Miróbriga

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38° 0′ N 8° 41′ W

Vista aérea do forum - cortesia Filomena Barata

O local arqueológico de Miróbriga situa-se nas proximidades da cidade portuguesa de Santiago do Cacém.

História[editar | editar código-fonte]

Miróbriga representa um dos mais marcantes vestígios da ocupação dos romanos no Sudoeste de Portugal. Foi classificada de Imóvel de Interesse Público, em 1940.

A cidade romana estende-se por mais de 2 km, apresentando ruínas de edifícios de habitação, ruas pavimentadas, um hipódromo, termas, uma ponte e um fórum.

O Fórum de Miróbriga encontra-se localizado numa zona chamada de "Castelo Velho", o topónimo de castelo, no sul indica inúmeras vezes ocupação pré-romana. É o caso de Mirobriga. Foi ocupada já desde a Idade do Bronze, e do Ferro onde beneficiou das trocas comerciais púnicas no século IV a.C.

A partícula "briga" parece indicar a celtização da zona. A ocupação propriamente romana dá-se no século I d.C., e possivelmente teria o estatuto de Estipendiária. A sua origem etimológica deriva de dois vocábulos celtas antigos miro/more (mar) e briga (fortaleza), pelo que o topónimo significa Fortaleza do Mar. Na época pré-romana era o povoado principal dos mirobricenses, uma das tribos dos célticos, uma confederação tribal cujo território se situava a sul do dos lusitanos e a norte do território dos cónios (que correspondia aos atuais Algarve e sul do distrito de Beja), ou seja, do sul do rio Tejo (antigo Tagus) ao rio Guadiana (antigo Anas), correspondendo, em grande parte, ao atual Alentejo, Península de Setúbal, Ribatejo, a sul do rio Tejo, e parte da Estremadura espanhola.

Na época flaviana o desenvolvimento da cidade foi intenso, podendo mesmo ter chegado a obter o estatuto de município, juntamente com Bracara Augusta e Conímbriga. O que seria provável é que controlava muito possivelmente um território relativamente afastado de si, como é o caso de Sines.

O despovoamento de Miróbriga, terá ocorrido, segundo os testemunhos arqueológicos até agora apurados, no século IV d.C., altura da decadência do império romano registado amiúde em outras cidades.

Património[editar | editar código-fonte]

Templo de Vénus

Podemos apreciar um fórum, muito possivelmente construído no século I d.C., e as termas que terão sido edificadas na centúria seguinte, um templo, com o propósito cultual. Este mesmo templo está destacado no seio da urbe. Ocupa um lugar central no fórum. Existe uma outra estrutura com funções igualmente cultuais, segundo Dom Fernando de Almeida - o Templo de Vénus.

As termas são das mais bem conservados no país. Temos as termas este, edificadas no século II d.C., e as termas oeste que viram o nascer do dia por volta da segunda metade do mesmo século. Tanto a escolha topográfica para a implantação, como os materiais para a sua construção foram escrupolosamente pensadas. Existe uma zona de entrada, com salas para massagens, vestiário, e zona de água fria (frigidário) e água quente (caldário).

O hipódromo é o único registado em Portugal. Mede 369 X 75 metros, e teria provavelmente bancadas de madeira.

Foram também postas a descoberto várias habitações contendo pinturas murais.

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Legislação[editar | editar código-fonte]

  • Decreto n.º 30762, de 26 de setembro de 1940, que classifica como imóvel de interesse público a «área do Castelo Velho, com as ruínas da cidade romana adjacente descobertas na herdade dos Chão Salgados, subúrbios de Santiago do Cacém.»
  • Decreto n.º 32973, de 18 de agosto de 1943, que classifica como imóvel de interesse público a «área do Castelo Velho, com as ruínas da cidade romana adjacente», no concelho de Santiago do Cacém, distrito de Setúbal.
  • Portaria n.º 1135/91, de 5 de novembro, que fixa o perímetro da zona especial de protecção das Ruínas Romanas de Miróbriga.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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