Missionários do Sagrado Coração

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Sociedade dos Missionários do Sagrado Coração de Jesus
 
Societas Missionariorum Sacratissimi Cordis Jesu
Brasão Sociedade dos Missionários do Sagrado Coração de Jesus
AMETUR UBIQUE TERRARUM COR JESU SACRATISSIMUM
Amado seja por toda parte o Sagrado Coração de Jesus
sigla
MSC
Imagem: Sociedade dos Missionários do Sagrado Coração de Jesus
Sagrado Coração de Jesus
Tipo: Congregação religiosa católica
Fundador (a): Pe.Jean-Jules Chevalier, MSC
Local e data da fundação: Issoundun França 08 de dezembro de 1854
Aprovação: Pio IX
Superior geral: Pe. Mark McDonald, MSC
Presença: ≈ 50 países
Membros: ≈ 1300
Atividades: {{{atividades}}}
Sede: Via Asmara, 11, 00199 Roma
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A Sociedade dos Missionários do Sagrado Coração de Jesus, ou, mais simplesmente, "Missionários do Sagrado Coração", é uma congregação religiosa católica de rito latino.[1] Foi fundada em Issoudun, na França, pelo padre Julio Chevalier em 8 de dezembro de 1854, exatamente no mesmo dia da proclamação do dogma da Imaculada Conceição de Maria.

O programa de vida dos Missionários do Sagrado Coração resume-se em seu lema: "Amado seja por toda parte o Sagrado Coração de Jesus!", indicando sua vocação de anunciar ao mundo o amor de Deus manifestado no Coração de Cristo. Os padres, diáconos e irmãos costumam assinar, ao final do nome, as iniciais MSC (do latim Missionarii Sacratissimi Cordis) como sinal de sua pertença a esta família religiosa. Como a maior parte das congregações religiosas, há um grande trabalho envolvendo os leigos, que podem, inclusive, participar das missões dos religiosos. O Governo Geral da Congregação situa-se em Roma e há várias comunidades religiosas MSC espalhadas por todo mundo, nos cinco continentes

História[editar | editar código-fonte]

A Congregação foi fundada pelo sacerdote francês Jean Jules Chevalier (1824 - 1907). Profundamente impressionado pela doutrina da Encarnação, que afirma a tomada da condição humana por Deus em Jesus Cristo, Júlio Chevalier desejava apresentar ao mundo a imagem do Deus que aproxima-se da humanidade, assumindo-lhe a condição e fazendo-se próximo de todos. Imagem que contrastava com a de um Deus rigoroso, muito comum na França da época, graças ao Jansenismo. A ideia da criação de um novo instituto lhe surgiu durante seus anos de formação, quando, com um grupo de seminaristas, criou uma pequena associação chamada "cavaleiros do Sagrado Coração" (utilizando de um trocadilho com seu próprio nome. Chevalier significa cavaleiro em francês) e experimentou a eficácia de uma espiritualidade dirigida ao Sagrado Coração de Jesus.[2]

O Fundador, Pe. Júlio Chevalier

Ordenado padre,Júlio Chevalier, é nomeado vigário da paróquia de Saint Cyr em Issoudun (Indre), juntamente com o seu colega de seminário Emile Maugenest. Sente, então, reacender o desejo de fundar um grupo de religiosos que dedicassem suas vidas a divulgar o Sagrado Coração. A partir de suas conversas, lembranças e planos, decidem fazer uma novena à Nossa Senhora, com a intenção de que ela mostrasse se era ou não da vontade de Deus que suas ideias de fundação de uma nova Congregação tivessem bom termo. Se fosse atendido, além da Fundação, daria a Maria um novo título, honrando-a de maneira particular na Congregação.

A novena encerrou-se precisamente em 08 de dezembro de 1854, coincidindo com a Proclamação do Dogma da Imaculada Conceição, por Pio IX. Nesta ocasião, o Pe. Chevalier recebeu uma doação anônima de 20.000 francos que deveria destinar-se à criação de uma obra missionária. O fundador interpretou isto como um sinal de Deus, considerando aquela data como sendo o início da Sociedade dos Missionários do Sagrado Coração. Cumprindo sua promessa de dar um novo título a Maria, Pe. Chevalier passa a invoca-la, com a devida licença de Roma, como Nossa Senhora do Sagrado Coração, exprimindo a relação íntima entre o Coração do Filho e a intercessão de Maria em favor da humanidade. A aprovação, em caráter diocesano, da Congregação foi concedida por Jacques-Marie-Antoine-du Pont Célestin, Arcebispo de Bourges, em 09 de setembrode 1855.

A princípio, os Missionários do Sagrado Coração exerciam seu ministério auxiliando às paróquias, ajudando em sua missão, ensinando o catecismo, pregando retiros e missões paroquiais. A 25 de março de 1881, o Papa Leão XIII confia a Chevalier e a seus sacerdotes a evangelização do vicariato apostólico da Micronésia e Melanésia , dando os Missionários do Sagrado Coração a oportunidade de abrir-se às missões ad gentes.

A Congregação foi reconhecida como Instituto de Vida Consagrada de Direito Pontifício pelo "decreto de louvor" em 08 março de 1869 e foi finalmente aprovado pela Santa Sé em 20 de junho de 1874 .

A Congregação continuou a crescer e atualmente tem comunidades nos cinco continentes, servindo às Igrejas Locais nas mais variadas funções. Em 31 de dezembro de 2008, a Congregação tinha 291 casas e 1.961 religiosos, dos quais 1.383 sacerdotes.

Basílica de Nossa Senhora do Sagrado Coração em Issoudun

Lista dos Superiores Gerais[editar | editar código-fonte]

Os superiores gerais da ordem foram:

  1. Jules Chevalier (1869 – 1901)
  2. Arthur Lanctin (1901 – 1905)
  3. Eugène Meyer (1905 – 1920)
  4. Adrianus Brocken (1920 – 1932)
  5. Christianus Janssen (1932 – 1947)
  6. Patrick McCabe (1947 – 1958)
  7. Jozef Van Kerckhoven (1958 – 1969)
  8. J. Eugene Cuskelly (1969 – 1981)
  9. Cornelis Braun (1981 – 1993)
  10. Michael Curran (1993 – 2005)
  11. Mark McDonald (2005 - atualidade)

Votos[editar | editar código-fonte]

Como membros de uma Congregação religiosa , os Missionários do Sagrado Coração abraçam a conselhos evangélicos, professando os três tradicionais votos religiosos de pobreza, castidade e obediência. Pobreza significa que todos os bens são colocados em comum, e que nenhum membro pode acumular riqueza. A castidade significa mais do que a abstenção da atividade sexual e seu objetivo é fazer com que o religioso esteja totalmente disponível para o serviço, é também um sinal de que só Deus pode preencher completamente do coração humano. Para um membro de uma Congregação religiosa, a obediência não é anular-se servilmente diante de um superior, mas estar atento à vontade de Deus pela oração, e ouvir a voz da pessoa responsável pela comunidade. Em última análise, estes votos são vividos dentro de uma comunidade e sustentada por um profundo relacionamento com Deus.

Formação[editar | editar código-fonte]

O esquema formativo de um MSC não difere muito da maioria das Congregações: o candidato, ao procurar os Missionários do Sagrado Coração, manifestando seu desejo de tomar parte em seu modo de vida, passa a ser acompanhado por meio de encontros, orientações e correspondência, que visam um maior discernimento vocacional. Depois de um ano neste processo, o candidato pode ingressar numa das casas de formação que destina-se a introduzir a pessoa na Vida Religiosa. A fase seguinte é o Postulantado, em que se desenvolvem os estudos de Filosofia. Este período dura três anos.

Uma vez que o candidato conhece o caminho MSC da vida, ele é admitido no noviciado preparando-se para tomar os votos de pobreza, castidade e obediência. O ano de noviciado é crucial. A seu respeito, assim se expressa o Código de Direito Canônico, no cân. 646:

"O noviciado, com o qual se começa a vida no instituto, destina-se a que os noviços conheçam melhor a vocação divina, a vocação própria do instituto, façam experiência do modo de viver do instituto, conformem com o espírito dele a mente e o coração e comprovem sua intenção e idoneidade."[3] .

Assim, os noviços têm a oportunidade por longos períodos de oração e lectio divina, bem como de silêncio, a fim de refletir sobre o chamado que Deus lhe faz e a natureza da sua resposta. O desenvolvimento espiritual do noviço é o foco principal, especialmente através do acompanhamento do mestre de noviços. Em muitos países, tem-se o costume de que os noviços participem dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio, com a duração de 30 dias, visando um maior conhecimento de si mesmos e de Deus, a quem querem servir. Além disso, durante o noviciado, a história e as Constituições da Congregação são estudadas em profundidade.

Uma profissão simples é feita no final do noviciado e a pessoa torna-se oficialmente um membro da Congregação.

"Pela profissão religiosa os membros assumem, com voto público, a observância dos três conselhos evangélicos, consagram-se a Deus pelo ministério da Igreja e são incorporados ao instituto com os direitos e deveres definidos pelo direito."[4]

Espírito e Carisma[editar | editar código-fonte]

Júlio Chevalier acreditava na transformação do mundo através do Coração de Cristo e queria anunciar a todos a mensagem de Deus presente no Evangelho como resposta aos anseios e sofrimentos de cada coração humano. Júlio Chevalier valorizava enormemente o amor, a compaixão e a misericórdia, bem como a compreensão, o respeito e a aceitação de cada pessoa. Sua visão advinha das palavras de Jesus:

"E nós reconhecemos o amor que Deus tem por nós e acreditamos nesse amor. Deus é amor: quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus permanece nele." (I João 4, 16) "Eu dou a vocês um mandamento novo: amem-se uns aos outros. Assim como eu amei vocês, vocês devem se amar uns aos outros. Se vocês tiverem amor uns para com os outros, todos reconhecerão que vocês são meus discípulos." (João 13,34)

As Constituições da Congregação afirmam no nº13:

"O espírito da nossa Congregação é um espírito de amor e de bondade, de humildade e simplicidade. Ele é, acima de tudo, um espírito de amor pela justiça e a preocupação com o bem-estar de todos, especialmente para com os mais pobres."[5]

Para a Congregação o lema "Amado seja por toda parte o Sagrado Coração de Jesus" vai além de colocar imagens do Sagrado Coração em igrejas, devoções de primeira sexta-feira do mês e novenas, por mais importante que isso tudo seja. Significa acreditar que o amor de Cristo para com o seu povo cura, envolve, liberta e interpela. Em termos práticos, isto significa que os Missionários do Sagrado Coração:

  • Estão empenhados em difundir o Evangelho de Cristo
  • Procuram responder às necessidades de todos, especialmente aqueles que são pobres, isolados ou marginalizados
  • Dedicam-se a promover o desenvolvimento humano em compaixão, a construir uma sociedade fraterna, à luz da Doutrina Social da Igreja
  • Buscam incentivar, promover e manter a liderança de leigos na Igreja e envolvimento em suas missões e espiritualidade
  • Isto significa que os Missionários do Sagrado Coração de Jesus estão envolvidos em uma variedade de ministérios sendo esta a sua maneira de responder aos 'sinais dos tempos', sempre procurando maneiras de trazer as pessoas para uma vivência mais profunda do amor que Deus tem para seus filhos.

Organização e Ministérios[editar | editar código-fonte]

A Congregação estrutura-se em unidades menores chamadas "Províncias", que são governadas por um Superior Provincial, que presta contas ao Superior Geral. Estes são alguns dos trabalhos exercidos em algumas Províncias MSC pelo mundo.

Brasil[editar | editar código-fonte]

Os MSC chegaram ao Brasil em 1911 à convite do então Bispo de Pouso Alegre, com o objetivo de serem professores em seu seminário diocesano. De lá pra cá, a Congregação espalhou-se e cresceu. Atualmente os MSC no Brasil dividem-se em 4 grupos:

Vista interna do Santuário de Nossa Senhora do Sagrado Coração, em Vila Formosa, São Paulo-SP, administrado pelos Missionários do Sagrado Coração
  1. A Província de São Paulo, atuando no sul de Minas Gerais, São Paulo, Ceará, Maranhão, Piauí e Amazonas.
  2. A Província do Rio de Janeiro, que atua no norte de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Pará.
  3. A Província de Curitiba que exerce seu ministério no Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso.
  4. Há ainda uma secção italiana no Nordeste. Ao todo, são cerca 140 religiosos MSC trabalhando no Brasil.

Seu campo de trabalho é diverso, contando com trabalhos paroquiais, missões em áreas isoladas e nas periferias das grandes cidades, colégios, casas de retiro, meios de comunicação e arte, além diversas causas sociais. As Províncias do Brasil ainda mantém juntas uma área missionária no Equador.

Referências

  1. Constituições e Estatutos dos Missionários do Sagrado Coração, nº1
  2. Pe. José Maria Pinto, MSC In:Júlio Chevalier, o Fundador.
  3. Código de Direito Canônico.
  4. Constituições e Estatutos dos Missionários do Sagrado Coração
  5. Constituições e Estatutos dos Missionários do Sagrado Coração, nº13
  6. Dónde estamos, Disponível no site da Casa Geral dos MSC.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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