Misticismo

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Misticismo (do grego μυστικός, transliterado mystikos, "um iniciado em uma religião de mistérios") é a busca da comunhão com uma derradeira realidade, divindade, verdade espiritual ou Deus através da experiência direta ou intuitiva.1

No livro de Jakob Böhme "O Príncipe dos Filósofos Divinos"2 , o misticismo se define como um tipo de religião que enfatiza a atenção imediata da relação direta e íntima com Deus, ou com a espiritualidade, com a consciência da Divina Presença. É a religião em seu mais apurado e intenso estágio de vida. O iniciado que alcançou o "segredo" é chamado um "místico". Os antigos cristãos empregavam a palavra "contemplação" para designar a experiência mística.

"O místico é aquele que aspira a uma união pessoal ou a unidade com o Absoluto, que ele pode chamar de Deus, Cósmico, Mente Universal, Ser Supremo etc. (Lewis, Ralph M)"3

Índice

Visão geral [editar]

A palavra "místico" foi empregada pela primeira vez no Mundo Ocidental nos escritos atribuídos a Dionysius, o Aeropagite, que apareceu no final do século V. Dionysius empregou a palavra para expressar um tipo de "Teologia", mais do que uma experiência. Para ele e para muitos intérpretes, desde então, o misticismo tem se baseado em uma teoria ou sistema religioso que concebe Deus como absolutamente transcendente, além da Razão, do pensamento, do intelecto e de todos os processos mentais.

A palavra, desde então, tem sido usada para os tipos de "conhecimento" esotérico e teosófico, não suscetiveis de verificação. A essência do misticismo é a experiência da comunicação direta com Deus.

A palavra "misticismo" tem origem no termo grego μυστικός = "iniciado" (nos Mistérios de Elêusis, μυστήρια = "mistérios", referindo-se as "Iniciações"4 ) é a busca para alcançar comunhão ou identidade consigo mesmo, lucidez ou consciência da realidade última, do divino, Verdade espiritual, ou Deus através da experiência direta, intuição ou insight; e a crença que tal experiência é uma fonte importante de conhecimento, entendimento e sabedoria. As tradições podem incluir a crença na existência literal de realidades empíricas, além da percepção, ou a crença que uma "verdadeira" percepção humana do mundo trancende o raciocínio lógico ou a compreensão intelectual.

O termo "misticismo" é, frequentemente, usado para se referir a crenças que são externas a uma religião ou corrente principal, mas relacionado ou baseado numa doutrina religiosa da corrente principal. Por exemplo, Kabala é a seita mística dominante do judaísmo, sufismo é a seita mística do Islã e gnosticismo refere geralmente a várias seitas místicas que surgiram como alternativas ao cristianismo. Enquanto religiões do Oriente tendem a achar o conceito de misticismo redundante, e o conhecimento tradicional e ritual são considerados como esotéricos: por exemplo, vajrayana e budismo.

Definição [editar]

Uma definição de misticismo não poderia ser ao mesmo tempo significativa e de abrangência suficiente para incluir todos os tipos de experiências que têm sido descritas como "místicas".

Por definição natural, misticismo é a prática, estudo e aplicação das leis que unem o homem à Natureza e a Deus.

Desta forma, a mística se distingue da religião por referir-se à experiência direta e pessoal, com a divindade, com o transcendente, sem a necessidade de intermediários, dogmas ou de uma teologia.

Na teologia [editar]

Conjunto de práticas religiosas que levam à contemplação dos atributos divinos. Estado natural ou disposição para as coisas místicas, religiosas; religiosidade.

Citações no livro "O Mundo de Sofia" [editar]

Citando o livro "O Mundo de Sofia", quando fala sobre misticismo:

"Uma experiência mística significa experimentar a sensação de fundir sua alma com Deus. É que o "eu" que conhecemos não é nosso "eu" verdadeiro e os místicos procuravam conhecer um "eu" maior que pode possuir várias denominações: Deus, espírito cósmico, universo, etc. No entanto, para chegar a esse estado de plenitude, é preciso passar por um caminho de purificação e iluminação através de uma vida simples. Encontram-se tendências místicas na maioria das religiões do mundo. Na mística ocidental (judaísmo,cristianismo e islamismo), o místico diz que seu encontro é com um Deus pessoal. Na oriental (hinduísmo, budismo e religiões tradicionais chinesas), o que se afirma é que há uma fusão total com Deus, que é o espírito cósmico. É importante notar que essas correntes místicas já existiam muito antes de Platão e que pessoas de nossa época têm relatado experiências místicas como uma forma de experimentar o mundo sob a perspectiva da eternidade." (O Mundo de Sofia).

As correntes místicas pregam a experiência direta do divino, comumente chamada de "experiência mística", e muitas vezes descrita como "iluminação". A experiência mística é um estado de consciência em que o místico tem um vislumbre daquilo que está além deste plano físico, e muitas vezes é descrito como união com o Todo. Isto só pode ser alcançado, segundo os místicos, por uma disciplina espiritual que visa a distanciar-se das coisas mundanas.

Muitas vezes, a experiência mística é descrita por aqueles que a sentem como uma "visão ou percepção direta de Deus". Tais fenômenos estão presentes tanto no Velho Testamento quanto no Novo Testamento da Bíblia e na cultura oriental (budismo, hinduísmo, yoga etc.).

O místico procura na prática espiritual e no estudo das coisas divinas, mais que na racionalidade, as bases para suas concepções de vida, embora muitas vezes o misticismo esteja envolvido com intrincados sistemas que o fundamentam. Este é o caso da Cabala, a tradição esotérica dos judeus.

A experiência mística é o modo como o místico entra em contato com o Divino.

Citações no livro "O livro das religiões" [editar]

Citando o livro "O livro das religiões", que fala sobre as características do estado místico:

É como se ele [o místico] fosse tomado por uma força externa.

Essa condição se caracteriza pela intemporalidade. O místico se sente arrancado para fora da existência normal de quadro dimensões.

Essa compreensão é inexprimível, não pode ser comunicada a outros.

Como a experiência é paradoxal em si mesma, o místico vai usar paradoxos ao tentar descrever o estado que experimentou.

Correntes Místicas [editar]

O "Olho que tudo vê" ou Olho da Providência que aparece na torre da Catedral de Aachen.

São doutrinas ou correntes de pensamento que podem ser consideradas vertentes do misticismo:

Místicos Orientais [editar]

Uma grande estátua em Bangalore retratando Shiva meditando

Ver também [editar]

Ligações externas [editar]

Notas [editar]

  1. James, William. The Varieties of Religious Experience: A Study in Human Nature. [S.l.: s.n.], 1902. ISBN 0-679-64011-8
  2. Do livro: Jacob Boehme - O Príncipe dos Filósofos Divinos página 29 (Título original: BOEME (RAD10 - SUPREMA GRANDE LOJA - AMORC) 1º Edição em Língua Portuguesa, Setembro de 1983 Biblioteca Rosacruz. Composto e Impresso na Grande Loja do Brasil - Curitiba, Paraná
  3.  ::Lewis, Ralph M., ALQUIMIA MENTAL, Biblioteca Rosacruz, Editora Renes, Rio de Janeiro, número XX, 1982.
  4. . Os Mistérios Eleusinianos, ou Religião de mistérios em geral, não necessariamente envolvendo o misticismo; o significado presente do termo surgiu, antes, via platonismo e neoplatonismo, que fazem referência à iniciação eleusina como uma metáfora para a "iniciação" às verdades espirituais.
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