touros de Cnossos. (Museu Arqueológico Heraklion)

Acima de tudo, a inumação foi a forma mais popular de sepultamento, e a cremação não parece ter sido um meio popular de enterro na idade do bronze cretense.[260] Pouco se sabe sobre rituais mortuários, ou as etapas pelas quais passou o defunto antes do enterro final, no entanto, foi indicado que brindar rituais foi um importante rito mortuário, em decorrência da grande incidência de vasos para beber encontrados em alguns túmulos.[261]

Inicialmente havia uma tendência pela construção de grandes túmulos abobados (tholoi), assim como a construção de criptas em rochas maciças. No entanto, com o tempo, houve uma tendência por enterros singulares em pithoi (grandes vasos de armazenamento) e em recipiente de madeira semelhantes a sarcófagos. Esses sarcófagos eram ricamente decorados com motivos e cenas semelhantes a aqueles dos anteriores afrescos e da tradição de pintura de vasos.[262]

[editar] Sacrifícios humanos

No templo de Anemospilia, destruído por um terremoto, foram encontrados quatro corpos, sendo que supostamente um deste, encontrado sob um altar com uma lança entre os ossos, é de um ser humano sacrificado, no entanto alguns estudiosos, entre eles Nanno Marinatos, argumentam que este local não foi um templo e que as provas para o sacrifício "estão longe de serem conclusivas...".[263] Dennis Hughes, concorda e argumenta que a plataforma onde o homem estava não era necessariamente um altar, e a lâmina era provavelmente uma ponta de lança que pode não ter sido colocada no jovem, mas poderia ter caído durante o terremoto de prateleiras ou um andar superior.[264]

No santuário complexo de Fournou Korifi, fragmentos de um crânio humano foram encontrados na mesma sala, como uma pequena lareira, e utensílios domésticos. Este crânio tem sido interpretado como os restos de uma vítima sacrificada.[265]

O famoso sarcófago de Hagia Triada.

Na "Casa do Norte" em Cnossos foram encontrados os corpos de quatro crianças possivelmente sacrificadas e mutiladas. Estudiosos como Nicolaos Platon relutam a acreditar em tal barbárie, e supõem que os restos possam ser de macacos.[266] De acordo com Paul Rehak e John G. Younger[267] os ossos encontrados por Peter Warren são anteriores a invasão micênica. Dennis Hughes e Rodney Castleden argumentam que estes ossos foram depositados como um "enterro secundário".

[editar] Pax Minoica

Embora a visão criada por Arthur Evans de uma Pax Minoica, a "paz minoica" tem sido criticada nos últimos anos,[268][269] supondo que havia poucos conflitos armados internos na Creta minoica em si, até o período da dominação micênica.[270] Tal como acontece com grande parte da Creta minoica, no entanto, é difícil tirar qualquer conclusão óbvia a partir das evidências. Contudo, novas escavações mantêm o interesse e documentam o impacto ao redor do mar Egeu.[271]

Apesar de ter encontrado torres e muralhas em ruínas,[272] Evans afirmou que havia pouca evidência de fortificações minoicas. Mas como S. Alexiou assinalou (em Kretologia 8), uma série de sítios, como Agia Photia, são construídos em morros ou são enriquecidos. Como Lucia Nixon disse: "... nós podemos ter sido excessivamente influenciados pela falta do que poderíamos pensar como fortificações sólidas para avaliar as evidências arqueológicas corretamente. Como em tantos outros casos, podemos não ter ido a procura de provas em lugares certos, e, portanto, não podemos terminar como uma avaliação correta dos minoicos e sua capacidade de evitar a guerra".[273]

Muitos arqueólogos, entre eles Keith Branigan, Paul Rehak, Jan Driessen e Cheryl Floyd, acreditam que as armas encontradas em sítios minoicos tinham funções puramente econômicas e rituais. No entanto esta teoria é posta em prova por causa de "floretes de quase três metros de comprimento", datados do minoano médio.

[editar] Legado

Em decorrência da grande avidez dos minoicos para o comércio, esta civilização acabou por influenciar diversas localidades e povos do mar mediterrâneo. Acredita-se que o culto do touro nas ilhas Baleares foi introduzido pelos minoicos.

No entanto, foram os gregos que sofreram maior influência minoica. A língua, escrita, artes, esportes, ciência, agricultura, política e religião são algumas das contribuições dos minoicos para com os gregos. A hidráulica, os conhecimentos astronômicos, a navegação, a metalurgia, a dança, música e poesia, a intensa vida urbana, a administração bem estruturada e a centralização monárquica, as crenças do além-morte, o politeísmo antropomórfico e o cultivo de certas culturas (azeite, figos, vinhedos, etc.) são conhecimentos e convicções herdadas dos minoicos.

Precedido por
Pré-história da Grécia
Civilização minoica
2700 até 1420 /1 375 a.C.
Sucedido por
Civilização micênica

Referências

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