Mishima: A Life in Four Chapters

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Mishima: A Life in Four Chapters
Mishima: Uma Vida em 4 Estações (PT)
 Estados Unidos
1985 • cor • 120 min 
Direção Paul Schrader
Roteiro Paul Schrader
Leonard Schrader
Elenco Ken Ogata
Masayuki Shionoya
Naoko Otani
Kenji Sawada
Género drama
Idioma inglês japonês
Página no IMDb (em inglês)

Mishima: A Life in Four Chapters (em Portugal Mishima: Uma Vida em 4 Estações[1] ) é um filme de 1985 dirigido por Paul Schrader e escrito por Paul e pelo seu irmão Leonard Schrader. É baseado na vida e ficção do autor japonês Yukio Mishima.

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Cruzamento de dados biogáficos do escritor japonês Yukio Mishima com trechos narrativos extraídos dos seus próprios romances e contos.

Ficha técnica[editar | editar código-fonte]

Elenco[editar | editar código-fonte]

Sobre o filme[editar | editar código-fonte]

Para estrear o filme em 1985, Schrader precisou de dez anos para poder cumprir o desejo de realizar um filme sobre a vida e a obra de Yukio Mishima, ultrapassando várias dificuldades. A primeira era, desde logo, a dificuldade intrínseca ao facto de um americano querer adaptar ao cinema a biografia de um autor japonês reputado pelo seu antiamericanismo[2] . A segunda era a aquisição dos direitos à viúva de Mishima, a qual sempre se recusara, até então, a fazê-lo.

Para fazer face àquelas dificuldades, Schrader aproveitou o facto de o seu irmão Leonard ser casado com uma japonesa (Chieko Schrader) e deslocou-se até ao país do sol nascente para tentar convencer os japoneses a cederem-lhe os direitos de adaptação ao cinema. Acabou por conseguir esses direitos, com a excepção do romance Cores interditas, o qual faz diretamente alusão à homossexualidade do escritor. De facto, a viúva de Mishima sempre procurou encobrir as tendências sexuais do falecido marido, tentando que esses aspectos da vida privada ficassem ausentes do filme[3] .

O filme organiza-se em quatro capítulos temáticos. Em cada um deles se enreda a biografia do escritor com encenações teatralizadas das suas obras. Dá assim corpo ao enigma-Mishima, ao retrato de um homem na fronteira entre a tradição e a modernidade. Uma vida que tem o seu epílogo no dia do discurso ao exército e do suicídio, apogeu dramático do princípio unificador da pena e da espada, mito original perseguido por Mishima e cuja impossibilidade no tempo presente é a matéria íntima da sua morte demencial e espetacular[4] .

Controvérsia[editar | editar código-fonte]

Segundo Paul Schrader, só um ocidental poderia ter realizado este filme, pelo motivo que muitos japoneses preferem esquecer que Mishima existiu. De facto, após a sua morte, a extrema-direita japonesa apoderou-se da figura do escritor, fazendo dela o seu herói, o seu símbolo. O próprio governo japonês fez tudo para evitar que Mishima: a Life in four Chapters visse a luz do dia[5] , alegando que um estrangeiro não pode compreender o espírito nipónico.

Assim, este filme nunca teve uma estreia oficial no Japão, não só devido à controvérsia sobre a própria figura de Mishima, mas também devido à vontade da sua família. Contudo, foi diversas vezes apresentado na TV japonesa (embora com a cena do bar gay cortada) e é permitida legalmente a importação do DVD.

Prémios e nomeações[editar | editar código-fonte]

  • Festival de Cannes 1985: Prémio para o contributo artístico (John Bailey, Eiko Ishioka e Philip Glass).

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. título em Portugal
  2. L'Écrivain-Samouraï, por Michèle Halberstadt. Première, le magazine du cinéma. Maio de 1985.pg. 96
  3. http://query.nytimes.com/gst/fullpage.html?res=9C02E7DD133BF936A2575AC0A963948260&sec=&spon=&pagewanted=all#/
  4. Leitão-Ramos, Jorge. Mishima de Paul Schrader. Diário de Lisboa. 13 de março de 1986.
  5. L'Écrivain-Samouraï, por Michèle Halberstadt. Première, le magazine du cinéma. Maio de 1985.pg. 98